A pissica da camisa 9

15 de junho de 2017 at 1:55 15 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

O Brasileiro da Série B vem se constituindo num desafio e tanto para os centroavantes do Papão. Nos últimos anos, ninguém chegou nem perto da marca de Robgol, vice-artilheiro nacional em 2005 com 21 gols na Série A, sustentando uma disputa particular com ninguém menos que Romário, que só o ultrapassou na rodada final graças a dois penais esquisitos.

Depois de Robgol já passaram pelo Papão muitos centroavantes com passagem por grandes clubes e currículo de goleadores, como Alexandro, Betinho e Souza. Todos fracassaram inapelavelmente, sem conseguir se estabelecer com a 9 alviceleste (ou outro número qualquer usado pelo comandante de ataque) e deixando a torcida carente de um artilheiro de verdade.

Nesta temporada, o Papão já teve vários candidatos a homem-gol. Leandro Cearense, Alfredo, Marcão, Daniel Amorim. Todos foram superados por Bergson, principal artilheiro do clube,  mesmo quase sempre jogando fora da área. Por rendimento insatisfatório, Cearense e Alfredo já foram liberados.

Marcão, o titular do momento, vai pintando como a mais nova vítima da persistente pissica que atormenta os ocupantes da posição. Não conseguiu marcar nenhum gol, apesar de ser o titular absoluto desde a abertura da Série B.

Tem até se esforçado, recuando para buscar jogo, apesar de suas características de atuar como homem de referência na área. Nos outros clubes que defendeu, Marcão teve bom rendimento, principalmente explorando o jogo aéreo. No Papão de Marcelo Chamusca, ninguém até agora se lembrou de cruzar bolas na direção do centroavante.

Quero dizer que não há nenhuma jogada específica para que o atacante possa mostrar seu principal recurso, que é o cabeceio. Cansado de esperar Godot, Marcão andou ensaiando jogar em posição mais recuada e até investindo pelos lados. Fez isso – e muito bem – contra o América-MG, em Belo Horizonte, dando assistência preciosa para Leandro Carvalho marcar o 2º gol da vitória do Papão naquele jogo.

Muito elogiado por sua atuação em BH, atuou bem contra o Internacional, no Mangueirão, ficando bem perto de balançar as redes em duas ocasiões. Contribuiu bastante, mesmo como coadjuvante, para a boa campanha inicial no Brasileiro. O problema é que centroavante existe para mandar a bola para as redes.

Com a súbita queda da equipe, sofrendo três derrotas seguidas e despencando na tabela, as críticas se direcionam também ao homem encarregado dos gols. Como é comum no futebol, observa-se apenas a consequência, desprezando-se a análise da causa do problema.

O fato é que, levando em conta o sistema de jogo do Papão, é bom que a torcida se acostume com o fato de que dificilmente Marcão, Daniel Amorim ou qualquer outro poderá atender à função básica do centroavante.

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O Remo e suas particularidades

Comentário de um grande azulino, que já trabalhou em várias gestões do Remo, depois das mais recentes notícias vindas do Evandro Almeida:

“O Remo está salvo, pois dois grandes reforços foram anunciados, Danilo Caçador e Roni. Rodrigo, formado na base e autor do gol na final do campeonato, vai ser dispensado. Boa política de ‘renovação e saneamento’ do plantel. Parabéns, Diretoria! Ah, parece que o Potita vai voltar também. Aliás, por que não reintegrar também o Josué?”.

À noite, na festa de lançamento da nova linha de uniformes, um dirigente acabou levando sonora vaia ao declarar que era melhor esquecer o passado e pensar em coisas boas, dando como exemplo a campanha no campeonato estadual: “Nós fomos vice-campeões do Parazão, o que é muito difícil…”.

Depois da topada verbal do dirigente, a festa viveu seu grande momento com a entrada em cena do Rei Artur, último grande ídolo da torcida, aplaudido de pé ao desfilar com a nova camisa oficial. Junto com ele na passarela, uma surpresa: o argentino Nano Krieger,  centroavante que foi promovido de dispensável (via WhatsApp) a modelo no evento de lançamento do uniforme para a temporada.

