33 comentários em “Palavras definitivas do Sr. Diretas

  1. O único problema é saber diferenciar protesto de baderna. Ao contrário dos protestos anti-Dilma, feito em sua maioria por pessoas de boa índole, de forma pacífica, os protestos dos lullo-petistas sempre vem influenciados por uma escória que prega violência, depredação, vandalismo, choque com a polícia, como forma de causar pânico e mal-estar pra sociedade, aliás o escroque do José Rainha já prometeu incentivar invasões de terras e outras coisas no campo. Essa é a diferença.

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  2. Tenho certeza que o se Senhor Diretas se vivo fosse (e, logicamente, não tivesse aderido ao poder político fisiologista e à malfeitoria econômico-eleitoral, como muitos dos que lutaram com ele pelas mesmas causas acabaram aderindo), por certo não deixaria para levantar só agora a sua bandeira, a sua voz, e o seu protesto contra as verdadeiras barbáries a que foi submetido o voto direto desde que a Constituição Cidadã foi promulgada. Ele viria reclamado/denunciado todo o santo dia a prática de golpismo, desde o dia 06/10/88 até hoje.

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  3. Penso que a hora, Gleydson e Antonio Oliveira, é de baixar as armas, incentivar a manifestação pacífica, porque não mais importa a cor da vestimenta que se usa, diria até que a hora, agora sim, de usar a cor amarela e branca (esta para simbolizar a paz), em nome do Brasil, creio que os movimentos, agora, mais do que nunca legítimos, com o lema de diretas já e Temer Jamais, seriam os mais apropriados para a volta da democracia no Brasil. Vamos juntos, incentivar nesse sentido para que a esperança não seja derrotada pelo medo.

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  4. Aládio, como já disse noutros post, não sou contra os movimentos. os protestos, as passeatas, as manifestações, tudo, enfim. Muito ao contrário, acho que já vêm até muito tarde.

    Meu comentários apenas combatem o modo como os impedidos abordam o impedimento querendo fazer crer que antes do impeachment o Brasil vivia num clima de plena e crescente democracia social, e que houve a tomada do poder por um grupo de idéias e ideais diametralmente opostos àquele de quem estava no poder anteriormente.

    Enfim, meus comentários só buscam lembrar que quem está hoje no poder, sempre esteve aí exercendo o mesmo poder há 13 anos passados e que o exercia com pleno conhecimento e aquiescência daqueles que ocuparam a cadeira presidencial no período.

    Deveras, quero que não fique esquecido que não houve mudança de dono no poder, nem da forma como o poder é exercido, o que trocou foi apenas o ocupante da cadeira.

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  5. Talvez, trate-se de toponomástica. É verdade que o PMDB foi coadjuvante nesses treze anos, mas é verdade, também, que pouco pôde fazer para impedir que os pobres fossem inseridos no orçamento da União de forma a não ser possível contingenciar esses recursos.
    É verdade, ainda, que o país saiu do mapa da fome, retirou da extrema pobreza 30 milhões de miseráveis e sem ser preciso campanhas que transferiam à sociedade essa tarefa governamental.
    Claro que são inegáveis os problemas poiíticos decorrentes do entulho autoritário que atravessou a transição para a democracia e faz do toma lá, dá cá o modus operandi das relações entre partidos situacionistas, todavia, alguns avanços foram conseguidos a partir de algumas exigências para preenchimento de cargo público, daí a revolta de salafrários da laia de Geddel Vieira Lima.
    Quanto aos de “boa índole”, citemos os casos do primo do governador paranaense, preso com as mãos ainda quentes por carregar um cartaz contra a corrupção, sendo ele mesmo um notório ladravaz que carregava nas costas um punhado de artigos do Código Penal; da agora ex-presidenta da Câmara do Distrito Federal, afastada pelos mesmos cometimentos, sem contar aqueles mais notáveis, que clamavam contra a corrupção enquanto deixavam suas digitais nos cofres públicos.
    Como no clássico ‘Fado Tropical’, de Chico Buarque e Rui Guerra, em que o sarcasmo dos versos desnuda como o vil colonizador mostrava-se arrependido após cometer toda sorte de vilipêndios contra o populacho, a ‘boa índole’ e as mãos leves são indissociáveis. O que absolve é a invocação de um bizarro direito divino, álibi secular de certas castas que imaginam ser nosso destino ser uma nação fadada a ser detentora do título de campeã da desigualdade social.

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  6. Gleydson, seja mais específico e enumere, em sua “”rilhante” análise sociológica, as pessoas “de bem” das “totalmente espontâneas” passeatas anti-Dilma e as “nefastas” pessoas das passeatas totalnente orquestradas” pelos vermelhos malvadões. Só falta dizer que professor, tal cono no Paraná, é “vagabundo” e merece ser tratado como tal… Sei. O pior cego é o que não quer ver.

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  7. Gleydson, seja mais específico e enumere, em sua “brilhante” análise sociológica sobre as passeatas, os grupos integrantes das “totalmente espontâneas” manifestações anti-Dilma e as “nefastas” pessoas e grupos integrantes das manifestações “totalmente orquestradas” pelos “vermelhos malvadões”. Só falta dizer que professor, tal como no Paraná, é “vagabundo” e merece ser tratado como tal pois faz manifestação via de regra cobtundente contra a caótica ordem… Sei. O pior cego é o que não quer ver e, pior ainda, com a cabeça encucada pelos fantasmas da Guerra-Fria.

