Um peixe abusado

17 de abril de 2017 at 5:32 13 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

Sem empolgar ao longo de quatro anos de existência, a deficitária Copa Verde 2017 tem pelo menos o mérito de mostrar que o rei está nu. Sua majestade, neste caso, é o futebol do Pará, que ainda come sardinha e arrota caviar. A competição expõe, com crueza de detalhes, o grau de decadência da dupla Re-Pa, situação que muitas vezes é disfarçada por conquistas pontuais.

Que as coisas vão mal nós já sabíamos há algum tempo, mas a CV tem permitido comparações vexatórias. O Santos do Amapá, agremiação que neste ano realizou apenas seis partidas, tem dado uma senhora lição nos grandes de Belém. Com jogadores de nível mediano e folha salarial inferior a R$ 20 mil, promove um estrago na autoestima dos titãs paraenses.

Olha que o Estado do Amapá nunca foi referência de futebol competitivo na região. Os clubes daqui sempre levaram ampla vantagem nos jogos com os de lá, normalmente repletos de refugos catados em Belém. Pois o Peixe da Amazônia está mudando essa antiga prosa – com méritos. Dirigentes de Remo e Papão deveriam agradecer, pois certos exemplos não têm preço.

Primeiro foi a chicotada aplicada no Remo nas quartas de final da CV, marcando incontestáveis 3 a 0 dentro do estádio Zerão. No jogo de ida em Belém havia perdido por 2 a 1 tendo dominado todo o primeiro tempo.

Com a euforia natural pela classificação à semifinal da Copa, fato inédito na história do futebol do Amapá, o Peixe teve que suportar a frustração de não poder jogar diante de sua torcida. O regulamento canhestro da CBF impõe limite mínimo de 10 mil lugares para a etapa semifinal, numa cidade cuja média de frequência a estádios é inferior a 1,2 mil torcedores.

Nada disso, porém, abateu os alvinegros, cuja equipe é formada por jogadores locais e alguns recrutados no futebol do Pará, como Balão Marabá e Rafinha. Sob o comando do técnico Perereca, desafia outro titã paraense e favorito ao título, o Papão, campeão do ano passado, saindo-se bem no primeiro embate.

O jogo de sábado à noite, em São Luís (MA), voltou a exibir um Santos  desassombrado. Mesmo longe de sua gente, o Peixe foi bem mais organizado durante o primeiro tempo. Fez seu gol e perdeu mais dois em seguida. Cedeu o empate num belo lance individual de Leandro Carvalho. Foi visível a diferença de comportamento: seus homens de meio-campo tiveram mais consciência, rapidez e qualidade que os do Papão.

Na etapa final, o time caiu de rendimento pelo cansaço e porque o Papão adiantou suas linhas e passou a pressionar mais pelos lados. Ainda assim, o Peixe teve uma boa chance de marcar. Dada a diferença técnica dos elencos, pelo menos no papel (e na folha de pagamentos), o Santos cumpriu jornada das mais dignas. Tudo graças a um conjunto que funciona de forma mais ou menos linear, sem altos e baixos, da defesa ao ataque.

O resultado de 1 a 1 beneficia o time paraense, que agora pode se classificar com um 0 a 0 no Mangueirão, mas é arriscado imaginar que a parada está liquidada. A fraca atuação bicolor no Castelão, sem criatividade e dependendo exclusivamente de Leandro Carvalho, não deve se repetir em Belém, tendo a Fiel a incentivar nas arquibancadas. O Santos, porém, já deixou claro que não é um adversário qualquer.

————————————————————————————————–

Regulamento desvaloriza o esforço e o mérito do Vasco

O Vasco festejou ontem a conquista da Taça Rio após vencer o time reserva do Botafogo, mas, estranhamente, o feito não lhe garante nenhuma vantagem extra na pontuação geral.

As semifinais já estão definidas e o Vasco terá pela frente o Fluminense, vencedor da Taça Guanabara, que jogará pelo empate. Ora, qual a diferença entre uma etapa e outra do campeonato?

Creio que qualquer torcedor poderia questionar no Procon a esquisitice absurda deste esdrúxulo Campeonato Carioca.

