Um festival de horrores

10 de julho de 2017 at 0:52 16 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

O torcedor que pagou ingresso para ver o Remo jogar foi vítima de um engodo: foi ao Mangueirão e o time de coração não deu as caras. Só o Salgueiro compareceu e fez uma partida inteligente, mesmo levando em conta que é lanterna de seu grupo na Série C. Controlou as ações no 1º tempo e administrou a vantagem no segundo, sem maiores sustos.

Com a mesma lerdeza de outros jogos, excesso de passes errados e desorganização tática alarmente, o Remo perdeu por 1 a 0, mas podia ter sofrido placar mais dilatado. Antes de Cássio Ortega fazer o gol, aos 41 minutos do primeiro tempo, o Salgueiro já havia perdido duas excelentes chances, incluindo uma bola na trave.

Cada contra-ataque salgueirense era um transtorno para a defensiva remista, sempre apanhada desprotegida e com os zagueiros saindo no mano a mano. Rápido, envolvente na troca de passes, o visitante não fez nada de sobrenatural, apenas foi mais arrumado e consciente de seus limites.

Canindé repetiu o erro visto no jogo contra o Moto, quando foi atacado o tempo todo por ter armado um time ofensivo, mas sem suporte no meio-campo. Ontem, a situação foi pior porque o time já deveria apresentar um mínimo de entrosamento, mas se comportou como um bando.

Como agravante, o técnico não soube mexer no intervalo, sacando do jogo seu atacante mais produtivo (Pimentinha) e insistindo com Edgar, em jornada infeliz, e com o centroavante Luiz Eduardo, isolado entre os zagueiros e sem receber passes porque não existem jogadas para explorar na frente. O único acerto foi tirar Damião, que nem devia ter entrado.

Quando botou Flamel e Gabriel Lima ficou óbvio que havia se equivocado na escalação e não sabia como corrigir as coisas. Pior que isso: pôs Jaquinha, visivelmente fora de forma, para acompanhar o ágil ataque adversário. Além de desperdiçar tentativas na frente, o lateral quase entregou de mão beijada o segundo gol ao Salgueiro.

Eduardo Ramos e Flamel tentavam jogar, mas pareciam jogadores de times diferentes, tamanha a dificuldade em organizar jogadas num time que não tem identidade e nem sabe para onde correr. Não houve eficiência nem mesmo na tática do abafa, pois os cruzamentos eram sempre nas mãos do goleiro Mondragon ou na cabeça dos beques. Uma partida horrorosa do ponto de vista técnico e assustadora no aspecto coletivo.

O Salgueiro mostrou consistência na meia-cancha, a partir da movimentação de Cássio, que não guardava posição na frente, e a velocidade de Toty e Jean.

Ao ver o Remo sendo facilmente envolvido pelo Salgueiro uma pergunta se impõe: o que acontece nos treinos da semana no Baenão? O fato é que inexistem alternativas de jogo, seja pelo meio ou pelos lados. A equipe não entrosa porque treina de um jeito e joga de outro.

Como consequência, a bola queima nos pés dos jogadores, que se livram dela rapidamente e quase sempre nos pés do inimigo. Há um imenso buraco entre meio e ataque. E tudo se agrava quando Eduardo Ramos não rende o esperado e Flamel entra fora de posição, até marcando na lateral.

Pelo que (não) exibiu ontem, confirmando a má impressão dos últimos jogos, o Remo se candidata a brigar para não cair. Já na próxima rodada enfrenta o Fortaleza na capital cearense e pode ser alcançado por equipes que estão nas posições de baixo.

E o mais irônico de tudo é que esta Série C é uma das mais fracas dos últimos anos, abrindo amplas possibilidades de acesso a equipes mais organizadas. Acontece que as escolhas erradas – de jogadores e técnicos – ameaçam deixar o Leão de novo pelo meio do caminho.

