Marin no banco dos réus

7 de novembro de 2017 at 10:29 2 comentários

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Dois anos e meio depois da prisão de sete dirigentes do futebol em Zurique, o julgamento dos únicos três acusados e detidos nos Estados Unidos, poderosos cartolas sul-americanos, começou com a seleção dos jurados nesta segunda-feira (6/11), em Nova York. São eles o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol, José Maria Marin (85 anos), o paraguaio Juan Ángel Napout, ex-presidente da Conmebol e antigo vice-presidente da Fifa (59), e Manuel Burga, ex-presidente do futebol peruano (63). Julgamento de Marin pode respingar em mais dois presidentes da CBF, o atual, Marco Polo Del Nero, e o ex, Ricardo Teixeira. Os dois também são investigados pela Justiça dos EUA.

Os três acusados, que começam a ser julgados pela Corte americana, cumprem prisão domiciliar há mais de dois anos, desde que foram detidos no início da investigação do governo americano que sacudiu o futebol mundial e derrubou o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter. Nenhum deles deu declarações à corte nem à imprensa.

Na porta do tribunal, dois brasileiros disseram ter viajado para Nova York especialmente para acompanhar o julgamento. Ambos levaram cartazes com os dizeres “EUA, nos ajudem a prender os corruptos brasileiros de nosso governo no futebol. Cadeia neles”. Um dos manifestantes é Moises Campos, 62 anos, militar e ex-chefe de segurança da CBF na gestão de Ricardo Teixeira (de 1989 a 2012). Moises comandou o esquema de segurança na conquista do tetra na Copa de 94 nos Estados Unidos. Na volta da delegação ao Brasil estourou o “escândalo da muamba” na Alfândega do Rio.

A procuradoria dos EUA acusa Marin, Napout e Burga de negociarem contratos de televisão e marketing em jogos eliminatórios para as Copas do Mundo e outros torneios, em troca de subornos que eram pagos por meio de malas cheias de dinheiro ou complicados esquemas bancários.

Os três enfrentam acusações de associação para delinquir, fraude bancária, lavagem de dinheiro e por integrar uma organização criminosa, entre outros delitos.

Ao contrário de outros 24 acusados do mesmo caso, que estão nos Estados Unidos e se declararam culpados, os três sul-americanos insistiram em sua inocência. Um júri popular vai definir o veredito. Se forem considerados culpados, a juíza Pamela Chen pode definir sentença de até 20 anos de prisão por cada acusação.

“Estamos muito otimistas e contentes que Juan (Napout) vai ter o seu dia no tribunal depois de dois anos de espera”, disse aos jornalistas a advogada do ex-dirigente paraguaio, Silvia Piñera, avaliando que o julgamento deve se estender por mais seis semanas.

Marin, que está em prisão domiciliar em um apartamento luxuoso na Trump Tower, “se declarou inocente e continuará se declarando inocente”, disse à imprensa o advogado do brasileiro, Júlio Barbosa.

Neste primeiro dia de julgamento, 240 potenciais jurados se apresentaram à corte e receberam um formulário para preencher. Os advogados de defesa e a acusação vão escolher as 12 pessoas que vão formar o júri, mais alguns suplentes.

As partes voltarão a se reunir na quarta e na quinta-feira para avançar na seleção dos jurados. A investigação do governo dos Estados Unidos revelou em 2015 um esquema de corrupção sistêmico na Fifa. Segundo a acusação, cartolas e empresários faziam fortuna às custas do esporte mais popular do mundo.

Penas leves

Dos 27 acusados que estão nos Estados Unidos, dois já foram sentenciados pela juíza Chen a penas relativamente curtas em outubro. É o caso de Héctor Trujillo, ex-secretário da federação de futebol de Guatemala, que ficará oito meses na prisão.

Com isso, 22 acusados aguardam as sentenças. Entre eles está Jeffrey Webb, das Ilhas Cayman, acusado de receber mais de US$ 6 milhões em subornos, com os quais comprou propriedades imobiliárias, relógios de luxo e mandou construir uma piscina em sua casa, segundo a promotoria. “A Fifa me deve dinheiro”, declarou um desafiador Webb à AFP esta semana. “Acabei de começar os trâmites para recuperar o que me devem, porque se Blatter e outros recuperaram o deles, por que não eu?”.

