No clima do choque-rei

24 de março de 2017 at 0:31 15 comentários

POR GERSON NOGUEIRA

Como manda a tradição, o Re-Pa é o assunto dominante na cidade, dominando todas as rodas de conversa e provocando discussões apaixonadas entre as duas torcidas, além de despertar a preocupação das autoridades do sistema de segurança pelos riscos representados pelas gangues de baderneiros.

Curiosamente, o clássico não decide absolutamente nada, pois tanto Remo quanto Papão já estão garantidos nas semifinais do Parazão como primeiros colocados de suas chaves. Apesar disso, a expectativa é enorme, como sempre, turbinada pela centenária rivalidade.

E é aí que entram os estilos dos técnicos, ambos sob a mira de todos nos dias que antecedem o grande duelo. Na Curuzu, Marcelo Chamusca ganhou tranquilidade com a vitória obtida pelo “time B” em Santarém contra o São Francisco. Contestado por boa parte da torcida alviceleste, o treinador tem evitado os treinos abertos, apostando tudo na preparação dos titulares que não jogaram na terça-feira.

Por ironia, Chamusca ganhou alguns problemas para definir o time para o Re-Pa, depois que os suplentes Rodrigo Andrade, Will e Jonathan apareceram bem no confronto contra o São Francisco. Como deixá-los de fora depois que o time finalmente mostrou sinais de entrosamento¿ Dilema que só o próprio Chamusca poderá resolver até domingo, visto que costuma divulgar a escalação momentos antes do jogo.

No estilo despachado de sempre, o remista Josué Teixeira abre os treinos à torcida e não faz mistério. Confirma a volta de Jaquinha, Tsunami e Edgar ao time do Remo para o clássico de domingo, válido pela 9ª rodada do Parazão. Eram as alterações previstas, com Tsunami substituindo a Marquinhos (suspenso) e Jaquinha assume a titularidade depois de algum tempo sem jogar.

Único invicto da competição, o Leão conserva o esquema 4-4-2 que vem utilizando desde a primeira rodada e que ganhou reforço de qualidade com a chegada de Eduardo Ramos há três rodadas. É o time que melhor pontuação no campeonato e que tem exibido um conjunto mais azeitado, o que talvez explique a sem-cerimônia de Josué em divulgar a escalação.

São situações próprias do clássico rei da Amazônia, capaz de levantar a torcida mesmo quando não há taça ou classificação em disputa.

——————————————————

Show de Neymar e Paulinho no Centenário

Com números massacrantes de posse de bola (76% no primeiro tempo), o Brasil teve paciência, maturidade e sangue frio para reverter uma desvantagem inicial e partir para uma vitória sem retoques sobre o Uruguai, tradicional e sempre difícil adversário. A goleada começou a ser construída ainda no primeiro tempo, com a assistência de Neymar e o golaço de Paulinho, batendo de fora da área.

Não por coincidência, a jogada envolveu os dois principais nomes da noite. Paulinho, volante no papel, atuou adiantado e aparecendo sempre bem posicionado para concluir. Marcou três vezes e quase marcou outro gol, exibindo qualidades insuspeitas de atacante.

O dado mais significativo foi a demonstração de amadurecimento do time montado por Tite. Mesmo sofrendo um gol logo de cara, fazendo poucas finalizações, o Brasil foi se estruturando e avançando suas linhas, principalmente pelos lados, com Coutinho e Neymar, e fechando o cerco sobre o Uruguai.

O volume de posse de bola refletiu desde cedo a supremacia técnica da equipe canarinho, embora o Uruguai tenha chutado mais (6 a 1). Na etapa final, a rapidez na saída para o ataque e a facilidade no giro de jogadas desnortearam a marcação uruguaia.

Os gols foram saindo naturalmente – com direito a golaço de Neymar por cobertura – deixando a sensação de que cabia mais. Tite se deu ao luxo de coroar a grande atuação, que carimbou a vaga para a Copa de 2018, botando um time radicalmente ofensivo, mantido mesmo depois das substituições de Coutinho por William e de Firmino por Diego Souza.

