Crônica da morte anunciada

11 de setembro de 2017 at 1:03 9 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

Mais uma vez fica provado que não existe milagre em futebol. No estádio Cornélio de Barros, no sábado à noite, valendo pela última rodada da fase de classificação da Série C, o Remo foi coerente com a sua errática campanha. Desorganizado na transição, sem criatividade no meio-campo, carente de apoio nas laterais e com um ataque completamente isolado. Foi a confirmação de uma história que se desenrolou pelas 17 rodadas anteriores.

O único momento lúcido do time na partida aconteceu aos 9 minutos. Em rápida manobra na entrada da área, Jayme tabelou com Edgar e este disparou um chute forte no travessão. Um gol naquele momento poderia mudar os rumos do jogo, dando ânimo e confiança para lutar pela vitória.

Logo em seguida, duas falhas grosseiras no centro da zaga acabaram por derrubar os sonhos azulinos ainda no primeiro tempo. Os gols marcados por Álvaro e Jean Carlos em contribuições generosas dos defensores selaram a sorte do Remo, que se mostrou impotente para reagir.

Lento e dispersivo no desenvolvimento do jogo, débil nas ações ofensivas, o Remo foi um visitante acanhado. Voltou para o 2º tempo do mesmo jeito que saiu do primeiro. Sem forças para fustigar o Salgueiro, só foi descobrir as fragilidades do goleiro Mondragon já nos acréscimos.

Uma bola alta, vinda de escanteio, confundiu o guardião e Leandro Silva empurrou para as redes. Não havia motivo para festejo e nem tempo para mais nada – o árbitro goiano encerrou o jogo sem sequer dar a saída.

No fundo, nada que surpreendesse a quem acompanhou de perto a caótica trajetória do Remo nesta Série C. Surpresa mesmo seria se o time, transfigurado, conseguisse ser brilhante e produtivo na rodada final.

O adversário nem mostrou qualidades para vencer. Errou muito no meio, abusou dos chutões, mas foi beneficiado pelo nervosismo da zaga remista, que se mostrou tensa desde os primeiros minutos. Cabe observar que, em meio aos desfalques no time titular, a defesa foi o único setor sem baixas.

Até Martony, que vinha se destacando nas rodadas anteriores, parecia desarvorado. Leandro Silva o acompanhou nas derrapadas. Os laterais Ilaílson e Jaquinha só apareciam pelos erros primários de passe.

As exceções ficaram por conta de Vinícius, que voltou a pontificar com segurança e arrojo, evitando mais dois gols do Salgueiro em jogadas nascidas de falhas dos zagueiros. Além dele, merece menção o esforço inglório de Flamel e Jayme tentando arrumar os muitos desacertos do time.

O fato é que não havia como terminar bem o que começou (e permaneceu) errado. Apesar de mantido no G4 até o último momento, a eliminação se esboçou na penúltima rodada, por ocasião do vexame diante do Sampaio e na presença de 35 mil fanáticos no Mangueirão.

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Debandada geral prenuncia tempestades

Diretores começam a se afastar da gestão do Remo. João Moscoso já saiu. Marco Antonio Magnata oficializa hoje sua renúncia ao cargo de diretor de Futebol. A tendência é que outros sigam o mesmo caminho. O clima é de debandada geral. Prenúncio de problemas à frente, pois dirigente quando pede para sair é porque sabe que há confusão se aproximando.

Por trás dessas deserções estão as muitas divergências com o comando exercido pelo presidente Manoel Ribeiro, que exercita o poder como fazia há 50 anos. O estilo centralizador do aclamado Marechal da Vitória de outros tempos tem desagradado seus parceiros de diretoria.

Um dos problemas mais sérios ocorreu na véspera do jogo com o Sampaio, pela 17ª rodada da Série C. Todos os diretores eram favoráveis ao pagamento imediato de 50% dos salários de julho aos jogadores, como tinha sido prometido. MR não concordou e, sozinho, decidiu pagar somente na segunda-feira após a partida. Há quem atribua o pífio rendimento do time em campo à irritação dos atletas com o descumprimento da promessa.

Esses e outros dramas diários se desenrolam no clube, com maior ou menor consequência para o futebol, gerando um clima de instabilidade que pode culminar nesta semana com um pedido formal (por parte de um grupo de conselheiros) de afastamento do presidente.

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Insatisfação da Fiel não gera mudança no Papão

O Papão perdeu novamente e a diretoria não dá sinais de que pretenda mexer no comando. A torcida, em grande parte, exige mudanças que ajudem a impulsionar a equipe para uma arrancada final na Série B, capaz de afastar de vez a ameaça de rebaixamento. As vaias ao time e ao técnico Marquinhos Santos, depois do jogo contra o América, indicam essa insatisfação crescente.

Com 27 pontos e em 14º lugar, o Papão está apenas a dois pontos do primeiro time situado na zona da degola – o Figueirense, com 25 pontos –, tendo ainda dois perseguidores diretos, Luverdense (27) e Goiás (25). Diante disso, passa a ser dramático o jogo com o lanterna ABC no próximo sábado, na Curuzu. Novo revés pode empurrar o time não só para o Z4, mas para uma crise de proporções imprevisíveis a essa altura do campeonato.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 11)

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Fogão, em ritmo de treino, supera o velho rival Rock na madrugada – Franz Ferdinand, Love Illumination

9 Comentários Add your own

  • 1. Frederico Teron  |  11 de setembro de 2017 às 9:29

    A soberba também foi um dos motivos para a eliminação. Contra o Sampaio já cantavam vitória antecipada.

    E o que mais se ouviu foi Gooooooooooooooool do Sampaio.

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  • 2. lopesjunior  |  11 de setembro de 2017 às 13:00

    Aponto, mais uma vez, como o principal erro do clube o fato de Josué Teixeira ter indicado e a diretoria contratado sem avaliação criteriosa dos ditos reforços, sendo o resultado aquilo que se sabe, um time sem resultados. Não dá pra continuar deixando nas mãos do treinador indicar todos os jogadores porque isso tem-se mostrado improdutivo. É preciso mudar este modelo de gestão do futebol, é preciso ter um gestor especializado em futebol, com expertise no futebol, quero dizer. Para além de treinadores e jogadores, é preciso encontrar soluções regionais para pensar o futebol em longo prazo. Presidir um clube como Remo não é coisa de amadores e a debandada mostra bem o quanto e compromisso se tem com o clube. Gestão amadora é um modelo de negócios esgotado há muito tempo e é preciso modernizar a gestão do futebol azulino, fazendo isso com seriedade e responsabilidade, com critérios técnicos e financeiros bem estabelecidos, contando com o crescimento do futebol local porque, definitivamente.

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  • 3. Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.  |  11 de setembro de 2017 às 14:59

    O maior erro do rival continua sendo não enxugar as contas
    Um clube que só não está falido por possuir vários patrimônios.
    O certo seria formar um time caseiro sem se preocupar com os resultados e deixar seu torcedor ciente disso e investir na série C.

    O remo só vai sair dessa vida miserável quando voltar a série B.

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  • 4. Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.  |  11 de setembro de 2017 às 15:06

    Já o Paysandu tem pecado em não contratar um bom técnico
    O último foi o Mazola.

    O espírito de miséria habita nos dirigentes na hora de trazer um bom técnico
    Só trazem bomba
    Diferente do Remo, o Paysandu tem que começar o ano já pegando pesado pra poder encarar as competições que irá enfrentar.
    Mas parece que contratam tecnicos de fácil manipulação
    Contratam errado e acabam formando elencos caros mas sem consistência

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  • 5. miguelangelo1967  |  11 de setembro de 2017 às 17:38

    O título da matéria pode servir como profecia pois o futebol paraense vai de pior à péssimo a medida que os anos avançam.
    A temporada ainda será de muita aperreio para a torcida Bicolor que teme pelo pior uma vez que está à beira da zona maldita.
    A estupidez dos dirigentes dos dois clubes é notória. Onde já se viu montar elencos com refugos e rejeitos de centros mais atrasados do futebol brasileiro?
    O resultado não pode ser outro.
    O torcedor como patrocinador do time tem plena razão e direito de boicotar nas arquibancadas, quem de Sã consciência vai sair de casa para acompanhar um teatro de horrores praticado por estes pseudos profissionais?
    Eu dou valor ao meu suado dinheiro e hoje, prefiro gastar em um bom espetáculo de teatro, cinema ou até mesmo num shopping a ter que ficar 90 minutos sofrendo com a péssima qualidade do meu time além do desconforto dos nossos estádios de futebol.

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  • 6. Comentarista  |  12 de setembro de 2017 às 6:40

    É isso aí, Miguel Angelo. Ir ao estádio é uma escolha dentre as várias opções de lazer disponíveis, que depende de vários fatores. Cada um sabe da sua disposição para encarar benefícios e as muitas agruras de ir a um estádio de futebol, principalmente no Mangueirão. Além do cinema, teatro, shopping, etc., que vc cita como alternativa aos circos de horrores que são Remo e Paysandú, acrescento os bares da cidade que oferecem mais segurança, conforto e TV em canal fechado para, apesar dos pesares, ainda assistirmos a jogos de nossos times. Pelo menos sairemos 50% satisfeitos, com o chopp gelado, o churrasquinho e o papo entre amigos.

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  • 7. Antonio Valentim  |  12 de setembro de 2017 às 7:36

    O que começa errado geralmente não termina certo.
    Tudo começou com aqueles 609 votos para a volta do semi-amadorismo dos anos 1970.
    A situação do CR é bem parecida à do Brasil: quando a gente vê uma luz no final do túnel, é na verdade uma motocicleta vindo em sentido contrário:
    Ou ainda daquele doente cujo médico, de 40 anos e poucos atrás, não se atualizou e ministra os mesmos medicamentos de 1970.

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  • 8. Antonio Valentim  |  12 de setembro de 2017 às 8:09

    Para relembrar:
    “UM GRUPO de sócios do Remo encaminhou na tarde desta sexta-feira um documento cobrando da diretoria mais transparência em relação ao caso do assalto à sede social da avenida Nazaré, no último domingo, que resultou no furto da quantia de R$ 423.632,00 mil do cofre do clube. Os sócios fazem vários questionamentos sobre o nebuloso episódio, exigindo que as respostas sejam dadas em até 48 horas:

    Quem é o responsável pela guarda de valores na sede?
    Qual o motivo da guarda de quantia tão volumosa na sede?
    Por qual razão não foi depositado tal valor num banco ou cofre de empresa de segurança?
    Quem sabia que este valor estava na sede dentro de um cofre?
    Quem está à frente da Diretoria de Segurança do Remo?
    A Diretoria de Segurança sabia da intenção de guardar o dinheiro na sede?
    Que medidas serão tomadas para a reposição do dinheiro?
    Como o cofre foi aberto?” 07nov2015 (Blog do Gerson)

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  • 9. Leonardo Swami / Papão - O Maior do Norte  |  12 de setembro de 2017 às 13:17

    Vamos deixar para a torcida iludida, do quase falido ! Bom público e renda diante do Sampaio; não pagaram os jogadores, outros compromissos não foram honrados e o quase falido não foi para o mata-mata.. Adiantou alguma coisa ? ? ? A torcida bicolor é inteligente.. Não é iludida por dirigentes e principalmente a imprensa..

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