———————————————————————————————-

Reunião deve sacramentar mudança de comando

Uma reunião marcada para hoje, 10h, deve definir mudanças no comando técnico do Remo. Ontem à noite, os dirigentes evitaram confirmar, mas o presidente Manoel Ribeiro foi ao vestiário após o jogo e saiu irritado, dizendo que o técnico não iria continuar. Além disso, o clima teria engrossado entre jogadores e Canindé, deixando a situação insustentável.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 10) 

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16 Comentários Add your own

  • 1. Thiago Corrêa  |  10 de julho de 2017 às 1:37

    Gentileza a sua de analisar a parte tática do jogo, sem mencionar a disposição dos atletas.
    Ontem ficou muito claro que os atletas entregaram o jogo. Além das limitações técnicas individuais, não houve um mínimo de esforço da onzena em criar alguma jogada mais aguda.
    Chutavam o balão para frente, como se estivesse pegando fogo e quem estava lá na frente não fazia a menor questão de ganhar a bola.
    Que o time é ruim, isso todos sabemos. Agora uma regressão técnica, física e tática no meio da competição, abre margens para acreditarmos em uma variável obscura influenciando diretamente no rendimento da equipe.
    Salários atrasados? “Fritura” do técnico, que já falou várias vezes nas coletivas que o time é fraco? Alguma coisa a mais tem aí.
    Que se descubra a tempo.

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  • 2. Comentarista  |  10 de julho de 2017 às 5:40

    Mais de 11.000 pessoas no Colosso do Lamaçal; público de Série A. Poderiam ter curtido o domingo de julho no Combú, Cotijuba, Outeiro, Mosqueiro, mas preferiram o SAL. Sobre fritura de técnico, o Felipão avisa que está disponível no mercado !!

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  • 3. camiloferreira  |  10 de julho de 2017 às 5:45

    Vem aí Leo Goiano.

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  • 4. Antonio Valentim  |  10 de julho de 2017 às 8:39

    Atribuo os erros desta temporada à direção, comissões técnicas e jogadores, e o faço de forma democrática.Cada um com seus erros para, em conjunto, deixarem o Remo na situação vexatória em que se encontra.

    Primeiro, a direção, ao não priorizar jogadores regionais que se destacaram noutras equipes. Agora, somente agora, que talvez já seja tarde, viu Dudu e Wanderlan. Isto depois de ter contratado, por indicação do então treineiro, uma cambada de bonde. Essas lambanças provam e comprovam o que eu já sei: o complexo de vira-latas que campeia no Pará, onde qualquer um que vai do sul, sudeste e centro-oeste é melhor que o nosso índio de Tucuruí, Santarém e Belém mesmo.

    Segundo, o treineiro de agora. Além das lambanças citadas por Gerson, vejo que qualquer um que vem jogar contra o Remo sabe que tem de marcar Eduardo Ramos e Edgar, pois é por aí que o time azulino leva mais perigo aos adversários. Ou seja, os treinadores estudam o Remo antes – e olha que nem precisava. Tenho quase certeza que ninguém pegou um vídeo para ver como joga Salgueiro, Moto, CSA, ASA…

    Terceiro, democraticamente os três setores se alternam nas lambanças de sempre, e olha que desta vez nem foi preciso um penal desnecessário, uma expulsão ou gols contras.

    A exemplo do que fazem quanto aos valores locais, que somente agora – no apagar das luzes para novas inscrições – vêem alguma coisa de bom no nosso quintal, quem sabe venha alguém como Léo Goiano – se vier -, como outra vez ocorreu a João Caio, e torcem para que ele venha – que não seja tardio – consertar toda esse festival de bobagens.

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  • 5. Antonio Valentim  |  10 de julho de 2017 às 8:43

    … e Jackinha, apesar de suas limitações, ainda é melhor (menos ruim) que Gerson e Tsunami.

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  • 6. lopesjunior  |  10 de julho de 2017 às 9:22

    Caro Gerson, não há o que acrescentar a análise, só discordo de você quanto a Daniel Damião que, como Jackinha, não tem sequência e entrosamento. Ambos não deveriam ter entrado, mas vejo vontade nos dois, embora não, acerto. A herança de Josué tornou-se um grande problema. E pensar que Henrique, dos melhores zagueiros dos últimos tempos, partiu com muita crítica de grande parte da torcida. Era injusta a crítica, pois mesmo a dupla de zaga sendo diferente hoje, ainda falha muito. E falha porque é muito pressionada. O problema é o meio-de-campo mesmo, do mesmo jeito que o ataque depende do articulador para criar, a defesa depende dos cabeças-de-área para agir organizadamente. João Paulo tem que sair dessa cabeça-de-área, é lento demais e desperdiça ataques por isso, o que ajuda a pressionar a zaga. Dudu deve ser titular ao lado de Ilaílson, não tenho nenhuma dúvida. No mais, Eduardo Ramos precisa de uma saída de bola com qualidade nessa ligação defesa-ataque. O que se chama de dependência de Eduardo Ramos é a mais completa ausência de cabeças-de-área capazes de sair com a bola e de laterais voluntariosos que sejam atirados ao ataque. Evidentemente, apenas se quer que o Remo jogue com um mínimo de qualidade, com troca de passes (certos) e ataques com finalização.

