Trinta anos sem a genialidade de Henfil

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Nesta quinta-feira (4), faz trinta anos que Henfil morreu. O cartunista, jornalista e escritor Henrique de Souza Filho era portador de HIV, vírus causador da AIDS, contraído por conta de diversas transfusões de sangue que era obrigado a fazer em função da hemofilia. Irmão do sociólogo Betinho e do músico Chico Mário, também hemofílicos, Henfil nasceu em Ribeirão das Neves (MG), em fevereiro de 44.

Um dos inventores da charge política moderna, Henfil ficou conhecido através de suas publicações no lendário jornal carioca O Pasquim. Militante político desde garoto, apoiou e participou ativamente das greves do ABC do final da década de 70 início de 80, que redundaram na criação do Partido dos Trabalhadores. Teve também uma breve participação no programa “TV Mulher”, da Rede Globo, onde fazia o quadro “TV Homem”.

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Em 1970, criou a revista Fradim, através do qual alguns de seus personagens, como a Graúna, o Bode Orelana, o Fradim entre outros, se tornaram antológicos e são lembrados até hoje. Publicou vários livros, como “Diário de um Cucaracha”, “Henfil na China”, “Diretas Já” entre outros.

Se arriscou no teatro, fazendo muito sucesso com “A Revista do Henfil”, que levava para o palco seus personagens das tirinhas. O espetáculo foi dirigido por Ademar Guerra e trazia no elenco Paulo César Pereio, Ruth Escobar entre outros.

Fez também o hilário filme “Tanga: Deu no New York Times”.

Durante alguns anos promoveu o “enterro” simbólico de várias personalidades que, de alguma forma, se envolveram com o regime militar. Entre seus enterrados estavam Roberto Carlos, Wilson Simonal, Paulo Gracindo, Tarcísio Meira e Marília Pêra.

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Fez também o “enterro” da cantora Elis Regina, por ela ter feito uma apresentação para o exército brasileiro. Ironicamente, foi citado na célebre canção “O Bêbado e a Equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc, considerada o “Hino da Anistia” e eternizada pela própria Elis: “Meu Brasil, que sonha com a volta do irmão do Henfil, com tanta gente que partiu, num rabo de foguete”.

De todos os seus “enterrados”, Henfil disse que se arrependeu apenas de Elis e da escritora Clarice Lispector.

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