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  8. Fado tropical… Esta é do tempo em que o canto buarqueano não conhecia perdão. Hoje ele já não ri seco, já se considera irmão dos empreiteiros donos da Construção e já não se importa com o Pivete nem com o jeito como o Guri chega lá. Enfim, tá pouco se importando se no final das contas quem é autuado, julgado, condenado e culpado pela situação é o malandro.

    Mas, como não se pode negar a beleza da música e muito menos a pertinência de tudo quanto ela diz, não posso me conter de compartilhar a produção de uma sumidade que se dissolveu enquanto o futuro continua sendo o passado.

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  9. Esse tinha uma retórica muito boa. Quem faz baderna em protestos deveria saber o que foi o movimento Diretas Já ou o que é protesto pacífico.

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  10. A verdade é que o poder nunca foi ocupado pelos pobres. Na realidade, pobre é, e sempre foi a escada para o poder. Com efeito, o tostão que se dedicou ao pobre, foi apenas o boi de piranha que se utilizou para que o trilhão dedicado à elite pudesse passar sossegado do outro lado do rio do segundo orçamento, aquele dedicado ao grande capital, aos rentistas e às elites. E isso, independentemente do nome que a propaganda política governamental tentou cunhar, não foi capaz de esconder a essência do que ocorria e o lugar para onde realmente corria o grosso do numerário. E prova disso é que passados os 13 anos os pobres continuaram pobres como eram ou ainda mais, os ricos continuaram ricos como eram ou ainda mais, tendo sobrado apenas as intermináveis prestações dos consignados e afins. Aliás, no tema consignado, é de lembrar outra prova. Falo do tostãozinho de cada operação consignada que era acrescentada em prol dos rentistas e agregados, resultando que da casquinha retirada de cada um resultou na que foi escalada por gente que nada tinha de pobre. E tudo isso com o conhecimento e aquiscência dos donos da cadeira.

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  11. Quanto ao Fado, este realmente é o que há. Pena que o cantor, nos últimos treze anos, mesmo as condições tendo sido as mesmíssimas de antes e de sempre, achou por bem abandonar a punhalada e passar a perdoar no seu canto aqueles empreiteiros donos da Construção com os quais se irmanou, multiplicando por – 1 o Baioque.

    Em homenagem àquele tempo, em que existia aquele cantor, se a moderação deixar, vai o link da canção:

    https://blogdogersonnogueira.com/2016/09/05/palavras-definitivas-do-sr-diretas/#comment-450453

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  12. O tostão, na verdade é meio trilhão de reais, gastos só com o programa Bolsa-Família. Claro que o PT não revogou o capitalismo por decreto, muito menos as leis do mercado por mera bravata. Cometeu vários erros, até o reino mineral sabe dessa obviedade, mas lançá-lo à mesma vala comum junto com a privataria, Collor Sarney é brigar com os fatos.
    De resto, escada, tostão, casquinha não passam de chavões ineficazes na avaliação da situação. Se não fosse assim, isto é, se todos fossem iguais, não haveria o golpe, mas respeito à democracia e espera pelas próximas eleições, principalmente pra quem está aliado à mídia e enfrentaria uma candidatura de um partido desgastado pelo tempo e pela ineficiência. SQN

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  13. Bom, quanto à vala comum, o que houve foi um autolançamento. E tal não constitui nenhuma discrepância fática. Muito pelo contrário. Aliás, há inúmeros registros destá afinidade de conduta entre os rubros graduados e estas figuras historicamente execradas pelos próprios rubros. O fatiamento do julgamento do impeachment é a demonstração rematada desta verdade. Menos pela manutenção dos direitos políticis da impedida, mas pelo objetIvo almejado quanto ao futuro dos confrades.

    Quanto aos erros, é preciso ter claro que qualquer partido pode cometê-los. Aliás, em muitos casos a própria Constituição é compreensiva com eles. Mas, no caso dos rubros, especialmente pelo que representaram para uma expressiva massa de brasileiros que nele acreditou e o colocou na cadeira presidencial depois de três sofridas tentativas, o emprego da terminologia erro, sem sombra de dúvida, representa autêntico eufemismo.

    A respeito dos chavões, não resta dúvida que o governo rubro era quem estava viciado no seu uso sem moderação na fantasia marqueteria na qual governou. Mas, enquanto a propaganda campeava, os Guaranis, por exemplo, seguiam seu destino de extinção sob as usinas bunlais, financiada pelo próprio bndes. Esta é a realidade. E há mais. Infelizmente, muito mais. Afinal, dos clichês das efemérides do consumerismo, ficaram apenas a perenidade das parcelas no consignado, das mortes nas filas dos hospitais, da prisão das drogas, do fisiologismo, dos currais, dos cabrestos, dos sarneys, dos malufs, dos silvas, dos calheiros, dos neves, dos cunhas, dos jefersons. Afinal, desgraçadamente, todos são iguais, sim.

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  14. Reintegração de posse é um termo fantástico, não tinha visto essa ainda. Gostei muito da sutil firmeza dessa afirmação… Valeu Aládio… No mais, neste final de semana, ficou muito claro que a atuação da polícia no manifesto popular, bem ao final e quando a população já se retirava de volta para casa, foi bastante oportuna para os golpistas. Sempre buscando marginalizar a esquerda, lançam a polícia contra os manifestantes para aparecer na TV como vândalos. Imagens que não correm na grande mídia mostram mães protegendo filhos, pessoas impedidas de voltar para casa e até atropelamento de um cidadão por uma viatura da polícia… Isso é também uma guerra de informação e de imagens, de violência simbólica e política. O que está em jogo são, como sempre estiveram, as riquezas nacionais. Os estrangeiros não se contentam em ter um governo servil, querem a posse das riquezas nacionais por meio das privatizações, o que só é mesmo possível pela privataria… Agora sim, as diferenças partidárias que porventura tenhamos são nada, diante dos perigos que o povo corre por obra e graça de uma quadrilha que usurpou o poder para lotear e vender o Brasil a preço de banana… Não sejamos mais uma república de bananas e vamos à lutas, companheiros!