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  • 7. Hélio Santana Mairata Gomes  |  10 de julho de 2017 às 10:24

    Acho que aqui já se disse tudo. Técnicos incompetentes (aqui além do Leo Goiano, o Cacaio também é melhor); defesas horrorosos (não há um que se salve); volantes ruins; meio campo dependendo de um bichado (Flamel) e um que não preza a parte física (Ramos). Ataque bisonho que não pode depender unicamente do Edgar e do Gabriel. Para coroar, diretoria ultrapassada, desconhecedora dos jogadores que compra.; Enfim, o Remo tem que ser refundado. Ou afundará para a série D de novo. Uma vergonha para um time que tem a maior torcida do Norte.

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  • 8. blogdogersonnogueira  |  10 de julho de 2017 às 12:34

    Sempre considerei injusto o tom ácido contra Henrique e Igor, pois ambos sempre estiveram muito expostos, como ocorre agora com Bruno e Leandro Silva. Quanto a Damião, amigo, permita discordar: mesmo 100% fisicamente, é jogador para quinta ou sexta divisão – que nem existem ainda no país.

    Curtido por 1 pessoa

  • 9. Marco  |  10 de julho de 2017 às 13:09

    Pega fogo cabaré kkkkkk

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  • 10. lopesjunior  |  10 de julho de 2017 às 13:12

    Pois é, caro Gerson, Damião atuou na cobertura do Pimentinha o tempo todo, que esteve bem no jogo, e entendo que, realmente, Damião não apoia bem o ataque. Mas só de fechar por ali e deixar o Pimentinha jogar já foi alguma coisa porque nem isso se viu com Léo Rosa. Não foi um primor de jogador, mais ou menos como o Tsunami tem feito pela esquerda… Em vez das mexidas que fez, se Canindé apenas trocasse João Paulo por qualquer um que tocasse a bola com mais velocidade e marcasse de verdade…

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  • 11. lopesjunior  |  10 de julho de 2017 às 13:20

    Aliás, o gol do Salgueiro saiu nas costas do Tsunami… E depois que Damião saiu, o Salgueiro passou a jogar com mais perigo pela direita. Para mim, Ilaílson não deve ser improvisado na direita, porque faz falta na cabeça-de-área. Depois que ele foi pra lá, o Salgueiro passou a atacar com mais frequência e mais perigo. Sorte mesmo não sair mais um gol.

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  • 12. camiloferreira  |  10 de julho de 2017 às 13:27

    Remo dispensou Oliveira Canindé e contratou Leo Goiano (finalmente).

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  • 13. Comentarista  |  10 de julho de 2017 às 13:34

    Demitindo treinador a cada 4 jogos, acredita-se que o contrato do novo treinador seja por diária, com experiência de 15 dias…. !!!!!

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  • 14. Thiago Corrêa  |  10 de julho de 2017 às 14:23

    Vinícius, Jayme, Igor João, Wanderlan, Rayro, Ilailson, Dudu, Eduardo Ramos, Flamel, Edgar e Luiz Eduardo.
    Para o segundo tempo: Pimentinha e Gabriel.
    Pelo menos no papel, já contando com as novas contratações, o time parece estar ajeitado.
    Ainda há salvação

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  • 15. Aladio Oliveira  |  10 de julho de 2017 às 15:06

    Para a série C, creio que o Remo tem plantel, nào é um primor, mas é do mesmo nível dos demais times do grupo A. Falta técnico. Léo Goiano não sei se é a solução. Mas agora que contrataram, tem que ser agregador e tentar resolver essa torre de babel que é o time do Remo. Se fosse técnico do Remo assim.
    Vinicius, Leo Rosa, Bruno Costa Wanderlan, Rayro, Leandro Silva, Dudu e Flamel. Pimentinha, Luiz Eduardo e Edgar, segundo tempo, entraria com Eduardo Ramos e Gabriel Lima.

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  • 16. Comentarista  |  10 de julho de 2017 às 19:21

    No DATAGERSON há registro de treinador que tenha passado tão rápido, em Remo e Paysandú, como o Oliveira Canindé ???

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