Domínio improdutivo

7 de junho de 2017 at 0:56 6 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

A eficiência mostrada contra o América-MG na rodada passada faltou ontem ao Papão diante do ABC. O time potiguar fez o básico: aproveitou as chances e em quatro minutos construiu logo o placar que lhe garantiria a vitória. A reação bicolor, iniciada com um gol nos instantes finais do primeiro tempo, não se confirmou na etapa final. Mesmo com total domínio, não teve competência para empatar.

Curiosamente, a partida teve andamento parecido com a da 4ª rodada,  quando o Papão também foi sufocado no começo, mas resistiu e partiu para a vitória aproveitando as duas únicas oportunidades que teve. A diferença é que, desta vez, o adversário foi mais competente.

Logo de cara, o ABC impôs pressão com marcação alta e chegadas perigosas pelos lados. Com isso, forçou seguidos erros da defesa do Papão. Aos 20 minutos, surgiu o primeiro gol em rápida ligação pelo centro, que encontrou Etcheverría livre dentro da área. Aos 23′, outro apagão coletivo permitiu que Dalberto cabeceasse sem marcação para ampliar a vantagem.

De forma surpreendente, em apenas quatro minutos, a melhor defesa da Série B desmoronava, deixando para trás uma invencibilidade de quatro partidas. Nervosos, os zagueiros não acertavam o combate aos avantes do ABC, principalmente Nando, Etcheverría e Dalberto. Além desses, Bocão e Zotti vigiavam a saída de bola e não permitiam os avanços do Papão.

E por por pouco o ABC não chegou ao terceiro gol, aos 35’, quando o ala Dalberto ficou cara a cara com o goleiro Emerson. Entre cruzar e chutar, ele acabou furando. Logo a seguir, veio o que podia ser o começo da reação. Fernando Gabriel cobrou falta junto à área e Wesley desviou de cabeça, enganando o goleiro. O gol recolocou o time no jogo e gerou a esperança de uma melhor atuação nos 45 minutos finais.

A evolução se confirmou no 2º tempo, quando a habilidade de Leandro Carvalho (substituto de Rodrigo Andrade) começou a brilhar. Aberto pela direita, superava com dribles e arrancadas dois e até três marcadores.

Foi o responsável pela mais clara situação de gol, aos 20′, quando avançou sobre a linha de zagueiros e passou para Wellinton Jr. O chute, porém, saiu em cima do goleiro. Outro bom momento ocorreu em chute do próprio Leandro da entrada da área.

A entrada de Diogo Oliveira não alterou objetivamente a maneira de jogar da equipe, que teve em Augusto Recife peça importante no bloqueio, desdobrando-se sozinho à frente da zaga depois que Wesley foi substituído.

Com o ABC cansado e errando passes, o jogo ficou inteiramente sob controle do Papão, que alugou o campo de defesa do adversário e atacava a todo instante, mas chutava pouco. Tamanho domínio acabou não tendo consequências em função dos erros de finalização.

Mais uma vez ficou claro que nem sempre ter a posse de bola é garantia de vitória.

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Postura ousada, mas insuficiente para empatar

Apesar de perder sua primeira partida no campeonato, Marcelo Chamusca mostrou ousadia ao posicionar o Papão no ataque para buscar o empate no segundo tempo. Quase foi recompensado. Com Leandro em noite inspirada e o ABC muito recuado, as chances apareceram.

O PSC cercava a área e chegava com intensidade, colocando até oito jogadores para encarar o bloqueio do ABC. Antes dos 30 minutos, o time de Geninho já acusava cansaço, preocupando-se apenas em se defender e dar chutões para a frente.

Com o meio-campo mais adiantado, o Papão fez o que quis na intermediária adversária. Daniel Amorim entrou (no lugar de Wellinton) e, apesar da lentidão, quase mudou a história do jogo em dois lances agudos. Sofreu o pênalti não marcado pelo fraco árbitro carioca Grazianni Maciel Rocha e ainda desperdiçou a última bola, aos 44 minutos.

O resultado tira o Papão da liderança (um ponto atrás do Juventude), mas pode ser considerado como normal dentro de uma competição longa e equilibrada como é a Série B.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 07)

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Revoada de tucanos (by Laerte) Enquanto isso, nos jardins do golpe…

6 Comentários Add your own

  • 1. celira  |  7 de junho de 2017 às 6:35

    O futebol sem craques decisivos é sinônimo de eficiência. Tudo que o PSC não conseguiu ser ontem. Foi muito ineficiente no setor defensivo no início do jogo (Chamusca deve chamar a atenção para isso) e muito ineficiente nas finalizações de dentro da área.

    O que ficou de bom no jogo foi que as trocas de jogadores, apesar de não terem resultado no empate, pareceu ser treinada para gerar aquela situação de pressão sobre o adversário.

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  • 2. Antonio Oliveira  |  7 de junho de 2017 às 7:26

    De fato, resultado normal para um jogo fora de casa, entre duas forças mais ao menos equilibradas.

    A destacar somente que ao contrário do jogo anterior, apesar de também ter um atacante furando incrivelmente dentro da pequena área, o anfitrião soube aproveitar bem as oportunidades que a defesa do visitante lhe proporcionou.

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  • 3. celira  |  7 de junho de 2017 às 7:44

    Exato Antonio Oliveira, o que indica que o PSC deve estar atento o tempo todo para não dar espaços e nem chance para o azar.

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  • 4. Charles Resende  |  7 de junho de 2017 às 9:43

    Mas, num todo, apesar da derrota, a atuação foi até boa. Eu que tanto critiquei o Chamusca, tenho de dar a mão à palmatória, pois fazia tempo que o Papão não demonstrava uma postura tão organizada e equilibrada tanto dentro quanto fora de casa.

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  • 5. blogdogersonnogueira  |  7 de junho de 2017 às 11:39

    Exatamente, amigo Oliveira. Destaco essa diferença entre os dois jogos na coluna.

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  • 6. Antonio Oliveira  |  7 de junho de 2017 às 18:32

    Amigo Gerson, o “De fato” inaugural de que se valeu meu texto tinha o objetivo mesmo de mostrar que estou de pleno acordo com as suas observações sobre o jogo.

    Com verdade, só me pareceu que nos distinguimos ligeiramente no tom. Por isso eu entendi por bem literalmente destacar o fato. Deveras, acho que a defesa bicolor desde os jogos anteriores vem proporcionando oportunidades aos adversários em números além da conta normal.

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