POR GERSON NOGUEIRA

Em comparação com o início da temporada de 2016, o Remo ensaia voos mais modestos, condizentes com os parcos recursos de que dispõe para a montagem do elenco profissional. Aos poucos, conforme cabe no orçamento, o elenco vai sendo montado. A ideia é alcançar uma mistura equilibrada de nomes experientes com jovens valores formados no próprio clube.

A saudável intenção de trabalhar com a garotada foi manifestada por Josué Teixeira logo ao ser apresentado. De cara, passou a desconfiança de que estava repetindo apenas um clichê bem ao gosto de quase todos os treinadores que chegam a Belém.

unnamedMas, por filosofia ou necessidade momentânea, ele está cumprindo o prometido. Para o amistoso de preparação com o Pinheirense, neste domingo no Mangueirão, o Remo terá quase a representação clássica da fórmula proposta pelo técnico.

Em meio a atletas mais conhecidos, como Fininho e Val Barreto, a escalação deverá contemplar uma razoável quantidade de atletas caseiros. Edcléber, Rodrigo, Tsunami, Sílvio e Roni são alguns dos que deverão ser observados no jogo, com chances de brigarem pela titularidade durante o Campeonato Estadual.

A estratégia de combinar a garotada com a turma mais rodada coincide com um momento particularmente sombrio para as finanças do clube, motivado pela enxurrada de reclamações trabalhistas apresentadas por ex-jogadores.

No total, as reivindicações atingem a soma de R$ 1,9 milhão. Óbvio que esse montante diz respeito ainda às pretensões dos reclamantes, devendo cair para menos da metade após os julgamentos. Ainda assim, é uma quantia considerável, principalmente porque o Remo não tem esse dinheiro para gastar, juntando-se a essas despesas as folhas salariais de dezembro e a dívida com os funcionários do clube.

Josué, que chegou a Belém antes da eleição no clube, teve um bom tempo para ver jogos da Segundinha de acesso ao Parazão, fez suas observações e trouxe na agenda o contato de atletas que se encaixam na política remista de baixo custo com o futebol. Houve espaço para acompanhar a meninada do Sub-20, onde se encantou com o lateral-direito Roni, um dos destaques da equipe.

A partir do talento de Roni, o Remo de Josué pode exibir uma cara surpreendentemente doméstica no Campeonato Paraense, desafiando os riscos naturais de uma competição cada vez mais equilibrada pela evolução dos emergentes – como o próprio Pinheirense, de Junior Amorim, adversário de hoje.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, a partir de 00h30, logo depois do Pânico, na RBATV. O convidado será Josué Teixeira, técnico do Remo, que será entrevistado por Giuseppe Tommaso e por este escriba de Baião.

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Trio português atravessa mar revolto

O rico e afamado futebol europeu não poupa gestões negligentes, deficitárias e arcaicas. O trio de ferro de Portugal – Benfica, Sporting e FC Porto – atravessa o que já é visto como o pior momento de sua história, com prejuízos que se acumulam a cada ano, endividamento excessivo, salários nas alturas e baixo nível técnicos dos times.

Reportagem assinada por André Dias, do site Finance Football, traça uma radiografia nada lisonjeira das grandes equipes lusitanas. O problema, segundo ele, começa pelo hábito de viver acima de suas possibilidades para tentar competir com os gigantes espanhóis, ingleses e italianos.

O momento é crítico e não se descarta o risco de falência dos clubes. Nem mesmo as rígidas normas estabelecidas pela Uefa quanto a gastos e controle orçamentário será capaz de salvar o trio.

O site Finance Football analisou os balanços de Benfica, FC Porto e Sporting na última década. O bom desempenho nos torneios europeus e as grandes receitas auferidas com venda de jogadores deixaram a falsa impressão de que tudo estava sob controle. Puro engano. Os analistas avaliam que os três grandes estão hoje com a corda no pescoço.

Porto surge como clube mais dependente do dinheiro das competições da Uefa. Apenas o Sporting conseguiu resultados financeiros positivos sem precisar da Uefa na última década. Já o tradicional Benfica, dono do maior programa sócio-torcedor do mundo (mais de 230 mil associados), tem suas contas tisnadas de vermelho sempre que perde as receitas oriundas das competições europeias.

Pela tabulação imposta pela Uefa, os clubes só conseguem permanecer sustentáveis se os salários não excederem 70% das receitas. Os gigantes portugueses até sabem disso, mas insistem em desafiar a regra.

Com isso, fica evidente o peso das transações de atletas com os clubes mais ricos do continente. Nem sempre, porém, a safra permite negócios rentáveis, o que redobra a necessidade de boas campanhas nos torneios da Uefa. Aí, então, uma bola fora ou um pênalti bobo pode representar um tremendo prejuízo nas contas e na imagem pública das três instituições.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 18)

2 responses to “Um desafio leonino”

  1. Avatar de Cláudio Columbia

    Novo contratado do Remo

  2. Avatar de Cláudio Columbia

    Remo que contratou também, o volante Elizeu,ex Treze-PB e o meia Marquinhos, ex Ceará – Esses, de Prima do blog

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