Tempos sombrios

27 de junho de 2017 at 16:09 10 comentários

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O lance mais bonito da rodada S. Raimundo é acusado de escalar jogador sem contrato

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  • 1. lopesjunior  |  27 de junho de 2017 às 22:31

    Não há qualquer prova contra Lula, e Dilma é tida como honesta até pelos que a tiraram do cargo, mas, espere só pra ver, Lula será condenado mesmo assim. Que justiça é essa que condena sem provas? Uma resposta possível. Sérgio Moro é filho de tucano (o pai dele fundou o diretório do PSDB em Maringá) e genro (o sogro dele fundou o diretório estadual do PSDB no Paraná). A esposa de Moro está envolvida no escândalo das APAEs do Paraná. E ela advogou para o PSDB até um dia desses, para o mesmo político (do PSDB) envolvido no mesmo escândalo. Alguém duvida de que o envolvimento do casal Moro com o PSDB seja político? Senão, então saiba que Moro é o mesmo juiz que arquivou aquele que talvez seja o maior escândalo de corrupção da história do Brasil, o caso Banestado, de onde saiu Alberto Youssef, que era e sempre foi doleiro do PSDB, sendo bastante ativo no caso Banestado, repleto de tucanos. Duque, Cerveró e Costa eram do staff tucano desde FHC e foram mantidos graças aos pedidos do PMDB, que nunca deixou de ser parceiro dos tucanos, mesmo quando compôs a base do governo de Lula e, depois, de Dilma Rousseff. O PMDB é a porta de entrada dos tucanos à continuidade dos esquemas de corrupção iniciados desde os anos 90. Não é estranho que os supostos esquemas de corrupção do PT tenham beneficiado seus maiores adversários políticos, como Aécio, Cunha e outros?

    Acho mesmo difícil de acreditar que o PT só tenha santos de tão pura conduta democrática e ideológica. Mas, até aqui, com investigações pesadas contra petistas, tudo o que se conseguiu foi condena-los por convicção doutrinária jurídica. Vale dizer, determinação política.

    Tenho bandido de estimação? Não! Posso mudar de opinião, desde que se apresente provas contra os acusados. Contra Lula há teorias e powerpoints sem provas e ele corre sério risco de prisão, enquanto que, contra Aécio e correligionários, há flagrante e pouco risco de serem presos. Qual a explicação para isso? Evidentemente, exclui-se tecnicalidades jurídicas, da validade ou legalidade das provas e das investigações. Aos tucanos é destinada a não-investigação, a procrastinação, a caducidade e a prescrição. Enfim, uma camaradagem sem fim. Ao PT, todo esforço e recursos para, enfim, condenar sem provas.

    Nunca foi tão fácil explicar o golpe.

    Dada a realidade, de que os mesmos deputados comprados por Joesley à época do impeachment de Dilma são os mesmíssimos aliados de Cunha, os mesmos que protagonizaram o show de horrores da votação que enviou o processo ao senado e que, na semana mesma daquela votação da câmara começaram já a cair em desgraça por crimes de vários formatos, cores e pesos, assim como de senadores gravados negociando propinas, formas de estancar sangrias e investigações policiais. Esses mesmos, todos eles, foram responsáveis por realizar os conteúdos dos áudios de Jucá e Machado. Com mais de um ano de atraso, os áudios de Temer e Joesley são a parte em que o vilão narra todo plano maquiavélico, infalível! Mas, nos filmes, os mocinhos reagem e destroem o vilão. Essa parte do enredo é a que mais me deixa ansioso porque sempre acontece, nos filmes, na última hora e, francamente, acho que já estamos nesse momento.

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  • 2. lopesjunior  |  27 de junho de 2017 às 22:53

    Parece um enredo que, na verdade, não cabe num só longa-metragem. A parte II, a que trata de reformas imorais, tem como vilões os mesmos atores, nos mesmos papéis, aqueles mesmos deputados e senadores que cassaram Dilma unidos para cassar direitos dos pobres. Essa é a linha mestra do enredo do golpe, sua finalidade.

    Que interesses o golpe tem atacado e entregue?

    Petróleo, energia nuclear, alimentos, minérios, água e biodiversidade. Achou pouco? Eu acho demais. Mas, como se não bastasse, tem ainda a missão de escravizar o povo. É uma entrega com tudo dentro. Imóveis, estoque e gente. O Brasil está sendo vendido com tudo dentro, compreendeu? O golpe tem essa finalidade.

