Papão sai no lucro

18 de outubro de 2017 at 0:26 9 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

O empate em Lucas do Rio Verde jogou o Papão de volta ao 12º lugar na classificação, a três pontos do Z4, mas pode ser considerado um ótimo resultado ante a forte pressão imposta pelo Luverdense. A abertura do placar logo aos 11 minutos, com Bergson, parecia sinalizar para mais um triunfo fora de casa, mas a equipe não teve forças para manter a vantagem. Pior que isso: no segundo tempo, abdicou de atacar e limitou-se a segurar o empate, correndo grandes riscos.

Com três zagueiros – Perema, Rafael Dumas e Diego Ivo –, Marquinhos Santos explicitou já na escalação a estratégia cautelosa, pois mantinha Renato Augusto, Carandina e Augusto Recife também ocupados com a marcação. O técnico queria reforçar a última linha, receando o rápido e habilidoso ataque mato-grossense.

No fim das contas, o esquema surtiu efeito, com a concretização do objetivo de pontuar. O problema foi aguentar o cerco armado pelo Luverdense, cujas tentativas se intensificaram na etapa final. O sufoco foi tão acentuado que motivou sucessivas quedas de atletas do Papão, por contusão ou malandragem, levando a partida a ter corretamente 11 minutos de acréscimo (quatro no 1º tempo e sete no 2º).

Bem ao seu estilo, Bergson driblou um marcador e bateu de fora da área  para abrir o placar aos 11 minutos, manobra individual que não mais se repetiria na partida. O próprio artilheiro sumiu em campo, vítima da falta de organização no meio e de criatividade nas ações ofensivas.

Do lado alviverde, Sérgio Mota mandava na meia-cancha e distribuiu o jogo sem ser incomodado pela marcação. Técnico e extremamente criativo, o camisa 10 produziu várias situações perigosas para a zaga alviceleste, colocando os atacantes Rafael Silva, Eduardo, Baggio e Marcos Aurélio seguidas vezes na cara do gol.

Já nos acréscimos do primeiro tempo, em jogada nascida de um cruzamento certeiro de Paulinho pela esquerda, o baixinho Marcos Aurélio apareceu livre para cabecear entre os zagueiros do Papão. Diego Ivo e Perema marcaram a bola e não viram o adversário se aproximando.

Depois do intervalo, Marquinhos Santos lançou Magno no lugar de Juninho, a fim de dar mais consistência na saída, mas o domínio do Luverdense se ampliou com o cansaço que se abatia sobre os bicolores.

Sérgio Mota seguiu desfilando categoria em campo. A virada só não aconteceu porque os atacantes falharam na definição e Emerson apareceu bem em vários momentos, embora falhando feio em dois lances importantes. No mais grave deles, soltou a bola nos pés de Eduardo, que não aproveitou o rebote.

Welinton Jr. substituiu Bergson, mas nada acrescentou. O mesmo aconteceu com Jean, substituto do lesionado Dumas. Sem jogadas pelos lados, um dos canais de desafogo do Papão em jogos fora de casa, o time não conseguia equilibrar as ações e recuava em excesso. Em alguns momentos essa preocupação se tornou dramática, com alguns jogadores apelando para o cai-cai para conter os avanços do Luverdense.

Depois que o Papão abriu o placar, a melhor chance foi com Caion, que driblou dois adversários e chutou para fora, com perigo.

No geral, ampla vantagem dos donos da casa, que chutaram 21 vezes a gol, contra oito tentativas (erradas) do Papão. Com Sérgio Mota acionando os laterais, o Luverdense apertava constantemente. Paulinho, o ala esquerdo, criou também inúmeras situações perigosas, além de ajudar na infiltração de Eduardo e Douglas Baggio.

O confronto terminou com 66% de posse de bola favorável ao Luverdense, retratando o predomínio nas ações. Apesar das dificuldades exibidas e da inoperância na briga direta com o meio-campo adversário, o Papão foi mais pragmático e conseguiu segurar o resultado que lhe interessava.

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Análise destoa da realidade vista em campo

Como já é habitual, Marquinhos Santos teve uma leitura absolutamente singular do empate arrancado às duras penas em Lucas do Rio Verde. Enxergou volume técnico onde só se observou correria e mau posicionamento. Chegou a afirmar, nos comentários pós-jogo, que sua intenção ao colocar Welinton Jr. e Magno em campo era verticalizar as manobras. Ficou só na vontade, pois não havia passagem dos alas para permitir melhor aproveitamento dos atacantes.

