Ritmo de fim de feira

POR GERSON NOGUEIRA

Quem apostava que o Goiás seria o mais afetado pela alta temperatura do sábado à tarde, acabou se surpreendendo com o desgaste demonstrado pelos atletas do Papão. É verdade que o time só havia feito um jogo na faixa das 16h no Mangueirão – contra o Oeste, na segunda rodada – e era natural que sentisse os efeitos da canícula. O problema é que o time cansou cedo demais, ainda nos minutos finais da etapa inicial, nivelando-se ao adversário e perdendo qualquer esperança de buscar o desempate.

unnamedA partida valeu pela movimentação vista nos primeiros 45 minutos, quando o Papão deu a ilusão de que jogaria como das outras vezes, saindo com rapidez para o ataque e agredindo o adversário. Não foi bem o que ocorreu no desenrolar da partida, pois o Goiás também saía e ameaçava quando chegava à área com Walter, Rossi e Léo Gamalho, principalmente pelo lado esquerdo do Papão, em cima de João Lucas.

O penal sofrido (e convertido) por Leandro Cearense aos 16 minutos animou a torcida, mas o time não manteve a mesma intensidade. Emerson fez sensacional defesa em chute de Rossi e o Papão terminou por ser castigado nos instantes finais do período, com o gol de Davi em chute de fora da área. Logo em seguida, Gamalho quase ampliou.

No tempo final, o Papão sofreu para superar a falta de criatividade do meio-de-campo e ficou dependendo de disparos isolados de Tiago Luís. O confronto perdeu muito em qualidade na segunda parte, com os dois times visivelmente combalidos e sem forças para se arriscar no ataque.

A aposta de Dado na estreia de Cleyton não deu o resultado esperado, principalmente porque Tiago Luís já se mostrava exaurido para criar jogadas na frente. Talvez a melhor opção fosse Cleyton no lugar de um dos volantes (Recife ou Rodrigo), o que daria mais agressividade à equipe.

Em favor do técnico cabe observar que a substituição dos zagueiros Ratinho e Gualberto por contusão comprometeu seus planos para eventuais modificações táticas no decorrer do jogo.

No geral, atuação decepcionante do Papão, que podia ter tornado a caminhada final mais tranquila em caso de vitória. O Goiás, apesar de destaques individuais, não ofereceu tanta resistência e o empate decorreu principalmente das fragilidades bicolores.

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No Leão, vices se destacam na campanha

Em função do tema abordado na coluna de ontem, recebi várias mensagens de sócios, conselheiros e torcedores remistas, quase todos apreensivos com o clima de confrontação que se estabelece nesta eleição, mas também algumas previsões surpreendentes.

A mais interessante partiu de um velho cardeal remista, que confia na postura dos candidatos a vice das duas chapas para que a próxima gestão decole. Ricardo Ribeiro é o vice na chapa de Manoel Ribeiro e Marcos Lobato na de André Cavalcanti.

Segundo ele, ambos já demonstraram ter atitude e não parecem dispostos a fazer figuração, comportando-se passivamente. Qualquer que seja o eleito deve marcar presença na administração como nenhum outro vice-presidente recente fez. A conferir.

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Direto do blog

“Comemorar um ponto dentro de casa, nos mostra o quanto o Gato não tem ideia de onde ele está. Respeita a caixa d’água, rapá! Ao contrário de outras temporadas, temos um ‘matador’, Cléo. Mas, para mim, o problema maior está no comando da onzena. Há muito que a Tuna não acerta com um técnico que traga futuro. É torcer para o time azeitar na próxima 4ª feira, caso contrário a repitota está por vir.”

Harold Lisboa, tunante de boa cepa, cornetando a Águia Guerreira (que empatou com a Desportiva, 1 a 1) diretamente de seu refúgio no Japão

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Série A volta a ficar sob suspeita de arranjos

O Campeonato Brasileiro da Série A repete, em doses menos cavalares, o clima de suspeição geral vista em 2005, 2010 e no ano passado. A diferença é que, desta vez, o Corinthians não é o principal beneficiário dos erros de arbitragem. Em São Paulo, o árbitro Ricardo Marques ignorou penal claro de um zagueiro palmeirense, que daria o empate ao Sport. Jogadores pernambucanos saíram dizendo que tudo está desenhado para Palmeiras e Flamengo. Não deixam de ter boa dose de razão.

No Maracanã, com belíssima plateia, de quase 55 mil pagantes (renda superior a R$ 3,2 milhões), a arbitragem foi terrível. Apitador Anderson Daronco errou muito, assessorado à altura por bandeirinhas bastante distraídos. Um deles deixou de ver o escandaloso impedimento triplo no primeiro gol rubro-negro. Como o juiz era ruim, os times aproveitaram, a pancadaria correu solta e a bola foi quem mais apanhou.

(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 24) 

12 comentários em “Ritmo de fim de feira

  1. Alguém pode pensar que este adepto exilado. É louco. Mas não somente eu , mas, como todos os tunantes conhecedores dos velhos jambeiros do Chico Vasques tem o direito de estar aborrecido, com esse empate medonho e comemorado pelo Técnico Gato.
    Só pra remexer nos arquivos recentes, é bom lembrar que na temporada passada, esta mesma Desportiva enfiou 2-0 na Tuna, dentro do Souza.
    Aí aparece a esfarrapada desculpa de foi a estréia , o sol da manhã amazônica e depois nevasca… ora vai contar potoca na beira do cais e não enche.
    Escutei muito bem o que disse Valtinho. O técnico da Desportiva passado na casca do alho, tinha sob seu comando chutadores da base e outros semi- profissionais que obedeciam regiamente o organograma de batalha.
    Já do nosso lado, ao que parece, nem prancheta havia. Não fosse a equipe ter uns e outros chutadores com perfil de boa procedência , a bandinha sairia sem recolher nenhuma massa dos adeptos e como tal, não teria como enxugar uma geladas .
    A vida segue dura. Já na quarta, tem clássico . Tuna vs Belém. Vai falar que não sabe???!!