    Pelo que se viu do impeachment até aqui, seria de se imaginar que Lula e Dilma, e todo o PT de um modo geral, se colocaram como óbices desse “projeto” político de PMDB e PSDB. Petistas precisaram ser removidos do poder por esses verdadeiros artífices da velhacaria política do Brasil. A conclusão se baseia na mais singela observação de que não seria necessário remover o PT do poder se os petistas concordassem com tudo isso que está se testemunhando por Michel Temer. Por isso, Lula e a esquerda permanecem como a esperança de o Brasil retornar às mãos dos brasileiros e voltar a melhorar para todos.

    Políticos não são super heróis, mas não tenho qualquer dúvida de que a saída para o Brasil está na esquerda, por tudo e mais do que expus aqui. E, muito provavelmente, nas mãos de Lula.

    Um abraço.

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  • 3. Antonio Oliveira  |  28 de junho de 2017 às 1:21

    Li as considerações finais do ministério. Li as considerações finais dos advogados do lula. Ao todo foram quase mil páginas. De tudo concluí o seguinte:

    Há condições de afirmar com tranquilidade que foi o lula quem indicou para o conselho da petrobras o paulo roberto costa , o duque e o barusco. E com a mesma tranquilidade afirmar também que o lula pressionou o presidente e o conselho da Petrobras para que o paulo roberto costa fosse nomeado. Também me pareceu induvidoso que houve firmes gestoes do lula para que os outros dois fossem nomeados.

    Também me pareceu demonstrado sem sombra de dúvidas que os indicados e nomeados, juntamente com as empresas e seus capos , cometeram monstruosas malfeitorias contra o erário, deixando à míngua de recursos ou com parcas dotações, setores da mais alta relevância para a dignidade da pessoa humana, tais como saúde, segurança, educação, saneamento básico etc.

    Outro aspecto que ressai incontestável é que lula entregou de mão beijada e conscientemente parcelas significativas das instituições republicanas nas mãos de pessoas que nenhum interesse tinham no progresso republicano do país e de seus habitantes (muito pelo contrário conforme restou confessado por uns e inapelavelnente demonstrado em relação a outros). Bem assim ficou claro que tal entrega deveu-se pelo só interesse na manutenção do poder conseguido mediante expedientes que subverteram toda a ideologia inspiradora e mobilizadora da esmagadora maioria daqueles que nas urnas colocaram o lula e o pt no poder.

    Também me pareceu demonstrado muito claramente que a forma de revelar e demonstrar e prvar a prática e o autor de crimes de colarinho branco não é a mesma que aplicável aos crimes de sangue e outros crimes de natureza semelhante.

    Todavia, apesar de tudo isso não me pareceu que ficou demonstrado de maneira categórica, mesmo sob os critérios diferenciados que devem ser adotados nos crimes de colarinho branco, que o lula era o chefe da quadrilha que se instalou na petrobras; que o lula, seja direta, seja indiretamente, pediu, recebeu vantagem proibida, ou aceitou promessas de pagamento destas vantagens, relativamente aos dois contratos de que fou acusado ter recebido.

    As conclusões de quem acusa não parecem ter apoio nos fatos verificados. Até mesmo os depoimentos dos delatores, maior e mais importante fonte das conclusões dos acusadores, não se afirma clara e objetivamente que houve o recebimento, ou a oferta, ou mesmo a promessa da oferta. Teve até delatores que negaram firmemente saber que o lula pediu, recebeu ou aceitou promessa de propina, o Paulo Roberto Costa foi um deles.

    Não quero dizer com isso que o crime de corrupção passiva e lavagem de dinheiro não tenha existido. Mas, estou bem inclinado a acreditar que se houve não foi nestes casos que foram investigados nesta questão e do modo como aqueles que acusam dizem que foi. E se foi os acusadores não conseguiram provar que foi.

    É verdade, no caso do triplex a versão do lula, apesar de algumas situações mal explicadas, me parece melhor do que a versão dos acusadores. Pelo que disseram eles próprios, o triplex já seria do lula antes mesmo da oas assumir o empreendimento sucedendo a bancoop.
    Talvez se tivessem alegado que a vantagem ilegítima paga pela empreiteira fosse a obra de reforma quem sabe ficasse melhor assentada a tese. Aí, mesmo o lula não tendo explicado direito o motivo ter visitado por duas vezes a obra, fica muito duvidoso dizer que foi a oas quem ofereceu, deu ou prometeu dar o apartamento como propina. Me pareceu mais plausível a tese de que o lula, ou a dona Mariza ou ambos cogitaram comprar o triplex, mas o negócio acabou não se realizando.