Acima de tudo, o Brasil de Tite respeita e dignifica o legado de vitórias e bom futebol do país pentacampeão mundial. Que permaneça assim.

(Coluna publicada no Bola desta sexta-feira, 24)

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Rock na madrugada – Betles, We Can Work it Out Capa do Bola – sexta-feira, 24

15 Comentários Add your own

  • 1. Jorge Paz Amorim  |  24 de março de 2017 às 8:57

    Seria uma heresia chamuscada de insensatez considerar R. Andrade reserva de Capanema ou Wesley, mire-se o treinador do Papão no exemplo de Paulinho, ontem, pra aquilatar a diferença entre um volante dos tempos atuais, dos seguidores do inolvidável sampaulino Chicão, este paradigma de um estilo de jogo em extinção, felizmente.
    Quanto ao Jonnathan, este ano nada fez para tirar o sono do treinador por eventualmente não te-lo como titular. Aliás, Jonnathan e Leandro Cearense foram responsáveis diretos pela sensação que boa parte da torcida bicolor teve, de ver o time jogar o primeiro clássico com nove jogadores até a substituição de ambos, depois com dez pela expulsão de Andrade, de qualquer modo, sempre inferiorizado numericamente, até quando estava completo.
    Como torcedor do Papão, espero que esse 4-3-3 seja abandonado e que o time volte ao 4-4-2, talvez até com os três volantes Capanema, R. Andrade e Wesley com Diogo Oliveira mais adiantado. Na frente, Leandro Carvalho e Alfredo, deixando o Bergson pro segundo tempo, a depender de como esteja o jogo.
    Ah, o garoto Will seria uma boa no lugar de W. Simões, aliás, como tem sido até aqui, mais rápido tanto na transição para o ataque quanto na recomposição. Não sei se é isso que está sendo treinado, mas, pelo até aqui demonstrado, foi o que de mais eficiente o time mostrou.

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  • 2. lucilofilho  |  24 de março de 2017 às 9:08

    Foi um desempenho irrepreensível esse da seleção no jogo de ontem. Deus, por que o Tite não foi o treinador da seleção na Copa 2014?

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  • 3. celira  |  24 de março de 2017 às 9:15

    Eu, que era um ardo crítico de Paulinho na primeira convocação, até pela situação do jogador no clube que estava jogando, tenho que reconhecer que o volante, nas mãos de Tite, joga como nunca… Aquela mística de que a camisa amarela cai bem em alguns, vale para Paulinho quando treinado por Tite.

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  • 4. 09751  |  24 de março de 2017 às 9:17

    A seleção vai ser a campeã das eliminatórias, mas é bom lembrar que uma Copa do Mundo é bem mais difícil que uma eliminatória. No continente, nossa seleção já é a melhor.

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  • 5. blogdogersonnogueira  |  24 de março de 2017 às 9:58

    Certamente, amigo. De qualquer maneira, nota-se uma visível evolução, a partir da quantidade de alternativas ofensivas que o time apresenta e da habilidade de seus atacantes e armadores. Penso que essa equipe ainda evoluirá muito até 2018.

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  • 6. blogdogersonnogueira  |  24 de março de 2017 às 9:59

    Também calou minha boca, amigo Carlos. Significa que o jogador rende melhor sob a batuta de Tite.

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  • 7. Antonio Valentim  |  24 de março de 2017 às 10:06

    Não torço por seleção desde 1982.

    A direção de Tite vem me dar razão. Parece-me que, além de ser um ótimo treinador, ele não sofre interferência externa em seu trabalho. Ou seja, diferente de muitos, não se deixa levar por meros interesses comerciais. Muito dinheiro em jogo.

    Essa é a diferença.

    Já, se vai ganhar o mundial, isso já são outros quinhentos. Vide o exemplo de Telê.

