O pecado da gula

12 de novembro de 2017 at 0:33 6 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Todo planejamento em futebol devia se basear na boa e velha equação que cruza receitas e despesas. Só quem faz essa continha básica sabe se há dinheiro em caixa para investir e contratar. Ao mesmo tempo, indica que em situação de aperreio, quando é preciso vender o almoço para comprar a janta, o caminho é economizar. Regrinha simples e certeira. Desgraçadamente, nunca respeitada entre os azulinos, pelo menos nas últimas quatro décadas.

Foi assim ao longo de quase toda a centenária existência do clube, com menor grau de perdas no período semiamadorista, localizado entre os anos 50 e 60, quando os clubes eram gerenciados por abnegados e mecenas. A partir dos anos 70, a atividade começou a se profissionalizar e foi quando grandes clubes tiveram que se defrontar com os novos tempos.

Gigante em termos de torcida e tradição, o Remo foi um dos que mais sentiu a transição iniciada nos anos 80. Entregue a arcaicas administrações, sofreu terrivelmente com a realidade imposta pelos negócios cada vez mais profissionais envolvendo o futebol.

Para piorar, não se preparou adequadamente para encarar os efeitos da Lei Pelé e do Estatuto do Torcedor, que mudou radicalmente a relação entre clubes e atletas. Após perder vários atletas, o Remo só há seis anos passou a se preocupar de verdade com a regularização de jovens formados em suas divisões de base.

Parte desse festival de erros explica a delicada situação financeira da centenária agremiação. Sem dinheiro para pagar débitos contraídos em contratos não cumpridos com atletas, técnicos e funcionários, o Remo luta há anos para tentar se agarrar a uma esperança de salvação.

Alguns dos ‘salvadores da pátria’, fauna que costuma surgir em momentos de desgraça, acabaram por prejudicar ainda mais o clube. A atuação foi tão predatória que hoje é mais fácil elencar os maus momentos do que conquistas em campo.

São conhecidos os episódios da perda do posto de gasolina obtido por influência do então ministro Jarbas Passarinho; da frustrada tentativa de venda do Baenão a preço de banana e em troca de um fictício terreno; do desmanche posterior do estádio sem que ocorresse o necessário ressarcimento; e, por fim, o assalto que subtraiu mais de R$ 400 mil da sede do clube.

Mais do que uma crise motivada por falta de recursos, o Remo padece da carência de novas lideranças. Não que elas não existam. O problema é que têm sido seguidamente impedidas de assumir um lugar proeminente dentro da engrenagem administrativa.

Em meio a isso, surge a notícia de que a diretoria pensa em contratar pelo menos 13 “reforços” de fora para compor o elenco. Não é preciso nem pesquisar muito para saber que a gula nas contratações sempre acaba mal, gerando efeitos extremamente maléficos com o passar do tempo.

O erro na escolha de jogadores nesta temporada é a prova de que os dirigentes precisam pensar duas, três ou até 20 vezes antes de incorrer no mesmo pecado cometido quando Josué Teixeira foi autorizado a trazer um time inteiro para a disputa da Série C.

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Bola na Torre

Giuseppe Tommaso comanda a atração, a partir das 21h, na RBATV. Na bancada, Valmir Rodrigues e este escriba de Baião. Em pauta, a rodada de fim de semana no futebol paraense. Além disso, o programa tem a participação direta dos telespectadores e sorteios de brindes.

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Neymar, Tite e o maior dos problemas da Seleção

Tite é um técnico cheio de manhas e macetes, não coloca nenhum pingo fora dos ii e sabe como lidar com cobras criadas. É visível que vem pisando em ovos na relação com Neymar, com suas tolices de craque imaturo e claramente preocupado em mostrar que é o dono da bola na Seleção Brasileira.

Além de habilidade política para lidar com a maior estrela do escrete, Tite terá que mostrar capacidade de um verdadeiro professor para enquadrar o camisa 10 do time e principal esperança de sucesso do Brasil na Copa.

A sete meses do Mundial da Rússia, Neymar parece haver regredido no quesito amadurecimento. Tornou-se quase insuportável na repetição de provocações a adversários e na chata reclamação com os árbitros, mesmo quando nada está em jogo, como na sexta-feira no amistoso diante do Japão.

Neymar fez um gol, cobrando pênalti, perdeu outro e passou o resto do tempo tentando jogadinhas individuais inócuas e buscando fazer malabarismos e firulas para deslumbrar o mundo.