    Sei lá, me pareceu mais forte o caso da guarda do acervo, do que o caso do triplex. Naquele há um contrato de armazenamento de bens da oas , pago por esta, quando na verdade o que era armazenado era o acervo do luala.

    O problema é que sem uma demonstração categórica de que houve a corrupção passiva, não há como dizer que este armazenamento pago pela oas era lavagem de dinheiro como querem dizer os acusadores. Melhor seria dizer que o pagamento da armazenagem era a própria corrupção e não a lavagem do produto da corrupção. O problema é que neste caso seria necessário mais tempo de investigação para responder à pergunta: por que a oas resolveu pagar para o lula a armazenagem do acervo ? E uma vez que resolveu? Por que o fez através de um contrato falso? Uma Investigação específict a tal respeito, talvez chegasse a resultados mais robustos. Mas, isso levaria o tempo de uma maratona e não o de cem metros rasos que vem levando este caso.

    Enfim, o lula pode até ter cometido as malfeitorias de que é acusado. Porém, acho que os acusadores não conseguiram mostrar que isso aconteceu, mesmo sob os critérios de demonstração diferenciados utilizáveis no julgamento dos crimes de colarinho branco.

    Eu no lugar do Moro absolveria o lula por falta de prova. E não me será surpresa se o juiz fizer isso.

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  • 4. lopesjunior  |  28 de junho de 2017 às 6:49

    Caro Oliveira, cada peça contra Lula é um esforço de reforçar uma velha doutrina, com a qual você concorda, de que Lula é um ladrão igual a tantos outros políticos. Pode ser, mas só o será quando ficar definitivamente provado. Pelo menos você reconhece que não há provas contra Lula. E todo o restante do seu explanatório é blá blá blá de quem hesita em abandonar a doutrina Lula da mídia. Um abraço.

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  • 5. blogdogersonnogueira  |  28 de junho de 2017 às 9:54

    Sábia elaboração, amigo Lopes. A escravização massacrante da plebe pelos donos do poder (de fato) é algo recorrente na história brasileira, mas atinge parâmetros nunca dantes navegados com a volúpia por mostrar que o impeachment não foi sujo e que as figuras que usurparam o poder são legítimas. A realidade mostra, por todas desgraças vista neste pouco mais de um ano, que não há lugar para ingênuos ou maneiristas – como tantos que juram malandramente ter votado no Lula e se decepcionado. O fato é que o Brasil soberano está seriamente ameaçado. Nossas riquezas e independência estão sob ataque. Só os muito ingênuos, dissimulados ou torpes não vêem isso.

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  • 6. celira  |  28 de junho de 2017 às 10:16

    Eu custo a acreditar que Lula seja santo e que não tenha algum envolvimento. Mas, isto é uma opinião pessoal. Pois, do tudo que li e do pouco que eu penso saber, parece-me fato que não há provas contra Lula. Há muito rancor. Muita raiva por parte daqueles que julgam por não encontrar nada… A verdade é que aquele curta do Portas dos Fundos nunca fez tanto sentido como agora… “Avisa que pegamos o Lula!”.

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  • 7. miguelangelo1967  |  28 de junho de 2017 às 16:56

    Se ainda existir a cadeira de História eu fico imaginando a cara do professor para tentar explicar o inexplicável. Como pode o povo brasileiro bater panelas para a presidente eleita no voto que teve seu cargo surrupiado pelos bandidos que ainda teimam em se manter no poder e pior criar e modificar as leis Ferrando a maioria da população?
    Que país é este?!!!!

