Maus modos de FHC no desembarque do governo Temer

cairfora

POR FERNANDO BRITO, no Tijolaço

A nossa imprensa anda meio devagar em perceber qualquer coisa que não seja em favor do conservadorismo. Assim, ela consegue ver “retomada econômica” no crescimento de 0,1% do PIB, aumento do emprego apenas com “bicos ” e sem a criação de uma carteira assinada ou publicar intrigas inominadas como a de que a caravana de Lula ao Rio seria “um perigo” por conta do apoio de Cabral, esquecendo que foi Aécio o candidato apoiado de fato pelo ex-governador, hoje preso.

Mas não vê coisas evidentes, ditas na sua frente, como a frase que Michel Temer usou, ao lado de Geraldo Alckmin, ao dizer que o desembarque (formal)  dos tucanos de seu governo “será uma coisa cortês e elegante”.

A expressão tem um endereço certo, nada difícil de entender: a nova grosseria de Fernando Henrique Cardoso, que falou a Andrea Sadi, do G1, na quarta feira, que estava na hora de o PSDB “cair fora”.

“Cair fora”, exatamente assim, com este ar de molecagem de quem se meteu em algo e se escapa ao ver o desastre que é. Um bom complemento para o “pinguela” e para o “é o que temos” com que o ex-presidente já brindou o homem que ajudou a ascender ao poder num golpe.

Por isso, o recado de Temer de que a saída deveria ser “cortês e elegante”, o que não é, positivamente, um “cair fora”. Nenhum jornalista, ao que eu tenha lido, captou o “fora” de Temer ao “cair dentro” com a expressão usada por FHC.

No outono de Fernando Henrique, a pretensão de quem é um dos homens mais rejeitados do país fê-lo perder inclusive as boas-maneiras, depois de ter perdido os princípios. Quando o “príncipe dos sociólogos” vira  assistente de palco de Luciano Huck e toma lições de boa-educação de Michel Temer é que, de fato, para ele, já chegou a hora de “cair fora”.

3 comentários em “Maus modos de FHC no desembarque do governo Temer

  1. Não é preciso ser de esquerda para estudar e compreender Marx. É disso que se trata, de entender como o capital forma a política. Mas, se você não quer se dar a este trabalho, então observe o que dois pensadores disseram sobre o marxismo.

    Foucault explicou que o capital, segundo Marx, tem penetração na sociedade. Quer dizer, o dinheiro se espalha por todas as classes sociais. O problema é que isso se dá desigualmente, de modo que uns poucos terão muito mais riqueza que a maioria. O diabo é que essa concentração de riqueza não ocorre assim tão naturalmente, mas é motivada por essa propriedade fundamental do dinheiro, a de que todos reconhecem seu valor e importância sócio-econômica. O capital tem poder ligado ao valor.

    Althusser, por sua vez, nos explica que, segundo Marx, existe o Aparelhamento Ideológico do Estado pela burguesia. Isso quer dizer que a burguesia se apropria do Estado para fazer dele aparelho que opere para os interesses econômicos da burguesia, para fazer o máximo de capital ir parar nas contas bancárias burguesas, reforçando o poder burguês e o aparelhamento ideológico do Estado.

    Como a burguesia se apropria do Estado e o aparelha para funcionar pelos interesses burgueses? Ora, pelo poder do capital. A fluidez do capital permite a dinâmica econômica da produção, mas seria de esperar que a concentração de renda não fosse tão dramaticamente desigual. O que pesa na balança em favor da burguesia pela concentração de riqueza é o poder acumulado na forma de capital, que permite a corrupção de agentes do Estado, segundo Marx, pela ótica de Foucault e Althusser.

    O que acontece no Brasil não é algo novo, mas repetitivo, é parte do movimento da burguesia pelo capital. Esse movimento é histórico, quer dizer, ocorre o tempo todo. Nesse movimento, a burguesia põe o Estado para trabalhar pelos interesses burgueses. E o meio pelo que isso ocorre é pela corrupção de uma elite estatal, como de membros do congresso nacional, das altas cortes da justiça e do primeiro escalão do executivo. E isso quer dizer que o aparelhamento ideológico do Estado e corrupção estatal são essencialmente partes da estratégia burguesa para continuar enriquecendo, e é exatamente isso que acontece no Brasil hoje.

    É por isso que é lógico pensar num retorno da esquerda à presidência, porque se o PT fosse assim tão corrupto quanto dizem, não haveria motivos para tirar Dilma da presidência e perseguir Lula judicialmente, se fossem tão corruptos quanto Temer, Padilha, Geddel, Aécio e Serra, eles simplesmente se juntariam a quadrilheira e é exatamente essa impressão que a Lava-Jato quer consagrar junto à opinião pública, mas sem provas contra Dilma e Lula, até agora. O que querem que você não entenda é que existem setores políticos preocupados com o desenvolvimento nacional e a redução da desigualdade no país e esse setor é a esquerda. É só olhar como a esquerda tem votado freneticamente contra Temer e as “reformas” propostas pelo governo golpista. Só não vê quem não quer.

    Curtir

  2. Gleydson, o Tijolaço é um blog pertencente ao jornalista Fernando Brito, respeitado e premiado pelo trabalho sério que desenvolve em mais de 30 anos de estrada. O fato de emitir críticas com as quais você não concorda não o desmerece.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s