O adeus de um ícone da geração 90 do rock

21 de maio de 2017 at 1:10 Deixe um comentário

Aos 52 anos, Chris Cornell já podia se considerar um sobrevivente da geração do grunge, talvez o último movimento total surgido na cultura popular antes da era da fragmentação e da ironia. O vocalista do Soundgarden foi achado morto nesta quarta-feira em seu quarto de hotel depois de um show da banda em Detroit. Na sexta-feira se apresentariam em Columbus, Ohio. As causas da morte ainda não são conhecidas. “Já perdi um monte de amigos jovens e brilhantes. Andy Wood, Laney Stanley e Jeff Buckley. E Kurt Cobain e Shannon Hoon, outro grande amigo, assim como Mike Starr”, declarou Cornell numa entrevista concedida dois anos atrás à edição australiana da Rolling Stone.

Chris Cornell, nascido em 20 de julho de 1964, formou o Soundgarden em 1984. A banda foi uma das primeiras a assinar contrato com a Sub Pop, selo alternativo de Seattle que embalou quase todos os grupos formados nessa chuvosa cidade do noroeste dos EUA e que alcançariam o estrelato no começo da década seguinte sob o guarda-chuva do grunge, um movimento que a mídia apresentou como um antídoto cheio de niilismo e autenticidade aos excessos do rock oitentista.

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Ao contrário de Kurt Cobain, Chris Cornell e o Soundgarden nunca pareceram especialmente predispostos a romper com o passado. Em 1990, seu álbum Ultramega OK foi indicado ao Grammy de melhor disco de metal, e dois anos mais tarde, já com o bem-sucedido Badmotorfinger nas ruas, a banda embarcou em uma longa turnê pelos EUA abrindo para o Skid Row, uma banda de hard rock que tinha muito mais em comum com o Guns N’Roses e o Aerosmith que com o Black Flag e o Pixies, referências mais habitualmente associadas à ética e estética grunge.

Cornell foi uma avis rara dentro do ecossistema de Seattle do começo da década de 1990. Era assim também na cena musical atual, porém não tanto pela forma como administrou sua carreira nos últimos anos, mas pelo simples fato de estar vivo. Diferentemente de Eddie Vedder, líder do Pearl Jam, que sempre preferiu o surfe à heroína, Cornell teve seus vícios – basicamente, o álcool – e suas depressões. Subiu e desceu, entrou e saiu do caminho do sucesso em infinitas ocasiões. Gravou uma canção para um filme de James Bond (Cassino Royale) e chegou a ser notícia até por cortar o cabelo. Foi a maior e mais longeva estrela do rock que surgiu do grunge, o movimento que iria acabar com o rock.

Em pleno impacto pela morte do músico Chris Cornell, vocalista dos grupos Soundgarden e Audioslave, que se enforcou no banheiro de um quarto de hotel após um show em Detroit (EUA), na última quarta-feira, sua viúva, Vicky Cornell, publicou um comunicado em que descreveu o suicídio dele como “inexplicável”. “Eu sei que ele amava os nossos filhos e que nunca tiraria a própria vida conscientemente, pelo mal que lhes causaria”, disse. Vicky Cornell suspeita que seu marido perdeu o juízo ao se exceder na medicação que usava contra a ansiedade.

“Quando falamos depois do show, notei que ele balbuciava. Estava diferente. Disse que talvez tivesse tomado um Ativan ou dois a mais”, contou. Vicky, segunda esposa do músico e mãe de dois de seus três filhos, ficou preocupada e, depois de terminar a ligação, pediu que alguém confirmasse que ele estava bem. O autor da bem-sucedida canção Black Hole Sun (“buraco negro solar”), de 52 anos, uma das principais figuras da geração grunge – a resposta niilista dos anos noventa à tendência comercial do rock –, foi achado morto, com uma cinta ao redor do pescoço.

Kirk Pasich, advogado da família Cornell, queixou-se de que a imprensa está dando como certo que o cantor decidiu se matar, e reiterou que a família tem a convicção de que o artista “não sabia o que estava fazendo”. Chris Cornell havia superado há uma década seu vício em drogas, o mesmo problema que acabou com vários contemporâneos seus do grunge – o mais famoso deles foi Kurt Cobain, que se matou como um tiro em 1994. O vocalista do Soundgarden, que no passado esteve “sempre lutando contra a depressão e o isolamento”, tomava o medicamento Ativan, que serve contra a ansiedade e a insônia, mas que, segundo Pasich, pode ter como efeitos secundários “pensamentos paranoicos ou suicidas, balbucio e alteração do julgamento”. Segundo a agência Reuters, o laboratório Pfizer, fabricante do remédio, não quis fazer comentários a respeito.

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Desde que Chris Cornell teve sua morte anunciada, muita gente se pergunta sobre a reação de músicos do Pearl Jam, já que a banda andou sempre ao lado do Soundgarden como nomes dos mais influentes no rock and roll dos anos 90. Por enquanto a banda não se pronunciou a respeito com um texto, mas atualizou a sua página oficial com uma bela foto de Cornell e o simples título de “Chris”. (Com informações do El País)

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