Quase sem suspense

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POR GERSON NOGUEIRA

Como os quatro semifinalistas já são conhecidos, a rodada desta tarde perdeu o caráter emocionante que poderia ter. A principal indefinição, que reinou até três dias atrás, dizia respeito ao local e dia do jogo entre Cametá x Remo, finalmente confirmado para o Parque do Bacurau no mesmo horário dos demais.

A outra questão em aberto é a definição da vaga ao rebaixamento no grupo A2, entre Parauapebas e Paragominas. Ambos têm a tarefa inglória de decidir a sorte fora de casa, contra Bragantino e PSC, respectivamente, os dois melhores do grupo A1.

Nos demais jogos, resta a expectativa do São Raimundo em relação ao 1º  lugar de seu grupo. Três pontos atrás do Remo, com uma vitória a menos e saldo de gols inferior (7 a 4), o Pantera pode inverter as posições caso vença o Castanhal por mais de dois gols de diferença e os azulinos percam em Cametá.

De maneira geral, porém, a 10ª rodada terá times modificados pelas circunstâncias e a antecipação de desmanche de alguns elencos, como ocorre com o Independente. No caso do PSC, por exemplo, Dado Cavalcanti poderá poupar alguns titulares já observando as batalhas da semifinal, além de ter a chance de observar alguns reservas.

No Bragantino, adversário bicolor na próxima fase, a chance de uma reviravolta na classificação da chave – que permitiria o segundo jogo em Bragança – é praticamente impossível, visto que tem uma vitória a menos que o Papão e uma expressiva desvantagem no saldo de gols, 9 a 1.

Daí surgir a perspectiva de Arthur Oliveira experimentar um time com eventuais substitutos de Paulo Ricardo, Alan Calberg e Aslen, atletas emprestados pelo PSC e que estão impedidos (pelo velho e questionável “acordo de cavalheiros”) de enfrentar o clube de origem.

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Boa prosa e simplicidade: segredos de Walter

Walter tem encantado a torcida do Papão pela franqueza até ingênua de suas declarações. O jeitão simplório é cativante, remete a lembranças de jogadores carismáticos que passaram há anos pela Curuzu – Fio Maravilha e Rei Dadá, principalmente. Suas primeiras entrevistas, concedidas logo que desembarcou em Belém, confirmaram a natureza inteiramente diferente em comparação com boleiros de sua geração.

Aborda sem rodeios a dificuldade para lidar com comida, mostra-se tranquilo quanto às gozações sobre sua forma física. Reclamou em tom ameno, com toda razão, da carestia em Belém em conversa com o repórter Dinho Menezes. Admitiu, sem tergiversar, a falha óbvia de marcação ocorrida no lance do gol remista no clássico de domingo passado.

As afirmações de Walter são quase inacreditáveis no cenário das entrevistas sem sal que o futebol dito moderno oferece ao distinto público. Hoje, jogadores são extremamente preocupados em tornar inofensivas suas falas, a fim de evitar qualquer tipo de embaraço ou polêmica.

Por isso mesmo, ouvir um boleiro falando sobre o jogo ou o próprio ofício virou um subgênero do humor involuntário. Há sempre um desfile de obviedades, com o carimbo do discurso bem ensaiado.

Talvez a empatia despertada por Walter junto ao torcedor tenha origem nessa pureza d’alma, tão fora de moda e ao mesmo tempo tão bem-vinda. De certo modo, lembra um jogador saído diretamente de uma janela qualquer entre os anos 60 e 70, quando o físico não era tão determinante para resultados em campo e as prosas eram mais francas e sinceras.

É cedo ainda, mas, caso venha a exibir em campo pelo menos parte da boa técnica já mostrada em outros clubes, Walter tem condições de se instalar como ídolo alviceleste, cargo desocupado há pelo menos 15 anos, desde que Vandick saiu de cena.

