Divulgado nesta quarta-feira, o inquérito que apontou o uso de e-mails falsificados pelo Inter no processo do caso Victor Ramos causou preocupação aos torcedores colorados diante da ameaça de exclusão do clube do Campeoanto Brasileiro da Série B. O Inter, no entanto, diz que recebeu o resultado das investigações com tranquilidade e vê exagero no pedido de punição feito pelo auditor Mauro Marcelo de Lima e Silva, responsável pela investigação.
A investigação conduzida pelo auditor do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) apontou que o Inter não foi o autor da falsificação, mas anexou e-mails adulterados ao processo que buscava a punição do Vitória pela suposta escalação irregular do zagueiro. Na conclusão, ele sugeriu a suspensão do ex-presidente do clube Vitorio Piffero e advogados, além de aplicação do Artigo 61 do Código Disciplinar da Fifa, que prevê a exclusão do clube de competições oficiais.
Em entrevista ao programa Sala de Redação, da Rádio Gaúcha, o vice-presidente jurídico do Inter, Gustavo Juchem, disse que o relatório do STJD comprovou que o clube não foi o responsável pela adulteração dos documentos. O dirigente elogiou o trabalho de investigação do auditor, mas viu “erros” nos pedidos de punição, entre eles a exclusão do clube de competições oficiais.
– A apuração merece elogios. Já o enquadramento jurídico é questionável e, no meu entender, há uma série de equívocos. Não se justifica o enquadramento e muito menos a punição sugerida. Isso está nas mãos do procurador-geral Felipe Bevilacqua e ele vai decidir pela instauração ou não de processo para julgamento – disse Juchem, antes de ser questionado se temia alguma punição. – Quem não deve, não teme.
O CASO VICTOR RAMOS – Em 1º de dezembro, o Inter apresentou no STJD um documento com 42 páginas pedindo para fazer parte no processo que investigou supostas irregularidades na inscrição do zagueiro Victor Ramos, iniciado pelo Bahia. Na luta contra o rebaixamento, o clube gaúcho pedia que o tribunal reabrisse o caso para punir o clube baiano com a perda de pontos nas partidas em que o zagueiro atuou no Campeonato Brasileiro.
A principal linha sustentada pelo clube gaúcho diz respeito ao não cumprimento das normas do Transfer Matching System (TMS), que regulamenta as transferências internacionais no futebol. O jogador, que pertence ao Monterrey, do México, estava emprestado ao Palmeiras até se transferir ao Vitória, em fevereiro do ano passado. Na visão dos advogados do Inter, essa negociação ocorreu de maneira irregular.
No dia 8 de dezembro, o auditor Glauber Guadelupe, vice-procurador-geral do STJD, arquivou o pedido do Inter. No dia seguinte, a CBF enviou um ofício ao STJD alegando que os documentos usados pelo clube no processo – a troca de e-mails entre o diretor da CBF e o Vitória – foram adulterados. A entidade pediu a impugnação dos documentos pelo tribunal.
E, insatisfeito com a decisão do tribunal, o Inter entrou novamente, no dia 12 de dezembro, com um pedido de reexame do caso Victor Ramos no STJD. Uma semana depois, o procurador-geral do STJD, Felipe Bevilacqua, optou por manter o caso arquivado.
Na última semana, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), comunicou de que a os laudos da perícia comprovaram a alteração nos documentos utilizados. Por sua vez, o presidente do Inter, Marcelo Medeiros, voltou a garantir a autenticidade dos e-mails utilizados. Sem obter sucesso no STJD, o Inter levou o caso à Suíça. Em janeiro desse ano, o clube ingressou com uma ação na Corte Arbitral do Esporte (TAS), com sede em Lousanne, para tentar reabrir o processo. Após a audiência de terça-feira, o julgamento foi suspenso por 48 horas para os árbitros analisarem a competência sobre o assunto. No dia 6 de abril, eles decidiram não levar o processo adiante, e o Caso Victor Ramos está encerrado. (Do GE)
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