O mundo é azul, preto e branco

gremio time poster mundial

POR SAUL TEIXEIRA

Desde que Renato pôs os alemães para “sambar” e presenteou os gremistas com o Mundo lá se vão 34 anos. Entretanto, quem disse que o histórico 11 de dezembro de 1983 teve fim? Jamais! Pelo contrário: os 11 gremistas, de calções brancos e meias azuis são eternos. Parabéns à nação gremista por sua maior efeméride. Abaixo, algumas considerações sobre uma das maiores conquistas do futebol gaúcho e a madrugada (horário de Brasília) mais gloriosa do centenário Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

Caminho

Liderados por um indisciplinado ponta-direita, camisa 7 às costas, o time de Valdir Espinosa chegou a Tóquio após bater o muticampeão Peñarol, na final da Libertadores. Na terra do sol nascente, o rival seria o Hamburgo, que meses antes havia assombrado o mundo, ao bater a Juventus de Platini, na final da Champions League. Durante os 90 minutos, a igualdade do duelo foi a tônica do confronto, embora os gaúchos ameaçassem mais à meta europeia. Usando e abusando da jogada aérea — que até pouco tempo era típica da escola alemã, ao lado da inglesa — a equipe do Norte da Alemanha tinha na força física o seu maior atributo. Aos brasileiros, gaúchos e gremistas, a técnica de seus jogadores, sobretudo, do meio para frente era a maior arma — tanto que após assistir a uma partida do Hamburgo, meses antes, Valdir Espinosa disse a Fábio Koff: “Presidente, contrate o Mário Sérgio que seremos campeões do mundo”.

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Meio e ataque

Mário Sérgio “vesgo” deitando e rolando com a sua canhota. Osvaldo, segundo volante, meia-direita, terceiro homem de meio. Enfim, a movimentação sempre foi a sua marca registrada. Paulo César Caju, suplente na conquista do Tricampeonato Mundial do Brasil, no México, em 1970, revezava-se com o “vesgo” nas tarefa de armar e de chegar à linha de fundo pela esquerda. À frente, Tarciso, flecha negra. Outrora ponta-direita, o camisa 16 passou para o comando de ataque, abrindo vaga para um ‘tal’ de Renato. Em tempo: Mário Sérgio foi apelidado de “vesgo” por ter sido o precursor de uma jogada anos mais tarde consagrada por Ronaldinho Gaúcho, ou seja, a de olhar para um lado e passar a bola para outro.

Defesa

Paulo Roberto, um jovem prata da casa era o dono absoluto da lateral-direita. Dois anos antes, foi dele o cruzamento que originou o gol de Baltazar e o primeiro título do brasileirão para o Grêmio, contra o São Paulo, no Morumbi. No miolo de zaga, duas torres. Um polaco no estilo “zagueiro-zagueiro” como diria Felipão, Baidek. O outro, um uruguaio, Hugo De León, capitão, xerife na essência que literalmente dava o sangue pela equipe — como retrata a foto da conquista da Libertadores, quando o camisa 6 machucou-se com a própria taça. Na lateral-esquerda, Paulo César Magalhães fechada a defesa. Assumindo a titularidade após a lesão do outrora titular absoluto, Casemiro que se lesionou, Magalhães cumpriu sua tarefa à risca, guardando posição e liberando os meias para jogar. Na proteção defensiva China, um cão de guarda ao velho estilo, clássico camisa 5. No gol, um “baixinho” milagreiro. Com estatura fora do comum para os arqueiros da atualidade (1,79 cm) Mazzaropi foi fundamental para o título, sobretudo, como uma defesa com as pernas no segundo tempo da prorrogação.

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Comando

Na casamata, Valdir Atahualpa Ramirez Espinosa, que deixou a lateral-direita, onde era um atleta mediano, para virar personagem na história gremista como treinador. No vestiário: Fábio André Koff, que dispensa apresentações.

Ídolo

Renato está para o Grêmio, como Pelé está para o Santos. A afirmação pode parecer exagerada, principalmente para quem não vive a realidade do futebol gaúcho. Para nós que respiramos a rivalidade Gre-Nal, não, é apenas um óbvio registro. Autor dos dois gols no triunfo, em Tóquio, o camisa 7 é, merecidamente, um dos melhores atacantes da história do futebol nacional, mesmo que não tenha repetido o sucesso na seleção brasileira e na Europa. Jogando prioritariamente pelo setor direito de ataque, Portaluppi reunia atributos digno de uma extraordinário avante: força, velocidade, capacidade de drible, técnica apurada e precisão na conclusão com as duas pernas. No final da carreira, atuou mais fixo, como falso centroavante. Não à toa, Renato é o Pelé do Grêmio e, como tal, goza do prestígio de “maior jogador da história do clube”.

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In loco

Dos personagens campeões do mundo vi apenas dois em atuação. O protagonista da conquista, Renato, já em final de carreira, com sua então inconfundível cabeleira, faixa na cabeça, e o antológico gol de barriga pelo Fluminense, na conquista do campeonato carioca, de 95, num Fla-Flu, após cruzamento de Aílton — que no ano seguinte deu ao Grêmio o bicampeonato brasileiro, com um belíssimo gol diante da Portuguesa, no Olímpico.  O outro foi Paulo Roberto. Tive a oportunidade de vê-lo em atuação em partidas amistosas e solidárias na cidade de Viamão, região metropolitana de Porto Alegre, e terra natal do antigo camisa 2 e desse colunista. Atuando no meio-campo, seja como volante ou como terceiro homem, o ex-lateral ainda hoje esbanja técnica, tem um cruzamento que causa inveja aos atuais melhores atletas da função do mundo, sem contar que leva “uma década” para errar um passe. Hoje, Paulo Roberto é empresário do futebol.

Temporalidade

Para os gremistas mais jovens, que não tiveram a oportunidade de acompanhar o histórico 11/12/83, não há nada a lamentar, pelo contrário. Para àqueles que viveram o conquista do Mundo epidermicamente, é uma excelente oportunidade para reviver o grande momento. Mas, voltando aos jovens, meus sinceros cumprimentos. Afinal, nascer Campeão do Mundo é uma dádiva de poucos. Parabéns novamente a nação gremista pelos 34 anos da conquista do Planeta Bola.

Fotos: Site Oficial Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense 

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