O príncipe da velhacaria

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POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

Na  “mistureba” de Ano Novo do artigo com que suplicia seus leitores – inclusive os “por obrigação” – Fernando Henrique Cardoso elenca de tudo, desde o medo atômico da Coreia do Norte, os bandidos das favelas e a corrupção, para, em nome da salvação humana, dizer o que realmente deseja: quer ser o patrono do “qualquer um” que venha a abençoar como candidato vitorioso à Presidência da República.

Depois de desenhado o apocalipse global, rabisca o fim do mundo tupiniquim, ameaçados  por “um capitão irado de cujas propostas pouco se sabe” – que conveniente dizer que pouco se sabe sobre as monstruosidades que Bolsonaro repete há tempos e aos ventos! – e “o descalabro econômico-financeiro produzido pelo capitalismo de laços que o lulopetismo ( primorosa categoria sociológica, não é verdade?)  patrocinou”. E daí, como um Moisés, apresenta-se como líder e conselheiro dos fugitivos deste Egito.

Se as forças não extremadas se engalfinharem para ver quem entre vários será o novo líder e não forem capazes de criar consensos em favor do País e do povo, o pior acontecerá. No afã de juntar, importa diminuir as divergências sobre o que não é essencial. Com esperança, e falo simbolicamente, as forças representadas (ou que os adiante mencionados gostariam de representar) por Alckmin, Marina, Meirelles, Joaquim Barbosa, ou quem mais seja (incluídos os setores ponderados da esquerda) precisam entender que os riscos se transformam em realidade pela inércia, pela covardia ou pela falta de visão dos que poderiam a eles se opor.

Opa! O “Saladão é a Solução” bem poderia ser o nome desta estranha aliança “salvacionista” que FHC sugere, tão genérica que – porque não – bem poderia ter de “molho”, a cobrir tudo, Luciano Huck como símbolo do “Brasil Lata Velha”.

Não pensem, porém, que a senilidade tira de Fernando Henrique os instrumentos intelectuais para compreender que foi este “saladão” quem se beneficiou do “armagedon” que fizeram se desencadear sobre o país .

Não, mesmo.

Fernando Henrique tem lucidez suficiente, ainda, para saber que um “paz na Terra aos homens de boa vontade”  não resolve os problemas de um país que é tão grande que não cabe, senão deformado, atrofiado e com dores lancinantes, dentro da crosta anquilosada em que o prendem suas elites e que mal havia começado a romper.

O que ele quer, a cada dia mais evidente, é deixar o Purgatório em que a história o lançou, como o mais detestado e maldito de seus governantes, para ser o “guru” do poder. Portanto, é bom Geraldo Alckmin entender que um homem que traiu sua trajetória, seus escritos e mesmo seus antepassados não vai hesitar em traí-lo pelo deboche contínuo a que o submete.

Ao “príncipe da privataria”, no seu ocaso sem luz, brota a pretensão de ser o  “príncipe da velhacaria”,esquecido de que, a esta altura, só ele mesmo crê em Fernando Henrique Cardoso.

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