Por essas e outras, os certames estaduais começam a perder espaço no calendário da própria CBF e deixam de despertar o interesse do torcedor, seu principal fator de sobrevivência.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 17)

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Rock na madrugada – Raimundos, Quero Ver o Oco Capa do Bola – segunda, 17

13 Comentários Add your own

  • 1. celira  |  17 de abril de 2017 às 9:59

    Sobre o PSC e a decadência…

    – Bem sob o meu ponto de vista o principal problema bicolor é técnico… É Chamusca.

    – Aqui abro um parêntese para perturbar o amigo Cláudio (que respeito a opinião) e parte da própria imprensa paraense. Pergunto: caso o técnico bicolor fosse local, o amigo do blog e parte da imprensa estaria, digamos assim, tão envergonhada de pedir a cabeça do técnico? (Sim, esta não é função da imprensa, mas ela o faz muitas vezes com outras palavras).

    – Parêntese fechado, há outros problemas no bicolor como não escalar os melhores jogadores.

    Exemplo:

    1) Seria Wesley no momento melhor do Jonhatan?

    2) Será que não seria hora de dar oportunidade para outro lateral direito?

    3) Será que vale insistir com Sobralense como reserva imediato de Diogo Oliveira?

    4) Para não fazer gols (o ataque do PSC é bisonho) não seria melhor ter Cearense que ao menos taticamente prende os zagueiros?

    São questões…

    Enfim, Serra tem se mostrado bom na parte administrativa, mas ignora o fato que futebol não é sinônimo de números e cálculos. No futebol a sensibilidade é por demais importante… Isto está faltando com sobras a Serra e sua diretoria.

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  • 2. direitoeducacaoecafe  |  17 de abril de 2017 às 11:12

    Bom dia a todos.
    Desde a derrota para o Juventude pela Copa do Brasil do ano passado não fui mais ao estádio. Não vi e não vejo padrão tático na equipe do Paysandu há tempos… Isso incomoda.
    Do mesmo modo, não vejo volúpia nos atletas e o Leandro Carvalho é nosso mais agudo atacante…
    São sintomas que vem ocorrendo nas últimas administrações que pagam em dia mas parecem não acertar a mão nas contratações.
    Gostaria, para o bem do Paysandu na Série B, que houvesse derrotas na Copa Verde e Paraense, pois talvez dois choques dessa ordem fossem capazes de acordar a Diretoria.
    O Paysandu, treinado por Chamusca desde o final do ano passado, não tem desculpas para um futebol medíocre.
    Uma altíssima folha de pagamento que não justifica o investimento.

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  • 3. AZULINO33  |  17 de abril de 2017 às 11:33

    JOGO DE TIMES PEQUENOS 800 PAGANTES EM UMA SEMI FINAL.PARABENS!!KKKKKKKKKK

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  • 4. Gleydson  |  17 de abril de 2017 às 12:43

    Soube que Leandro Carvalho, único jogador lúcido e produtivo em campo nesse time listrado, não vai jogar, prevejo um novo Peixaço no Mangueirão.

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  • 5. miguelangelo1967  |  17 de abril de 2017 às 13:50

    Concordo plenamente com os dois comentários, Celira cirurgia, idem a minha ótica, é o outro nobre colega tão certeiro que digo mais, além da falta de qualidade dos jogadores há uma falta de garra e vontade.
    Será realmente que está tudo tão equilibrado financeiramente dentro do Paysandu ou será que os jogadores que chegaram conseguiram estragar o resto das maçãs?!

