Primeiro bom reforço

19 de setembro de 2017 at 23:28 2 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

O Remo garantiu ontem o primeiro grande reforço para 2018. Anunciou a renovação do contrato do goleiro Vinícius, principal destaque do time na disputa da Série C. Coube a ele fazer alguns pequenos milagres que impediram tropeços e asseguraram vitórias ao Leão na competição, evitando que fosse rebaixado – ficou apenas dois pontos acima do Moto Clube, o primeiro na zona da degola.

Apesar de embaraços quanto a salários atrasados, o goleiro aceitou permanecer, confiando na diretoria. É bom que não vacilem no cumprimento do acordo firmado, como tem ocorrido reiteradas vezes na atual gestão remista.

Vinícius chegou ao Evandro Almeida para ser o titular do time, sob o comando de Josué Teixeira, ainda para o Campeonato Estadual. Sofreu lesão e perdeu a posição para André Luís, que teve excelente participação nas primeiras competições da temporada.

Quando a Série C começou, Vinícius já estava recuperado e foi escalado, não perdendo mais o lugar no time. Foi a única decisão lúcida de Josué na montagem do time para o Brasileiro. Nas demais posições, como se sabe, ele preferiu apostar no pior e as consequências se estenderam até a rodada final da competição.

Não por acaso, Vinícius foi um dos poucos sobreviventes da traumática jornada azulina na Série C. Operou façanhas em várias partidas – com destaque para os confrontos contra ASA (lá e cá), Fortaleza, Botafogo-PB, Moto, Cuiabá e Sampaio (em São Luís) – e garantiu segurança por trás de uma zaga que se destacou mais pelas lambanças.

De estilo sóbrio, sem defesas espalhafatosas, o goleiro teve boas passagens pelo Boa Vista no futebol carioca e saiu valorizado pelas performances na Série C. Chegou a despertar o interesse de clubes da Série B, mas a diretoria do Remo teve um rasgo de lucidez e conseguiu preservar seu guardião. É um bom começo. (Foto: WAGNER SANTANA)

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Elogios exagerados disfarçam blindagem

Chama atenção a frequência com que técnicos de futebol pespegam louvações a times notoriamente tabajaras, mal posicionados nas competições. O ouvinte ou leitor mais desatento pode até se considerar desinformado diante de tantos elogios. Na prática, porém, o que ocorre é apenas a malandra blindagem para fins de sobrevivência no cargo.

Quando apontam virtudes fantásticas no adversário trôpego, os “professores” não estão tentando ser gentis com os colegas de profissão. Longe disso. Estão apenas cuidando da manutenção do próprio emprego.

No movediço cenário do futebol paraense, com técnicos sempre às turras com as torcidas mais exigentes, a prática virou mantra. A cada semana, às vésperas de um jogo importante, o que se escuta nas entrevistas é um discurso que destaca sempre os méritos impressionantes do oponente.

É a chamada vacina contra maus resultados. Caso ocorra um revés, a outra equipe já havia sido diagnosticada como praticamente invencível, o que alivia a barra do treinador derrotado. E, se ocorrer uma vitória, a façanha ganha amplitude, pois o adversário era dos mais credenciados.

Na semana passada, por exemplo, assistiu-se a um rosário de salamaleques ao brioso ABC, ora hospedado na última colocação da Série B. Com meros 17 pontos no campeonato, o alvinegro potiguar foi alvo de suspeitíssimos afagos por parte do técnico Marquinhos Santos, do Papão.

O lanterna do torneio foi pintado como um daqueles competidores de ponta na Champions League, abundante em recursos técnicos e táticas ameaçadoras. O mesmo deve ocorrer nesta semana em relação ao Goiás, outro que despenca ladeira abaixo.

Por justiça, cabe dizer que Marquinhos não é o primeiro, nem o único. Antes dele, Marcelo Chamusca, Dado Cavalcanti, Gilmar Dal Pozzo e Mazola faziam a mesmíssima coisa. Josué Teixeira agia igual no Remo.

A tendência bajuladora avança como praga. A prática é adotada sem pudores na Série B e até na Primeira Divisão do futebol nacional. Tudo sob o olhar desconfiado do torcedor, cuja boa fé não pode jamais ser confundida com ignorância.

