Nos braços do povo

30 de março de 2017 at 2:11 7 comentários

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POR GERSON NOGUEIRA

Os números são excepcionais. Em oito jogos como técnico da Seleção, Tite conquistou oito vitórias nas Eliminatórias Sul-Americanas. Assumiu o cargo quando o Brasil capengava na sexta colocação e hoje ocupa a liderança do torneio, nove pontos à frente do segundo colocado. De ameaçado de desclassificação, o país pentacampeão ostenta a condição de classificado por antecipação à Copa do Mundo 2018.

Mais que o aspecto contábil, a Seleção de Tite cativa e empolga porque depois de muito tempo, talvez desde a Copa de 2002 e da fase pré-Mundial de 2006, o país não se via tão bem representado em campo.

Houve um tempo, antes e principalmente depois da Copa de 2014, que a Seleção se divorciou tanto da torcida que acompanhar os jogos virou sinônimo de programa de índio. Só os muito fanáticos pela amarelinha ainda tinham paciência para assistir as maçantes partidas.

Com atuações burocráticas, fiel à tabuada do pragmatismo, a equipe se esmerava em trocar passes laterais, fazer cruzamentos a esmo e ligações diretas. Nem vestígio do drible e dos lançamentos que fizeram a glória do país do futebol.

Um dos símbolos daquela era, Hulk, beque por vocação e destreza (ou falta de), era um dos preferidos de Dunga e continuou a ser prestigiado por Mano Menezes e Felipão, juntamente com Fred, Dante, David Luiz e outros menos graduados.

Foi preciso que a Alemanha aplicasse aquele corretivo histórico para que todos enxergassem o óbvio: o país havia perdido a sua essência e mergulhado na era das trevas do futebol de resultados.

Mas, mesmo depois da tragédia, a cartolagem seguiu errando. Resolveu ressuscitar Dunga, o capitão do mato, com a missão de “enquadrar” a Seleção, como se fosse um pelotão militar. É claro que a ideia infeliz não poderia acabar bem e o time seguiu aos trancos e barrancos.

Tite só foi lembrado quando o fantasma da eliminação já aparecia no horizonte. Campeão pelo Corinthians e com experiência em vários clubes, era a escolha natural para o desafio de resgatar a confiança na Seleção.

Sem mudar radicalmente as peças, ele teve o mérito de não inventar. Posicionou cada jogador em sua faixa específica. O esquema é o mesmo que quase todas as seleções do planeta utilizam, com quatro zagueiros, dois volantes logo à frente e um médio (Renato Augusto) qualificando a transição. À frente, um tripé de atacantes ágeis e dribladores, que não guardam posição e se deslocam constantemente.

A grande diferença em relação aos outros países é que Tite tem um punhado de jovens boleiros ávidos por conquistas. Neymar, o fora-de-série, é o eixo do time. Gravitam em torno dele Philipe Coutinho, Gabriel Jesus, Willian, Firmino e Douglas Costa, trocando passes e infiltrações.

Ainda está longe de ser um dream team, mas o Tite é um obcecado pelo jogo de alto nível e pelos esquemas que facilitam a aproximação entre setores. Com ele, a Seleção recuperou o prazer do drible e os passes de primeira, fundamentais para contornar esquemas de forte marcação. Contra o Uruguai e o Paraguai essa filosofia foi exposta (e testada) em todas as nuances e os resultados foram empolgantes.

É preciso, porém, evitar a todo custo o oba-oba delirante. A Copa do Mundo é um torneio bem mais seletivo e traiçoeiro que as Eliminatórias.

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Clima festivo não pode tirar o foco do Leão

Com a presença de ministros e promoção de troca de ingressos por garrafas PET, a Copa Verde parece começar de verdade agora. O confronto entre Remo e Santos-AP abre a segunda fase hoje à noite. Para os remistas, favoritos, o aspecto festivo fica lá fora.

Flamel, Jayme e Jackinha são as principais baixas. Em compensação, Edgar ganhou o apoio do grupo e volta ao time para compor o ataque com Val Barreto e Gabriel. Eduardo Ramos cuida da organização no meio e Léo Rosa é o ala pela direita. Time ofensivo, como a situação exige.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 30) 

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Hum hum… Capa do Bola – quinta-feira, 30

7 Comentários Add your own

  • 1. camiloferreira  |  30 de março de 2017 às 5:51

    O não tão modesto adversário azulino de hoje tem estrutura dos sonhos de Remo e Paysandu, acredito que será um adversário muito difícil para o leão azul, cabe ao Remo não se dar o luxo de cochilar durante os 180 minutos.

    Curtido por 1 pessoa

  • 2. celira  |  30 de março de 2017 às 8:08

    Concordou com quase tudo que o amigo Gerson escreveu, mas, é preciso dizer, a seleção de 2010, comandado por Dunga, apresentava, um esquema de jogo, um bom rendimento no percurso e jogou uma copa razoável, sendo eliminada no seu melhor jogo em falhas bisonhas.

