Lembranças de um comediante da fuzarca

22 de agosto de 2017 at 10:39 1 comentário

20915226_690752514451743_1116386803735168082_n
POR GERSON NOGUEIRA
Reconheço que lá no comecinho não curtia muito o humor amalucado de Jerry Lewis, em função do tom de voz do dublador das “sessões da tarde”. Achava chato. Com o tempo, porém, fui virando fã das caretas e peripécias físicas do grande ator. Sim, porque nessa história de comédia muitos custam a atinar que há sempre um grande intérprete por trás.
Acho que vi todos os seus filmes, sendo que “O Professor Aloprado”, “Bancando a Ama-Seca” e o “O Rei do Laço” uma porrilhão de vezes. A presença de Dean Martin, ali como escada de luxo, era um ponto forte do trabalho de Lewis e a prova inescapável de sua genialidade ao fazer de um ator mediano como Martin um coadjuvante espetacular.
Li certa vez que Lewis era um dos caras mais inteligentes do cinema americano, dono de QI altíssimo. Por isso, era tão exigente e meticuloso na construção de personagens, caprichando no tempo exato de cada gesto ou enquadramento.
Jerry-Lewis-Robert-de-Niro
Em 1982, Martin Scorsese fez com ele e De Niro um filmaço, “O Rei da Comédia”, no qual Lewis aparece num papel dramático, longe das gags que o celebrizaram. Ainda assim, impecável.
Com sua morte, somos obrigados a olhar em voltar e perceber que os grandes cômicos sumiram do mapa. Verdade que aparece, de vez em quando, aqui e ali, um engraçadinho qualquer, mas longe de representar uma legenda no mundo do humor.
Um troço engraçado no universo da comédia é que expressamos preferências sem muita lógica, até porque os estilos se diferenciam muito de ator para ator.
Adorava O Gordo & O Magro, mas odiava Os 3 Patetas. Acho Jacques Tati genial, Peter Seelers também. Apreciava Danny Kaye, Gene Kelly, Richard Pryor e Gene Wilder.
No Brasil, sempre preferi Zé Trindade a Oscarito, Costinha a Ankito, Grande Otelo a Mazarópi.
Senti as perdas de Belushi e John Candy.
Ainda gosto de Steve Martin, mas não aguento ver Jim Carey, por coincidência o mais óbvio imitador de Lewis.
Last but not least, escrevi estas linhas meio tortas apenas pra dizer que a partida de Lewis nos deixa (a quase todos) órfãos do bom humor, da comédia como expressão de arte. Há algo meio fora de ordem conspirando pra deixar o mundo cada vez mais carrancudo, intolerante, direitoso e fascista.
(Ironia das ironias, o cidadão Lewis cultivava ideias ultraconservadoras, como a hostilidade a imigrantes. Vá entender…)

Entry filed under: Uncategorized.

Rock na madrugada – John Lennon, How Do You Sleep Goiano tem baixas e dúvidas para o jogo de sábado contra o Moto

1 Comentário Add your own

  • 1. Gleydson  |  22 de agosto de 2017 às 13:13

    Sou do tempo do grande Eddie Murphy dos anos 80.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


CONTAGEM DE ACESSOS

  • 7,321,356 visitantes

Tópicos recentes

gersonnogueira@gmail.com

Junte-se a 12.816 outros seguidores

ARQUIVOS DO BLOG

FOLHINHA

NO TWITTER

GENTE DA CASA

POSTS QUE EU CURTO


%d blogueiros gostam disto: