O dilema leonino

POR GERSON NOGUEIRA

O Remo está outra vez sem comando técnico. O mineiro Ney da Matta passou cerca de dois meses no Evandro Almeida, mas foi apeado do cargo por força dos maus resultados e da urgência por títulos que açoita o clube há tempos. Em 10 jogos disputados, não conseguiu formatar um time competitivo, apesar de ter sido atendido nas indicações de reforços.

Seja pela indigência técnica dos jogadores, seja pela incapacidade de pôr em prática seus conceitos táticos, o fato é que Da Matta frustrou expectativas, sendo eliminado de duas competições importantes – Copa Verde e Copa do Brasil – em menos de uma semana.

A campanha na Copa BR foi digna e aceitável. A eliminação era previsível, tal a disparidade de investimentos entre Remo e Internacional. Não foi, portanto, a causa principal da demissão. O bicho pegou, de fato, quanto à Copa Verde, competição que virou um desafio para os azulinos, que ainda lamentam a desclassificação humilhante para o Santos-AP em 2017.

Sem respostas para o mau desempenho no Parazão, com derrotas para Independente e Bragantino, Ney da Matta se refugiou no discurso fácil de que a bola teimava em não entrar, conflitando com a realidade.

O Remo sob o comando de Da Matta foi sempre um time instável, capaz de boas apresentações, como contra o PSC, parte do jogo com o Águia e frente ao Inter, mas sujeito a apagões inexplicáveis e fatais, como no próprio confronto decisivo da Copa BR.

A insegurança se tornou marca registrada de uma equipe que desmorona quando sofre um gol logo de cara e perde o rumo quando não consegue impor-se ao adversário. Técnico experiente, Da Matta sabia que o trabalho não agradava. Suas últimas entrevistas foram recheadas de afirmações vazias, próprias de quem não tem mais muito a dizer.

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A reunião que selou sua saída ocorreu na tarde de domingo, avançando noite adentro, com participação do presidente Manuel Ribeiro, que, pelo visto, volta a se imiscuir nos assuntos do futebol remista, o que definitivamente não é uma boa notícia.

Sem um nome para anunciar de imediato, a diretoria autonomia (ainda) de Futebol corre para solucionar a vacância do cargo em meio aos riscos que o time corre no Parazão, atrás do S. Raimundo no grupo A2 e com um compromisso difícil contra o Independente, amanhã, no Mangueirão.

Dos nomes mencionados extraoficialmente, Givanildo Oliveira é o mais forte até o momento, embora com remotas chances de fechar acordo pelo nível salarial (R$ 80 mil). Outros citados são Flávio Araújo, Lisca, Marquinhos Santos e até Mazolla.

Arthur Oliveira, Cacaio e Júnior Amorim são lembrados, embora a diretoria dificilmente abrace a causa regional. O pensamento dominante é trazer um técnico que estruture o time para a Série C.

A questão é que, com o limitado elenco que possui, o Remo só terá chances reais de brigar pelo título estadual se optar por um nome caseiro, conhecedor das características e peculiaridades especiais do Parazão.

Escolher um nome de fora implica em praticamente abrir mão do Estadual, pois será necessário prazo mínimo de três a quatro semanas para que o novo comandante consiga se ambientar e conhecer o elenco, sendo que o campeonato termina em 40 dias.

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Agruras de um projeto de recuperação

A troca de comando no Remo expressa, além das dificuldades inerentes a um clube de massa, a complexa equação de formar um bom time com pouco dinheiro para investir. Cambaleante administrativamente, cheio de dívidas passadas e prejudicado há quatro temporadas pela perda criminosa de seu estádio, o clube luta com imensas dificuldades para sair do atoleiro.

Os diretores que assumiram a árdua missão de erguer o futebol azulino têm sentido na pele o peso das cobranças de uma torcida traumatizada por tantas frustrações recentes. A sequência de resultados ruins – e evitáveis – castiga e afasta até os torcedores mais leais.

As arrecadações foram promissoras no começo, quando havia expectativa de uma grande campanha. Mais de 30 mil pagantes compareceram ao Mangueirão na estreia, diante do Bragantino. Aos poucos, o entusiasmo foi arrefecendo proporcionalmente à derrocada técnica da equipe.

Os números continuam impressionantes no ranking nacional de público, mas a paciência do torcedor está se esvaindo. Daí a imperiosa necessidade de acerto no nome do novo treinador.

(Coluna publicada no Bola desta terça-feira, 27)

12 comentários em “O dilema leonino

  1. A bola não entra porque chega mal trabalhada, quadrada, isso quando chega. Muitas vezes nem chega porque é, após o goleiro dar um chutão pra frente, um jogador pegar a bola (quando consegue) e dois ou três ficarem parados à distância, como que a torcer para que o companheiro resolva tudo sozinho contra toda uma defesa adversária.
    É alguém, com treinamentos, corrigir essa deficiência, e o Remo ainda teria alguma esperança nesta competição.

    E nada de trazer uma caminhonada de perebas.

    Não precisa ser gênio. É o que eu penso.

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  2. Remo vai ter que contratar jogadores para todas as posições, menos para goleiro, ou seja, mais uma carrada de boleiros vindo por indicação do novo técnico. Pela experiência de temporadas passadas isso dificilmente dará certo. Mas é o jeito

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  3. Pagar entre 50 e 70 mil reais para um técnico nas condições financeiras em que o Remo se encontra é insano, ainda mais sabendo ele vai solicitar a dispensa e a contratação de vários jogadores, precisa dizer quem vai pagar a conta?

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  4. Ora, não acharam outro jeito a não ser sair do limite financeiro a que diretoria estipulou. Se era para fazer assim, por que não o fizeram desde o início?

    Mas a escolha não me desagradou. Trouxe alguém cujo trabalho a gente já conhece, e — principal — ele já conhece as mumunhas da Terra.

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  5. Eu apostaria mais em um nome regional, como o Rei Arthur ou o Junior Amorim mesmo, pelo menos para recuperar o time no Parazão, além de economizar bastante financeiramente, diante da realidade de um clube em plena pindaíba. Mas pressionada, a diretoria resolve sempre apelar pro que acredita ser uma solução urgente e imediata, coisa que acredito pouco vá funcionar… a conferir.

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