POR GERSON NOGUEIRA

O empate retratou fielmente o que os dois times mostraram em campo. Com marcação forte e melhor organização nos três setores, o Pinheirense fechou a passagem dos laterais e meias do Remo, impedindo que os azulinos tivessem a liberdade de movimentos vista contra o Cametá.

Com lentidão excessiva na saída, o Remo era sempre contido pelos meio-campistas do Pinheirense. Alexandre e Endy monopolizavam as jogadas, fechando espaços para Fininho e Flamel.

unnamedSem jogadas de qualidade e com o passe prejudicado na meia-cancha, o Remo se impacientava com a dificuldade para chegar ao gol. Edgar e Jayme corriam e se deslocavam, mas a bola não chegava até eles.

Depois de duas boas tentativas de Lucão e Biolay, que levaram muito perigo ao gol de André Luís, o Remo só teve sua primeira investida num chute isolado de Jayme aos 21 minutos. De fora da área, disparou um tiro forte, defendido em dois tempos pelo goleiro Paulo Wanzeller.

A situação piorou quando Marquinhos saiu, lesionado, e Josué Teixeira botou Val Barreto em campo. A intenção era clara: com o 4-3-3, o técnico buscava sair da armadilha de Junior Amorim, que posicionou Lineker e Daniel Papa-Léguas para atrapalhar a passagem de Léo Rosa e Jaquinha.

Com Barreto como homem de referência na área, Josué esperava desmontar a marcação. Isso acabou não acontecendo porque o Pinheirense continuou indo à frente e voltando rapidamente para recompor a zaga.

Confuso e pouco atento às falhas no interior da área adversária, o Remo se perdia em tentativas intermináveis de triangulação no meio. Nem Flamel, nem Fininho reeditaram o desempenho de domingo.

Depois do intervalo, Josué tirou Flamel e lançou Rodrigo, que se posicionou como um quarto atacante, mas o Remo continuou se embaraçando no bloqueio do Pinheirense. Nos primeiros minutos, Lucão e Biolay tiveram três boas chances, mas falharam nas finalizações.

O equilíbrio perdurou mesmo quando Alexandre foi expulso, deixando o Pinheirense mais retraído. Val Barreto foi pouquíssimo acionado no jogo aéreo e Edgar passou a ser mais vigiado pelo lado esquerdo. Sílvio, que substituiu Jayme, nada acrescentou.

Em cobrança de falta, aos 28 minutos, Fininho quase marcou. Foi um dos poucos momentos agudos proporcionados pelo ataque remista. No geral, a aplicada postura do Pinheirense prevalecia. Com presença forte em todos os setores, induzia os remistas a erros seguidos, segurando-se bem atrás.

No fim das contas, o empate exprimiu o equilíbrio reinante, embora o Pinheirense tenha sido mais intenso e organizado.

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Sócio Torcedor: uma jogada perigosa

As incertezas que rondam o programa Sócio Torcedor do Remo, que já eram sérias ao longo da recente campanha eleitoral, começam a dar lugar a uma realidade preocupante para as finanças do clube. Na contramão da tendência, que se ancora na receita dos programas de fidelização do torcedor, o Leão insiste na pauperização de seu programa – que, em 2015 e começo de 2016, chegou a ter cerca de 9 mil sócios adimplentes.

Os desacertos envolvendo débitos do clube na área trabalhista comprometeram a liquidez do programa, mas não podem se transformar em algozes de um mecanismo dos mais eficazes para captação de recursos no futebol profissional. Até o ressuscitado Bangu anuncia o lançamento de seu ST, “Partiu Bangu”, com mensalidade de R$ 29,00 e expectativa de captar pelo menos 5 mil sócios nos próximos dois anos.

No Remo, o anúncio oficial do novo gestor do programa, que já coordena o sistema de venda de ingressos, só amplia os receios quanto à sobrevivência do ST azulino. A lógica indica que os sistemas devem ser independentes e autônomos. A vinculação tende a enfraquecer o programa, pois o ingresso comum carreia mais lucro e movimenta mais dinheiro.