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  • 8. miguelangelo1967  |  24 de março de 2017 às 18:53

    O jogo de domingo será apenas um amistoso de luxo pois os dois estão classificados para a semi-final. O resultado em si não influencia na colocação dos dois pois ambos serão os primeiros colocados dos seus grupos.
    A batata assando nas mãos do treinador Bicolor é que poderá dar a diferença na partida.
    O rival entra mais tranquilo e conhecedor do estilo do bom Treinador azulino poderá alcançar mais uma fácil vitória pois o Paysandu não tem esquema tático e mesmo chegando na reta final do campeonato ainda está em formação.
    Muita perca de tempo e prejuízos futuros.
    Mas eu foco na decisão em si, respeitando o adversário dá próxima fase, acredito que dará a dupla dá capital na decisão é aí sim uma derrota será a pá de cal para qualquer um dos lados, tendendo muito mais para o lado alviceleste.

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  • 9. miguelangelo1967  |  24 de março de 2017 às 18:58

    Ontem eu tive certeza de que não iria me arrepender de ver o jogo do Brasil, depois dá atuação madura de Neymar na Champions, tinha convicção de que chegou a hora do garoto e com ele dos jovens jogadores brasileiros.
    Graças a Tite, de longe o melhor técnico em atividade no país, sentia que o invencível Uruguai não suportaria a avalanche canarinha.
    Acredito que agora o torcedor brasileiro recuperou sua estima pela seleção e acredito que faremos bonito na Rússia. O título será consequência de um trabalho árduo somado a vontade de vencer destes garotos.

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  • 10. Nelio  |  24 de março de 2017 às 20:29

    Em relação ao REXPA, choque rei como diz o escriba, este palpiteiro tem a firme impressão que no domingo tudo voltará a normalidade no futebol de Belém, onde essa normalidade que me refiro é mais uma vitória bicolor como muitas que vem ocorrendo nesses 4 anos tornando o time do reminho um freguês de caderno. onde os números não me deixam mentir:
    2013- 6 jogos – 3 vitórias do reminho e 3 do Paysandu
    2014- 10 jogos- 1 vitória do reminho e 4 do Paysandu(era do treinador Bicola Junior, por isso os azulinos faziam beicinho de raiva contra o homem rsrsrs )
    2015 3 jogos- 2 vitórias do reminho e 3 do Paysandu
    2016 4 jogos zero vitória do reminho e 2 do Paysandu

    Total 12 vitórias do Paysandu conta 6 do reminho.

    Copa verde 6 jogos- 4 vitórias do Paysandu , 1 do reminho

    Nos REXPA das arquibancadas : credo!!!! é surra total com a Nação bicolor sempre em maior número nos últimos rexPA

    No domingo o freguês azulino levará mais um peia, acabará a empolgação, o VELHO Teixeira começara a ser contestado e os VELHOS problemas azulinos ressurgirão. quem viver verá KKAKAKAKAKkakakakakakakakakakakakakakakakakak

    Curtido por 1 pessoa

  • 11. Antonio Valentim  |  25 de março de 2017 às 11:21

    Menda os números da mega!

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  • 12. Antonio Valentim  |  25 de março de 2017 às 11:21

    Manda.

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  • 13. Luiz Fernando - Bicolor  |  25 de março de 2017 às 11:49

    Papão 2 x 0..

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  • 14. Alessandro  |  26 de março de 2017 às 14:27

    Nelio em 2014 com quase só jogadores do sub-20 a loba foi goleada de 4 única vitória do Maior do Norte foi impecável em 2015 Foram 5 clássicos 1 Torneio Copa Pan-Amazônia galera nada nos pênaltis 5 x 3 depois 2 vitórias pra cada lado Copa Verde e Paraense 2015 o mentiroso do Nelio falou quer a loba ganhou 3 kkkkkkkkk em 2016 o REMO não porque não quiz deixou a lobinho invicta só pra a carência deles de ficar 1 ano invicto contra o Remo todinho do Nelio kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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  • 15. Antonio Valentim  |  26 de março de 2017 às 20:23

    Adivinhão esse Nélio.
    Sqn

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