    Curtido por 1 pessoa

  • 6. Nelio  |  17 de abril de 2017 às 15:33

    Amigo Gerson Nogueira, me desculpe, não quero criar polemica mas honestamente não entendi este teu comentário sobre o Santos de Macapá/micro Remo/Paysandu onde tu misturas incrivelmente o vexame secular e histórico micro do Remo que já ocorreu diante deste Santos dando a entender que Paysandu também foi vítima desse time. Sinceramente não entendo teu comentário a esse respeito porque a porque o santos já eliminou e ridicularizou o micro remo, mas a decisão contra o Paysandu ainda vai ocorrer onde ele pode ou não eliminar e ridicularizar o Paysandu também, mas querer afirmar isso é prematuro mesmo porque a vantagem é bicolor, ou será que estais considerando o empate bicolor no primeiro jogo com o santos um vexame do tamanho do proporcionado na eliminação azulina??? menos amigo. Deixa a passar os 90 minutos do segundo jogo aí se tiveres razão e o Paysandu for eliminado serie o primeiro a malhar o Paysandu aqui. pô, quem viu o jogo sabe que o placar moral seria 6×3 para o Paysandu tamanho foi a quantidade de gols perdidos que poderiam definir o jogo lá porque o Santos é que entrou no jogo tremendo de medo e achou aquele gol onde depois disso perdeu um pouco o medo conforme falaram cos comentaristas da jornada esportiva, mas o Paysandu mesmo jogando horrível foi mais time.

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  • 7. blogdogersonnogueira  |  17 de abril de 2017 às 17:45

    Nélio, a pior das torturas é explicar o óbvio, mas vamos lá. Tua alma de torcedor não permite nem admitir que o Papão levou um sufoco lá no Maranhão. Esses 6 a 3 hipotéticos só se passaram na tua imaginação, no jogo isso não ocorreu – e os próprios jogadores admitiram isso ao final, com o devido endosso do presidente Sérgio Serra na entrevista ao Dinho Menezes. No 1º tempo, o Peixe foi superior. Caiu de rendimento no segundo e o Papão melhorou. Mas não esqueça que, apenas dois minutos depois do gol do Rafinha, o rápido Fabinho perdeu uma chance ainda mais fácil diante do Emerson. Se faz o 2º, o bicho ia pegar. Outra: não estás lendo o texto por inteiro, pois eu afirmo claramente que a disputa está em aberto e que o Papão permanece favorito. O objetivo da coluna foi evidenciar a transformação para pior. Ao contrário de décadas atrás, até o semi-amador futebol do Amapá já complica a vida dos titãs do Pará. Infelizmente, demonstras ser o único bicolor empolgado com a atuação alviceleste no Castelão, pois os torcedores que estavam no estádio vaiaram time e técnico ao final da partida.

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  • 8. Luiz Fernando - Bicolor  |  17 de abril de 2017 às 18:06

    O Papão tem outras receitas ! Ao contrário do quase falido, que sobrevive apenas de arquibancada.. E o secador esqueceu que o jogo foi no Castelão ? ? ? Em nosso estado vizinho..

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  • 9. miguelangelo1967  |  17 de abril de 2017 às 18:58

    Achei a coluna perfeita e uma forma de abrir os olhos do mais fanático torcedor.
    Gente, nosso Paysandú é ridículo!
    Como pode um treinador que está desde o final do ano passado não ter dado padrão de jogo ao time?. Além de jogadores ruins, não existe vida inteligente no banco, égua cheguei a ter saudades do Dado enrolantes, imagina o desgosto que tenho de ficar diante da TV pois moro em João Pessoa, e passar vergonha com a total total apatia do nosso time, é um bando de jogadores correndo atrás da bola e tendo, imagine você, Leandro Carvalho como a única esperança!
    Égua, Serra que me desculpe, acabando estas duas competições eu mandaria o Baltoré e esta turma da Praça é Nossa tudo embora, pois meu amigo, eu só vejo fake de jogador em campo.
    Será que o açaí do Pará faz mal aos estrangeiros?, pô, é impressionante a queda de nível do Diogo Oliveira, o Sobralense nem falo pois este já conheço faz tempo e sempre foi um enganador. Ele é o típico jogador da confiança do treinador que o contrata como testa de ferro.
    O Gerson tem toda a razão, se com o Leandro Carvalho o negócio estava ruim imagine agora que o garoto está suspenso?
    Manter outro enganador no ataque, o tal Alfredo é preferível continuar com o Cearense que pelo menos segura a zaga adversária lá trás.
    Égua, tem cada tipo de torcedor que passa dos limites, eu não acredito que você, meu amigo torcedor Bicolor, esteja vibrando com um time que é mais fraco do que caldo de gó, haja paciência, e paciência tem limite!
    O time está às portas da sua principal competição e este ano será briga de foice, todos os adversários que pretendem subir estão se preparando e montando um elenco para lá de competitivo desde o início da temporada e o Paysandú vendo a banda passar!
    Eu fico pensando é no vexame que será entrar com um time aguado destes nas oitavas da Copa do Brasil e pegar um Cruzeiro pela frente. Vai ser um vexame terrível. Quero eu estar enganado.
    Mas com Chamusca e sua trupe de jogadores de confiança não dá, já basta. Se fosse um Lecheva ou um Cacaio ou outro treinador local já estava no olho da rua a muito tempo!
    #FORACHAMUSCA!

