As armadilhas do medo

27 de agosto de 2017 at 10:59 5 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

Que mistério faz um time reagir somente no final, quando o placar já está definido e pouco há a fazer para mudar uma partida? Foi exatamente o que ocorreu com o Papão, sexta-feira à noite, no Beira-Rio. Aceitou passivamente o domínio do Internacional e só achou coragem depois de levar o terceiro gol.

Quando o jogo se encaminhava para o fim, o Papão resolveu se soltar. Passou a trocar passes com acerto buscando se infiltrar na defesa adversária pelo lado mais vulnerável. Tudo o que não havia feito antes.

A estratégia deu certo. Em poucos instantes de organização ofensiva, o segundo gol saiu. Bola cruzada na medida para o cabeceio de Welliton Jr. no canto esquerdo. Daí em diante, por mais seis minutos, o Inter enfrentou aperreios que não tinha sofrido até então.

Depois de marcar logo aos 10 minutos (Leandro Damião) e controlar as ações, o único dissabor vivido pelo Inter foi o gol de Bergson, aos 35’, aproveitando rebote do atrapalhado Danilo Fernandes.

Dez minutos depois, falha de Lombardi permitiu a Damião fazer o segundo gol, restituindo a cômoda situação de ataque contra defesa. D’Alessandro jogava à vontade, tocando e fazendo lançamentos.

Na etapa final, Klaus marcou o terceiro aos 24’ em nova cobrança de D’Alessandro. Outra falha defensiva, desta vez do goleiro Marcão, que tentou estabanadamente cortar o cruzamento. Todos os manuais ensinam que o goleiro jamais deve sair se não tiver convicção de que irá alcançar a bola.

Para surpresa geral, o terceiro gol teve o condão de mexer com os brios do time de Marquinhos Santos. Da covardia exibida ao longo do confronto – com exceção do lance que gerou o gol de Bergson –, os bicolores partiram para uma súbita blitz sobre a área do Inter.

Welliton Jr. já estava em campo e partiu com gosto para cima do marcador, Winck, sofrendo faltas seguidas e provocando um cartão amarelo ao defensor. Winck terminou falhando na cobertura ao próprio Welliton no cruzamento baixo que levou ao segundo gol do Papão.

Minutos depois, atarantado com o cerco à sua área, o goleiro Danilo Fernandes saiu jogando errado e quase entregou um presente nos pés de Welliton. A zaga chegou a tempo e contornou o perigo.

Mesmo sem jogar bem, o placar foi honroso e deixou claro que, com um mínimo de organização no meio e mais disposição para atacar, o Papão poderia ter saído de Porto Alegre com um resultado mais interessante.

No fim das contas, ficou a sensação de que o medo de sofrer um resultado elástico e o respeito excessivo ao Inter custaram muito caro aos bicolores. Tudo tem a ver com medo, sempre ele.

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As escolhas da velha CBD para o antigo Nacional

O amigo Ronaldo Passarinho, baluarte ilustre deste espaço, faz um oportuno esclarecimento a respeito da inclusão do Remo no Campeonato Brasileiro de 1972, tema de comentário do leitor Jorge Paz Amorim reproduzido na coluna de sexta-feira:

“Não havia critério para a inclusão dos clubes no Campeonato Nacional. Os clubes eram convidados pela então CBD – o Nacional de Manaus estava na competição desde 1971. Havia exigência de lotação mínima dos estádios e o Remo era o que detinha maior capacidade de público. Mesmo assim, a CBD exigiu a duplicidade das arquibancadas. Como o Remo não tinha capacidade financeira para bancar a obra, o então ministro da Educação, Jarbas Passarinho, mandou fazer o levantamento dos custos. Em seguida, liberou para Tuna e PSC a mesma quantia dada ao Remo, sendo que a Tuna ergueu o ginásio Miranda Sobrinho, premiando Jarbas com o título de benemérito. O PSC reformou toda a fachada do estádio da Curuzu e aplicou em outras obras internas, concedendo a Jarbas o título de sócio honorífico como prova de gratidão. Um dos grandes amigos do ministro era Abílio Couceiro, um dos históricos dirigentes alvicelestes, que solicitou a Jarbas a inclusão do clube no Nacional. Pedido atendido de imediato, o PSC passou a também representar o Pará”.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, com participações de Giuseppe Tommaso e deste escriba de Baião.