Definitivamente, o Remo é um caso a ser estudado. Seus dirigentes parecem sofrer de uma crônica dificuldade em entender a lógica das coisas.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 15)

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Rock na madrugada – Fleetwood Mac, Don’t Stop Pois é…

15 Comentários Add your own

  • 1. Janderson - Remo rumo á série B.  |  15 de junho de 2017 às 2:17

    Enquanto continuar essa corja na diretoria, infelizmente, essas notícias serão corriqueiras. O que me deixa feliz é saber que um grupo de verdadeiros gestores estão lutando para tirar o Remo das mãos dessas pessoas. Na próxima eleição o Remo vai conhecer uma verdadeira gestão, aguardamos!

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  • 2. Cláudio Columbia  |  15 de junho de 2017 às 6:57

    Tenho quase certeza que esse “grande Azulino” votou no M.Ribeiro para presidente…E, à época,dizia que era a solução e que André Cavalcante tinha sido um fracasso

    Adm Manoel Ribeiro, hoje…

    1- Salários de maio dos jogadores, atrasados
    2- Demite jogadores e não tem dinheiro pra indenizar
    3- Josué Teixeira, com 2,5 meses de salários atrasados
    4- Funcionários com 3 meses de salários atrasados
    5, 6 ………

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  • 3. camiloferreira  |  15 de junho de 2017 às 7:28

    A atual diretoria azulina está se saindo muito pior que a diretoria passada (e olha que eu achava esta muito ruim), é fiasco atrás de fiasco com níveis de amadorismo imensuráveis.

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  • 4. Marcos Paulo  |  15 de junho de 2017 às 8:35

    Mestre Nogueira, vocês não entenderam a inovação da diretoria. Isso tudo foi uma Stand Up Azulina… Bora “Leião”!!!!
    Será que eles se apresentam em batizado, aniversário, confra de fim de ano…?
    Aêêêêêêêêêêêêêêê Leão…!!!

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  • 5. Antonio Valentim  |  15 de junho de 2017 às 8:54

    Remo sim, vem esperando Godot e faz tempo.

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  • 6. celira  |  15 de junho de 2017 às 9:11

    Sobre o PSC…

    Particularmente não vejo problema quando o 9 não marca tantos gols, desde que cumpra com a função tática determinada ao jogador. Sobre este aspecto, é preciso dizer que Marcão vem fazendo muito bem a função.

    Sobre Cearense, é preciso dizer que a média dele no brasileiro da B dos anos de 2015 e 2016 foram satisfatórias. De modo especial em 2016, quando foi reserva na maior parte do tempo de um ineficiente Alexandro.

    Por sinal, a saída de Leandro constitui-se em um dos maiores tiros no pé da diretoria, já que, Daniel Amorim não é nem tecnicamente igual a Cearense. Apenas o fato disciplina para justificar a saída do atleta.

    Então, o que incomoda-me no nove? Incomoda-me a não função tática do atleta ou a indisciplina tática do mesmo.

    Para finalizar, é preciso dizer que um time em que o nove marca muitos gols, significa que é um time que joga em função de um jogador. Como futebol é coletivo, isto tende a funcionar pouco ao longo da competição, como ocorreu no ano em que Robson foi vice artilheiro do Brasileiro e o PSC foi rebaixado com antecedência.

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  • 7. Aladio Oliveira  |  15 de junho de 2017 às 9:19

    Andre Cavalcante não deixou saudades.
    A atual administracao nao é das melhores, mas tem sido positiva em alguns pontos, valorizou a base e só de ter obtido o acordo na Justiça do Trabalho, ja lhe garante alguns pontos, se não fosse a enxurrada de acoes trabalhistas ( a ultima é do goleiro Fernando Henrique pedindo 400 mil) deixada pela administracao do Andre Cavalcante, Remo estaria hoje em melhores condicoes.

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  • 8. Nelio  |  15 de junho de 2017 às 10:44

    Porém, CELIRA se todo aquele roubo e sacanagem extremas ao bicolor em 2005 fosse hoje com toda essa organização, estrutura jurídica, seriedade dos dirigentes que o clube Paysandu possui e trata seus futebol hoje, e depois dessa reviravolta na descoberta de maracutaia no futebol por gente graúda da CBF, tenho a mais absoluta certeza que Paysandu não rebaixaria jamais em 2005 porque onde quer que recorresse ganharia a questão, até na FIFA, porque foram muitos desmandos e prejuízos provocados há muitos clubes, inclusive a clubes grandes naquela temporada, provocados por árbitros da CBF e gente graúda da arbitragem. Até o título corintiano de 2005 e o mais contestado de todos os tempos, e o Inter chora ate hoje ter sido logrado. O corretíssimo seria ninguém ter sido rebaixado ou a séria A 2005 não prosseguisse mais porque não tinha mais condição por motivo de muita sujeira e suspeita. Mas levaram até o fim e todo mundo sabe o que ocorreu: tem clube que marga prejuízo até hoje

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  • 9. Jorge Paz Amorim  |  15 de junho de 2017 às 11:44

    A ocasião clama pra que sejamos repetitivos. Se o Papão contratar Benzema, Diego Costa ou o Aubameiang, ainda assim continuará tendo problemas pra fazer qualquer um desses produzir em alto nível, pois continuará confinado ao exílio tático que aparta o camisa 9 do restante do time.
    Marcão vem bem, dentro dessas limitações, até pênalti contra o Guarani sofreu, mas enquanto não houver outra atitude não será possível avaliar desempenhos individuais.

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  • 10. Cláudio Columbia  |  15 de junho de 2017 às 13:07

    Amigo Aládio, quando André assumiu o Remo, F.Henrique e E. Ramos já tinham contrato de 2 anos,feitos pelo MR e Pirão, respectivamente… Quando André saiu, tinha feito um acordo com FH e pago a 1ª parcela… Quem assumiu esse ano,não pagou mais… por isso ele teve que entrar na JT

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  • 11. Cláudio Columbia  |  15 de junho de 2017 às 13:19

    Quanto ao acordo que fizeram na JT, ele já estava feito, desde o tempo do Minowa, e o André participou disso… Esse acordo,na verdade, teve que ser refeito, porque no tempo do André, foi pago em dia… Na adm MR, não pagaram… Por isso teve que fazer outro acordo e graças a pessoas que nem eram ligadas à diretoria, como o deputado Milton Campos, por exemplo… Não se engane, amigo…Não defendo dirigente e sim o Remo… Mas não gosto de ser injusto… Apenas isso

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  • 12. Gleydson  |  15 de junho de 2017 às 14:17

    O pouco tempo de André Cavalcante (mandato tampão) å frente do Remo teve motivos pra muitas criticas sim mas nada justificava querer a volta dessa Múmia que continua administrando o Remo como na década de 1970. Em qualquer item de comparação não há como achar Manoel Ribeiro melhor que AA, ainda que ele devolvesse os 430 mil que “sumiram” do cofre da Sede. Não sei a idade do Aládio mas suponho que ele tem saudades dos tempos que o auto-intitulado “marechal da vitoria” ganhava jogos desligando os refletores do Baenão.

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  • 13. Aladio Oliveira  |  15 de junho de 2017 às 19:04

    Fernando Henrique, Allan Dias, Eduardo Ramos, Edno, Waldemar Lemos, entre outros, foram dividas deixadas pelo Andre Cavalcante. Alias, ate gostaria de saber do que vive esse cidadao hoje em dia.

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  • 14. Nelio  |  16 de junho de 2017 às 10:22

    SUPER INTERESSANTE
    Sobre contração do 9 bicolor eu já não sei mais dizer se é mesmo pissica ou incompetência da diretoria nas contrações, porque revirando a história do Paysandu lembro a vcs o seguinte: No segundo semestre de 1980, tempo que o Papão era um clube muito desestruturado e com precárias situação financeira onde sua maior receita para trabalhar provinha em 80% das bilheterias, foi neste dito tempo que o cube fez talvez a contratação maior, melhor e mais caro da história do nosso futebol e deu tudo certo. Essa contratação foi o camisa 9 Chico Spina, para as disputas do modesto Parasão 80. Spina desembarcou em Belém com bagagem recente de ter sido tri nacional invicto pelo Inter em 79 onde foi destaque e há 2 meses tinha sido vice campeão da Libertadores 80 pelo Inter onde também tinha marcado gols e sido destaque . Spina passou 3 tempotadas no Papão e deu muitas glórias à torcida e lucro ao Papão correspondendo ao investimento alto feito nele. 37 anos depois, o Papão com toda essa estrutura física e financeira que ostenta hoje, ilude sua imensa torcida contratando noves como Everaldo, Souza, Alfredo, Marcão , B Veiga, Amorim , Rivaldinho, Cearense , etc etc etc para disputa de competição nacional. . Não dá para entender uma coisa dessa. Não dá.

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  • 15. Nelio  |  16 de junho de 2017 às 10:27

    Inclusive Spina veio para o Papão em 80 em plena juventude com 23 anos, no auge da cerreira, muito diferente dessas velharias número 9 em fim de carreira que a diretoria trás hoje hoje só para irritar a Nação Bicolor e dar prejuízos ao clube.

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