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  • 3. celira  |  30 de março de 2017 às 8:10

    Dunga em 2010 pecou por não chamar Ganso e Neymar. Comprou a ideia de grupo fechado. Ele, pelas limitações, não tinha plano B.

    Penso que Tite não agiria igual.

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  • 4. Jorge Paz Amorim  |  30 de março de 2017 às 8:55

    Concordo com Celira, em relação ao bom futebol apresentado pela seleção na copa de 2010. Uma coisa que pouca gente lembra é que, no jogo contra a Holanda, o Brasil se viu privado dos seus dois volantes que vinham fazendo uma excelente competição: Elano foi vítima de entrada criminosa de um marfinense no jogo anterior; e Ramiro foi suspenso pelo cartão amarelo, sendo isto foi decisivo na hora de aguentar a pressão holandesa, acabando por contribuir com aquela derrota.
    Quanto à convocação de Neymar e Ganso, penso que a do primeiro seria de grande valia para o atleta, como foi a de Ronaldo em 1994. Daria experiência, mas dificilmente seria aproveitado diante do protagonismo de Robinho e Luís Fabiano. Já Ganso, mesmo estando à época no melhor de sua carreira, já demonstrava ser um nefelibata da bola, algo que hoje o relega a mero componente de elenco do Sevilha
    Outra coisa a ressaltar é o fato de há cerca de quatro meses ser recorrente no debate televisivo das redes nacionais por assinatura o diagnóstico que vivíamos um período de entressafra. Hoje, é comum ouvir os mesmos que prescreveram o mal celebrarem a ‘cura milagrosa’ como se isto tivesse surgido do nada.
    Todos os aqui citados pelo amigo Gerson estavam jogando muita bola em seus clubes nas maiores ligas da Europa, porém, levaram a culpa que não lhes cabia em diagnósticos precipitados, fruto da frustração de quem.confiou em demasia na ‘Família Scolari II’. Paciência.

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  • 5. Antonio Oliveira  |  30 de março de 2017 às 14:44

    Eu também me inscrevo no reduzido grupo daqueles que consideram que em 2010 o malogro decorreu de um dia em que as coisas não deram certo, em que uma conjugação de elementos de infelicidade, especialmente no desempenho individual de alguns jogadores, levou ao malogro uma Seleção que vinha bem em todos os jogos anteriores. Alías, vinha bem até o primeiro tempo daquele próprio jogo.

    Eu também sou um dos que não consudera erro a opção por não convocar a dupla de garotos do Santos para aquela Copa. Quanto ao Ganso o tempo se encarregou de mostrar que ele ainda não conseguiu concretizar aquela promessa que o seu futebol fazia ns época. Já o Neimar minha leitura é exatamente essa: a convocação talvez tivessido útil exclusivamente para o jogador. Quanto ao grupo, e rspecialmente wuanto ao time, não acrescentaria nada de relevante, especialmente para um resultado diferente (para melhor) daquele obtido pela Seleção. Deveras, as alternativas já mais maduras, inclusive pela maturidade, eram melhores.

    Por último, é dizer que eu também integro a galera que acredita que o futebol brasileiro está hoje na entresafra, como estava nas copas de 2010 e 2014.

    Admito que a Seleção vem apresentando um melhor desempenho do que vinha apresentando com o Dunga, que os jogadores de hoje, mesmo sendo, em maioria, os mesmos de antes, vêm apresentano melhor desempenho e a Seleção melhores resultados.

    Mas, tal, só por só, ainda que sirva para resgatar o prestígio e as colocações do futebol brasileiro no cenário internacional e na tábua de classificação da eliminatórias e no próprio Ranking da Fifa, não me parece ser capaz de imediatamente abonar como boa, ou além, a atual geração de futebolistas do Brasil.

    Para mim, no momento presente, esta postura mais inspirada, assertiva e eficaz da Seleção brasileira,vme parece mais condizente com os métodos e alternativas de soluções táticas empregados pelo Professor.

    Enfim, o Tite está conseguindo extrair mais dos jogadores do que conseguiram seus mais recentes antecessores.

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  • 6. Jorge Paz Amorim  |  30 de março de 2017 às 15:21

    Meu caro Oliveira, além desses que têm feito a festa da galera pelo time do Tite há um outro punhado de bons jogadores espalhados aqui e alhures.
    Claro que nada a ver com a bagunça reinante em nosso futebol, porém, tudo a ver com a fantástica capacidade do Brasil em produzir talentos, apesar disso tudo. É nesse sentido que penso ser exagerada a conceituação de entressafra

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  • 7. Antonio Oliveira  |  2 de abril de 2017 às 9:52

    Bom, meu caro Amorim, analisando a questão sob este prisma, sou obrigado a concordar que aqui e alhures existe um punhado BONS jogadores (na falta de outro melhor adequado recurso no teclado de meu telefone, uso a caixa alta apenas para sublinhar a palavra, sem qualquer intento de elevar o volume da dicção).

    Aliás, vale dizer que, pelo menos até aqui, o Tite vem mostrando que é possível conceber e colocar para jogar uma excelente Seleção mesmo não contando com grandes craques.

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