Blatter estava a ponto de ser reeleito presidente da Fifa quando a polícia suíça realizou as prisões em Zurique. O escândalo forçou sua renúncia dias mais tarde. Junto com seu ex-braço direito, o francês Jerôme Valcke, Blatter foi indiciado pela justiça suíça e suspenso de qualquer atividade ligada ao futebol por vários anos.

Quinze acusados estão em seus países de origem, onde foram ou estão sendo julgados pelos mesmos delitos, e alguns brigam contra a extradição aos Estados Unidos. É o caso de Jack Warner, ex-vice-presidente da Fifa e ex-presidente da Concacaf oriundo de Trinidade e Tobago, suspenso à vida de toda atividade ligada ao futebol pelo Comitê de Ética da Fifa.

“Isso era generalizado, através de países, através de federações. Era um estilo de vida!”, acusou uma promotora encarregada do caso, Kristin Mace, em abril.

Os acusados distribuíam ou recebiam contratos de televisão e marketing de jogos das eliminatórias para a Copa do Mundo em troca de subornos, pagos com maletas cheias de notas ou por complicados esquemas bancários. Agora, terão que responder às acusações de associação com outros integrantes da Fifa, fraude bancária, lavagem de dinheiro e crime organizado.

Poder dissuasivo

Os outros 24 acusados que estão nos Estados Unidos se declararam culpados. Dois já foram sentenciados pela juíza Chen a penas relativamente curtas em outubro. É o caso de Héctor Trujillo, ex-secretário da federação de futebol de Guatemala, que ficará oito meses na prisão. “De alguma maneira, você destruiu seu país, o futebol é o amor nacional, algo patriótico”, declarou Chen ao revelar a sentença a Trujillo.

O governo americano começou a investigar a corrupção no futebol internacional em 2011, quando a Receita Federal dos Estados Unidos prendeu Chuck Blazer, ex-integrante do comitê executivo da Fifa e ex-secretário-geral da Concacaf por 21 anos. O americano vivia como um rei em Nova York na Trump Tower, mesmo edifício em que Marin cumpre prisão domiciliar.

Blazer, que faleceu em julho de câncer, aceitou colaborar com o FBI, gravando secretamente os colegadas na Fifa em troca de uma redução de pena.

“O futebol continuará sendo jogado em pequenos parques de vizinhança e em luxuosos estádios pelo mundo, mas a vasta investigação do FBI não acabará até que todos os envolvidos em cada aspecto da corrupção e no pagamento de propinas respondam na justiça”, declarou há uma semana o chefe do FBI em Nova York, Bill Sweeney.

TEIXEIRA E DEL NERO ENCRENCADOS

As investigações do FBI também alcançam o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e o ex-presidente Ricardo Teixeira. Os dois, segundo dados da Justiça dos EUA, estariam envolvidos no mesmo escândalo de corrupção nos contratos de marketing e direitos de televisão. Como têm residência fixa no Brasil, não podem ser extraditados para os Estados Unidos.

Del Nero não sai do país desde 2015 quando voltou às pressas para o Rio, partindo de Zurique, no dia das prisões dos cartolas por agentes do FBI no hotel em que estavam hospedados para participar do congresso da Fifa. O dirigente corre risco de ser preso se deixar o Brasil.

Ricardo Teixeira também está encrencado com a Justiça dos EUA. Está sob investigação e não pode arredar pé do país. Há pouco mais de uma semana, a Justiça da Espanha autorizou a transferência de parte de um processo envolvendo Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona e sócio de Teixeira, para a Justiça do Brasil. O caso envolve corrupção na venda de jogos amistosos da Seleção Brasileira. Rosal está preso na Espanha. (Com AFP)

(Do Chuteira F.C.)

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A arte do olhar O passado é uma parada

2 Comentários Add your own

  • 1. anisioluiz2008  |  7 de novembro de 2017 às 10:32

    Republicou isso em O LADO ESCURO DA LUA.

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  • 2. Jaime (Atlanta, EUA)  |  7 de novembro de 2017 às 13:17

    Essa é a diferença, que aqui o crime e a idade não prescrevem, você fica com o Record para o resto da vida.

    Curtir

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