
POR GERSON NOGUEIRA
Como manda a tradição, o Re-Pa é o assunto dominante na cidade, dominando todas as rodas de conversa e provocando discussões apaixonadas entre as duas torcidas, além de despertar a preocupação das autoridades do sistema de segurança pelos riscos representados pelas gangues de baderneiros.
Curiosamente, o clássico não decide absolutamente nada, pois tanto Remo quanto Papão já estão garantidos nas semifinais do Parazão como primeiros colocados de suas chaves. Apesar disso, a expectativa é enorme, como sempre, turbinada pela centenária rivalidade.
E é aí que entram os estilos dos técnicos, ambos sob a mira de todos nos dias que antecedem o grande duelo. Na Curuzu, Marcelo Chamusca ganhou tranquilidade com a vitória obtida pelo “time B” em Santarém contra o São Francisco. Contestado por boa parte da torcida alviceleste, o treinador tem evitado os treinos abertos, apostando tudo na preparação dos titulares que não jogaram na terça-feira.
Por ironia, Chamusca ganhou alguns problemas para definir o time para o Re-Pa, depois que os suplentes Rodrigo Andrade, Will e Jonathan apareceram bem no confronto contra o São Francisco. Como deixá-los de fora depois que o time finalmente mostrou sinais de entrosamento¿ Dilema que só o próprio Chamusca poderá resolver até domingo, visto que costuma divulgar a escalação momentos antes do jogo.
No estilo despachado de sempre, o remista Josué Teixeira abre os treinos à torcida e não faz mistério. Confirma a volta de Jaquinha, Tsunami e Edgar ao time do Remo para o clássico de domingo, válido pela 9ª rodada do Parazão. Eram as alterações previstas, com Tsunami substituindo a Marquinhos (suspenso) e Jaquinha assume a titularidade depois de algum tempo sem jogar.
Único invicto da competição, o Leão conserva o esquema 4-4-2 que vem utilizando desde a primeira rodada e que ganhou reforço de qualidade com a chegada de Eduardo Ramos há três rodadas. É o time que melhor pontuação no campeonato e que tem exibido um conjunto mais azeitado, o que talvez explique a sem-cerimônia de Josué em divulgar a escalação.
São situações próprias do clássico rei da Amazônia, capaz de levantar a torcida mesmo quando não há taça ou classificação em disputa.
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Show de Neymar e Paulinho no Centenário
Com números massacrantes de posse de bola (76% no primeiro tempo), o Brasil teve paciência, maturidade e sangue frio para reverter uma desvantagem inicial e partir para uma vitória sem retoques sobre o Uruguai, tradicional e sempre difícil adversário. A goleada começou a ser construída ainda no primeiro tempo, com a assistência de Neymar e o golaço de Paulinho, batendo de fora da área.
Não por coincidência, a jogada envolveu os dois principais nomes da noite. Paulinho, volante no papel, atuou adiantado e aparecendo sempre bem posicionado para concluir. Marcou três vezes e quase marcou outro gol, exibindo qualidades insuspeitas de atacante.
O dado mais significativo foi a demonstração de amadurecimento do time montado por Tite. Mesmo sofrendo um gol logo de cara, fazendo poucas finalizações, o Brasil foi se estruturando e avançando suas linhas, principalmente pelos lados, com Coutinho e Neymar, e fechando o cerco sobre o Uruguai.
O volume de posse de bola refletiu desde cedo a supremacia técnica da equipe canarinho, embora o Uruguai tenha chutado mais (6 a 1). Na etapa final, a rapidez na saída para o ataque e a facilidade no giro de jogadas desnortearam a marcação uruguaia.
Os gols foram saindo naturalmente – com direito a golaço de Neymar por cobertura – deixando a sensação de que cabia mais. Tite se deu ao luxo de coroar a grande atuação, que carimbou a vaga para a Copa de 2018, botando um time radicalmente ofensivo, mantido mesmo depois das substituições de Coutinho por William e de Firmino por Diego Souza.
Acima de tudo, o Brasil de Tite respeita e dignifica o legado de vitórias e bom futebol do país pentacampeão mundial. Que permaneça assim.
(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 24)
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