Saudades do Doutor

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Ídolo da torcida corintiana e reverenciado no mundo inteiro, o revolucionário meia-atacante Sócrates faria hoje 64 anos. Morreu em 4 de dezembro de 2011, mas deixou um legado expressivo no âmbito da conscientização e politização dos atletas de futebol.

“Com destino e elegância dançarino pensador 

Sócio da filosofia da cerveja e do suor 

Ao tocar de calcanhar o nosso fraco a nossa dor  

Viu um lance no vazio herói civilizador 

O Doutor!”

O trecho acima é da música “Sócrates Brasileiro”, de José Miguel Wisnik, interpretada por Ná Ozzeti, reflete bem o espírito e a imagem de Sócrates Brasileiro Sampaio de Souza Vieira de Oliveira, o Dr. Sócrates, ou Magrão, como era conhecido.

Considerado um dos maiores jogadores brasileiros, Sócrates iniciou sua carreira no futebol aos 17 anos, brilhando como ídolo do Corinthians e da Seleção Brasileira, além de passagem pela Fiorentina, da Itália. Famoso pelo toque de calcanhar, recurso que demonstrava toda a sua genialidade em campo, Sócrates extrapolou os limites do futebol, como relembra o jornalista e amigo Juca Kfouri.

“É um legado de um jogador de futebol que foi muito mais do que um jogador de futebol. Um jogador de futebol que soube fazer da prática, do ofício dele, da missão dele como atleta muito mais do que isso. Como ser político, como alguém participante da vida pública brasileira. Como alguém que queria um Brasil mais justo, um Brasil menos desigual, um país mais democrático, um Brasil sem fome, sem racismo, sem homofobia, mais tolerante, tudo aquilo que ele sempre encarnou”.

Magrão nasceu em Belém e, além de artilheiro, foi médico. Nos campos e fora dele defendia seu futebol e sua ideologia. Começou a carreira no Botafogo de Ribeirão Preto e, em 1978, transferiu-se para o Corinthians, seu time de coração, onde marcou 172 gols. Lá, foi um dos idealizadores e líderes da “Democracia Corinthiana”, movimento inédito entre jogadores de futebol no Brasil que estabelecia equidade nas decisões tomadas dentro do time.

No ano seguinte, estreou com a camisa da Seleção Brasileira. Em 1982, jogou a Copa da Espanha, que tinha grandes nomes do futebol como Zico, Toninho Cerezo, Serginho Chulapa e Paulo Roberto Falcão, comandados por Telê Santana.

Depois de brilhante campanha, a Seleção foi eliminada nas semifinais pela Itália. O jornalista Juca Kfouri, que na época trabalhava na revista Placar fala sobre a desolação do capitão Sócrates frente à derrota: “No embarque dele de volta, em Barcelona, ele me pergunta: ‘O que eu vou dizer quando chegar no Brasil?’, mas no dia anterior, quando terminou o jogo contra a Itália, eu perguntei pra ele: ‘Magrão, o que eu escrevo? O que eu coloco na capa de Placar?’ Ele virou-se pra mim e disse, bota só isso Juca: ‘Que pena, Brasil!’ Se você olhar a coleção de Placar você verá que é exatamente essa a chamada de capa da revista. Com uma foto rasgada da comemoração da seleção italiana ao fim do jogo”, declara.

Dr. Sócrates morreu em decorrência de uma infecção generalizada, no dia em que seu time do coração, o Corinthians, conquistava o pentacampeonato brasileiro, em 2011. Este grande ídolo do futebol nacional e internacional foi homenageado pelo MST no final de 2017 com a inauguração do campo Dr. Sócrates Brasileiro, que terá diversas partidas de futebol e a presença de familiares de Sócrates, da militância e lideranças do MST. O cantor Chico Buarque, o ex-presidente Lula, o vereador Eduardo Suplicy e o jornalista Juca Kfouri estiveram presentes à festa participando do jogo inaugural.

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