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  15. Para quem é escravo da ‘factualidade’ midiática, talvez apenas isso conte, levando à crença da trucagem ao ver a prestação de contas rubra. Marina e Aécio padeceram do mesmo mal, resultado de uma postura que muito lembrava a alegoria da caverna, narrada por Platão.
    De resto, paro por aqui porque não pretendo fazer exegese do óbvio. Se fatos comprometeram a conduta política do PT nas tratativas com aliados que se faça a crítica. Agora, não sejamos cínicos e turrões ao condenar o todo. Atitude oposta seria ignorar um Congresso onde estão representadas 33 legendas, as consequências desse gesto todos sabem. Isto, sim, seria igualar todos ao comparar e constatar a falta de legado, o que hoje não é possível. A não ser para os que veem as coisas como Marina e Aécio viram.

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  16. Eu sei que existe a ‘factualidade midiática’. Dentre tantos, tenho dois exemplos de fatos criados artificialmente pela mídia chapa branca: (i) pobre doutor só depois do governo rubro; (II) a criação de uma nova classe média pelo governo dos últimos 13 anos.

    Mas, os muitos fatos sobre os quais me refiro não são produzidos na mídia. Dentre tantos, vejamos uns poucos exemplos esparsos: (i) quem faz campanha contra o genocídio dos Guaranis Kawiowás é o próprio partido rubro; (II) quem confessou que os balanços da Petrobras vinham sendo maquiados para superestimar o patrimônio da petrolífera e esconder a dilapidação que ocorria foi a própria presidente da empresa; (III) quem disse e provou que os banqueiros nunca ganharam tanto quanto ganharam no governo rubro foi o ex presidente antecessor imediato da presidente impedida; (IV) diante de todo o Brasil foi possível ver o desfecho de um acordão que após livrar a impedida de perder seus direitos políticos mira levar junto vários de seus aliados malfeitores de sempre garantindo-lhes também os direitos políticos.

    De resto, é dizer que sempre foi assim, quando expostos sem a fantasia com a qual o governo impedido e a turma rubra de um modo geral gosta de lhe vestir, os fatos sempre causam dois efeitos:1. fazem cessar os argumentos, mesmo dos mais articulados debatedores; 2. Desencadeiam uma exasperação verbal dirigida a quem aponta os fatos.

    Rematando, é observar que cinismo é dizer que é contra o genocídio dos indígenas, por um lado; e, por outro, financiar pelo bndes justamente a atividade empresarial causadora do genocídio. E todos os rubros e simpatizantes sabem disso. Os poucos que não sabem são os ingênuos úteis. Cinismo é o partido rubro dizer que defende a Petrobras, por um lado; e, por outro, é compactuar com a prática dos atos que dilapidam o patrimônio da empresa, mantendo os operadores que já dilapidavam o patrimônio da petrolífera nos governos anteriores e ainda nomeando outros para aumentar a dilapidação. E todos os rubros e simpatizantes sabem disso. E os poucos que não sabem são inocentes úteis. Cinismo é se dizer contra a privataria, mas prometer aos privatas que se eleitos vão manter os contratos através dos quais a privataria se realizou. É o que é pior, uma vez eleitos, cumprirem a promessa mantendo os contratos privatas.

    Agora, encerrando mesmo, vale dizer que o mais robusto legado do governo rubro foi o m i c h e l t e m e r com tudo de ruim que o ex vice pode representar para os brasileiros.

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  17. Perfeita análise Oliveira, muda a bandeira mas a pratica é a mesma, e quem sempre arca com o onus é o povo, e este esta cada dia mais pesado…

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  18. No entanto caro Oliveira, no entanto… A tal permissividade com que o PT teria atuado com a manutenção da roubalheira da Petrobras não é condizente com o leilão do campo de Carcará e a venda dos gasodutos do sudeste tão logo Temer assumiu e nomeou Pedro Parente. O PT, se uma vez comprometido com tal feito, já o teria feito antes e nada do que ocorreu com Dilma teria ocorrido, seria parte do conluio. É o mínimo de lógica que se espera de um interlocutor experimentado como você. Poder pelo poder, não haveria qualquer necessidade de retirar o PT da presidência por meio de um golpe de Estado para realizar essas maldades. Miriam Leitão está afirmando que as vaias a Temer são pelo que se supôs de errado que Dilma teria feito no exercício da presidência, e que não foi provado e, além do mais, a própria disposição em legalizar os mesmos atos de Dilma dois dias após esta ter sido definitivamente afastada por um senado de ladrões, dariam ares de legalidade à patranha realizada pelos golpistas investigados pela PF. Não deu. E toda sorte de proposta de “modernização” das leis trabalhistas não foi proposta petista, mas da oposição à Dilma. Logo, cinismo é nomear pessoas suspeitíssimas a cargos importantes da república, como para ministérios, secretarias e outros cargos estratégicos ao Estado, como para a presidência da Petrobras. O golpe é muito claro.

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  19. Amigo Lopes, o que eu vou lhe dizer agora, já lhe disse mais de uma vez em situações semelhantes: em linhas gerais, estou de acordo com tudo o que você escreveu neste seu mais recente comentário sobre a Petrobras, especialmente sobre o cinismo que desde sempre, inclusive nos últimos 13 anos, permeou as nomeações para cargos públicos, principalmente para os estratégicos.