(Coluna publicada no Bola desta quinta-feira, 02)

11 responses to “General segura o Leão”

  1. Avatar de camiloferreira

    Bom dia Gerson e amigos. Sobre o jogo: vi um Pinheirense melhor posicionado em campo, jogando com paciência e sabedoria sobre os erros da equipe azulina. O que faltou no Remo? Um cabeça de área com toque refinado e boa visão de jogo, estilo Serginho, (lembram dele?), um jogador nesse estilo quebraria a estratégia do general pois daria cadência e ajudaria os meias azulinos a distribuir o jogo; Sobre o Nação Azul: eu daria cem reais mensais pro Remo se ele me desse uma ampla contraprestação como o acesso à um clube recreativo assim como a Assembleia Paraense, o Bancrevea, a Tuna e etc, mas dar cem reais o ano todo pra nao pagar ingresso em um ou outro jogo?! Só isso?! Um descontinho aqui ou outro ali?! Compreendo o posicionamento da diretoria quanto as finanças do clube mas e as do torcedor como é que ficam?!

  2. Avatar de camiloferreira

    E à título de conhecimento: o Whelton que não prestava pro Remo, que foi descartado pela diretoria e que foi pro Paços Ferreira, provavelmente vestirá a camisa do Sporting Lisboa. Pro Remo ele não prestava!!!!! Mais um caso de bom jogador que o Remo mandou embora e acabou alçando voos bem mais altos que o clube, exemplo cristalino de que o problema não é o santo de casa mas sim a falta de fé nele.

  3. Avatar de Antonio Valentim

    Paciência.

    Eu mesmo já dizia ontem que havia “sinal amarelo” para o Mais Querido.

  4. Avatar de Eric
    Eric

    Ser o Remo tivesse feito com Edgar e Rodrigo no último minuto tinha ganhou

  5. Avatar de Alessandro
    Alessandro

    Não vejo desespero faltou o Remo terminou calma pra ganhar o Jaime chutou e o Paulo Wanzeller quase engole um frango e a falta do Fininho quase sair o fôlego Fininho,Tsunami,Rodrigo ser treinarem mais cobrançasobre de faltas num jogo desse difícil acertando uma cobrança o Leão pode sair vencedor quando tiver um jogo assim vamos buscar os 3 ptsunami contra o São Raimundo

  6. Avatar de victorpalheta
    victorpalheta

    Achei um jogo bem estudado. O Junior Amourinho armou bem o time pra jogar compacto. Mesmo quando avançavam, a recomposição era rápida. Não deixaram os meias jogarem e aí acho que faltou elenco. Com a perda do Marquinhos, a mexida do Josué na teoria funcionaria muito bem, mas Val Barreto entrou muito mal, quando era pra fazer o pivô errou muito. Típico jogador de segundo tempo pra jogar com a bola enfiada sobre zagueiros cansados. E o problema de se colocar os 3 atacantes foi que nossos laterais não conseguiram jogar mais. Aí se perdeu poder de fogo do primeiro jogo que era o Edgar e o Léo Rosas. Depois, todas as substituições surtiram pouco efeito, sinal de um elenco muito limitado. O Pinheirense só baixou a guarda quando cansou, perdeu jogadores por câimbra, aí os jogadores do Remo já estavam agoniados o suficiente para não conseguir jogar com calma. Apesar de tudo, eu gostei das duas equipes. Este time do Remo é bem melhor do que aquele do Leston Jr. E com as peças certas vai dar caldo. Calma , Josué. Bora, Leão

    1. Avatar de blogdogersonnogueira
      blogdogersonnogueira

      Boa análise, amigo Victor.

  7. Avatar de Gleydson
    Gleydson

    Cadê os “baluartes” pra defender a idéia de jerico das “múmias” em acabar com o Sócio-Torcedor?
    Quero ver a desculpa de vocês.

