Invasão da UFMG foi retaliação a evento da morte do reitor da UFSC

7 de dezembro de 2017 at 13:57 3 comentários

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POR LUIS NASSIF, no Jornal GGN

A cerimônia fúnebre e de protesto pela morte do reitor Luiz Carlos Cancelier, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) tinha uma foto emblemática com um cartaz afixado: “Uma dor assim pungente não há de ser inutilmente”.

A operação de invasão da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) teve o nome significativo de “A Esperança Equilibrista”, que vem a ser a continuação da música símbolo da resistência à ditadura militar. E também do livro do professor Juarez Guimarães, da própria UFMG, sobre o governo Lula.

O Memorial da Anistia é uma obra complicada. Teve início em 2007, quando a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça sugeriu um lugar para depositar os documentos da repressão, a exemplo do que foi feito em diversos países que saíram do período ditatorial.

Decidiu-se pelo Coleginho, em Belo Horizonte. Depois, se constatou que seu telhado não comportaria peso em cima. Decidiu-se, então, construir um prédio ao lado, que está praticamente pronto, faltando apenas o acabamento.

Após o impeachment, o novo Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, praticamente extinguiu a Comissão de Anistia. Substituiu 18 dos membros originais, indicou para presidi-la o ex-deputado Almino Afonso, que logo depois pediu demissão por não ter nenhum acolhimento do lado do Ministério.

Ficou um jogo de empurra, com a Justiça achando que a Comissão deveria se subordinar ao Ministério dos Direitos Humanos. Com isso, o Memorial foi ficando para segundo plano, sem verbas para terminar.

Ao mesmo tempo, na Comissão de Anistia instaurou-se uma caça às bruxas, com um pente fino em todos os atos do ex-Secretário de Direitos Humanos Paulo Abrahão. Veio da Comissão de Anistia as denúncias que foram bater na Polícia Federal.

Segundo a denúncia, os desvios seriam da ordem de R$ 4 milhões e teriam ocorrido no fundo universitário da UFMG.

O diretor geral da PF, Fernando Segóvia, me disse há pouco que foi informado da operação pela superintendência da PF de Belo Horizonte. As explicações seriam dadas na coletiva do superintendente em Belo Horizonte.

Assim, ele não saberia dizer se as 8 conduções foram necessárias ou não, já que não cabe ao delegado geral intervir nas operações na ponta.

Mas garantiu que analisará a operação e, constatados abusos, assim como ocorreu no caso UFSC, será aberta uma sindicância para apurar o ocorrido.

Com a operação, além de retaliar a comunidade acadêmica, a PF e o Ministério da Justiça conseguirão comprometer uma obra importante, o Memorial da Anistia. Mas certamente escreverão um episódio relevante quando voltar a democracia e outros memoriais forem planejados, para se referir à ditadura  disfarçada atual.

A pequenez moral dessa gente é algo digno de um estudo mais aprofundado.

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Enquanto isso… Compositor repudia uso de canção na operação de ataque à UFMG

3 Comentários Add your own

  • 1. José FERNANDO PINA Assis  |  7 de dezembro de 2017 às 14:30

    O KRAKEN DO FASCISMO ESTÁ MAIS VIVO DO QUE NUNCA!
    Agora os alvos são as Reitorias, logo mais as Associações Docentes
    e em seguida os Diretórios Acadêmicos.

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  • 2. blogdogersonnogueira  |  8 de dezembro de 2017 às 0:57

    A intolerância dos bárbaros invade todas as áreas, sem peias e sob o olhar complacente dos omissos.

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  • 3. Antonio Oliveira  |  8 de dezembro de 2017 às 7:36

    Bom, espera-se que, ao menos, a malfeitoria tenha realmente ocorrido, eis que a denúncia, segundo a postagem, teria sido feita pela própria Comissão da Anistia.

    No caso, vale questionar aquilo que já faz tempo que se questiona: por que conduzir coercitivamente, se antes não houve recusa de atender à convocação da autoridade? Aliás, neste caso, como em outros aqui já referidos, as notícias dão conta que sequer houve uma convocação prévia.

    Enquanto isso, aqui em Belém, o carro prata, o carro preto, e, agora, o carro branco, trafegam pelo BRT (cuja obra também já consome verbas há aproximadamente 10 anos), sem que nada seja capaz de por um fim naquilo de ruim que tanto a obra, quanto os tais carros representam.

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