Para confirmar a evolução

22 de julho de 2017 at 3:21 6 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

O Papão tem hoje, em Pelotas-RS, a chance de emplacar uma série de três vitórias consecutivas no Brasileiro. Seria sua melhor sequência na competição, superando até o desempenho excepcional das quatro primeiras rodadas, quando somou 10 pontos e alcançou a liderança do campeonato. Apesar das dificuldades naturais enfrentadas por visitantes na Série B, as perspectivas são boas, levando em conta o momento do adversário, atravessando zona de instabilidade e estreando técnico (Clemer).

As recentes atuações do time, notadamente contra Criciúma, Vila Nova e Náutico, permitem crer que há um processo de evolução desde a contratação do técnico Marquinhos Santos. Até mesmo na última derrota, contra o Londrina (0 a 2) na Curuzu, a equipe já havia mostrado mais acertos do que erros. Perdeu a partida em detalhes pontuais, como um gol em impedimento e a perda de um pênalti.

Contra o Náutico, na última terça-feira, apesar do bom resultado, não se viu o mesmo desembaraço tático da partida diante do Vila Nova. Além da dificuldade natural em enfrentar um adversário fechado em seu próprio campo, a meia-cancha do Papão parecia travada. Fábio Matos pouco aparecia para o jogo. Diogo Oliveira entrou depois e pouco acrescentou.

Na verdade, o Papão sentiu falta de seu principal jogador. Rodrigo Andrade, destaque no triunfo sobre o Vila, cumpriu suspensão e causou um tremendo abalo à organização de jogo. Bom marcador e ativo participante das manobras ofensivas, quase sempre como o homem que surpreende as linhas inimigas, Rodrigo é hoje peça exponencial por descortinar as ações e também por ser um dos melhores finalizadores do time. Sua volta é sinônimo de esperança.

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Quando o inimigo mora dentro de casa

A denúncia levada ao STJD contra o Papão por suposta prática de homofobia, no jogo contra o Luverdense, feita por um promotor do MP do Rio de Janeiro, assustou a torcida alviceleste ao longo da semana. Havia o receio de uma punição mais dura – perda de mando, por exemplo.

O clube foi absolvido pelo tribunal, com abrandamento do caso para multa de R$ 7,5 mil (que será revertida em doação de cestas de alimentos à Apae de Belém). O desfechou representou um alívio para todos, embora não possa e nem deva cair no esquecimento.

Os episódios ocorridos naquela noite poderiam ter tido consequências mais graves. A própria torcida atingida, a Alma Celeste, registrou nas redes sociais a situação de pânico diante das ameaças e ataques de uma gangue criminosa que costuma ter livre acesso ao estádio do Papão.

Aliás, a denominação dessas facções ditas organizadas já faz por merecer uma retificação. Há quem chame de “torcidas” para grupos que, na prática, não torcem. São organizados, sim, pois se reúnem e agem como bando, levando terror aos demais torcedores e até à vizinhança dos estádios.

Que o clube adote as medidas necessárias para que problemas dessa ordem não se repitam. Para isso, basta adotar uma providência simples e certeira: usar as 30 câmeras de monitoramento da Curuzu para identificar os baderneiros e inimigos do futebol.

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Trajano e a dignidade do jornalismo esportivo

Na quinta-feira, o jornalismo esportivo ganhou um sopro de vitalidade e cidadania por obra e graça de José Trajano em seu canal na internet “Na Sala com Zé”, que transmitiu entrevista ao vivo com o ex-presidente Lula.

Acompanhado de Juca Kfouri, Antero Greco e o músico Carlinhos Vergueiro, Trajano comandou um bate-papo tão esclarecedor quanto bem-humorado, arrancando respostas sérias e algumas tiradas hilárias de Lula.

O entrevistado falou de questões relacionadas à sua condenação e ao confisco de bens, sem fugir a nenhuma indagação dos jornalistas. Tocou num assunto que nos diz respeito: a escolha das sedes da Copa do Mundo de 2014. Repetiu que não teve participação na definição das cidades-sede, responsabilidade que coube à Fifa e à CBF de Ricardo Teixeira.

Instado a opinar sobre as escolhas, Lula disse que não teria escolhido Manaus, e sim Belém, pela força das torcidas da dupla Re-Pa.

Do ponto de vista da profissão, o bate-papo com Lula serviu, como bem ressaltou Trajano, para mostrar que há vida inteligente na crônica esportiva, muito além das especificidades do ofício, normalmente associado à alienação política e o pouco interesse por assuntos ditos mais sérios.

