Leão sob nova direção

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POR GERSON NOGUEIRA

Para quem nunca havia visto o estilo Givanildo Oliveira em ação, a tarde de quinta-feira foi bem ilustrativa sobre o perfil do veterano treinador. Seis anos depois de sua última passagem pelo clube, ele foi apresentado oficialmente e em seguida já dava as caras no campo da Tuna para acompanhar a movimentação dos jogadores.

Na conversa com os repórteres, cantou a pedra, com a franqueza habitual. Não é de ficar em casa curtindo férias. Estava sem trabalhar desde que deixou o Ceará, mas aceitou a missão de comandar o Remo, sabendo das dificuldades e da cobrança extremada do torcedor por conquistas.

Alguns poucos técnicos no Brasil preservam características mais afinadas com o passado da profissão. Givanildo é, por essência, o maior representante dessa seleta confraria. Além dele, talvez só Levir Culpi consiga ser tão crítico em relação às pseudo novidades do ofício.

Convence quando diz que gosta de ser treinador, por isso se mantém há 37 anos na estressante atividade, sem planos de se aposentar. “Só param quando me pararem”, disse ontem, em meio a várias frases que reafirmam o velho tom raiz – pra ficar num termo da moda.

Demonstra estar a par das dificuldades atuais do Remo, que formou um elenco que até aqui não deu liga – tanto que foi eliminado das Copas Verde e do Brasil – e que agora precisa salvar a temporada em duas competições, Campeonato Estadual e Série C.

Sobre mudanças no elenco, mostrou-se cauteloso, embora sem descartar novas contratações, mas atento aos aperreios financeiros da casa. É fato que o grupo atual precisa urgentemente de mais um zagueiro, um meia-armador e um atacante. Givanildo falou de urgência, mas só deve oficializar pedido de reforços após a partida contra o Águia, no próximo domingo.

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Ao mesmo tempo em que mostrava a diplomacia própria de quem está chegando, foi direto ao ponto quando indagado sobre uma possível volta de Eduardo Ramos, sonho de muitos que lidam com o futebol azulino e de parte da torcida. Segundo ele, pelas informações disponíveis, prefere não ter o meia de volta. Simples, sem firulas.

Aos que preferem o discurso empolado e carregado de tecnicismos, muito ao gosto da geração de novos treinadores, Givanildo pode causar certo estranhamento ao abraçar um receituário simplório e despojado. Detonou sem pena a onda de cursos e oficinas destinados a técnicos no Brasil, na visão dele pouco funcionais e mais voltados para o marketing.

Gostar ou não do estilo ranzinza de Givanildo é um direito, mas ninguém pode negar que sabe montar bons times sem investimentos vultosos. Seus últimos feitos atestam isso. O Remo aposta suas fichas nesse currículo vitorioso para resgatar o título estadual e concretizar o sonho do acesso à Série B. (Foto: Samara Campos/Ascom CR)

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Atento ao Re-Pa, Papão poupa metade do time titular

Não se pode culpar Dado Cavalcanti pela iniciativa de poupar as peças principais de seu time. Terá que fazer três jogos em oito dias, dois deles fundamentais para o desdobramento da temporada.

Contra o Santos-AP, em Macapá, a preocupação é fazer um bom resultado para definir em casa a passagem à próxima fase da Copa Verde.

Depois disso, virá o jogo mais importante e menos decisivo da temporada. Encara o segundo Re-Pa do ano com a classificação assegurada à semifinal do campeonato, mas sabe que não pode correr o risco de um tropeço.

A derrota no primeiro choque-rei foi determinante para o descarrilamento do trabalho de Marquinhos Santos. Pode-se dizer até que foi determinante para sua queda, pois tornou aguda a insatisfação no torcedor.

Como o embate em Santarém não define nada no grupo A1 do Parazão, Dado adota a estratégia mais adequada. Dá um descanso à dupla de zaga titular – Diego Ivo e Perema – e uma folga a Moisés, o atacante que mais jogou na temporada.

Só não pode perder de vista que a ideia de poupar atletas nem sempre é  compreendida e bem vista pelo torcedor. No Remo, a decisão de escalar um time reserva contra o Bragantino desencadeou a crise que culminou com a saída do técnico Ney da Matta.

É cada vez mais forte o sentimento de que jogadores de futebol são excessivamente paparicados e preservados quanto à agenda de jogos, embora os testes de risco e precauções médicas possam contribuir para evitar contusões graves.

Mesmo que a fria lógica dos exames confirme o acerto de certas decisões, os resultados pesam muito mais na avaliação implacável do torcedor.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 02) 

8 comentários em “Leão sob nova direção

  1. Pode-se afirmar: Giva portou-se como o sargento Getúlio, de João Ubaldo Ribeiro, ao desdenhar da inovação, do preparo acadêmico e do aperfeiçoamento teórico. Para ele, o mundo não muda, não se move e nem precisa que se abandone o primitivismo cavernoso dantanho.

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  2. Sobre Givanildo, realmente é figura ímpar no mar de redundância e enrolação do discurso padrão dos atuais técnicos brasileiros. Como veterano que é, não sente mais receios em empolar falas ou amenizar o que precisa ser dito diretamente. Contudo, concordando com o que disse o amigo Jorge, também vejo com ressalvas essa “teimosia” em aceitar o novo, a atualização do modo de entender e conceituar o futebol, o que se aproxima da opinião de técnicos como Felipão, Joel Santana e Parreira, já adjetivados como ultrapassados. Respeito o seu modo direto e sem firulas de tratar a profissão de treinador, mas resta saber se resistirá ao nebuloso contexto gerencial/político do Clube do Remo e às mentalidades que não devem se adequar facilmente ao seu modo simples, laborioso e reto de pensar e agir.

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  3. Primeiro o Papão.
    Acho interessante a idéia de poupar alguns jogadores, desde que não comprometa o esquema de jogo.

    Agora o resto.
    O mais vitorioso treinador do futebol paraense chega para resolver o problema do vizinho e de cara entristece metade da torcida que adora o ER e suas manias extra-campo. Tipo, “se sou profissional, quero jogadores profissionais”. E a choradeira se espalha pela cidade.

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  4. Não sei porque a choradeira. Esperemos o clássico rei da Amazônia.

    Givanildo,simples assim, na idade de quem não precisa agradar a ninguém.
    Para o padrão regional, tipo Remo e demais, de fato não é necessário desses cheios de firulas, tecnicismos, marketing. Basta seguir o estilo feijão com arroz, tal qual a cartilha do velho Saldanha. João, perguntado sobre um jogo que o Brasil faria na Argentina, saiu-se com essa:

    “Não há porque temer, pois o campo é quadrado e a bola é redonda”.

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  5. O que o velho Giva quis dizer, e disse, é que não conive com certos simulacros de graduação e pós graduação. Da postura que exibiu na coletiva deixou clato que está muito bem situado no tempo e no espaço alusivos ao mister futebolístico e que segue disposto a evoluir. Agora, se vai ou não ser bem sucedido nesta árdua missão que conscientemente aceitou, só o tempo dirá.

    A propósito, no que diz respeito à graduação e pós graduação do “professor” do esporte bretão, o Renato Gaucho, para o desgosto de muitos que se dizem especialistas, foi mais radical que o velho Giva, mostrou que para obter êxito, nem treinador precisa ser. Saiu da praia direto para levantar o Caneco da Libertadores e ir disputar o Mundial de Clubes. E isso com jogadores que não integravam a lista daqueles considerados top no futebol brasileiro.

    Enfim, muita sorte ao treinador e mais sorte ainda ao Mais Querido, vão precisar, pois a sutuação é muito difícil.

    Quanto ao Da Curuzu, acho que o treinador age corretamente. Com a pontuação bem encaminhada, e como a dívida que tem com a respectiva torcida só poderá ser eventualmente resgatada no jogo seguinte, parece mais indicado que no jogo de hoje ele preserve e condicione melhor aqueles jogadores que considera os melhores de seu elenco.

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