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  • 8. Nelio  |  28 de junho de 2017 às 19:12

    Alô amigo miguelangelo presta atenção porque acho que estás desinformado. …… Ou esquecido: o povo na grande maioria bateu panela para a saída da Dilma porque o país estava sem comando, um caos, um C….. TA?? O presidente atual era braço direito dela, vice dela, foi eleito com ela e ajudou a eleger ela TA???? Não Existe nenhuma prova testemunhal ou documental que o povo que bateu panela contra a Dilma sair quisesse o Temmer e seu pessoal na presidência no lugar dela TA???? Bem ao contrário disso o povo que bateu panela para a saída da Dilma inclusive eu, queríamos erámos a favor de novas eleição direta, mas ela que podia já encaminhar essa eleição no momento que ficou acuada sem saída, quando o impeachment era inevitável reconhecido até por esquerdistas, ela foi teimosa em querer ficar e não iniciou a transição para as diretas naqueles dias. TA?? Agora com governo petista de fora do G Federal é muito fácil esquerdistas quererem ou pousarem de heróis injustiçados como se o país no tempo da Dilma estive mil maravilhas TA??? O Temmer , corrupto ou não, e qualquer um que entrasse no lugar dela por mais honesto que fosse , seria impossível ajeitar em pouco tempo um país que ela escangalhou em 4 anos. TA?? Espero que o amigo G Nogueira libere esse comentário para vc ler TA???? não sou dono da verdade, mas tem muita verdade que escrevi aqui no texto TA QUERIDO AMIGÃO ????rsrsrsrsrsr

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  • 9. Antonio Oliveira  |  28 de junho de 2017 às 19:18

    Lopes, numa democracia é comum a subsistência de opiniões divergentes. Afinal, cada um enxerga e interpreta os fatos de acordo com seu modo particular de percebê-las. E quando há divergências os debates são feitos sobre as ideias e não sobre os titulares das ideias. Aliás, focar no emitente da opinião e não na opinião emitida, dentre outras coisas, pode revelar a falta de argumentos para o debate ou o culto do pensamento único com o descarte daqueles que pensam diferente, bem no jeito dos autocratas.

    Pois bem, o que escrevi é consentâneo com tudo que venho escrevendo aqui desde a primeira vez que escrevi aqui. Valendo dizer que como sempre faço não escrevi a base de ideias fixas, de dogmas, de entendimentos encegueirados pela convicção preconcebida. Não, me ative a elementos ccncretos, colhidos na história e seus achados. E no caso do julgamento, particularmente nos argumentos finais de ambas as partes.

    Meu escrito foi a síntese de minha opinião. Erguida na base do que li do muito que foi debatido no caso, delações e nos depoimentos que estão disponíveis na internet, especialmente o do próprio lula.

    Com efeito, estou pronto para debater com você parágrafo por parágrafo do que escrevi. Ideia por ideia. Argumento por argumento.

    Mas, para tanto, é necessário que voce seja específico e aponte do que você discorda e mostre o motivo, isto é, diga porque o que eu disse é insustentável.

    Dizer genérica e abstratamente que tudo do que se mostra discordante de você é blablabá é fazer o mesmo que fizeram os acusadores do lula não ligando um fato específico a cada acusação específica que fizeram, ou como fazem os partidários do lula que numa complexa sequência de fatos ou de uma variada gama de delações louvam as favoráveis e exerceram as desfavoráveis ainda que tenham sido proferidas pelo mesmo delator, como se fosse possível distinguir os seres que se encontram unidos pelo mesmo elo delator.

    Mas, para isso é necessário que você se debruce sobre o material, o conteúdo dos argumentos finais de uma parte e de outra, no mínimo. Afinal, os argumentos requentados do rosário e os micro vídeos do “estopa”, são muito pouco para quem já se abeberou em gente do quilate de Adorno só para citar um dos tantos bam bam que já lhe respaldaram muitas vezes aqui.
    Enfim, eu faço afirmativas e debato com base em elementos objetivos, fatos concretos, até para, se for o caso, me render a estes como ocorreu aqui, onde considero que o ministério não conseguiu avançar para evidências e provas, ficando apenas nos indícios, fortes, mas insuficientes para garantir sem margem de dúvida relevante, que o lula praticou os crimes de que é acusado.

    Agora o fato da acusação nao ter sido provada, é independente do fato do país ter sido entregue na mão de malfeitores, conhecidos malfeitores, históricos malfeitores e de que tal condição malfeitorias era da mais ampla carência daquele que efetivou a entrega. E nisso tenho que concordar com o titular do Blog que desconhecer esta verdade ou negá-la só é cabível aos muito ingênuos dissimulados ou torpes.