Começa às 21h, na RBATV.

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Observações sobre o cobiçado Xuxa

O jornalista Leandro Santiago, um expert em Ponte Preta, comentou com ironia as insistentes notícias sobre o interesse do Papão pelo meia Xuxa, finalmente contratado anteontem pelo Figueirense. Segundo Leandro, via Twitter, o clube paraense escapou de boa ao perder a queda de braço pelo futebol do jogador.

É burocrático demais, segundo ele, que acrescenta: “Não entendo essa obsessão em querer virar Ponte B. Primeiro foi o Fábio Ferreira e agora o Xuxa”.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 27)

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Líder sofre nova derrota em casa Histórias do mundo da bola

5 Comentários Add your own

  • 1. Jorge Paz Amorim  |  27 de agosto de 2017 às 12:27

    Ronaldo só confirma o que afirmei: que o Remo foi ‘nomeado’ nosso representante pela falta de critério. Aliás, nem sei se o Baenão era o de maior capacidade à época o que, segundo Ronaldo, justificou sua escolha pra ser o primeiro a ser ampliado.
    Lembro que várias decisões do campeonato paraense, na década de 1960, eram disputadas no estádio ‘Navas Pereira’, hoje Francisco Vasques, pela capacidade de levar mais público.
    Ainda que fosse o Baenão o maior, nada justificava a escolha do Remo como nosso representante porque nos primeiros anos da participação paraense no Nacional, o Baenão era o estádio oficial dos nossos representantes.
    O Paysandu estreou na competição no dia 25 de agosto de 1973, jogando no Baenão é bom que se diga e foi assim durante um bom tempo porque a direção do Papão à época de fato deu ênfase à construção da frente do imóvel. Dizia-se até que boa parte dos recursos destinados à reforma total da Curuzu foram parar na Braz de Aguiar, mas isso é apenas um registro en passant.
    O que afirmo convicto é que o Remo foi beneficiário da falta de critério, assim como foi beneficiário de um sorteio a Gilmar Mendes que destinou ao Leão Azul a ocupação daquele túnel que ficava atrás do bandeirinha, no tempo em que o Mangueirão tinha só uma banda. É isso.

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  • 2. celira  |  27 de agosto de 2017 às 12:28

    Dois comentários breves

    1) Concordo plenamente com Gerson. Faltou um pouco de ousadia do PSC para buscar um melhor resultado. No final das contas, o resultado foi honroso, mas com a sensação que poderia ser melhor (gols sofridos por falhas).

    2) Não entendo a insistência do PSC (sonho antigo) com Junior Xuxa. Jogador que foi regular apenas um único ano pelo Icasa, no mais, vem amargando banco de reservas, dispensas e bons contratos (generoso futebol).

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  • 3. Antonio Valentim  |  27 de agosto de 2017 às 12:43

    Essa história da primazia azulina no antigo Campeonato Nacional ainda vem rendendo muito. Ainda que se tenham passado 45 anos, há muito bicolor inconformado por aí.

    O Paysandú julgou-se prejudicado por ter sido na época o campeão do ano imediatamente anterior, 1971. Já o Remo justificava-se por ter sido campeão do Norte-Nordeste também em 1971.

    O estádio da Curuzu não tinha nome. Lembro ainda de suas precárias instalações com arquibancadas de madeira. Reformulado, queriam dar o nome do azulino Jarbas Passarinho, então homem forte do governo militar. Foi voto vencido, ficando a partir de então a homenagem a Leônidas Sodré de Castro.

    Mas a verdade é que naquele tempo não havia critério para nada.

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  • 4. Antonio Valentim  |  27 de agosto de 2017 às 12:58

    Em parte os comentários sobre o “medo” do Paysandú no jogo contra o Inter podem se aplicar ao Leão no jogo de ontem.

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  • 5. lucilofilho  |  27 de agosto de 2017 às 15:59

    Reconheço a importância do ER ao time, mas colocar o jogador debilitado fisicamente em função da virose, em campo ontem, foi um grande erro, haja vista o evidente mal desempenho no tempo que ficou em campo.

    Curtido por 1 pessoa

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