Ao valorizar justificadamente o ponto valioso ganho fora de casa, o técnico elogiou a atuação de Rafael Dumas, de desempenho confuso. Voltou a citar o desgaste da viagem e ainda reclamou dos critérios da arbitragem, que acrescentou acertadamente 11 minutos nos dois tempos, punindo o excesso de interrupções por parte do Papão.

Marquinhos repetiu também a tradicional louvação ao adversário, apontado por ele como de alto nível, embora esteja na zona de classificação. Pelo discurso, o torcedor já deve ir se preparando para mais sofrimento nas próxima rodada, pois o esquema não deve ser alterado e o artilheiro Bergson desfalca a equipe contra o Londrina.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 18)

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Rock na madrugada – Nirvana, Rape Me Ceará de Leandro Carvalho e Chamusca cada vez mais perto do acesso

9 Comentários Add your own

  • 1. Osvaldo Costa  |  18 de outubro de 2017 às 6:26

    Incrível a facilidade que os times adversários tem para ganhar bolas aéreas do sistema defensivo bicolor ! Perema e Diego Ivo mesmo sendo grandalhões, tem muitas dificuldades nas bolas alçadas na área. Incluo nesse bolo, o goleiro Emerson, que vem falhando seguidamente ao ficar plantado dentro da sua meta. Já passou da hora do entregador de camisas bicolor, corrigir essas falhas na zaga do papão. Vamos ter sofrimento até as últimas rodadas, mas acredito na permanência na série B.

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  • 2. Reginaldo Nonato Lobato  |  18 de outubro de 2017 às 8:34

    È com muita preocupação e tristeza que assisto os jogos do Paysandu. Preocupação pois não vejo nem sequer um arremedo de esquema tático, a não ser o de não perder. Tristeza pois não é possível que o luverdense tenha dois meias de ligação : Sérgio Mota e Marco Aurélio e o paysandu não consiga contratar um que preste.

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  • 3. Filipe Rocha  |  18 de outubro de 2017 às 8:39

    E ponha lucro nisso, pelo que jogou o time principalmente no segundo tempo, esse empate foi uma benção.
    Acho que esse time do Luverdense não caí, time bem arrumado, jogando pelas pontas e tocando bem a bola, tem bons atacantes e um armador em falta no futebol brasileiro, o Mota além de distribuir bons passes arrisca bons chutes de fora da área o que dificulta muito a defesa adversária, que não sabe se entra na pequena área para cortar os passes ou saí da área pra bloquear os chutes.

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  • 4. Charles Resende  |  18 de outubro de 2017 às 11:03

    Excelente resultado frente à tamanha covardia, retranca e cera que técnico e jogadores bicolores promoveram no segundo tempo.

    É uma vergonha ver esse time do Paysandu jogar em determinados momentos. Isso não é Paysandu. Um clube com uma vertente vibrante, raçuda, guerreira, e não apático e medroso. Não me conformo em ver excesso de zelo para assegurar um simples empate, na bacia das almas. A inconstância desse time é gritante.

    É certo que o time é limitadíssimo, mas a postura poderia ser diferente.

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  • 5. Nelio( o Maior campeão nacional de Norte, Nordeste a Centro Oeste  |  18 de outubro de 2017 às 12:36

    Conforme promessa deste palpiteiro do blog eu disse que só voltaria a comentar sobre a campanha bicolor nesta série B após a 30ª rodada. Dito e feito, aqui estou. Começo a empreitada lembrando que disse muito antes; O time que quisesse escapar do rebaixamento ou ter grande chance de escapar teria de estar posicionado bem na tabela até à 30ª rodada, caso contrário estaria fadado ao triste rebaixamento ou teria de fazer milagre para não cair. O Paysandu se quisesse escapar teria de estar razoavelmente bem até a 30ª rodada. Isto posto, assim caminha essa serie B. O Paysandu conseguiu através daquela vitória milagrosa aos 50 do segundo tempo contra o Boa um resultado que pode ter selado sua permanência nesta série. Se não fosse aquela vitória, o Papão estaria hoje na zona e talvez não saísse mais. Ou seja foi o resultado mais importante, divisor de água mesmo ainda faltando 8 rodadas. segue>>>>>

