O triunfo do artilheiro

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POR GERSON NOGUEIRA

Da participação opaca do Papão na Série B deste ano vai ficar a lembrança do excelente rendimento de Bergson, autor de 16 gols até a penúltima rodada, número que lhe coloca como um dos goleadores da competição – ao lado de Mazinho, do Oeste-SP. É um triunfo pessoal do jogador, mas pouco para um clube que investiu dinheiro suficiente para brigar pelo acesso e acabou conformando-se com a permanência na segunda divisão.

Contra o Santa Cruz, sábado à tarde, na Curuzu, Bergson foi o grande destaque do time e o nome do jogo. Lançou-se com voracidade à tarefa de fazer os gols necessários para alcançar a liderança da artilharia. Quase conseguiu. Tivesse mais calma nas finalizações, principalmente no primeiro tempo, poderia até ter superado Mazinho.

Ainda assim sua participação na partida foi decisiva. Fez o primeiro gol aos 28 minutos, aproveitando assistência perfeita de Caion, após cruzamento de Ayrton. Um minuto depois, Fábio Matos marcou o segundo gol, indo de encontro à bola junto à linha fatal.

O Papão era absoluto em campo, mas os brios do Santa Cruz deram ao confronto momentos de equilíbrio no meio-campo. O time pernambucano chegou a descontar, logo aos 12 minutos do 2º tempo, através de Augusto. Bergson, porém, não permitiu a reação, fazendo 3 a 1 quatro minutos depois.

O Santa voltou a pressionar e, após boa trama na intermediária, a bola chegou a Marcílio, que mandou um tiro sem defesa, na gaveta direita de Marcão, aos 31 minutos. Apesar do placar apertado, o cenário era favorável ao Papão, que se mantinha forte nas investidas pela direita. Foi por ali que Ayrton chegou novamente e cruzou para Bergson superar dois marcadores e disparar forte, fazendo 4 a 2, aos 41’.

Uma exibição digna e honrosa para a última partida do Papão diante de sua torcida nesta Série B – na rodada final, o time vai a Santa Catarina enfrentar o Figueirense. A goleada, rara nesta Série B, foi muito comemorada pelos 6 mil torcedores presentes, mas ficou a certeza de que a festa podia ser melhor se erros sérios não tivessem sido cometidos.

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Diretoria prepara decisão sobre elenco, técnico e executivo

A diretoria vai esperar o fim do campeonato para anunciar as escolhas no atual elenco, além de definir a situação do técnico Marquinhos Santos e do executivo André Mazzuco. De maneira geral, a avaliação dos dois últimos não é positiva, mas há possibilidade de permanência.

Quanto aos atletas, alguns nomes têm presença quase certa no elenco da próxima temporada: Marcão (goleiro), Perema, Diego Ivo, Gualberto, Guilherme, Renato Augusto, Carandina, Fábio Matos, Caion e Magno.

Persistem dúvidas quanto a Bergson, que tem propostas de outros clubes; Emerson, cuja renovação divide opiniões dentro do clube; e Rodrigo Andrade, que pode ser negociado.

O grupo dos que dificilmente permanecerão é integrado por Diogo Oliveira, Anselmo, Marcão, Wellinton Jr., Peri, Jean e Juninho.

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Tapajós e Lusa fracassam na Segundinha

Izabelense, Bragantino, Parauapebas e Sport Belém estão classificados para as semifinais da Segundinha de acesso ao Parazão 2018. As surpresas da primeira fase ficaram por conta de Tuna e Tapajós. O time santareno descarrilou em um jogo apenas. Realizava campanha impecável, com 100% de aproveitamento, mas sucumbiu diante do Sport, caindo por 4 a 2.

Quanto à Tuna, o sentimento é mais de frustração que de surpresa. Novamente alijado da divisão principal, o clube luso não tem sequer perspectiva de superar a grave crise que atravessa há duas décadas, desde que abandonou por completo suas origens de agremiação formadora.

Apesar dos diferentes motivos, os dois times têm um ponto em comum: a aposta em veteranos que rodam por diferentes times emergentes e nada acrescentam em termos técnicos.

Sob o comando de Sinomar Naves, a Tuna foi buscar o goleiro Rodrigo Ramos, 39 anos, que já está com pré-contrato assinado com o Moto Clube. Tinha no elenco jogadores que estão apalavrados com outros clubes, casos de Teté, Jefferson Monte Alegre, Danilo Galvão, Tiago Mandii e Dudu.

Na prática, a Segundinha serve apenas para que esses atletas se mantenham em atividade, mas sem compromisso maior. O caminho óbvio seria o aproveitamento preferencial de jogadores formados no próprio clube, mas a Tuna há muito tempo desistiu de olhar para suas próprias crias. O resultado de ontem confirma o erro de perspectiva.

