Mirando no alvo errado

31 de maio de 2017 at 0:40 12 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Uma turba uniformizada invadiu o gramado do Evandro Almeida, ontem à tarde, para hostilizar o técnico Josué Teixeira e jogadores do Remo. Ato tão corriqueiro quanto inócuo. O técnico, apoiado pela torcida até o final do Estadual, caiu em desgraça porque resolveu manter oito dos dez “reforços” trazidos para a Série C. Danilinho e Rony foram dispensados, mas a lista deveria incluir pelo menos mais quatro dos recém-contratados.

A escaramuça lembrou episódio ocorrido há quatro anos, quando o presidente era Zeca Pirão e o Baenão começava a ser demolido – continua até hoje esperando a reconstrução, sem que as facções organizadas protestem contra isso.

Na ocasião, como agora, os protestos foram motivados pelo mau desempenho do time. Reclamações válidas, mas dirigidas ao alvo errado.

A começar pelo fato de que o objeto da ira da torcida não muda: técnico e jogadores. Os dirigentes, principais responsáveis pelas contratações, ficam a salvo da tempestade, olhando de longe, alguns até se comprazendo com o aperreio dos atletas e da comissão técnica.

Em certos casos, já comprovados, não só no Remo, há também a mão invisível da cartolagem a manobrar a fúria dos torcedores. Grupos uniformizados costumam manter conexão com dirigentes e agem conforme seus interesses e conveniências.

O torcedor de verdade, que normalmente não desfruta de folga numa tarde de terça-feira para ir apoquentar técnico e jogador de futebol, teria motivos de sobra para deplorar o atual momento vivido pelo Remo.

Mais do que a campanha pouco convincente na Série C, as antigas pendências trabalhistas continuam a ser o principal entrave ao saneamento do clube, agravadas por acordos descumpridos pela nova diretoria.

Segundo relatório divulgado na reunião de segunda-feira (29) do Condel, o passivo atual no TRT soma R$ 300 mil, com o setor jurídico engessado pelo não cumprimento das obrigações trabalhistas. Se os acordos forem cancelados, o clube pode sofrer novos leilões e bloqueios de renda.

Outro item que deveria ser motivo de inquietação da torcida (e dos conselheiros) é a devolução das contas da gestão de Manoel Ribeiro pelo Conselho Fiscal, que deu ultimato para que o presidente se enquadre, sob pena de ser denunciado por gestão temerária.

O Remo, como se vê, continua preso às mesmas coisas de sempre. Gestão ineficiente, time ruim, contratações alopradas e protestos que sempre poupam a cartolagem. Enquanto isso, adia-se um projeto de transformação capaz de tirar o clube da era medieval.

————————————————————————————————

Esquema rejeitado no Parazão triunfa na Série B

Pendular também se revela a situação de Marcelo Chamusca, agora no sentido positivo, depois que o time ganhou consistência de marcação e passou a acumular bons resultados na Série B. Os aplausos à campanha do Papão partem até de severos críticos do treinador. Coisas do futebol.

O segredo da evolução do time está na correção de falhas no setor defensivo, com a decisiva participação de três volantes. Como Dado em 2015, Chamusca cansou de esperar pelo camisa 10 capaz de articular o jogo no meio e organizar a transição.

Tentou Sobralense, Diogo Oliveira e até o jovem Samuel. Diogo teve lampejos, mas os dois simplesmente não funcionaram. Fernando Gabriel, da última leva de reforços, se adaptou bem à prioridade pela marcação.

Meia de ofício, Gabriel tem atuado mais como volante avançado do que propriamente como armador. Está dando certo. Curioso é que, no Parazão, Chamusca tentou emplacar esse mesmo sistema, mas sucumbiu às críticas pelo uso de um padrão defensivo demais para competição tão limitada.

Reapresentou a estratégia na Série B e alcançou a liderança. A lógica fria do torneio diz que, quanto mais fechado, mais possibilidades tem um time de obter bons resultados. Não existem planos perfeitos, mas este se mostra o mais adequado para o começo da Segundona, daí o seu sucesso: três jogos, nenhum gol sofrido.

(Coluna publicada no Bola desta quarta-feira, 31)

Entry filed under: Uncategorized.

Vedder tributa Cornell Rock na madrugada – Cat Stevens, The First Cut is The Deepest

12 Comentários Add your own

  • 1. celira  |  31 de maio de 2017 às 5:57

    Marcelo Chamusca ainda não ganhou minha confiança, mas também não posso negar seu dedo na consistência defensiva do time listrado.

    Curtido por 1 pessoa

  • 2. Anônimo  |  31 de maio de 2017 às 6:21

    Gerson, concordo em parte este direcionamento da torcida. Bem verdade que os protestos direcionou bastante aos jogadores e comissão técnica, mas sejamos justos também e admitir que já começou a foca em um cartola, o Magnata.