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  • 6. Nelio( o Maior campeão nacional de Norte, Nordeste a Centro Oeste  |  18 de outubro de 2017 às 12:36

    E pelo andar da carruagem, Santa, Náutico e ABC já estão na C 2018 a menos que ocorra um súper milagre. Matematicamente ninguém ainda caiu, mas todas as projeções já dão a queda de 3. Só resta uma vaga para queda que está sendo disputada por vários clubes inclusive o Paysandu. Ocorre que o Paysandu está em 12º, o Luv primeiro da zona está com 3 pontos e uma vitória a menos que o Paysandu. Teria de vencer os 2 jogos e o Paysandu perder os dois para ultrapassar o Papão, isso é parada indigesta. Mesmo com tudo isso, as projeções das 3 rodas seguidas apontam que mesmo o Paysandu perdendo as 3 seguintes não entraria na Zona por causa dos que estão abaixo e vão se enfrentar. então mesmo com a mínima diferença de pontos para os que estão na zona, o Paysandu está sim agora confortável na tabela para quem só pensa em permanecer. Acredito seriamente que nesta B 44 pontos livra da degola. Isto leva crer que somente os dois jogos seguintes em Belém contra Vila e Tigre podem garantir o Paysandu em caso de vitória. Se isto não ocorrer, ainda terá mais 2 chances em casa contra O Santa e Brasil. Fora de casa ainda terá também grandes chances contra Figueira, Ceará , Londrina e o combalido e rebaixado Náutico. Daí conclui-se que as chances do Paysandu conseguir 2 vitórias e escapar são gigantescas, graças a vitória no último minuto contra o Boa. Só um milagre às avessas poderia rebaixar o Paysandu. Não acredito nisso. Acredito que este palpiteiro acertou mais uma quando disse que quem quisesse escapar teria de estar bem posicionado até a 30ª rodada.

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  • 7. Osvaldo Costa  |  18 de outubro de 2017 às 16:08

    Amigo Reginaldo, sempre faço a mesma pergunta aos meus filhos. Como é que os diretores do Paysandu não conseguem contratar um meia de qualidade ? A resposta deveria ser dada pelos três diretores e mais o Analista de desempenho bicolor.

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  • 8. Jorge Paz Amorim  |  18 de outubro de 2017 às 19:13

    Lendo alguns comentários sem ver a classificação, tem-se a impressão que o Paysandu é o lanterna tal a quantidade de lenha que desce no costado do time bicolor, por sinal, há três jogos sem perder e eu destaco esse fato pueril porque quando fica três sem vencer desaba o mundo.
    Claro que não acho que a vida do Bicola está fácil, muito menos acho que o time joga o fino da bola. Longe disso. Mas vejo evolução, principalmente com mais posse de bola e muito mais raça do que apresentava nos tempos chamuscos, quando era o time que mais cometia faltas e menos tinha posse de bola.
    Quanto as possibilidades, como bem disse o Nélio, ABC, Santa Cruz e Náutico parecem já encaminhados à Série C. Além disso, a vida do Luverdense, por exemplo,, um time certinho mas ordinário, parece bem mais complicada. Sábado pega o Goiás necessitando desesperadamente da vitória, depois sai pra duas partidas fora, sendo que é um dos piores visitantes da competição e volta pra pegar o Internacional, sabe-se lá em que situação estará pra esse encontro.
    Logo acima do Luverdense está o Guarani, há meses sem ter o gostinho de uma vitória, mais precisamente 16 jogos e com dois meses de salários atrasados. Podia citar mais atenuantes pra irregular campanha bicolor, 15 pontos em 11 jogos do returno. Menos mal, pois no turno a essa altura tinha só 12.

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  • 9. miguelangelo1967  |  19 de outubro de 2017 às 7:20

    Indiscutivelmente a série B deste ano é a mais fraca tecnicamente falando.
    Quanto a permanência do Paysandu acredito que seja realizada pois os times que estão logo abaixo irão se confrontar mais adiante além dos fatores de desempate que no momento beneficiam o Papão.
    Mas não deixo de dar a minha alfinetada, é incrível como os dirigentes bicolores conseguem garimpar o que há de pior no mercado da bola, a cada ano um time pior.

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