Golpe da intervenção militar no Rio copia o conto do “Cruzadinho” de Sarney

boinopasto

Por Fernando Brito, no Tijolaço

Nada mais parecido com a nulidade malandra que foi José Sarney como presidente da República do que Michel Temer, até mesmo na ascensão ao governo sem os votos que jamais teria.

É nele, portanto, que se devem buscar as referências para entender o que se objetiva com o perigoso movimento de criar, com a intervenção pública, um movimento de comoção pública com a questão da violência, tal como se criou, em 1986 – justamente na mesma época pré-eleitoral –  a comoção com a inflação descontrolada.

É claro que, talvez pelo ineditismo manipulatório e por já não ser inédita a chamada aos militares para operações de segurança, o impacto de uma intervenção militar em uma força avassaladora, num primeiro momento, embora quaisquer três minutos de raciocínio permitam entender que isso não mexerá com as estruturas que levam à violência como os decretos de Sarney não tocaram – e até agravaram – a causa do enfraquecimento da moeda brasileira.

Mas, sim, opor-se abertamente à intervenção, como fizemos então com aquele pacote  do Cruzado equivale a entrar na contramão e ouvir asneiras do tipo: “está defendendo bandido?”, como ouvíamos: “está defendendo a remarcação de preços?”.

Lembro exatamente de sua frase, naquele programa, seis dias depois da “salvação da pátria” em que, até sob críticas internas, foi à TV dizer qual era o significado real do Cruzado: “tudo isso são votos, votos, votos”…

Os fracos, os néscios, os oportunistas sempre aderem, nestes momentos. Não falo de Ciro Gomes, porque dele só li uma manifestação, crítica, nem do PDT, cuja bancada de deputados não tem a menor identidade com o pensamento de Leonel Brizola e que, com outros do mesmo naipe, fizeram coro à manobra.

Não é preciso dizer que Brizola jamais entraria nesta história, ainda mais quando ela significa ameaça, desrespeito e opressão sobre o povo pobre das favelas e das periferias. Muito menos de uma forma que traz riscos de ferirmos gravemente os direitos e garantias democráticos e, até, o processo eleitoral de outubro.

Será preciso manter-se firme, mesmo que ainda em certa “contramão” – e creiam, ela não será nem tão forte nem tão longa – para preservar a coerência que devemos à verdade e o povo brasileiro.

Os núcleos de resistência e de lucidez, hoje, são incomparavelmente maiores dos que existiam há 32 anos. E são ainda maiores, muito maiores, as possibilidades de comunicação e de inteiração coletivas.

Só uma coisa não mudou: a força irresistível da realidade, que rompe todas as roupas, douradas ou verde-oliva, com que se a tenta fantasiar.

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