O valor da tradição

POR GERSON NOGUEIRA

Leão e Papão fazem um clássico curioso neste domingo. Vale como se fosse uma decisão, mas não decide absolutamente nada, pois esta é a 9ª rodada da fase de classificação e ambos já estão assegurados nas semifinais do Estadual. Cabe entender, porém, que o confronto é e será sempre decisivo, conforme manda a tradição alimentada por secular rivalidade.

Nelson Rodrigues disse certa vez que o Fla-Flu surgiu 40 minutos antes do nada. Pode-se dizer que o Re-Pa segue igual trilha mística, talvez em grau até mais acentuado de emoção, visto que são apenas duas torcidas a dividir os amores de uma população e no Rio a rivalidade se espraia por quatro.

Para o segundo embate da temporada, o Papão traz um peso maior nas costas, pois a torcida não admite nova derrota. Desde que Dado Cavalcanti assumiu, o time joga com grande aplicação, mantendo-se invicto há cinco jogos, com cinco vitórias, 15 gols pró e quatro sofridos.

Dado teve o mérito de valorizar e fazer Mike jogar e de apostar na juventude de William. E a ausência deste último (por lesão) é o grande problema para o clássico, por enfraquecer a marcação. Por outro lado, a evolução de Walter pode atenuar essa perda. O atacante caiu nas graças da torcida, principalmente depois de marcar contra o Santos-AP.

Aliás, Walter pode vir a ser o grande personagem do Re-Pa, mesmo que jogue somente nos minutos finais. A curiosidade inicial sobre seu rendimento em campo vem dando lugar a um crescente entusiasmo dos torcedores quanto ao potencial dele como reforço para utilização imediata.

No Remo, Givanildo Oliveira é a novidade. Sua presença restituiu a estabilidade técnica, seriamente ameaçada desde as eliminações na Copa do Brasil e Copa Verde. Com ele no comando, o time conseguiu vencer seu primeiro jogo no interior desde o ano passado.

No primeiro clássico, o Remo foi mais vibrante, extraindo daí condições para superar um rival tecnicamente superior. Dono da melhor campanha, o PSC continua alguns degraus acima, mas fatores como alma e gana podem falar mais alto, e não dependem da qualificação dos jogadores.

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Bola na Torre

O programa será inteiramente dedicado à análise do choque-rei da Amazônia. Giuseppe Tommaso apresenta, com participação de Valmir Rodrigues e deste escriba baionense. Começa às 21h, na RBATV.

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CBF velha de guerra não aprende nunca

Mesmo banido oficialmente por 90 dias, Marco Polo Del Nero – aquele que nunca viaja para o exterior – manobrou os pauzinhos e conseguiu emplacar seu sucessor no comando da CBF. O anúncio do ungido Rogério Cabloco ocorreu na sexta-feira, sendo que o arranjo será sacramentado a 16 de abril.

Todos os eleitores com assento no restrito colégio eleitoral da entidade já foram devidamente “convencidos” a apoiar o nome indicado por Del Nero. Somente os votos dos presidentes de federações, num total de 81 (contando com o peso 3 dado a cada um dos 27), já garantem o regabofe da vitória.

Como a provar que o ruim sempre pode piorar, a CBF bolou um festivo “trem da alegria” para a Copa, sem nenhum pudor. Os 27 presidentes de federações, mais 10 (PSC na lista) representantes de clubes escolhidos em sorteio, irão ao Mundial da Rússia com todas as despesas pagas. O custo total da quermesse gira em torno de R$ 3 milhões.

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Gangues não sabem torcer, apenas matar  

Soa incompreensível a excessiva boa vontade das autoridades policiais e do Ministério Público para com as lideranças das gangues uniformizadas que infestam e aterrorizam os estádios. É preciso compreender que o velho conceito de “torcida organizada” já morreu faz tempo.

Prevalece hoje uma luta sangrenta por espaço e poder nos grupos de arruaceiros adeptos da dupla Re-Pa. A execução de um dos chefes, na sexta à tarde, após reunião no Comando da PM, é emblemática do cenário de conflagração criminosa que os poderes constituídos fingem não ver.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 11) 

4 comentários em “O valor da tradição

  1. Na minha opinião, torcida organizada é uma entidade rival do clube. Atrai torcedores (tirando receita dos clubes), vende um serviço desnecessário (e tira receita dos clubes) e com a violência (e, mais uma vez, tira receita dos clubes), atrapalha todo o marketing esportivo, que é baseado em valores como fair play, respeito, dignidade, honra. As batalhas campais promovidas pelas organizadas mostram um perfil antiesportivo, exatamente o oposto do promovido pelos clubes e afastam os torcedores com verdadeiro esportivo e termina por atrair vândalos para as arquibancadas. A lógica das organizadas é, portanto, desafiar os valores do esporte. É preciso entender que torcidas organizadas são como empresas e lucram com os torcedores que se associam. E isso é uma forma de concorrência direta com os clubes pelos torcedores e por receita. As torcidas organizadas não são subgrupos de um grupo maior que é a torcida de um clube, são um tipo de negócio paralelo que visa retirar dos clubes um pedaço do mercado que seria naturalmente deles. Pelo bem do esporte, isso tem que acabar.

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  2. Para um elenco de qualidade técnica superior, a grande esperança da torcida bicolor é depositada em Walter. Além disso, a ausência de um é suficiente para ser um grande problema para o clássico.

    Enquanto no Remo, o grande reforço está fora das quatro linhas.

    Pelos números até aqui apresentados, pela juventude de um técnico moderno e vencedor (ao menos no Pará), pela folha de pagamento, tudo indica ao Paysandú o favoritismo.
    Mas clássico é clássico, conforme o manjado clichê futebolístico.

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  3. Sim, essa era uma outra era, com torcidas realmente empenhadas em homenagear o clube e incentivar durante os jogos. Surgiu também a Sangue Azul, do José Miranda.

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