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Um mineiro faz bonito no Parazão

O Campeonato Estadual está chegando às fases decisivas e ainda há tempo de fazer justiça ao bom trabalho de Vladimir de Jesus, mineiro que dirige o São Raimundo de Santarém e que chegou aqui sem nenhum cartaz. Seu trabalho mais conhecido tinha sido no modesto Parnahyba na Série D 2017, além de passagens pelo Flamengo-PI, Uniclic e Ferroviário.

Depois de um começo hesitante, com alguns tropeços inesperados, o Pantera se estabilizou como mandante e partiu para a classificação, sempre amparado no estilo agressivo de jogar dentro do Barbalhão e na qualidade de jogadores como Jefferson Monte Alegre e Felipe.

Discretíssimo, como convém a um mineiro, Vladimir é dos menos badalados treinadores do Parazão, mas se coloca hoje – junto com Arthur Oliveira, do Bragantino – como bem-vindo sopro de novidade no torneio que viu murcharem alguns nomes até então muito festejados.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro comanda a atração, a partir das 21h, na RBATV. Tommaso e Valmir Rodrigues participam dos debates. Na agenda, análise e gols da rodada, além de sorteios e interatividade.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 18)

5 comentários em “Quase sem suspense

  1. Toda crítica sincera e construtiva é bem vinda. Belém é mesmo uma cidade cara. Em certo sentido há razão para a carestia, pois estamos longe dos centros produtores. Em outro, não há como justificar os preços altos de alimentos como peixe e carne bovina, sendo o Pará grande produtor desses produtos.

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  2. Não, meu amigo comentarista aí do quadro acima. A razão para ser a nossa Belém uma cidade cara não é exatamente estar localizada distante dos maiores centros produtores. Pode-se falar assim em relação a um automóvel, por exemplo. Jamais em relação a gêneros de primeira necessidade, mormente os regionais como o saboroso açaí e a farinha de mandioca, que foi especialidade de meu saudoso pai.
    A carestia belenense, tal como o caótico trânsito automobilístico, as favelas (53% da população, segundo dados oficiais), e até a insegurança, tem outras razões. Uma dessas razões passa pela apatia (falo isso com tristeza) política do nosso povo, que considera normal e até justifica (como é o caso do amigo) tantas mazelas.

    Sobre o futebol, embora azulino, também torço por Walter, exceto é claro quando jogar contra o meu Remo. Os nossos defensores têm que ter bastante cuidado com o gorducho. Do lado azulino, no passado, tivemos um sujeito parecido com o Walter: foi o Ageu Sabiá. Entre outras pérolas, saía-se com essa: “Difícil mesmo é dar cachuleta em Jabuti e rasteira em cobra. O resto é fácil”. Falava assim como a dar uma resposta a seus críticos sobre o seu físico atlético.

    Quanto ao Paysandú, cá pra nós, é muito medo do Bragantino, afastar três peças do já limitado time do Caeté. Outros dizem que também Romarinho não poderá atuar. Ah se fosse o Remo a agir assim!

    Bom domingo a todos e boa jornada esportiva!

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  3. Remo e Cametá. Tudo dentro dos conformes, como Remo vencendo sem muito brilho de um time rebaixado que passou o campeonato inteiro jogando um futebol abaixo da crítica.
    Destaque, para mim negativo, é este uniforme do Remo.
    Não que seja feio. Mas, é que a tonalidade foge daquele azul tradicional que já garantiu ao Centenário Clube do Remo o destaque de possuir uma das camisas mais bonitas do mundo.
    Deveras, há de se ter atenção. Afinal, houve um que perdeu a sede campestre; outro que demoliu o escudo; outro que acabou com o estádio. Será que para não ficar atrás o atual agora vai querer acabar com a camisa do Clube. Pô, tudo tem limite.

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  4. Obrigado pela análise sobre a partida do Leão contra o Mapará, amigo Oliveira. Não pude acompanhar a rodada em função de viagem realizada no começo da tarde a SP, que acabou impossibilitando excepcionalmente a postagem do bate-papo virtual, pelo que peço desculpas aos bravos baluartes deste espaço.

    Curtido por 1 pessoa

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