    As objeções excepcionais acerca do que você comentou, nas circunstâncias do caso concreto, são pouco relevantes, máxime porque dizendo respeito à ligeiras divergências conceituais, não é oportuno, nesta ocasião, abrir debate por algo de tão reduzida monta.

    Todavia, diferentemente das outras vezes, vou me autorizar proferir só mais umas duas ou três palavras antes de encerrar.

    Pois bem, nada obstante eu não tenha absoluta certeza de que sejam negócios ruins estes envolvendo o Carcará e o Gasoduto, em princípio, me posiciono contrariamente às referidas transações, como de resto a qualquer outras que visem alienar o patrimônio nacional, assim tão de afogadilho, especialmente em área tão estratégica como esta.

    Todavia, desde o início (e até antes) desta confusão, repleta de perfídias e trairagens que turvaram a relação de cumplicidade que havia entre aqueles que até então eram parceiros de projetos e práticas, você nunca me leu aqui defendendo o temer. E minha expectativa é de que tão cedo não vá ler nada que eu escreva defendendo referido cidadão e seu governo.

    E digo isso porque o que ele já na condição de efetivo agora está fazendo sozinho, é só o arremate daquilo que ele já fazia em companhia da impedida e demais governistas. Enfim, tudo isso de que você tem reclamado que o agora efetivo está perpetrando está inserido no triste pacote que, como eu já escrevi antes, a impedida legou para o Brasil: temer presidente.

    Com efeito, mesmo estando longe de ostentar a experiência a que você se refere, tenho certeza que não está faltando lógica naquilo que tenho sustentado aqui. O que sustento agora, sustentei desde sempre. Tenho sido coerente. Posso até estar errado em muito daquilo em que acredito. Afinal, a verdade não tem dono. Mas, a realidade dos fatos até agora não me desmentiu. E, o que é melhor, o dia em que ocorrer tal desmentido, não ficarei brigando com os fatos, com as imagens, com a cena.

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  20. O pensamento positivo, caro Oliveira, não permite mesmo transigir com os fatos. E sendo o direito positivista, portanto concreto, objetivo e lógico, me faz pensar como é que você ainda tem alguma dúvida de se a negociação do campo de Carcará e a do Gasoduto podem ser maléficas ao país! É claro e evidente que os baixos preços negociados são fruto de negociações escusas! Negociações que não ocorreram durante o governo do PT, mas às escondidas e durante o desenrolar do golpe. Possivelmente financiaram o golpe até!… Sabemos que a lógica da privataria é sucatear para baratear. Mas, nesse caso, não há como esperar por esse barateamento e sucateamento, o prazo é curtíssimo e os negócios devem ser feitos rapidamente, entendeu? Por causa dessa espoliação tão rápida é que se entende os meandros pelos quais passaram os golpistas! Precisa desenhar? É por isso que sobre a Petrobras pesa a falsa informação de que não dá lucro. Não! Dá sim! E muito! A campanha sórdida contra a Petrobras tem a função de reduzir-lhe o valor, a tal ponto de causar impacto sobre receitas e desestabilizar a contabilidade… É uma perfídia o que ocorre com a nossa estatal do Petróleo, igual a que houve com Dilma. E você bem sabe que Temer foi a vice-presidente na chapa petista por sua suposta capacidade de articulação política e para garantir a tal governabilidade… ah, essas alianças políticas! Temer foi o articulador da ingovernabilidade! Deu o golpe! Como assim cansou de ser decorativo? Como, de uma hora para outra, queixou-se de ser coadjuvante? Se queria ser presidente, que se submetesse à eleição!… E isso ele jamais faria… Não tem história, nem votos, para vencer! Não dá pra afirmar, como você quer-nos fazer acreditar, que Temer é uma continuação de Dilma e do PT. Não, não é. E as mudanças radicais à direita são a prova de que o PMDB não é a continuidade do PT, e que o PMDB é mesmo um partido meramente oportunista, uma galinha da ditadura militar que põe ovos continuamente esperando pela próxima galinha golpista. O erro do PT foi chocar esse ovo!

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  21. Amigo Lopes, parabéns pelas suas certezas absolutas.

    Mas, todos nós temos o inalienável direito de ter nossa própria opinião.

    Ou, noutro falar, ninguém é obrigado a ter assim certezas tão absolutas como as suas.

    Ou o direito à individualidade não existe?

    Ou somos obrigados a pensar exatamente como os outros pensam?

    Ou a certeza absoluta de alguém sobre determinada coisa ou situação já confere a condição de verdade absoluta sobre esta coisa ou situação?

    Ou somos compelidos a pensar exatamente como os outros querem que pensemos?

    Ou não temos mais direito a refletir, a analisar, a avaliar?

    Não, amigo Lopes, por enquanto, pelo menos, você não precisa desenhar. E, no caso deste comentário mais recente, não precisa desenhar por dois motivos:

    (i) o que você quer desenhar é a sua certeza. Mas, a sua certeza, apesar de absoluta, não é obrigatória e necessariamente a verdade. É apenas a sua certeza, baseada na sua opinião, a qual apesar de respeitável, não é mais do que a sua opinião. E a sua opinião eu já conheço muito bem.

    (ii) o desenho de sua certeza ainda é um tanto irrefletido e contraditório. Afinal, você diz que a venda do Carcará e do Gasoduto está atrelada à lógica do sucateamento e da consequente desvalorização e que o partido rubro nada tem a ver com isso.

