Instável em campo, Atlético-MG celebra lucros após 23 anos de déficit

24 de abril de 2017 at 22:29 Deixe um comentário

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POR LUIZ ANTONIO PROSPERI, no Chuteira F.C.

O Atlético-MG estava numa encruzilhada até este domingo. Ou derrotava o URT, de Patos de Minas, e se credenciava à final do Campeonato Mineiro, ou caía na correnteza da crise com sérios danos ao futuro do time nesta temporada. Havia, e ainda deve ser latente, uma insatisfação geral de sua torcida com o futebol apresentado, comportamento do treinador Roger Machado e desconfianças em cima de jogadores importantes. Um cenário de descrédito com perigosas consequências no jogo decisivo desta quarta-feira (26/4) contra o Libertad do Paraguai pela Copa da Libertadores. Em meio à crise no futebol, o comando do clube divulgou esta semana o balanço financeiro do exercício 2016 apontando pela primeira vez em 23 anos um superávit de “modestos” R$ 2,1 milhões.

Acontece que o Atlético bateu o pequeno URT por 3 a 0, se garantiu na decisão do estadual com o Cruzeiro e vai receber o adversário paraguaio no estádio Independência sem a corda no pescoço. Não pode vacilar. Com quatro pontos em três jogos, ocupa o segundo lugar do Grupo 6. Precisa vencer para se recuperar da derrota sofrida para o mesmo Libertad em Assunção, encaminhar a classificação às oitavas de final e acalmar sua torcida.

Roger Machado, contestado a cada apresentação do Galo, sabe do tamanho da encrenca que tem pela frente. Precisa de fôlego. Aí pode estar o perigo. A média de idade de seus jogadores titulares e reservas mais usados é de 31 anos – pelo menos cinco deles estão com ou acima de 34 anos. Não é fácil fazer essa gente correr o tempo todo no ritmo de jogos crispados da Libertadores. Maicosuel (31 anos), Robinho (34), Fred (34) e Rafael Moura (34) costumam formar a linha de frente do Atlético. Um dos motores da equipe, o meia Elias, tem 32 anos. E o zagueiro esteio da defesa, Leonardo Silva, está com 38 anos. Muita quilometragem e sinais evidentes de fadiga de material.

Torcedores não querem nem saber se o time é velho ou não, se o investimento feito vai ter ou não retorno. Querem vitórias. Os dirigentes sabem disso. Por enquanto não se fala nos bastidores do clube em troca de treinador. O momento é de festejar os números do balanço financeiro de 2016.

Relatório do Atlético-MG divulgado no domingo (23/4):

“Pela primeira vez em 23 anos, o Atlético Mineiro tem lucro em suas contas. O balanço apresenta superávit de R$ 2,1 milhões. Em 2015, com parte da dívida indexada ao dólar e à Selic, o déficit foi de R$ 11,9 milhões. “Em 2016, o faturamento foi de R$ 316, 3 milhões, apresentando crescimento de 29,3% na comparação com 2015, quando o clube arrecadou R$ 244,6 milhões”.

“As principais fontes de receita foram a venda dos direitos de transmissão, a bilheteria, os patrocínios e a cessão de direitos econômicos de atletas. A TV (aberta e fechada) respondeu por 40,7% do faturamento, totalizando R$ 128,9 milhões. O crescimento em relação a 2015 foi de 13,3%. Naquele ano, o clube arrecadou R$ 113,7 milhões nesta fonte.”

“O crescimento da carteira de sócios torcedores Galo na Veia e bilheteria foi de 24% e representou R$ 47 milhões da receita de 2016. Esse valor corresponde a 14,8% do faturamento do ano passado. Em 2015, a receita proveniente da renda dos jogos havia sido de R$ 37,9 milhões”.

“Também houve crescimento do valor dos patrocínios. Em 2015, o Atlético ganhou R$ 16,3 milhões com a venda de espaço nos uniformes e placas de publicidade. Com expansão de 93,8%, o clube recebeu R$ 31,6 milhões neste item em 2016, o que representou 10% das receitas”.

“O maior crescimento percentual ocorreu com a cessão de direitos econômicos (venda de jogadores). A receita total em 2016 foi de R$ 78,5 milhões, o que representou 24,8% do total arrecadado. Em 2015, o Atlético havia faturado R$ 35,6 milhões nesse quesito”.

“Daniel Nepomuceno, presidente do clube, observa que o Atlético viveu um dilema no início da década. ‘A dívida crescia desordenadamente. Ou enfrentávamos esse problema, ou estaríamos fadados a desaparecer ou nos tornar um clube menor’. A opção foi chamar os credores e renegociar as dívidas, reservando parte das receitas para quitar o passivo. A entrada em vigor da Lei 13.155/15, que deu origem ao Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro (Profut), veio ao encontro dessa meta”.

“O Atlético foi o primeiro clube brasileiro a aderir ao Profut, que estabeleceu regras para o refinanciamento das dívidas fiscais e trabalhistas dos clubes de futebol profissional, e vem cumprindo seus compromissos regularmente. Dessa forma, organizou as finanças e se preparou para o futuro. Em 2016, as dívidas totais somavam R$ 518,7 milhões, um crescimento de 4,58% em relação a 2015 (R$ 496 milhões). O índice permaneceu abaixo da taxa Selic, que foi de 14% em 2016.”

“Desse montante, o Profut absorveu 54,4% e dívidas com terceiros responderam por 21,4%. Débitos com bancos tomaram 10,7% e negociações e intermediações com outros clubes responderam por 13,5%.”

“O débito com o Profut correspondeu a R$ 284 milhões em 2016. Recursos bloqueados da ordem de R$ 56,6 milhões serão usados para amortizar a dívida, deixando um saldo de R$ 227,4 milhões.”

“A relação entre receita e dívida vem caindo ano a ano. Em 2006, por exemplo, a receita foi de R$ 50,3 milhões e as dívidas eram de R$ 187,1 milhões, ou 3,71 vezes maior. Em 2011, o clube arrecadou R$ 99,8 milhões e a dívida era de R$ 367,6 milhões (3,68 vezes maior). Em 2015, o clube faturou R$ 244,6 milhões e devia R$ 496 milhões (2,02). Já em 2016, o débito chegou a R$ 518,7 milhões, para receita de R$ 316,3 milhões. A relação caiu para 1,64 e a tendência é de queda contínua”.

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