Observações sobre as reformas

27 de abril de 2017 at 16:36 Deixe um comentário

POR WILSON GOMES, no Facebook

Não tenho uma opinião que mereça ser publicada sobre as reformas trabalhista e da Previdência Social encaminhadas por esta administração. E como ainda não me converti ao grupo dos que dão palpites sobre políticas públicas que não conhecem em profundidade com a mesma segurança com que Deus ditou suas Leis a Moisés, prefiro ficar prestando atenção.

A minha impressão, porém, é que uma coisa e outra precisam ser reformadas, sim. Mantenho-me firme, entretanto, no meu princípio de que pessoas provisórias deveriam ser impedidas de fazer merdas definitivas. A Previdência Social e as relações de trabalho são sérias demais e afetam demais a vida de todos para serem reformadas por este governo afobado, com um fiapo ou dois de legitimidade e, sobretudo, suspeitíssimo. E apoiado por esta 55ª Legislatura em cujas virtudes cívicas não há qualquer cidadão brasileiro disposto a apostar um vintém.

Além disso, propostas com este alcance teriam que necessariamente passar pelo teste democrático das urnas. Um governo que vencesse eleições gerais propondo fazer uma reforma da Previdência nos termos em que está sendo proposta ou uma forma trabalhista com estas características teria toda a legitimidade necessária. Desconfio (e eles também desconfiam) de que propostas desta natureza não passariam por um sufrágio e que só um “carona”, como Temer, que nunca teve qualquer ideia ou projeto escrutinado pelos eleitores, pode passar por cima da vontade da maioria. Vontade da maioria? Que ela não se atreva a atrapalhar.

“O Brasil precisa destas reformas” e o “Brasil tem pressa”, dizem os jornalões, o governo e uma parte esclarecida da opinião pública. Sou capaz de concordar com ambas as sentenças e ainda assim desconfiar que não é bem por aí. O inconveniente da democracia é que ela não garante que o resultado dos sufrágios sejam as melhores pessoas ou as melhores soluções. Ainda assim, preferimos a democracia. Caso contrário estaremos no velho “o déspota sempre sabe do que o povo precisa mais do que o próprio povo, coitado, perdido em enganos e ignorância. Precisamos proteger o povo da sua própria vontade”.

Voltamos a isso?

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