    Acontece que a petrolífera está sim em enormes dificuldades, eis que teve acentuada a dilapidação de seu patrimônio nestes últimos 13 anos, situação esta que além de confessada de viva voz, tanto pela presidente impedida, quanto pela presidente da própria companhia, também foi atestada formal e expressamente num recente balanço, cuja publicação experimentou atraso nunca visto para corrigir as maquiagens que vinham sendo feitas ano após ano.

    Numa palavra, se era só de um pretexto desta natureza que precisavam o agora efetivo (e seus asseclas), a impedida (e seus asseclas), participaram sim, e muito, na geração do pretexto necessário para passar o verniz do qual a negociação precisava.

    Quanto ao mais, podes crer firme, nem passa pela minha cabeça qualquer pretensão de fazer quem quer que seja acreditar naquilo que eu próprio acredito.

    Eu apenas compartilho minha opinião. Ela é calcada em fatos, em indícios, em evidências e até em provas, mas é só minha opinião. “Não precisa ninguém me acompanhar”. Cada um acredita no que (e em quem), acha melhor acreditar. Eu acredito que o efetivo é mesmo um dos vários deletérios legados deixados pela impedida.

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  22. Caro Oliveira, por favor, entenda que toda opinião é pessoal. E que será defendida sempre com paixão por qualquer um. Não se trata de certezas absolutas ou de crenças, mas de convencermos uns aos outros de nossos argumentos. Caso você não tenha percebido, o que estamos fazendo com isso é política. Ainda que não seja em palanque ou em debates na TV… Mas eu mesmo já toquei aqui no assunto de como se avaliam ativos de empresas e o valor de mercado delas. Vamos ao exemplo da soja para ilustrar que além do valor da fazenda como imóvel rural soma-se o potencial de produção de soja para chegar ao valor dos ativos da empresa, entre outras coisas a serem contabilizadas. Por exemplo, suponha uma fazenda de dez mil hectares e que o hectare valha algo em torno de cinco mil reais. A fazenda, somente como imóvel rural, pode ser avaliada em cinquenta milhões de reais. Agora, considerando que cada hectare pode produzir cerca de 2,5 ton de soja e que essa tonelada vale uns R$ 1.200,00, o potencial de geração de receita é algo como 2,5 ton x 10.000 ha = 25.000 ton de soja, o que resulta a fantástica arrecadação de 30 milhões de reais na suposta colheita. Esses 30 milhões a serem plantados ainda são tratados como ativos da empresa. Os 50 milhões do imóvel rural e os 30 milhões de potencial de produção perfazem 80 milhões somados ao valor de mercado da empresa. Agora repare que o valor da soja varia com o tempo, resultando que o valor da empresa também sobe e desce com o tempo. Com o petróleo é igual. O valor do barril do petróleo é incorporado ao valor das reservas que ainda nem foram exploradas tal e qual o da soja que ainda não foi colhida está agregada à empresa do agronegócio. O valor do barril de petróleo caiu de fantásticos mais US$ 100 para algo em torno de US$ 30! Quaisquer empresas que veem seus ativos despencarem nessa medida terão dificuldades financeiras, mas mesmo as dificuldades financeiras podem ser apenas relativas e não representar a bancarrota. É o caso da Petrobras. E querem que acreditemos que a Petrobras está prestes a quebrar por causa da roubalheira (que houve) porque só desse modo é que se conseguirá o apoio ao projeto de privatização da companhia ou entrega dos campos aos estrangeiros. Esta certeza que apresento a você não está baseada em paixão partidária, mas em análise de indicadores de produção e de política. A Petrobras é uma empresa forte e não vai quebrar por culpa de Lula e Dilma… Vai somente desaparecer por obra e graça dos vendilhões da privataria…

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  23. Amigo Lopes, se não se trata de certeza absoluta, parabéns redobrados.

    Mas, reitero: de minha parte, não tenho nenhuma pretensão persuasiva quando expresso minha opinião.

    À propósito, faço referência à subjetividade que é inerente à qualquer opinião porque muita vez este aspecto parece que é esquecido em debates desta natureza, e os termos do que se alega persuasão já desborda para a imposição.

    Quanto à Petrobras trata de instituição muito grande para que uma ou duas pessoas sozinhas possam levá-la á falência, por mais incompetentes ou mal intencionados que possam ser.

    Por isso eu não falei em falência e nem em culpa exclusiva da impedida e de seu antecessor.

    O que eu falei foi que os dois, com a gestão comprovadamente permissiva e prejudicial que fizeram, contribuíram é muito para a alienação dos dois ativos quando deixaram que permanecessem os antigos sucateadores da empresa e ainda nomearam outros.

    Noutras palavras, participam diretamente da ação dos vendilhões quando lhes fornecem o pretexto.

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  24. Do meu lado, e é claro que tenho um lado, não nego isso, e é importante que percebam que sou de esquerda, pretendo sim mostrar aos demais que aqui debatem democraticamente que a política tem dois lados, a saber, não um honesto e outro corrupto, mas a esquerda e a direita. A política per si não teria corruptos. Não teria, embora os tenha de fato, e refiro-me logo a conceitos éticos que não é necessário retoma-los aqui e agora. Outro dia vi no facebook uma foto de uma placa que estampava uma mensagem mais ou menos assim: “o político não se torna ladrão por causa do voto, mas o voto é que transforma o ladrão em político”. É um ótimo resumo da responsabilidade do eleitor, que não dá a mínima para ela.