  8. Avatar de Antonio Oliveira
    Antonio Oliveira

    O torcedor azulino que vem acompanhando mais de perto a situação do Clube, apesar de certamente ter ficado chateado, não se surpreendeu com o desempenho do time, nem com o resultado.

    Deveras, a situação econômica e financeira do Clube é complicadíssima o que se reflete no elenco, no time, e, depdendo do adversário, pode se refletir também no desempenho e no resultado.

    Ontem semelhantemente ao que ocorreu no jogo anterior, o setor de armação do time não começou bem o jogo. A diferença foi que o jogo foi se desenvolvendo, o tempo foi passando e eles não conseguiram melhorar o desempenho como acabaram conseguindo no jogo passado. Não se podendo olvidar que o General confirmou ser um time muito superior ao Mapará.

    De fato, em nenhum momento da partida a dupla de criadores conseguiu acionar com qualidade nem os laterais e nem os dois atacantes.

    E nem se diga que a marcação severa imposta pelo General foi a responsável por isso. Afinal, mesmo tendo sido uma marcação muito forte, mais forte do que aquela exercida pelo Mapará, o fato é que em várias oportunidades a dupla de criadores recebeu a bola livre e teve oportunidade de conectar passes de melhor qualidade.

    Mas, o que se viu foi o passe mal feito, defeituoso, que no mais das vezes era interceptado pelos defensores. Numa palavra, faltou inspiração para os meias conseguirem furar o bloqueio. Eles erraram jogadas que não costumam errar. Além disso, viu-se também uma certa timidez criativa, faltou mais inciativa, arriscar mais. A proatividade, a insistência, às vezes, destrava a perna e a criatividade. Mas, não foi o que se viu. Depois de um certo tempo de tentativas e erros, os criadores se limitaram às jogadas mais burocráticas.

    E num jogo assim, muito pegado, de marcação forte, se limitar aos burocráticos passes laterais é fazer tudo o que o adversário quer. Sem falar que é trabalho dos meias de armação encontrar soluções para acionar seus companheiros. E se não conseguem acionar, se não conseguem as soluções, é de se admitir que o trabalho não foi realizado a contento. Valendo lembrar que do mesmo mal padeceu o Rodrigo quando entrou.

    A verdade é que com a armação improdutiva não há como obter produtividade das peças de ataque que dela dependem. Tanto é verdade que no jogo inteiro o Edgar conseguiu uma três no máximo umas boas jogadas, sendo que a maioria delas foi resultante de trabalho que independeu da atividade criativa dos responsáveis pela articulação.

    Bom, expressa minha opinião sobre o principal fator limitante do melhor desempenho d time azulino, agora, é lembrar que o que há disponível para o Clube é este elenco. E que salvo a adoção de medidas que só venham a submergir o time em mais problemas financeiros, a saída é seguir treinando, estimulando e procurando desenvolver ao máximo o potencial que sabemos existir nestes atletas. Sabendo que é muito difícil, pois a cada jogo os adversários vão se condicionando melhor, mas não se desesperando a sair fazendo mais contratações de reforços duvidosos e dívidas com toda incerteza impagáveis.

    Demais disso não se pode esquecer que nada obstante as dificuldades criativas enfrentadas, e o consequente resultado desfavorável, o que não faltou foi empenho, entrega, disposição e vontade de conseguir um desempenho melhor, um melhor resultado, uma melhor sorte.

    Com efeito, é torcer que o treinador (que ontem buscou soluções, ousadas até) consiga não só extrair tudo o que exista melhor tecnicamente dos jogadores, como também manter e acender ainda mais a flama da disposição e entrega durante os jogos. Afinal, o campeonato só está começando.

  9. Avatar de Eliana
    Eliana

    Pelo menos não perdeu ainda está na zona de classificação e ser manter

  10. Avatar de Wanessa
    Wanessa

    Agora é buscar os 3 pts contra o Pantera

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