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  • 10. lopesjunior  |  28 de junho de 2017 às 23:56

    Perfeitamente, caro Oliveira, sei que você é coerente. E aludo ao que você escreve exatamente porque sei que sua coerência é uma posição política líquida e certa, a liberal, porque mesmo o ponto de vista do direito é historicamente liberal. Mesmo que você não se dê conta disso, do que duvido. Não nego que o PT, e consequentemente Lula e Dilma também, tenham-se aliado a contumazes corruptos. Como afirmei outras vezes, e reafirmei há pouco, duvido da pureza petista quanto à corrupção, e aqui só ponho em dúvida que isso que se tem feito ao PT, a Lula e à Dilma possa ser chamado de justiça. É dizer, é público e notório que toda a disposição para investigar, julgar e condenar o PT e os petistas nasce de uma posição política fortemente estabelecida, a liberal. Logo, o alinhamento político-ideológico do direito, liberal, se confirmará na indisposição em investigar, julgar e condenar membros representativos da direita, igual ou diferentemente liberal, mas também liberal. Se vemos tal disposição para um lado e a indisposição para o outro, então temos a confirmação do alinhamento político-ideológico do direito e um certo princípio de seletividade, a Lei para uns e a camaradagem para outros. E isso é visível tanto no judiciário como no Ministério Público e, como isto ocorre, acreditar na pureza honesta do judiciário ou do ministério público quanto a pontos de vista políticos inexistentes é que é a verdadeira ingenuidade.

    Falando-se dessa tal disposição só para um lado e de como isso é a confirmação do alinhamento político-ideológico do direito e de um certo princípio de seletividade, que é sempre político-ideológica, tem-se que o resultado dessa posição é certa irmandade, certo desejo de aceitação por determinada fraternidade universitária, de estar nesta posição de pertencimento a esta classe, a liberal, que se confunde com a casta economicamente dominante. Digo, e digo bem, que pensar como elite não te torna elite mas candidato a pertence-la, não a participar dela, mas de aparelha-la. Dito de outra forma, pertencer à elite não é necessariamente ser membro dela, mas estar para ela como objeto, aparelho da vontade dela. É essa perspectiva que tem encantado Moro e Dallagnol. E foi a mesma que um dia encantou cada um dos canalhas que têm usurpado mais que os direitos dos pobres, mas a própria dignidade.

    As bases concretas e os elementos objetivos da peça do MP-PR contra Lula há muito já se sabe que não existem. O que há de concreto na denúncia do MP-PR é o papel, a tinta e o desejo de condenação de Lula. Não há concretude e objetividade numa peça que vise condenar um inocente, ainda que “apenas” tecnicamente inocente, do ponto de vista do direito. Quero dizer, um observador onipresente que tivesse certeza da culpa do réu mas que não apresentasse prova, não poderia culpar o réu e impor a ele uma sentença. Se esse é o caso, os indícios justificaram uma investigação, tudo bem, mas condenação só é justificada com a culpa provada, não presumida, porque o julgamento jurídico não é amplo e irrestrito, é técnico. É o caso em que a experiência do juiz pesa sobre o rito processual, sobre as provas e sobre as teses de defesa e acusação e não sobre a suspeita puramente baseada nos indícios ou no palpite pessoal.

    Assim, o fato de o país ter sido entregue nas mãos de malfeitores, tem menos a ver com o PT e mais com os eleitores, porque tem efeito mais decisivo sobre as composições de chapas e governos os votos dos eleitores do que acordos pré-eleitorais. É dizer, deu-se maioria um dia à direita, na era FHC, e ela surrupiou o país, mas nunca se fez isso com o PT, que teria de aceitar apoio aos seus projetos de onde viessem. A coerência eleitoral, se é que isso existe, não existiu nas eleições do PT e nunca renderam maioria no congresso ao PT, obrigado a alianças com PMDB, PP, PR… Nisso, fica prejudicado qualquer governo sem a base que lhe dê apoio porque se vê obrigado a ceder espaço ao adversário. Que tal se tivéssemos um governo, apenas um para exemplo, que fosse de esquerda e com maioria de esquerda no congresso nacional? Acho que pelo menos de um ponto de vista seria diferente: todo caso de corrupção poderia ser creditada à iniciativa da esquerda. É o que Dallagnol tenta afirmar ao dizer que não interessa o PSDB porque ele não é governo, mas oposição, assumindo previamente que o poder do governante é o único que decide sobre corrupção. Ele não sabia que estava errado, ou protegeu intencionalmente a direita? Para mim, a resposta é clara: agiu politicamente para proteger o PSDB.

    Sendo assim, caro Oliveira, não vou perder tempo lendo uma peça acusatória que sei, previamente, que é ficção, mas debater politicamente, que é o que interessa de verdade.

    Um abraço.

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