    A convicção de esquerda de que os políticos em si devem ser vigiados de perto pelo eleitor é um fundamento teórico natural do marxismo, o que não ocorre com o liberalismo da direita, e isso é uma falha monumental. A visão de Adam Smith sobre a liberdade para produzir e competir na economia não prevê ataques monetários e bolhas especulativas, cartéis, trustes, corrupção na política… É uma teoria do individualismo e do egoísmo e não passa do alcance que uma teoria assim poderia ter, o indivíduo ou a relação econômica entre dois indivíduos. Não digo que não funcione, pois funciona, mas num espectro limitadíssimo como uma teoria econômica do individualismo e egoísmo poderia ter. E isso porque a visão de Smith reduz o humanismo à essa relação clientelista…

    Não encontraremos juntos à militância de esquerda concordância absoluta dessa aliança com o PMDB, mas foi a forma de chegar ao poder e gerar as transformações dos últimos 13 anos que gerou o afastamento da militância, mão o desaparecimento dela… Assim, os demais saberão os fundamentos das minhas colocações e da defesa da esquerda, supondo que saibam o que seja esquerda e, se não souberem, explico também o que é a esquerda…

    A queda de Dilma, pelas ações neoliberais de Temer, é resultante de um golpe de estado e não uma consequência do que ela teria feito de certo ou errado na presidência, o que se comprova na mais absoluta falta de provas contra ela e na vontade de não permitir o mesmo destino a Temer, quando revalidou o mesmo procedimento utilizado por Dilma, as tais pedaladas fiscais, para não ser cassado. Mas há mais pelo que possa cair do que esses ardis sem provas que os ora aliados usuram contra Dilma. É que Temer sabe que nada disso pode ser considerado crime nem contra si, nem deveria ter sido contra Dilma. Ela sofreu um golpe e, junto com ela, o povo.

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  25. Bom, quando alguém se dispõe a debater alguma coisa, obrigatoriamente vai ter de mostrar algo, defender uma posição, tomar um partido, assumir um lado, um dos vários lados que a questão possa oferecer. Não posso me escusar desta natural imposição do debate. Também mostro minhas posições, mas sem pretender que prevaleçam, que sejam adotadas, acompanhadas etc.

    Quanto a “subir a marcação aos políticos”, é ideia que deve ser praticada efetivamente. Todavia, é preciso convir que a esmagadora maioria dos eleitores, mesmo os mais esclarecidos, jogam e deixam o político jogar, exercendo só, e de tempos em tempos, aquela “básica marcação por zona eleitoral”.

    Deveras, no mais das vezes, mesmo os atos mais incompatíveis com o programa, com o discurso, e com o próprio histórico do político, não merecem a repulsa, e quando chegam a merecer, são aquelas muito breves, muito suaves, muito protocolares. Muita vez não passam de breves referências genéricas, em que prevalecem a indulgência e a minimização e até mesmo a legitimação sob os mais diversos argumentos.

    Quanto à impedida, respeitando sua opinião, é preciso lembrar que quem deliberadamente atraiu o traíra para perto de si foi ela própria. E fez isso sabendo quem ele era, e do que ele é capaz. Que as pedaladas e os decretos sem número, são só o mínimo do que ela pode ser acusada. Há mais, muito mais. E que mesmo este mínimo restou provado. E este mínimo, que comprovadamente ocorreu, pode até não constituir crime de responsabilidade (na minha opinião não constitui) mas que não é legal, isso não é. Aliás, o próprio integrante do MPF, em Brasília, tão lembrado pela defesa da impedida, chegou a declarar expressamente a ilegalidade das pedaladas.

    Finalmente, sobre o alegado golpe, com o mesmo respeito a sua opinião, não me parece que seja o caso de ter ocorrido. Há vários motivos a respaldar minha opinião, por enquanto, deixo um: o acórdão que garantiu os direitos políticos da impedida, com declarada aquiescência dela, prova que houve apenas uma troca do ocupante da cadeira presidencial em decorrência de desentendimentos passageiros entre os verdadeiros e seculares detentores do poder. E ela que resistiu às mais atrozes torturas físicas na época do verdadeiro golpe (o militar), agora fingiu ter sucumbido à alegada necessidade de uma aposentadoria mais substanciosa.

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  26. CartaCapital
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    Política

    Entrevista – Luiz Felipe de Alencastro

    “Impeachment teve aparência de legalidade, mas substância é grotesca”

    Historiador vê derrubada de Dilma como alteração da estabilidade democrática e critica a estratégia do campo progressista
    por Ingrid Matuoka — publicado 09/09/2016 12h48

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    José Cruz / Agência Brasil
    Dilma e Temer
    Dilma e Temer durante a cerimônia de posse do segundo mandato

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    Em um artigo publicado em 2009, antes das eleições que fizeram de Dilma Rousseff a sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva, o historiador Luiz Felipe de Alencastro afirmou que a petista poderia tornar-se refém de Michel Temer, seu vice. “A aliança PT-PMDB pode se tornar desastrosa num governo Dilma em que Michel Temer venha a ocupar o cargo de vice-presidente”, escreveu o hoje professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

    Alencastro via um descompasso entre Dilma, que nunca tinha concorrido a cargo algum, e Temer, que “maneja todas as alavancas do Congresso e da máquina partidária peemedebista”.

    Sete anos depois, o impeachment da petista confirma as análises e observações de Alencastro. Para o historiador, a falta de habilidade de Dilma está na raiz da crise política brasileira, mas o sistema político-eleitoral também. Nesta entrevista, ele defende reformas nesse sistema e alerta contra os riscos da convocação de novas eleições presidenciais.

