Leão dá adeus à Copa Verde

POR GERSON NOGUEIRA

O Manaus veio ao Mangueirão com o regulamento embaixo do braço (2 a 0 de vantagem no placar), um esquema bem fechado e boa dose de malandragem. Sem precisar jogar muito, fez o suficiente para conquistar a classificação à próxima fase da Copa Verde em cima de um Remo confuso, nervoso e afobado ao extremo, revelando sérios erros de posicionamento a partir das ações no meio-campo.

Diante do antijogo que prevaleceu durante todo o primeiro tempo – mais de dez paralisações para atendimento a jogadores do Manaus –, graças à conivência do fraco árbitro sul-mato-grossense, o Remo entrou ingenuamente na pilha e não conseguiu sequer seu melhor momento na partida.

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Aos 37’, Jayme foi atropelado por Hamilton dentro da área, mas o pênalti foi perdido por Isac, que bateu no centro da trave, facilitando a defesa do goleiro Milton, que mandou a escanteio com a ponta dos dedos. Um gol ali teria dado tranquilidade para a tentativa de igualar o placar agregado, tirando o visitante da chamada zona de conforto.

Vale dizer que após a marcação da penalidade o árbitro foi cercado pelo time baré, ficando o jogo parado por vários minutos, catimbando e provocando os remistas. O empurra-empurra e a clara intenção de tumultuar lembraram gloriosamente os tempos de várzea.

Ainda nos acréscimos, Jayme quase abriu o placar cabeceando no canto, após cruzamento de Levy. A bola não entrou em função da perícia do goleiro Milton, que já despontava como a grande figura em campo.

No 2º tempo, mesmo com o baixo rendimento de alguns jogadores (Felipe Marques, Fernandes e Isac, principalmente), Ney da Matta custou a trocar peças. E, mesmo quando mudou, acertou apenas parcialmente. Elielton entrou e levou o time à frente, buscando jogadas pelo lado direito, apoiado por Levy, mas Adenilson voltou a decepcionar e não acrescentou rigorosamente nada à produção do meio-de-campo.

Apesar de atacar muito, o Remo precipitava passes e chegou a insistir em chutes descalibrados de média distância. Tinha volume, mas não construía chances agudas na área. Chegou ao gol aos 19’, em lance que Jayme tocou de cabeça para Elielton finalizar, mas o árbitro apontou falta inexistente sobre o zagueiro Paulão.

A vontade de ir ao ataque não tinha sustentação no trabalho dos homens da meia-cancha, lentos e pouco participativos. Contra um time bem postado, com peças que sabiam distribuir o jogo e encaixar contragolpes, o Remo foi se desgastando pelo excesso de pressa e insegurança crescente.

Isac, acabrunhado com a perda do pênalti, não acertou mais nada. Recebia a bola em condições de arremate ou tabela, mas batia errado. Aos 21’, quando devia ter cruzado na pequena área, onde Jayme fechava livre, mas o chute saiu direto pela linha de fundo.

Numa bola isolada, o Manaus fez aquilo que pregam os manuais de times visitantes. Recuperou a bola na intermediária e saiu em três toques, de Hamilton a Nena e deste para a finalização perfeita de Vander, aos 26’.

Rodriguinho entrou quase ao final, depois que Negueba foi expulso e a marcação amazonense afrouxou. Só não havia muito a ambicionar quanto à vaga, pois o Remo passou a precisar de quatro gols. Continuou lutando e conseguiu empatar, com Mimica aproveitando cobrança de escanteio.

É fato que a eliminação se desenhou em Manaus, mas o Remo teve condições de reverter em casa e fracassou por erros de estratégia de jogo e ausência de objetividade. Sobrou empenho, mas faltou intensidade para superar um adversário que soube garantir o resultado que lhe convinha.

A queda precoce na CV não estava nos planos do Remo, mas o resultado de ontem serviu para expor as muitas carências do elenco, principalmente no setor criativo. Sem um organizador no meio, o time sempre enfrentará muitas dificuldades diante de qualquer adversário.

Felipe Recife, Levy e Jayme foram os melhores da equipe.

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Antijogo amazonense permitido pela fraca arbitragem

O árbitro Paulo Henrique de Melo Salmazio (MS) não se mostrou à altura da importância do jogo que decidia classificação na Copa Verde. Foi pouco enérgico no começo, deixando de aplicar advertências quando ficou evidente que o Manaus iria abusar da cartimba e das paralisações.

Vulnerável à pressão dos amazonenses, permitiu que os jogadores retardassem a cobrança do pênalti. Ironicamente, só mostrou cartão para Isac, que tentava a todo custo botar a bola na marca penal.

O goleiro Milton, a exemplo do titular Jonathan na primeira partida, abusou da cera, caindo várias vezes sem qualquer motivo. Provocou tumulto entre os suplentes, forçando a entrada em cena do 4º árbitro, que só denunciou o lado remista, gerando cartão amarelo para Adenilson.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 15)

5 comentários em “Leão dá adeus à Copa Verde

  1. Manaus tem mais time e nem precisa fazer tanto antijogo. Merece seguir adiante na competição.
    Remo achou um penal, que foi desperdiçado.

    O lado bom é que dá pra fazer um diagnóstico antes que inicie a série “c”. Se não aprender com os próprios erros, então o ano está perdido.

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  2. Olha Valentim e amigos. Eu não me lembro de ter visto tanto anti-jogo em uma partida de futebol…O time do Manaus não precisava disso, mas mostrou-se como o time pequeno que é ao utilizar-se desse recurso. Fora isso, o juiz foi foi um fiasco total.

    Quanto ao Remo, fiquei decepcionado com o Isac. Jogador experiente, capitão do time…deixou-se levar facilmente pelas provocações e por pouco não foi expulso… Além disso, temos que dar uma camisa do Fortaleza para o Adenilson, pois este esqueceu-se de como se joga futebol ao vestir a camisa azulina.

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  3. O amigo Valentim finalizou o seu comentário de forma contundentemente e certeira. “O lado bom é que dá pra fazer um diagnóstico antes que inicie a série “c”. Se não aprender com os próprios erros, então o ano está perdido”.

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  4. É preciso aprender com os próprios erros, caros Lucilo e Gerson. Não tomando decisões açodadas como, p. ex., trocar de técnico ou substituir um time inteiro. Isso nós já vimos e todos sabem que não é o melhor caminho.

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