  2. No estádio, o alto falante dá a escalação da Águia e faz referência ao Formiga, cria da base cruzmaltina e futuro craque. Todavia, antes do término do primeiro tempo o futuroso Formiga foi sacado do time. Não sei se por contusão. Tomara, assim poderá ter outra oportunidade de corresponder a expectativa, já que ontem nada produziu de útil.
    Aliás, foi duro ver uma série de promessas que outrora embalaram a esperança do torcedor paraense, transformadas em dívidas com a vã crença na nossa base como a solução para importações no atacarejo, que tanta dor de cabeça causam.
    As divisões de base sempre serão o motor pra se formar grandes equipes, porém, não essa que atualmente contamos. Como diz o nosso caro Cláudio Colúmbia, sobra o aprendizado de malandragens, sassaricos, firulas, catimbas e outras mazelas, mas faltam os bons fundamentos que habilitam o jogador formar em uma equipe. Bom passe, aplicação tática, saber cabecear uma bola, conduzi-la, enfim, tudo aquilo que está na raiz da formação de um bom jogador, lamentavelmente por aqui parece não fazer parte do repertório do que é ensinado. Que saudades de mestres como Aloisio Brasil, Arleto Guedes e Miguel Cecim.

    1. Amorim, o problema maior foi a forma como ele foi excluído do jogo. Faltavam poucos minutos para o fim do 1º tempo, não havia necessidade de substituir o miúdo naquele momento. Bastava esperar o intervalo e pronto. Formiga não teve nenhuma culpa no resultado reverso.
      Foi uma atitude desrespeitosa para com uma jovem promessa da nossa formação e com o emblema que está abrindo portas para este senhor – estrangeiro- aos bons costumes praticados pelo Souza.

  3. O Leão está cheio de problemas e de difícil solução. Muitos nem são comentados, mas a coisa tá feia. Digo isso por acompanhar outros noticiários mais explícitos.

    1. Por explícito você certamente quer dizer “escandaloso” e/ou “sensacionalista”. Se é assim, siga a se alimentar dessas fontes. O blog não se presta (nem precisa) a isso, meu caro. Respeito é fundamental.

  4. O Papão terminou por ser castigado nos instantes finais do período.
    Frase mais que certa durante toda a temporada deste ano e incluo também, algumas exibições do ano passado sob a batuta de Dado Cavalcanti.

  5. Ontem assistindo o massacre do Bugre sobre o Elefante Branco do Rio Grande do Norte pensei que estava revendo Cuiabá 5 x 1 Azulino.
    O ABC não entrou em campo e o Bugre atropelou o Elefante sem dó e piedade.
    O placar de 6 x 0 foi pouco pela vontade de jogar e vencer do time de Campinas.

  6. Esses jogos são de fim de festa mesmo, ainda que o PSC não esteja literalmente salvo da degola.

    Dito isso, penso que o trabalho que Dado terá de fazer é motivacional, para mostrar ao jogadores que é preciso terminar bem o ano perante a torcida e os dirigentes.

  7. De fato, o espírito de fim de feira parece que traduz bem o estado de ânimo dos jogadores listrados. Parece que estão apenas administrando a permanência na série b.

    Para ver só a precariedade de opções oferecidas no pleito do Mais Querido: os candidatos a vice se destacando. Pior que seguindo a moda e a tendência, de repente, quem sabe, a escolha tenha que levar em conta o vice, provável gestor após a eleição.

    Bons tempos aqueles em que a Tuna existia efetivamente no cenário futebolístico paraense. Todo ano torço para que ela faça boa figura. Este ano não é diferente.

    Este ano o Corinthians apesar de vir reorganizando devagar o elenco e o tima, parece que ainda tem um pedaço bastante espinhoso para caminhar no aspecto financeiro em decorrência das aparentemente tenebrosas transações que envolveram a construção do Itaquerão. Nesse sentido, o próprio Juca Kfouri, cor in ti ano assumido, reconhece a complexidade do problema, o qual ele demonstra conhecer de há muito e a fundo.

  8. Foi o que deu a entender, meu caro liboaharold, Formiga esteve mais pra bode expiatório.Curioso que a mexida a trazer melhora pra Tuna foi a substituição do inútil Moisés pelo esforçado Wellington.
    Antônio, tocado por esse passado glorioso da Cruz de Malta é que me disponho a ir assistir seus jogos nessa e em segundinhas pretéritas, sempre na esperança de vê-la novamente na divisão principal.

  9. Jorge, por isso já de há muito eu acompanho a Lusa. Houve época em que cheguei até frequentá-la nas quadras, no estádio (inclusive nos jogos da categoria de base), e nas concorridas festas carnavalescas que promovia. O tempo em que mais frequentei foi aquele do Luiz Carlos do Boné e outros craques. Mas, antes, já admirava jogadores como Edson Cimento, Jorginho, Belterra dentre outros, inclusive porque também brilharam no Remo. Ultimamente tenho torcido mais à distância, mas a simpatia é a mesma.

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