    CartaCapital: No artigo de 2009 publicado na Folha, o senhor afirmou que “a aliança PT-PMDB pode se tornar desastrosa num governo Dilma em que Michel Temer venha a ocupar o cargo de vice-presidente”. À época, o que levou a essa conclusão?

    LFA: O presidencialismo brasileiro é franco-americano, porque tem a figura do vice no modelo dos Estados Unidos e os dois turnos típicos da França, mas nenhum outro país no mundo combina as duas coisas, o que resulta em um vice com dois turnos. Eu uso a metáfora de que o vice, no Brasil, é a bananeira que já deu cacho no primeiro turno.

    Além dessa combinação peculiar, unir Michel Temer a Dilma Rousseff era pedir para dar errado, na minha visão e na de várias outras pessoas com quem conversei.

    Dilma nunca tinha disputado nenhuma eleição, e o que é pior, nunca tinha perdido nenhuma eleição. Um político cresce quando perde, se reconstrói, e é obrigado a examinar os erros.

    E antes mesmo de ser escolhido como vice, Temer já dava palpites, o que é de uma extrema indelicadeza, para dizer o mínimo. Isso mostrava como era diferente dos vices anteriores. Marco Maciel, de Fernando Henrique, entrou mudo e saiu calado. José Alencar foi discreto e tinha uma fidelidade absoluta a Lula. Não é o caso de Temer.

    CC: O impeachment de Dilma, sete anos depois, confirma essa visão?

    LFA: Ninguém acha graça em ver se realizar uma previsão indesejada. Mas a coisa se degradou muito rapidamente. A inapetência política de Dilma é um dos grandes fatores responsáveis por essa crise, além da corrupção que houve em certas esferas do PT e o descolamento da cúpula do partido com o eleitorado.

    No início do segundo mandato, ela sumiu do cenário político. Entre outubro e janeiro não há um ato ou encontro político relevante. Ela tinha acabado de ser reeleita com a menor diferença de voto da história e havia muita expectativa.

    Fazia parte de sua função governar com o Congresso que foi eleito, ainda que haja puxadores de votos, mas a política é assim. Ninguém disse que ela teria o Congresso a seus pés, mas ela não podia deixar de receber políticos e perder o contato com a realidade do país e do contexto internacional.

    Essa perda de noção decorre muito do isolamento do poder em Brasília, tanto geográfico, quanto da falta de opinião pública local, e isso acontece no Palácio do Planalto e com os parlamentares que acham que a vida é o que está ocorrendo no Congresso.

    Temer é exemplo disso quando afirma que são só quarenta pedindo sua saída. Ele também é um analfabeto político, mas de outra espécie: muito hábil como parlamentar, mas incapaz de sentir o pulso do país. É um orador obsoleto com a retórica de centro estudantil de 1950 e um péssimo político no sentido de apelo ao voto.

    CC: A deposição de Dilma indica uma fragilidade na eleição conjunta para presidente e vice?

    LFA: É um problema, sem dúvidas, mas o que fechou a catástrofe foi a caducidade da Lei do Impeachment. Ela tem 66 anos, e depois do impeachment de Fernando Collor ficou claro que ela é problemática.

    Com setenta artigos podem-se criar pretextos de todos os tipos para derrubar um presidente. E tem coisas inteiramente anacrônicas nela, falando de perigo da pátria e de incentivar o ódio contra as Forças Armadas. Eles podiam ter montado o impeachment a pretexto de que a Comissão da Verdade estava incitando ódio contra as Forças Armadas, por exemplo.

    Durante esse tempo todo nenhum ministro da Justiça se preocupou em discuti-la, o que mostra que toda assessoria parlamentar jurídica dos presidentes do Executivo é extremamente imprudente e sem noção da necessidade, também para a democracia, de ter regras constitucionais claras, ou ao menos uma jurisprudência, para não descarregar tudo na mão do Supremo. O Legislativo omitiu-se também nesse caso. Assim, o Supremo teve de improvisar com o que tinha na mão e revalidou essa lei de 1950. Ela era uma bomba-relógio.

    Manifestação
    Parte da população pede novas eleições. Alencastro discorda (Foto: Roberto Parizotti/ CUT)
    CC: A figura do vice-presidente ainda deveria existir?

    LFA: É uma boa questão, porque na França não tem. Morre o presidente da República ou ocorre um impeachment, o presidente do Senado assume provisoriamente e convoca nova eleição. Não é difícil fazer uma eleição no Brasil de hoje. Antes, levava seis meses, agora se pode fazer em até três. É o caso de se perguntar a necessidade de um posto de vice-presidente, até porque só vale para os dois primeiros anos do mandato, senão há eleição indireta no Congresso.

    CC: Do ponto de vista histórico, a crise atual é comparável a alguma outra do passado recente brasileiro?

    LFA: Não, porque é uma crise derrapante, não é uma crise de ruptura. Pode ser que pare, pode ser que se aprofunde. Há essa interrogação porque o impeachment teve aparência de legalidade, de solução, mas a substância é grotesca. O Senado, ao condenar e não dar a pena correspondente ao crime, evidencia o golpe parlamentar. Acho que agora é possível dizer isso inclusive juridicamente.

    Mas não é uma ameaça de golpe de Estado como em 1954, não é um golpe de Estado perpetrado pela metade como em 1961, e não é um golpe total como foi em 1964.

    Não é um ato de força militar, é um ato de força parlamentar, e não se pode admitir que um Congresso seja parlamentarista.

    Trata-se de uma alteração da estabilidade democrática grave, e precisamos acompanhar para que não haja desdobramentos, como ameaças a garantias individuais e coletivas.

