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Informação consta da coluna do filósofo e professor Vladimir Safatle na Folha de S.Paulo.

Nesta semana, o Brasil assistiu a primeira condenação de um ex-presidente na história de sua República. Será também a primeira vez que o principal candidato a eleição presidencial não poderá concorrer por ter sido impedido devido à ação do Poder Judiciário. O próximo passo deverá ser a primeira prisão de um ex-presidente no Brasil.

É claro que uma das questões políticas mais discutidas nos próximos dias será: o que isto realmente significa?

(…)

A sanha anticorrupção vai até Lula e termina nele. No entanto, para ser uma expressão de nova realidade do Poder Judiciário ela deveria, desde o início, ter sido devastadora também para os outros atores e setores da vida política nacional, o que simplesmente não foi o caso. Um país onde Lula é condenado e Temer é presidente e Aécio Neves senador é algo da ordem do escárnio.

Por outro lado, o uso político do Judiciário é uma especialidade nacional. Durante a ditadura, o número relativamente baixo de mortes foi compensado pelo numero impressionantemente alto de processos jurídicos contra opositores reais e potenciais.

(…)

O funcionamento normal do governo brasileiro é através da quebra da norma, nada disto mudou com novos grupos políticos no poder. Mas mesmo que a corrupção seja fato generalizado, a aplicação da lei será feita a partir das circunstâncias e interesses políticos do momento.

Ou seja, todos estão fora da lei e é importante que todos exerçam o poder fora da lei, pois quando a lei for aplicada, ela poderá pegar, de maneira seletiva, quem quiser.

A grande ilusão que impulsionou certos setores da vida nacional em torno de Lula foi acreditar estar seguro em uma “governabilidade” desta natureza, ao invés de realmente lutar para mudá-la e perceber que não haveria espaço real dentro dela.

O que o julgamento de Lula mostrou foi simplesmente o contrário. Seu destino é a expressão do colapso de todo horizonte de conciliação na política nacional, com seu preço a pagar em moedas de grandes empreiteiras. 

Uma resposta a “Cruzada anticorrupção no Brasil vai até Lula e termina nele, diz filósofo”

  1. Avatar de José FERNANDO PINA Assis
    José FERNANDO PINA Assis

    TROIKA INSENSIBILE
    FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, JOSÉ SARNEY, FERNANDO COLLOR DE MELO são, pela ordem sexagenária das coisas, os três últimos moicanos ex-presidentes antecessores de LULA ainda vivos e desempenham funções cidadãs cada qual ao seu modo. Todos com farto cabedal e imenso poder de interferência na vida republicana. SARNEY (um caudilho da França Antártica), caiu de paraquedas após a morte matada de TANCREDO NEVES e governou caçando bois no pasto, destruindo as instituições e enriquecendo alocadamente. COLLOR (o caçador de marajás), recebeu uma nação escangalhada e sequestrou os ativos no dia seguinte à posse. Foi degolado por conta das porra-louquices de PC FARIA, seu dileto feiticeiro.
    FHC – (a princesa da privatifaria), governou a nação após recebe-la no colo, de ITAMAR FRANCO (mineirinho e pai do plano real). Dono do ZEPELIM PRATEADO, ele lambuzou-se a noite inteira e judiou por oito anos o que pôde e como pôde, da GENI sua puta & pátria mãe gentil. O QUE ELES TEM EM COMUM ENTÃO? SIMPLES: Nenhum deles identificou-se, sensibilizou-se, comoveu-se, ou sentiu na pele o enforcamento de LULA (ex-presidente, como eles), hediondamente praticado pelo guantanamero de Curitiba, nem o esquartejamento promovido midiaticamente pelos três patetas malvados de POA.

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