Quanto ao Tapajós, treinado por Lecheva e também contando com atletas experientes (Rubran e Leandrinho à frente), acabou vítima da própria autossuficiência. Passou com facilidade pela fase classificatória, por estar na chave mais fraca, chegando a disparar uma goleada de 10 a 0 sobre o estreante Paraense, o que talvez tenha criado a ilusão de superioridade.

Os exemplos de Tuna e Tapajós talvez estimulem a Federação Paraense de Futebol a planejar uma competição que dificulte os excessos de contratações e privilegie a revelação de jovens atletas. Além do lado financeiro, um torneio mais seletivo favoreceria a qualidade técnica.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 20)

4 comentários em “O triunfo do artilheiro

  1. Gerson, fico muito triste pela Tuna. Mas creio que a principal responsável pelos insucessos seguidos é a própria Lusa, que se apequenou diante das dificuldades do futebol moderno.
    Isso não é exclusividade, Remo age dessa maneira também. Mas sinto falta da Cruz de Malta arranjar um comandante mais garimpador.
    Sinomar não tem esse perfil, de iniciar trabalho, montar elenco, ensinar o fundamento…
    Não quero menosprezar o profissional, mas penso que Naves fornece resultados razoáveis em situações mais imediatistas. Inclusive, foi assim que despontou no Paysandu. Saia tecnico, ele entrava de tampão e o time voltava a ganhar. Foi assim no título paraense pelo Cametá, onde ele foi campeão treinando a equipe por dois jogos.
    Pra planejamento e montagem de elenco, penso que existam opções melhores.
    Para finalizar, gostava muito do Lucena. Não posso classificá-lo exatamente como um estudioso do futebol, mas esse cara criou muita equipe cascuda praticamente do nada. André Luis, Cassiá, Ivan, Marçal…
    Há alguns times mitológicos dos menores.
    A Tuna do Lucena.
    O Ananindeua, que já teve numa mesma temporada Bruno Rangel, Flamel, Ricardo Capanema, Joãozinho e seu primo Kanu, (que virou Edgar, posteriormente
    Sim, esse do Remo).
    E o São Raimundo, do Waltinho. Que fez estragos com Hélcio, João Pedro, Branco…
    Saudades da época que os clubes menores revelavam bons valores.

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  2. Essa crise da Tuna parece que vai virar eternidade . Quem viu a Tuna nas décadas de 60, 70 e 80 não pode a acreditar que seja o mesmo clube de hoje. Clube só não tinha muita torcida mas tinha a melhor estrutura , escolinha de formação de atletas e até uma boa grana em grande parte vinda da arrecadação de seu parque campestre, venda de atletas que formava e sócios endinheirados . Tanto era forte que arrematou a primeiro grande título nacional pro Pará e Norte do Brasil. Mas a Tuna inexplicavelmente se acabou no futebol. Ou talvez até explicável pelo surgimento da Lei Pelé que fez falir muitos clubes. Pela enxurrada de empresários inescrupulosos e aliciadores nos contratos com atletas, da presidência do Genezio Mangini início da década de 90, onde o cara fez a Tuna perder muito associado proprietários que pagavam mensalidade e levavam muitos convidados para curtir na sede campestre deixavam lá boa grana pra o clube semanalmente. Aí Mangini quando assumiu teve a idéia de gerico de barrar os 9 convidados que cada sócio tinha direito, passando a ter acesso somente o titular e um convidado por ele. Aí muito sócio saiu fora e a Tuna perdeu muita arrecadação. Mais tarde quiseram rever o caso dos convidados mas o estrago já tinha sido feito. Outro motivo acho que é a falta de um dirigente luso com força política porque não tenho dúvida que se a Tuna fosse o Paysandu e principalmente o time do Remo já tinham arranjado uma vaga para a Tuna no parasão ´principal há muito tempo. Quando digo principalmente o time do Remo é porque o Paysandu nunca foi rebaixado para a segundinha e nunca precisou de “ajuda” mas o time do Remo foi rebaixado em 2000 e voltou logo na mesma competição para a elite do parasão numa armação de tapetão local onde fabricaram uma irregularidade de jogador do Tiradentes . Essa eu não esqueço.

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  3. Realmente o Bergson foi uma grata surpresa e foi o grande destaque do jogo de sábado.
    Concordo com o Gerson de que uma exibição digna e honrosa para a última partida do Papão diante de sua torcida nesta série B.
    Ficou claro q se o técnico tivesse colocado as peças nos lugares certos ainda ao final do primeiro turno do certame o Papão poderia ter tido melhor sorte na competição, principalmente se tivesse posicionado o Bergson como centroavante sacando Marcão do time titular e tivesse dado mais oportunidades ao Fábio Matos desde aquela partida contra o Vila Nova.

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