Insisto que a terapia que pode ajudar a separar o craque do exibicionista passa pela exibição intensiva de vídeos que mostrem verdadeiros astros da bola em ação. Pelé, Tostão, Garrincha, Cruyff, Platini, Zidane, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Messi, Cristiano.

Todos têm muito a ensinar sobre economia de gestos, simplicidade e futebol objetivo. E, obviamente, Neymar ainda tem muito a aprender com eles.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 12)

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A sentença eterna Verdão bate Flamengo e segue no G4

6 Comentários Add your own

  • 1. Janderson  |  12 de novembro de 2017 às 10:24

    Em entrevista, o executivo de futebol Zé Renato informou que o planejamento aponta para um elenco de 28 atletas. Informou que o clube já conta com 12 atletas, sendo 5 que ficaram da temporada passada e mais 7 que subiram do sub-20.

    Ele e o Paulinho, diretor de base, estão observando jogadores da segundinha do Parazão e pretendem contratar aqueles que se destacarem. A ideia é trazer poucos jogadores de fora do Estado.

    Me parece que esse é o caminho, pelo menos para o Parazão. Acho que essas ideias já tem influência do técnico Ney da Matta que sabe trabalhar com jogadores da base e tenho certeza que aqueles que aproveitarem a oportunidade, terão chances de jogar o Brasileiro.

    Abraço a todos do blog.

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  • 2. Nelio( Maior campeão nacional de NORTE , NORDESTE A CENTRO OESTE)  |  12 de novembro de 2017 às 10:37

    Foi demais importante Neymar não ter ganho o prêmio de melhor da FIFA. Imaginem se ganha??? Cruz credo !! o cara iria se intitular o CARA contra tudo e contra todos. Se não deve baixar a bola, mas tem de baixar o nível. Neymar está com bastante dinheiro , fama e futebol e está prosa sim. Muito prosa, por isso acho que nem Tite votou nele de melhor na FIFA e a intriga acho que começou aí. Porém Tite não pode ser sujo falando de mau lavado. Tite também tem de descer do pedestal ser mais humilde principalmente nas convocações porque convocar Tayson , Fernandinho, Gustavo ha 7 meses da Copa do Mundo e outros bondes do tempo do Dunga, achando que com ele esses caras vão se tornar craques, isso não é humildade, é se achar auto suficiente, maioral no ofício de treinador de futebol. Aí não deve. Outra humildade determinante que Tite tem de ter é reconhecer que o treinador campeão do ouro olímpico é muito responsável também por essa boa fase da seleção e um pouco do resgate da desgastada imagem do nosso futebol que foi arrasado na Copa 2014. Depois que Rogerio Micalle ganhou o ouro olímpico inédito que nem monstros sagrados como Pele, Garrincha, Didi, Nilton Santos, Zico, Romário, Ronaldo etc ganharam, o nosso futebol voltou a respirar sem ajuda de aparelhos e saiu do estado terminal. Mas Micalle está esquecido, longe de um cargo nesta seleção do Tite. Já disse: injustiça é pecado capital na humanidade. CUIDADO SEU TITE.

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  • 3. Jaime (Atlanta, EUA)  |  12 de novembro de 2017 às 11:47

    O problema não é a gula, mas a qualidade da comida que será comprada, não adianta comprar peito e querer oferecer como filé, o peito tem muito osso e gordura só dá para fazer um caldo, pelo menos tragam uns pedaços de alcatra, pela qualidade e por ser um pouco mais econômico do que o filé, espero que as contratações sejam realmente pela qualidade e não pela quantidade, por que, se não, vamos ter que comer mais um ano peito feito filé, e ainda ter que separar a gordura e roer o osso.

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  • 4. Gleydson  |  12 de novembro de 2017 às 13:34

    E a Tuna mais uma vez correndo o risco de passar vergonha.

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  • 5. lopesjunior  |  13 de novembro de 2017 às 21:18

    O Remo precisa de uma reforma administrativa, uma que o devolva aos sócios e inclua a torcida.

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  • 6. Antonio Oliveira  |  13 de novembro de 2017 às 21:57

    Achei muito apropriado o emprego da palavra gula. E a realidade vivida pelo Remo nas últimas decadas, especialmente no futebol, mostra que o Clube tem resistido a uma gula insaciável.

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