(Coluna publicada no Bola deste sábado, 22)

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Rock na madrugada – Canned Heat, Rollin’ and Tumblin’ A sentença eterna

6 Comentários Add your own

  • 1. lucilofilho  |  22 de julho de 2017 às 10:30

    Com todo respeito amigo Gerson, mas acreditar que o Lula não teve qualquer ingerência na escolha das sub-sedes é demais! Eu acompanhei a movimentação dos politicos aqui do amazonas, principalmente do Senador Eduardo Braga, aliado e Ministro dos governos do PT. Com o apoio do PT e o Lula, a escolha de manaus ja era certa, o próprio Senador se vangloriava pelos cantos do estado. À época eu dizia que Belém devia desistir da candidatura pra evitar gastos maiores, haja visto a certeza de manaus como sub-sede, o que se confirmou.

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  • 2. Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.  |  22 de julho de 2017 às 11:03

    Torcidas

    Torcida organizada virou um meio de ganhar grana, muita grana, em grande parte delas em todo o Brasil o tráfico rola solto.

    O próprio STJD já se pronunciou se dizendo incompetente para acabar com a violência dessas torcidas, jogando para a justiça comum, no que eu concordo.

    Muitas coisas poderiam ser feitas pra quebrar a força e acabar aos poucos com essa organização criminosa que se esconde no futebol chamada torcida organizada

    Cito apenas 3:

    1 – Limitar em no máximo 100 membros a quantidade de sócios delas
    Com os mesmos cadastrados pela segup e todos com ficha limpa.

    * Hoje tem torcida com mais 3 mil sócios
    Os líderes ganham dinheiro com mensalidades e com eventos que fazem.
    Não há controle e nem interesse de controlar
    Pois quanto mais, melhor.
    Por isso que no meio dessas torcidas há pessoas de grande periculosidade pra população

    2 – Acabar com o intercâmbio dessas torcidas pelo Brasil. Como? Não sei, mas pra isso que existe serviço de inteligência na polícia

    * Porque acabar com esse intercâmbio ao qual chamam de torcidas aliadas?

    Ora, se jogar por exemplo Paysandu x Fortaleza em Belém
    De lá vem uns 10 cearenses
    Se juntam com a organizada do remo com quem é aliada aí rola a confusão
    Que vai de depredação nas ruas até culminando em mortes.

    3 – Proibir que essas torcidas comercialize produtos mesmo que sejam suas marcas.

    * Com a comercialização desses produtos aliado ao grande números de membros
    Essas torcidas estão se tornando um poder paralelo em seus clubes por terem boas receitas.
    Por isso peitam as autoridades Invadem e Fecham treinos
    E dão até coletivas pra grande imprensa.

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  • 3. Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.  |  22 de julho de 2017 às 11:21

    Em relação a este problema entre essas duas facções do Paysandu

    As duas tem culpa no cartório

    Uma porque quer levar p/ as arquibancadas algo que não é pra se levar
    Futebol é futebol
    Atos de apoio a qualquer coisa tem que ser feito pelo clube ou organizadora do campeonato que o clube disputa
    Do contrário vira bagunça

    A Alma Celeste como sabemos levou a causa da famigerada homofobia
    Dizem, não sei, não posso afirmar, que receberam 5 mil pra isso
    Beleza, fizeram naquele dia no mangueirão em conjunto com outra torcida do remo
    Mas aí queriam levar pra todo jogo do Paysandu
    Toda torcida reagiu contrário a isso
    Pois se entende que foge do foco único talvez numa arquibancada que é torcer pro time de futebol sem levantar outras ideologias

    Até porque o clube é de todos
    Se os homossexuais quiserem que façam uma torcida e vá torcer pelo clube, torcendo na boa sem frescurite.
    Aí sim se forem atacados seria crime.

    O Ceará tem uma torcida chamada Ceara gospel
    Creio que sejam evangélicos
    Os caras vão lá
    Torcem pelo o time numa boa sem querer fazer dali uma igreja
    Pois o foco ali é o clube deles.

    A Terror errou porque ela não é a lei
    Deveriam ter se dirigido em reunião com BAC e a diretoria do Paysandu e usado seus argumentos civilizados pra que em conjunto todos chegassem em um entendimento pra que o clube não fosse prejudicado.

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  • 4. Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.  |  22 de julho de 2017 às 11:26

    * Nem toda torcida pode ser considerada organização criminosa

    Por isso as boas torcidas não se sintam ofendidas com o meu primeiro comentário

    Minha homenagem a extinta Payxãonossa que era administrada por uma mulher
    E que por muito tempo trouxe apoio e alegria nos jogos do Maior do Norte

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  • 5. Édson do Amaral. Torcedor do Paysandu.  |  22 de julho de 2017 às 11:31

    * Quando chamo de famigerada o termo homofobia

    É porque hoje vc não pode falar nada que os homossexuais não gostam que é homofobia

    Paciência

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  • 6. blogdogersonnogueira  |  22 de julho de 2017 às 11:56

    Infelizmente hoje, amigo Edson, a imensa maioria das “organizadas” conta com baderneiros entre seus integrantes. Por isso, são vistas com pavor pelo torcedor comum nos estádios.

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