Campeão óbvio, vice altivo

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POR GERSON NOGUEIRA

A grande atuação dos zagueiros do Grêmio foi o que de melhor se viu na equipe brasileira que jogou a final do Mundial de Clubes, sábado, em Abu Dhabi, contra o Real Madri. O temido massacre da esquadra espanhola não ocorreu por obra e graça da dupla formada por Kannemann e Geromel.

Cristiano Ronaldo e seus companheiros chegaram com a volúpia de sempre, como se esperava, e chutaram bastante (20 vezes), mas o gol do título veio no segundo tempo em cobrança de falta, com facilitação dos homens da barreira. Aí, CR7 foi preciso e mortal, como sempre.

O hexacampeonato mundial do Real, recorde absoluto na competição, sairia de uma maneira ou de outra, tal a supremacia técnica do time dirigido por Zinedine Zidane. Por vários motivos, além da mera tradição.

Em primeiro lugar, a bola circula melhor e com mais acerto entre os jogadores merengues, em consequência de treinamento e aplicação. Há o fator confiança, vantagem natural e óbvia para quem joga num time medalhado, campeão e copeiro como o Real.

Acima de tudo, o favoritismo pode ser explicado pela presença de Cristiano Ronaldo, um craque que vive esplendoroso momento, letal mesmo quando em noite pouco inspirada. Ele explicaria depois que tinha problemas musculares, daí a pouca participação nas ações de ataque – finalizou apenas quatro vezes, abaixo de sua média normal.

Acompanhei o jogo sem a preocupação patrioteira e estridente que dominou as narrações nos canais que transmitiam a final. Deu para observar que os beques gaúchos foram decisivos na batalha para que CR7 não brilhasse tanto, reduzindo com isso os danos que poderia causar ao Grêmio.

Precisos nas antecipações e perfeitos nos lances aéreos, Geromel e Kannemann jogaram em alto nível contra um Real que teve Modric, Varane, Casemiro e Marcelo em jornadas impecáveis. Justifica-se plenamente a idolatria que os gremistas devotam a Geromel, tornando ainda mais incompreensível sua ausência na Seleção que vai à Copa.

Os minutos iniciais foram parelhos, mas o Real aos poucos assumiu o controle e acelerou o ritmo, tornando quase impossível ao Grêmio suportar o cerco. Só mesmo a soberba performance defensiva – que inclui o goleiro Marcelo Grohe – impediu a queda ainda no 1º tempo.

Para cozinhar o galo sem se arriscar no ataque, a ponto de manter recuado até seu principal jogador (Luan), Renato Gaúcho se inspirava claramente nos êxitos de São Paulo (sobre o Liverpool, em 2005), Internacional (contra o Barcelona, em 2006) e Corinthians (sobre o Chelsea, em 2012), confrontos nos quais o sofrimento extremo foi recompensado com vitórias pela contagem mínima, em lances fortuitos de contra-ataque.

No fim das contas, o resultado foi justo, a partida não teve domínio avassalador do Real e o Grêmio se saiu dignamente, levando-se em conta o brutal desnível entre as equipes. De um lado, o campeão sul-americano, com dois ou três jogadores de alto nível e muita transpiração. De outro, um supertime, favorito em todas as disputas e integrado por jogadores caríssimos, craques e titulares nas seleções de seus países.

Acima de tudo, ao Grêmio resta o merecido orgulho de ter sido altivo no duelo com um dos gigantes do planeta.

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Leão treina em busca da sonhada afinação

O Remo, que inovou na apresentação do elenco profissional com festa para os torcedores no ginásio Serra Freire, sexta-feira à noite, apressa os preparativos para o Campeonato Paraense. O elenco está quase completo, restando apenas a chegada de um meia-atacante (pode ser o mineiro Andrei) e um centroavante.

Ontem pela manhã, no Ceju, o treino entre profissionais e jogadores do sub-20 colocou em ação pela primeira vez o que pode vir a ser o time da estreia no Parazão, embora sem que as peças estejam claramente definidas. Com as ausências de Levy e Esquerdinha, ambos em recuperação, o time teve Jayme improvisado na lateral direita e o novato Marcelo no ataque.

Oriundo das categorias de base do Remo, Marcelo está de volta ao clube para testes. Com a falta de um camisa 9, pode vir a ser aproveitado. Deixou boa impressão, fazendo assistências e marcando um gol. Felipe Marques e Adenilson também tiveram presença marcante no treinamento.

O time que abriu o coletivo teve Vinícius; Jayme, Alex, Bruno Maia e Fernandes; Geandro, Leandro Brasília, Rodriguinho e Felipe Marques; Elielton e Marcelo. Na segunda parte, Ney da Matta lançou Douglas Dias e uma nova defesa, com Diego, Mimica, Martony e Jefferson.

Apesar da movimentação de quase todos os jogadores no treinamento, será nos amistosos com o Castanhal, a partir do próximo fim de semana, que o técnico vai formatar o time titular.

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Com Del Nero quase fora, a bola está com Nunes

Com Marco Polo Del Nero apeado do cargo temporariamente por decisão do comitê de Ética da Fifa, o coronel Antonio Carlos Nunes volta a comandar a CBF pelo critério da idade. É também um dos dirigentes mais ligados a Del Nero, daí sua escolha para a função. A essa altura, porém, a proximidade excessiva pode provocar danos irreparáveis.

O processo contra José Maria Marin nos Estados Unidos gerou documentação comprometedora contra Del Nero, que é investigado há dois anos pela Fifa. Nas internas, corre a informação de que ele não reassumirá mais a presidência da CBF, abrindo caminho para que Nunes fique no trono até as próximas eleições na entidade.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 18)

9 comentários em “Campeão óbvio, vice altivo

  1. O que de se esperar de um camarada que não fez absolutamente nada pelo próprio futebol de seu Estado?? Agora como presidente fará o que para o resto do Brasil??

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  2. Amigo Gerson,

    Eu só colocaria o desnível de qualidade técnica de jogadores e elenco como o primeiro e grande ponto para disparidade entre os times (mais do que treinos, táticas e confiança), afinal, o Real Madri (seria Real mundo?) tinha apenas três espanhóis entre reservas e titulares, o que é até um absurdo numa competição entre clubes e não de seleções. Arrisco, tranquilamente, a dizer que, o Real Madri seria favorito absoluto mesmo se o Grêmio tivesse os melhores jogadores do brasileiro da série A de 2018 (uma seleção do brasileiro). A verdade, amigo, é que a lei de Bosman (coisa assim) acabou, até com certa lentidão, por completo as chances de disputa entre europeus e sul-americanos… Talvez uma disputa entre os melhores jogadores de cada continente mostra-se com clareza quem é superior na peleja da bola… Entre clubes a parada já é dada.

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  3. O Real é uma seleção mundial em meio de temporada, o Grêmio é um bom time brasileiro desgastado, em fim de temporada, que ainda não contou com algumas peças importantes como o Arthur… daí o resultado ser bem normal. Acho que uma situação que resume bem a diferença entre os dois foram as substituições: o Grêmio quando precisou trocar colocou um Jael, o Real quando precisou trocar colocou um Garreth Bale, jogador da seleção inglesa que custou 300 milhões…
    Agora Gerson, se Geromel não for pra Copa pra ir no lugar dele um Rodrigo Caio é porque realmente tem dedo de empresário.

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  4. O jogo que eu vi foi um Grêmio acuado, se borrando de medo, sem criar uma chance boa de gol. E olha que o Real não mostrou quase nada desse time “seleção” . Na minha opinião o Gremio só não foi mais vergonhoso que o Santos do Neymar que tomou um sapeca iaiá de 4×0 do Barça do Messy em 2011. Esse negócio real Madri seleção Mundial pode ser relativo porque time mais modesto que o Grêmio que jogou a semi final com o Real Madri jogou muito e merecia a classificação. Fo castigado por um descuido no final do jogo todo e mundo viu. O problema do futebol brasileiro atual além de tantos desmandos dentro e fora de campo, dirigentes corruptos , foi aquela sonora e inacreditável goleada que a outrora seleção canarinho tomou no maracanã em 2014, que deixou uma ferida difícil de sarar. Acredito que isto vem se refletindo no futebol brasileiro como um todo, onde os próprios clubes brasileiros vem sentindo pequenos diante dos europeus, com medo cada vez maior. Acho que muito pior estaria se o Brasil não ganhasse o ouro olímpico, cujo título em cima do maior algoz alemão, apenas aliviou um pouquinho a dor dos 7×1 porque parece que a ferida ainda está muito exposta. Observo que a mídia nacional e mundial já cantam a pedra, fazem apologia, sonham com decisão Brasil e Alemanha na Copa 2018. Isto pode até ocorrer, mas do jeito que está o futebol brasileiro, vai decisão ser só para satisfazer a mídia, porque no jogo em sí o Brasil poderá ser mais a cópia de um Grêmio contra o Real Madri. Ou seja, perder o só de 1×0, jogando acuado, mas no final muitos brasileiros ‘felizes” dizendo que a seleção teria sido altiva, competitiva porque os poderosos alemães não aplicaram outro 7×1, Vish…..Maria

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  5. Gleydson é claro que existe dedo de empresários nas convocações da seleção brasileira. Caso contrario essa seleção não seria formada totalmente por jogadores que atuam no exterior.

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  6. Antonio Rafael, eis aí nestes pontos um dos maiores problemas do futebol brasileiro da atualidade de difícil solução: O dedo de empresários nas convocações, a autoridade dos clubes europeus que possuem quase todos os jogadores titulares da seleção e manipulam a bel prazer, a inoperância e desmoralização da CBF que não tem moral em mais nada, a quase totalidade de convocados da seleção que jogam em times estrangeiros. Isto ocasiona o impulso de qualquer jogador promessa no Brasil a se debandar para o estrangeiro porque a além da “baba” gorda paga em dia para se realizarem financeiramente, os caras sabem que por melhores que sejam atuando no Brasil só vestem a camisa da seleção se jogarem no exterior. Se convocados é uma ou outra vez e só para completar banco de reserva , titularidade nem em sonho. essa pertence aos que jogam no exterior. Esta aí a prova do Geromel que merece chance e nem teve ainda na contramão dos muitos bondes convocados pelo Tite que jogam no exterior( Taison e Fernadinho , Gustavo, HulK, David Luiz , Dante que jogaram até Copa do Mundo ) são pequenos exemplos. A minha opinião é que se o Brasil for longe na Copa da Russia a tendência é isto piorar. Se o Brasil fracassar novamente a solução seria um treinador joão Coragem para mesclar pelo menos meio a meio as convocações da seleção entre quem atua aqui e os que jogam no estrangeiro. Isto diminuiria a certeza que basta o cara joga na Europa para vestir a camisa canarinho. Isto também motivaria um pouco mais os selecionáveis que aqui atuam. Mas claro que isso é utopia de minha parte, sonho distante, improvável de ocorrer, ninguém rasga Euro europeu.

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  7. Foi curioso ver muitos comentarista quererem igualar o Real Madruga com o Imortal. Não queriam ver o óbvio: era um Davi contra um Golias, uma formiga contra um elefante. O mantra puxado pelo Galvão Bueno não decorou. Já vi um blog afirmando que o Renato Gaúcho está de malas prontas para ir treinar o CRF. Será?

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