A grande aposta

4 de agosto de 2017 at 1:03 5 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

A mídia esportiva mundial não falou de outra coisa nos últimos dias: a transferência de Neymar para o PSG, deixando o Barcelona a ver navios. A notícia causou espanto por três motivos principais: o jogador estava satisfeito e bem ambientado no clube; ninguém parecia ter grana suficiente para tirá-lo de lá; e também, cá pra nós, porque não é comum alguém abandonar o Barça, sonho de consumo de quase todo jovem boleiro.

Para um atleta de sua idade, com muito ainda por conquistar e provar, Neymar demonstra coragem, desassombro até. Imagine a quantidade de gente buzinando no ouvido dele para que não tomasse essa decisão, para repensar as coisas, para pensar nos amigos de clube, na sensacional paisagem de Barcelona, nas pantagruélicas paellas etc.

Pois nada disso deteve o melhor jogador surgido no Brasil na última década. Como a ousadia está sempre próxima da loucura, talvez daqui a algum tempo a gente esteja reavaliando tudo isso e chegando à conclusão de que Neymar meteu os pés pelas mãos e fez uma tremenda bobagem.

Pode ser. Acredito, porém, que ninguém jamais deve recuar de seus projetos pessoais. Nada deve inibir os planos de quem sonha com algo melhor. E é absolutamente natural que Neymar esteja fazendo isso agora. A maturidade traz junto a tendência a evitar riscos, o medo das incertezas.

Alguém já disse que o mundo pertence aos jovens, entre outras razões, porque o jovem não tem medo. Ao contrário, gosta de arriscar, e o risco tem uma face irresistível. Por isso, a maioria das pessoas aplaude o destemor do ex-santista.

O outro lado da moeda diz respeito ao desconforto pela saída abrupta, que magoou profundamente fãs, torcedores, atletas e dirigentes do clube catalão. Fica um quê de ingratidão, afinal o Barça recebeu Neymar de braços abertos, concedendo-lhe o mesmo tratamento generoso dispensado antes a Evaristo, Marinho Peres, Romário, Ronaldo e Ronaldinho Gaúcho.

Desde que o negócio foi fechado, os jornais espanhóis descem a lenha em Neymar. Foi chamado de mercenário e ganancioso. O Sport abriu manchete entupida de mágoa: “Até nunca mais”. Uma reação compreensível e humana, ainda mais numa região orgulhosamente autônoma e altiva.

Faltou apenas considerar que o atleta também deu muito ao clube, jogou em altíssimo nível quase sempre e retribuiu regiamente os salários que recebia. Pancadas também foram estendidas ao pai do jogador. Ora, que surpresa? Todo pai busca sempre o melhor para seu rebento.

Johan Cruyff, monumento do futebol mundial e exemplo raro de boleiro consciente, dizia que um jogador que não se sente bem no Barcelona não deveria ficar lá. Ao fazer esse comentário, há alguns anos, o maestro da Laranja Mecânica e eterno ídolo azul-grená, estava apenas sendo coerente com o slogan da agremiação: “Més que un club”, como está escrito na canequinha que mantenho na minha estante.

É claro que existe uma razão menos ortodoxa para a decisão de Neymar. O fisco espanhol não dá tréguas a craques milionários acostumados a gambiarras, como se vê usualmente no Brasil da CBF e suas tramoias. Ninguém escapa ao pente-fino, nem mesmo Messi.

Com Neymar não foi diferente, até porque na transação que o tirou do Brasil houve o envolvimento do então gestor do Barça, Sandro Rosell, preso recentemente por lavagem de dinheiro e outras trapaças. O crescente incômodo com as movimentações da Justiça talvez tenha pesado na opção pela terra de De Gaulle e Sartre.

A sorte está lançada. Que Neymar seja bem-sucedido, ajude o PSG a conquistar respeito na Europa e jamais deixe de lado a Seleção. E, claro, que fique cada vez mais rico, mas nunca esqueça – como no velho poema – quem é o dono de quem.

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Copa dos Campeões: um festejo ameaçado

O futebol do Pará parece estar irremediavelmente marcado pela bagunça. A coisa contamina até uma simples programação festiva – no caso, o amistoso alusivo aos 15 anos da conquista da Copa dos Campeões pelo Papão, previsto para acontecer hoje, no Mangueirão. Depois de ser amplamente divulgado, o evento está ameaçado pelo descumprimento de vários itens do acordo com os atletas convidados.

Cinco dos campeões – Marcão, Leandro Paulista, Sandro Goiano, Luiz Fernando e Pedro Paulo – ainda esperam pelas passagens aéreas. Caso não possam vir para o jogo, outros ex-atletas ameaçam não entrar em campo até porque sem a presença do quinteto a festa não faria sentido.

Ontem à tarde, em Bragança, parte da comemoração já foi cumprida, com louvor. Um combinado bicolor dos campeões de 2002 disputou um Re-Pa com veteranos do Remo. O resultado final foi 2 a 2 e a animada plateia presente teve a oportunidade de rever alguns de seus ídolos. Marcaram, para o Leão, os veteranos Edil e Ageu. Vélber assinalou os gols do Papão.

Independentemente do que acabar ocorrendo hoje, o fato é que os heróis da conquista mais importante da história alviceleste mereciam um tratamento mais digno e respeitoso.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 04)

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Cruzeiro complica situação do Vasco Rock na madrugada – Los Hermanos, Último Romance

5 Comentários Add your own

  • 1. Anselmo Gomes  |  4 de agosto de 2017 às 8:32

    Sobre a transferência de Neymar, corroboro suas palavras, amigo Gerson, quanto à impetuosidade da juventude. Certamente o garoto, deslumbrado com o estrelato e no auge da forma e do potencial, acredita-se imbatível, e que sua capacidade e talentos individuais sobrepõem-se a qualquer escudo ou tradicional agremiação planetária. Sobre isso, que tome a devida cautela (ele e seu melindroso pai), pois já vimos outras grandes estrelas do futebol tombarem diante dessa pretensa “intangibilidade”. Que tenha sucesso no PSG, e que a maturidade que vem demonstrando em campo contagie o garoto que, fora dele, ainda permite que a fleuma da pouca idade grite mais alto.

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  • 2. José FERNANDO PINA Assis  |  4 de agosto de 2017 às 9:55

    SANCHOOO.. encilla el Rocinante!
    Trae me lo escudo, mi elmo, la armadura, mi lanza, listo! Quiero ir me a las campas espicar los dragones molinos! No dejaré jamás que se muerán mis sueños!
    Don Quijote de la Mancha

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  • 3. Nelio  |  4 de agosto de 2017 às 13:22

    Hoje aniversário da maior conquista que o futebol do Norte ja teve em todos os tempos( Copa dos Clubes Campeões do Brasil) e portanto merece ser comemorada com dignidade porque não é fácil vencer um título onde estavam na disputa FLAMENGO, SÃO PAULO, CORINTHIANS, PALMEIRAS, INTERNACIONAL, VASCO, CRUZEIRO, FLUMINENSE, ATLETICO MINEIRO etc. e indicava vaga para Libertadores. Não é mesmo. O povo do futebol do Norte deve se orgulhar disso. Quem é Paysandu deve muito mais. Então toda é qualquer manifestação em memória dessa enorme conquista deve ser louvada. Parabéns a TODA diretoria bicolor, sempre valorizando cada vez mais as glórias do querido PAYSANDU SPORT CLUB., o maior clube do Norte.

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  • 4. Nelio(O Paysandu jamais caiu para a vergonhosa quarta divisão)  |  4 de agosto de 2017 às 16:21

    A Copa dos Campeões deve se imortalizada na memória de todos os bicolores que se preze. Porém o futebol é muito dinâmico e o Paysandu não pode se ater somente ao passado das grandes conquistas. Parece pouco, mas já se foram 15 anos da memorável conquista onde de lá para K muita coisa aconteceu no futebol paraense , brasileiro e mundial. Ent6ão já está mais que na hora da diretora bicolor se empenhar em arrematar outra grande conquista dentro de campo porque já faz muito tempo de jejum bicolor. A Copa verde não conta como grande conquista, exceto se tivesse dado vaga para Sul Americana, mas isso não ocorreu. A minha ideia é que a diretoria bicolor tente, faça diferente e invista com determinação numa nova grande conquista para o Maior do Norte. Como o Paysandu não tem estrutura para faturar uma Copa do Brasil ou série A, acredito que a bola da vez como conquista grande e imediata novamente seria o tri campeonato da série B, onde o Paysandu é um dos pouquíssimos clubes do Brasil que tem chances de conseguir esse título glorioso por já possui um bi campeonato série B. Em 2016 ficou perto e penas 12 pontos do tri. Se houvesse o empenho que tanto falo bastaria vencer os 4 jogos que perdeu dentro de Belém para ganhar o tri campeonato e ainda subir para elite. Então acho que a diretoria bicolor tem de repensar os objetivos do Paysandu nas temporadas. ” Conquistas importantes são uma espécie de alimento para clube de futebol onde se o clube sempre se alimentar bem, fica forte no cenário futebolístico, porem se o clube se alimentar mal de conquistas ou passar muito tempo sem se alimentar bem, fica muito fraco. É só ver exemplo do vizinho Remocreia que está muitos anos se alimentando mal, está fraco e combalido . É sério gente do Brasil varonil.

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  • 5. Nelio(O Paysandu jamais caiu para a vergonhosa quarta divisão)  |  5 de agosto de 2017 às 11:23

    Em tempo: digo…… em 2015 ficou apenas 12 pontos distante do tri da série B e do acesso

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