    Não é o presidente, mas já alguém do Codir remista

    Curtir

  • 3. marcio bentes  |  31 de maio de 2017 às 8:35

    Devo discordar de um ponto da coluna.
    no meu entender a correção do sistema tático do paysandu se deu por uma situação alheia a vontade do Chamusca, explico pq:
    esse protótipo de técnico inventou de início um sistema com três volantes e três atacantes, o que, por óbvio, resultou num desastre pois os atacantes ficavam isolados lá na frente, correndo atrás da bola que chegava através de chutões. o brilhante chamusca, depois de muita insistência, e jogos horrorosos, resolveu tirar um volante e colocar um meia, e o time ficava com dois volantes, um meia, e três atacantes. houve uma pequena melhora, o que não adiantou muito, pq o unico armador era alvo fácil para a marcação adversária, os dois volantes não vinham dar início as jogadas, os laterais sem a cobertura de um terceiro volante ficavam mais presos atrás e os zagueiros e goleiros, sem opões, faziam muita ligação direta com os atacantes, e o time continuava vivendo de chutões e das jogadas individuais dos atacantes de lado, parecendo jogo de pelada. foi o que vimos no final do paraense e da copa verde.
    Ocorre que no final da copa verde perdemos os dois atacantes de lado, bergson e leandro carvalho, e o treinador ficou sem opções de colocar os três atacantes, uma vez que so tinha a disposição o wellington junior, já que o will foi dispensado. sem ter como manter o esquema, chamusca foi obrigado a abdicar do terceiro atacante e colocar um terceiro volante, o que acabou dando mais equilíbrio ao time, pois , com a bola, os volantes passaram a jogar mais soltos dividindo entre eles a missão de iniciar as jogadas e levar a bola até o armador, e os laterais, com a proteção do terceiro volante, passaram a ter mais liberdade , aparecendo como uma opção para o ataque, sendo que sem a bola o time ficou mais coeso.
    E é nesse ponto que discordo da coluna: pra mim, a correção do sistema tático do time não se deu por inteligência do chamusca, mas por uma situação alheia a sua vontade,que foi a falta de jogadores para ele continuar com aquele esquema de três atacantes, um armador e dois volantes.
    esse técnico ainda não me convenceu. é limitado mas parece ter sorte.
    peço desculpas pelo tamanho do texto.

    Curtir

  • 4. Diego  |  31 de maio de 2017 às 8:47

    Bom dia.
    Protestar tido bem, mas roubar, não posso apoiar esta atitude. Quanto ao Baenão, será reconstruído tão cedo, devido as disputas internas (vaidades), pois a reconstrução precisa de pelo menos 02 anos, ou seja, a obra inicia em uma gestão e termina em outra gestão.

    Curtir

  • 5. Marcos Paulo  |  31 de maio de 2017 às 8:53

    Mestre Nogueira, notícia velha essa sobre o Leão Azul. Nenhuma novidade…!!!

    Curtir

  • 7. camiloferreira  |  31 de maio de 2017 às 15:40

    No Remo é um presidente pior que o outro, Manoel Ribeiro mesmo com toda sua história e experiência nos arraiais azulinos está me saindo um péssimo presidente, o descumprimento de acordos trabalhistas é o fim da picada. É o que dizer da dispensa virtual do argentino?! Foi muito amadorismo da diretoria. Espero não ver esse barco ancorar novamente na série D, o problema é que a diretoria tá fazendo de tudo pra levar o Remo de volta ao sofrimento da quarta divisão.

    Curtir

  • 8. blogdogersonnogueira  |  31 de maio de 2017 às 20:08

    O protesto ocorreu ontem à tarde, Marcos.

    Curtir

  • 9. blogdogersonnogueira  |  31 de maio de 2017 às 20:09

    Pois é. Daqui pra 2020 talvez aprendam a protestar contra os verdadeiros responsáveis.

    Curtir

  • 10. blogdogersonnogueira  |  31 de maio de 2017 às 20:10

    O segredo está no fato de que Chamusca armou um time pra não perder jogos e ganhar quando possível. É o espírito da Série B, extremamente nivelada por baixo nesta edição.

    Curtir

  • 11. Osvaldo Costa  |  31 de maio de 2017 às 20:56

    Não sou fã do Chamusca, longe disso, mas concordo com o titular do nosso boteco virtual. Papão, se mantiver esse esquema de jogo, não fará muitos gols, mas também não será tão vazado como nos anos anteriores. Vamos vencendo em casa e, quando for possível, roubar pontos fora. Fizemos isto em 2001 e conseguimos o acesso.

    Curtir

  • 12. camiloferreira  |  31 de maio de 2017 às 22:30

    Há alguns anos falei aqui e em grupos do Facebook do Clube do Remo que esse amadorismo da diretoria só pode ser remediado de uma maneira, com a torcida adotando como protesto a baixíssima procura por ingressos, em outras e mais claras palavras, enquanto fizerem besteira e enquanto o time não mostrar um futebol decente a torcida não vai aos jogos, é só não patrocinar o amadorismo.

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Trackback this post  |  Subscribe to the comments via RSS Feed


CONTAGEM DE ACESSOS

  • 7,399,013 visitantes

Tópicos recentes

gersonnogueira@gmail.com

Junte-se a 12.965 outros seguidores

ARQUIVOS DO BLOG

FOLHINHA

NO TWITTER

GENTE DA CASA

POSTS QUE EU CURTO


%d blogueiros gostam disto: