Nas mãos do inimigo

9 de outubro de 2017 at 0:59 1 comentário

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POR GERSON NOGUEIRA

A iminência de ficar fora da Copa do Mundo de 2018 tem gerado um clima de grande apreensão na torcida argentina. Os jornais portenhos se debruçam principalmente sobre o papel a ser desempenhado pela Seleção Brasileira no jogo de amanhã contra o Chile, em São Paulo. Com a classificação assegurada há várias rodadas, o Brasil encara o confronto como um reles amistoso de preparação para o Mundial.

Justamente por isso nossos velhos rivais mostram-se agoniados. Temem que a Seleção não se entregue à disputa com disposição necessária para superar os inflamados chilenos, que virão dispostos a derramar sangue para conquistar a classificação.

O mais interessante disso tudo é acompanhar o desconforto visível dos argentinos por dependerem de um rival histórico. A rodada pode ter desfecho inteiramente favorável a eles, sem depender do Brasil. Caso vençam o Equador, já desclassificado, os vice-campeões mundiais poderão se garantir até em terceiro lugar no grupo sul-americano.

Acontece que jogar na altitude equatoriana é sempre um desafio. A coisa se torna mais complexa por conta do pífio futebol que Lionel Messi e seus companheiros andam apresentando. Depois do tropeço diante da Venezuela, o time optou pelo caldeirão da Bombonera para recepcionar os peruanos, mas não deu certo.

De nada adiantou colocar a massa urrando e cantando nos ouvidos dos comandados de Gareca. O escrete peruano resistiu bem à pressão, anulou Messi e quase conseguiu fazer o gol em lance desperdiçado por Farfan.

A cada novo insucesso fica bastante claro que o maior inimigo da Argentina é a própria Argentina. O drama passa até pelas dificuldades que Jorge Sampaoli tem em encontrar um lugar no time para Paulo Dybala. Destaque do ataque da Juventus, o jogador tem sido mantido no banco sob a alegação de que atua na mesma faixa que Messi.

Ora, mestre Telê pregava que bons jogadores têm escalação garantida, em qualquer posição do time, até mesmo longe de suas funções habituais. O futebol andou passando por algumas mudanças nos últimos 25 anos, mas a sentença de Telê continua válida.

Sampaoli deu provas de sua insegurança ao apostar fichas no ainda inconstante atacante Benedetto, revelação do Boca, em detrimento da habilidade do arisco Paulo Dybala.

Aliás, é difícil entender a transfiguração (para pior) de um treinador que foi tão inventivo na formatação do escrete chileno há até dois anos. Talvez o peso da responsabilidade de dirigir a seleção de seu próprio país explique os maus passos dados por Sampaoli até aqui.

Por ora, os argentinos parecem levar mais fé na competência de Tite no comando da Seleção Brasileira do que em seu próprio comandante, massacrado diariamente pela mídia esportiva.

As desconfianças quanto a um possível relaxamento do Brasil ficam mais no âmbito da rivalidade, mas um mínimo de racionalidade permitiria ver que Tite e seus comandados jamais entregariam um jogo somente para prejudicar o arquirrival.

Além do aspecto espúrio de uma derrota intencional, significaria a admissão pública de um temor que o futebol pentacampeão do mundo jamais teve em relação a nenhum outro país.

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Sob o complexo da reação tardia

A agressividade exibida pelo Papão na parte final do segundo tempo, em Varginha, na sexta-feira, pode passar a ideia de um time sempre corajoso e ousado como visitante. Nada mais ilusório. A reação foi heroica e permitiu a virada improvável, mas é preciso entender que o técnico utilizou quatro atacantes nos 20 minutos finais por absoluta necessidade de momento.

Ao lançar Welliton Jr. e Caion, Marquinhos Santos optou pelo risco máximo como estratégia. Quando fez isso não tinha nenhuma alternativa diante da derrota iminente. Por sorte, os dois jogadores entraram muito bem, fazendo companhia a Bergson e Magno.

Na verdade, o Papão só entrou no jogo na segunda etapa, depois que Emerson defendeu o pênalti e se redimiu da falha no gol do Boa Esporte, injetando motivação extra nos companheiros. O primeiro tempo alviceleste foi abaixo da crítica, sem inspiração no meio-campo e nenhum sentido criativo nas ações de ataque.

Causa certo incômodo ver que time e técnico só reagem depois de ficar em desvantagem. Tem sido assim ao longo de quase todo o returno, com prejuízos sérios à campanha, pois a opção pelo ataque é quase sempre tardia e não tem plena garantia de sucesso.

Individualmente, Emerson, Wellinton Jr. e Diego Ivo foram decisivos. O goleiro pela defesa do penal, Wellinton por cavar a penalidade que garantiu o empate e Diego pelo cabeceio certeiro, redimindo-se do bote errado sobre Reis que quase permitiu ao Boa Esporte matar o jogo.

Os próximos jogos irão dizer se o Papão finalmente aprendeu a lição e vai abraçar a causa ofensiva, principalmente dentro de casa. O primeiro passo é passar pelo CRB, parceiro de instabilidade na tabela e adversário direto na briga contra o rebaixamento. Uma nova vitória dará a confiabilidade necessária para que o time avance rumo a um término de competição mais digno e confortável.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 09)

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Vivendo & aprendendo A frase do dia

1 Comentário Add your own

  • 1. celira  |  9 de outubro de 2017 às 8:01

    Amigos,

    Tenho dúvidas se uma vitória sobre o CRB trará a confiabilidade, mas ela aproximará o PSC da permanência na série B, logo, poderá trazer tranquilidade, que é elemento importante para disputar as decisões que estão vindo.

    Curtir

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