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Neymar e a síndrome de menino birrento

Jornais franceses informam que Neymar pediu ao dono do PSG que negocie o uruguaio Cavani. Neymar tem 25 anos, mas não amadureceu. Costuma assumir a persona de reizinho. Qualquer contrariedade desperta muxoxos e zangas intermináveis. Encontrou um competidor à altura em Cavani, também famoso por ser fominha e intransigente. Como meninos mimados, brigaram por causa de uma cobrança de pênalti.

Com as credenciais conferidas pela maior transação da história do futebol, Neymar tenta se afirmar como o dono do time, se bobear até mais poderoso que o bilionário árabe que despeja toneladas de dinheiro no PSG.

Enquanto as pinimbas se restringirem ao clube, o torcedor brasileiro pouco tem a se preocupar. O problema muda de feição se o estrelismo de Neymar contaminar o ambiente da Seleção Brasileira. O egocentrismo, a mania de reclamar de tudo e a dificuldade em aceitar contrariedades podem ter efeitos desastrosos na disputa de uma Copa do Mundo.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 20)

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Saudades de mestre Freire Rock na madrugada – David Bowie, All The Young Dudes

2 Comentários Add your own

  • 1. miguelangelo1967  |  20 de setembro de 2017 às 13:21

    O futebol é respeito ao adversário seja de qual série for, porém uma vez expostas pelo time favorito a sua fragilidade o transforma em verdadeiro Davi golpeando o gigante com uma única e certeira pedrada nocauteando impiedosamente o oponente. O futebol é repleto destes exemplos.
    Até entendo que estes “professores” elogiem o adversário menos favorecido buscando, de fato, defenderem-se em caso de um revés!
    Eu não gosto desta atitude, acho demagoga e anti-profissional, para não dizer falta de coragem para assumir um resultado adverso.
    Zebras existem em qualquer competição, principalmente no futebol!
    O próximo adversário Bicolor possui na teoria um elenco mais qualificado porém o que justifica este que é o segundo maior orçamento da série B frequentar a zona do rebaixamento?
    Acompanhei alguns jogos do Goiás e sinceramente, parece haver uma entrega, mas das partidas,por parte dos jogadores, o último jogo diante do Santa Cruz é um exemplo.
    A presença do disciplinador Hélio dos Anjos pode ser que a postura do time Verde mude mas tomara que o Paysandú famoso em ressuscitar mortos não se confirme e a equipe Bicolor traga de Goiânia um resultado positivo mais uma vez.

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  • 2. Antonio Oliveira  |  20 de setembro de 2017 às 14:35

    Vinícius já provou que é um bom goleiro. Mas, a verdade que o Remo está precisando de muito mais do que jogadores para voltar aos trilhos.

    Acho que o discurso elogioso dos adversários, por pior que eles sejam, trata-se de um dos muitos “jargões” do futebol, que não tem potencial para enganar nem o mais desatento torcedor. Aliás, é práticas comprovadamente ineficaz como blindagem. Salvo se houver algum fator específico na relação com o Clube, às vezes, três ou quatro derrotas, o professor já rodou.

    Quanto ao Neymar, ele age conforme é comum de há muito no futebol brasileiro. Aliás, em qualquer time rola este extremismo. Desde os Íbis da vida, até aos mais vitoriosos. E as resenhas de jogadores entre si ou com os jornalistas deixa isso bem nítido. Aliás, a midia dita especializada alimenta isso em grande medida.
    Até o ex jogador Eduardo Ramos bota banca.
    Voltando ao Neymar, é dizer que até o momento ele não está em deficit. Ao contrário, tá no auge, eis que mesmo enfrentando titãs do estreilismo do universo futebolístico, inclusive na midis, ele vem resistindo e crescendo. E olha que na copa mostrou que ainda não tem condições de sequer amarrar a chuteira do Zico (pra ficar no rol daqueles que como o Neymar não ganhou copa). A propósito há muitas histórias contando que o próprio Zico tinha seus momentos de reizinho e sua corte. O Jason, atacante amapaense que jogou por aqui, tem algumas poucas e boas sobre o Galinho.

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