    CC: Muitos analistas pontificam o fim do que ganhou o nome de “presidencialismo de coalizão”. O senhor concorda com esse diagnóstico?

    LFA: Chegou ao fundo do poço, mas não se esgotou, e não dá para esperar que venha qualquer coisa nova. O processo de dois turnos deveria ter corrigido um pouco isso, mas não foi o caso, porque o sistema eleitoral de lista aberta, sobretudo na Câmara, é altamente desestabilizador. Cria casos como o de agora, em que uma vereadora [Alyne Zolin, de São Paulo] assumiu com um voto, e que nem foi o dela própria.

    CC: Na sua visão, quais as reformas mais urgentes no sistema político-partidário?

    LFA: Tem que instituir a cláusula de barreira dos pequenos partidos, que o Supremo derrubou. Aliás, o Supremo vive deitando regras sobre o que deveria ou não ser feito, mesmo depois da aprovação no Congresso.

    Em seguida, a quantidade de partidos precisa ser revista. Os Estados Unidos e a Espanha têm muitos partidos, mas eles são regionais, não há necessidade de que sejam nacionais. Pode haver um partido no Sul que tenha impacto nas eleições locais e que faça alianças, e isso não ameaça a Federação.

    CC: Em abril, em uma entrevista (para a GloboNews), o senhor classificou a proposta de novas eleições (a não ser por decisão do TSE de cassar a chapa Dilma-Temer) como ruim, por trazer uma nova ruptura constitucional. Ainda acha isso?

    LFA: Eu sou contra. A irrupção de um novo prazo para eleição é mais um elemento de instabilidade constitucional. Além disso, tem dois subtextos no pedido de nova eleição, sobretudo quando ela foi proposta por Dilma.

    Ela pedir nova eleição é dizer que quem achava que ela não tinha condição de cumprir esse mandato até o fim tinha razão. O segundo subtexto é acreditar que Temer vai estar de acordo, porque é preciso que ele esteja. Isso ilustra bastante a confusão mental que o PT e a esquerda estão vivendo.

    O Rui Falcão, há quinze dias, disse que era contra eleições por causa do momento em que elas ocorreriam, que não há condições. Ele achava que se deveria arregimentar força para a próxima eleição, se concentrar na disputa municipal para mobilizar forças. Mas agora ele propõe Diretas-Já. As razões que ele deu antes não são mais válidas? Então ele tem que explicar, dizer que se enganou, mas nem isso ele se dá ao trabalho.

    O outro argumento, notadamente avançado pelo [líder do MST, João Pedro] Stedile, é de eleger uma constituinte exclusiva, e eu acho um absurdo. A relação de forças é totalmente desfavorável para a esquerda, e os movimentos sociais estão desarticulados.

    Isso elegeria uma constituinte ultraconservadora, que poderia fazer o que bem entendesse, desde acabar com a CLT a voltar com a monarquia. É um tiro no pé horrível para o setor progressista brasileiro.

    CC: A nova oposição parece se organizar ao redor dessa proposta. Acha que é um erro de estratégia?

    LFA: Eu acho que é um tipo de inconsciência total. É não ver o que se chama relação de força, e nessa relação a esquerda toda está na defensiva.

    CC: Qual o peso das eleições municipais para a disputa política no Brasil?

    LFA: Há uma dinâmica de eleição municipal em São Paulo que vem desde o século XVII, das oligarquias de poder, mas agora também é um momento em que São Paulo tem um papel nacional, é uma primária da eleição presidencial. Se o PT perder, vai para o fundo do poço. Se o PSDB ganhar, ele, como existe, acaba, porque vai haver um racha.

    registrado em: Luiz Felipe de Alencastro Impeachment Dilma Rousseff Michel Temer PT PMDB Presidencialismo Congresso

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  27. Pois é, caro Oliveira, a opinião de Alencastro é a opinião dele. Ele talvez tivesse previsto aquele desfecho para o primeiro mandato e, ao segundo, o contexto já era um pouco diferente… A análise de acerto ficou um pouco prejudicada porque a oportunidade não veio exatamente dessa inabilidade política de Dilma, mas de uma tremenda “má vontade” direitista e midiática pré-existente. Dilma não esteve sozinha na presidência e o PT não pode ser considerado exatamente um partido inexperiente em política. O PT, talvez influenciado pela fidelidade e colaboração de José Alencar, confiou que o PMDB estivesse mesmo disposto a contribuir com o estilo progressista do PT na presidência. Temer sempre esteve a espreita e qualquer serviço de inteligência ligado à presidência falharia em avisar os movimentos políticos dos aliados. E a oportunidade do golpe veio porque dois grupos de elite diretamente afetados pelas políticas petistas uniram-se. A mídia, pela queda de verbas de publicidade, e a classe de políticos, pela insistência da investigação da lava-jato. É algo incompreensível como um matuto como o Skaf e um farsante como o Paulinho da Força, estejam reclamando exatamente da geração de empregos e de economia estagnada. Um industrial sem indústria e um sindicalista que não defende trabalhador. O resto é a velha influência política sobre os nomes do judiciário e do MP, como ficou muitíssimo claro pela nomeação de um aliado de Aécio por Janot. A mídia sempre esteve disposta a atacar o PT, e embalando o golpe, faltava quem quisesse dar o golpe… Uma vez que se encontraram, deram início à trama…

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  28. Isso, é a opinião dele. Mas, eu coloquei aqui porque, se não estou enganado, encontrei nela elementos tanto da sua, quanto da minha opinião.

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