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  • 10. Nelio  |  17 de abril de 2017 às 19:26

    Amigo Gerson Nogueira, por favor seja razoável. Esta aqui neste trecho que vc escreveu o que não entendo neste seu comentário: “” Ao contrário de décadas atrás, até o semi-amador futebol do Amapá já complica a vida dos titãs do Pará. “” Viu?? Então amigo repito mais uma vez: O Santos complica e já complicou hoje a vida do micro remo, o santos já humilhou o micro remo. Contra o Paysandu ainda tem decisão amanhã, se eles eliminarem o Paysandu aí concordo com vc. Agora quanto as perdas de gols 0elo Papão só um cego não viu chance clara perdida com Diogo no finalzinho, uma na trave dele e um penal claro não marcado que ninguém comenta. E mais 2 perdidas com bergson . E não fui so eu que viu esse jogo, o comentarista Ruy da clube e o guerreirão narrador e os da Tv também viram igual eu, assim como viram que o Paysandu jogou horrível mesmo com essas chances perdidas, cujas mesmas surgiram mais pela debilidade do santos o qual segundo eles tem muitas limitações. OK amigo??

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  • 11. Nelio  |  17 de abril de 2017 às 22:50

    Vejam só o PAULO FERNANDO BED BOY comandante do programa as Últimas do Esporte agora há pouco no programa de hoje em seu primeiro comentário no programa estufou o peito e disse exatamente tudo o que eu postei aqui sobre o Paysandu, torcida , comentários, decisão etc. o BAD BOY disse que: ” Toda a nação bicolor sabe que o time precisa corresponder mais em campo, falta time, esquema de jogo, porem este times mesmo com toda essa deficiência é o time que está trazendo resultado e resultado também é fundamental no futebol. O time está a um passo de uma decisão da copa verde e do paraense igual em 2016, e isso é relevante e a torcida tem de APOIAR EM VEZ DE SÓ RECLAMAR. Se a torcida não gosta do chamusca, do sobralense seja lá quem for, ela tem de ir ao jogo em massa prestigiar o Paysandu amanhã, e seja lá o que for. Bad Boy disse que lugar de bicolor é no mangueirão amanhã para torcer e não para protestar.”””

    NOTA MIL PARA O BAD BOY. É ASSIM QUE SE FALA!!

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  • 12. blogdogersonnogueira  |  17 de abril de 2017 às 23:45

    Nélio, o delírio já vai muito além do tal placar ‘moral’ de 6 a 3. O tal pênalti é outra “viagem”, pois ninguém viu, nem os jogadores do Papão, que nada reclamaram. Fico por aqui porque discutir o óbvio, repito, é torturante.

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  • 13. direitoeducacaoecafe  |  18 de abril de 2017 às 0:35

    Miguel Ângelo, a postagem a que você se refere é a minha. Tenho um endereço na WordPress e não aparece meu nome.
    Quanto ao Paysandu, a realidade dá Série B esse ano é uma só: Internacional subirá, sem dúvida… Será que temos​ chance de pensar em ficar entre os dez primeiros levando em conta as atuações desse arremedo de time?
    Quem estiver satisfeito depois não reclame quando o time estiver nas últimas colocações, pois não conseguiu demonstrar um futebol decente no Paraense nem na Copa Verde.
    Abraços a todos.
    José Eiro

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