POR GERSON NOGUEIRA
Depois de três tropeços no Mangueirão, o Remo finalmente fez sua torcida comemorar uma vitória – e jogando bem. Marcou 2 a 0, mas teve condição de aplicar uma goleada, tal a quantidade de chances criadas nos dois tempos. Sem dúvida, foi a melhor apresentação azulina na Série C e contra o adversário mais temido da chave.
Com Héricles ao lado de Eduardo Ramos no primeiro tempo, o time foi ousado e agudo em várias ocasiões. Pecava no penúltimo passe, por afobação e até certo nervosismo do jovem meia. Acuado em seu campo, o Fortaleza só se defendia com chutões.
O gol nasceu de um cruzamento da esquerda, bem aproveitado por Eduardo Ramos no segundo pau. Antes e depois disso, os atacantes poderiam ter feito mais gols. O Remo recuperava sempre a bola em seu campo e partia para sufocar o visitante. No meio, os volantes Yuri e Michel impediam as tentativas de saída do Fortaleza pelo meio.
Ciro, Edno, Ramos e Levy trocavam passes, invertiam o posicionamento e confundiam a marcação. Pela primeira vez, o Remo pareceu consciente de sua própria força e valorizava a posse de bola. Para isso, contribuía muito a presença de Wellington Saci pela esquerda, que se tornou ainda mais positiva com a entrada de Marcinho (substituiu a Héricles).
O segundo gol teve participação direta do meia, que recebeu a bola junto à pequena área e tocou recuado para Edno finalizar sem chance para Ricardo Berna. O placar foi ampliado no momento certo, pois o Fortaleza havia reforçado o ataque e já ameaçava criar problemas em investidas pelos lados.
A vitória, convincente e incontestável, dará tranquilidade ao técnico Waldemar Lemos para trabalhar e experimentar peças que andavam esquecidas no elenco. É o caso de Marcinho, que raramente entrava no time e que ontem justificou plenamente sua escalação.
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Com gana e sem CR7, lusos conquistam a Europa
O futebol tem suas próprias leis e é dado a caprichos. De vez em quando, costuma frustrar expectativas. Portugal conquistou a Eurocopa sem ser o melhor time da competição, mas com o mérito de haver superado todos os obstáculos com gana e excepcional força mental.
Disputou quatro prorrogações, sobreviveu aos altos e baixos da equipe e chegou à final quase como um penetra. A vitória sobre a França foi sofrida, a começar pela perda de Cristiano Ronaldo logo no começo do jogo, mas suficiente para avalizar o título inédito.
Sobre a saída de CR7 deve-se dizer que despertou no time português um espírito de solidariedade ainda mais forte. O que podia ser o fim dos sonhos tornou-se a senha para buscar o triunfo a qualquer custo. O esforço de marcação redobrou, o time se protegeu nos toques laterais e recuos para o goleiro Rui Fabrício e foi levando o jogo à espera da tal “uma bola”.
Sofreu muita pressão ao longo dos 90 minutos (chutou 5 bolas a gol contra 17 dos franceses), quase não ameaçou Lloris, mas teve sempre firmeza e altivez para seguir acreditando. A perseguição ao gol era exclusivamente em lances de contra-ataque ou bola parada.
Foi assim que a seleção lusa quase chegou lá na cobrança de falta de Rafael Guerreiro no começo da prorrogação. A bola estourou no travessão. Logo depois sofreu um tremendo susto com o disparo de Gignac que bateu no poste direito de Patrício. O goleiro ainda defenderia um arremate fortíssimo de Matuidi de fora da área.
Veio então a jogada rápida, rasteira e fulminante que deixou Éder livre à entrada da área. O atacante dominou e chutou no canto direito da meta francesa, confirmando previsão de Cristiano Ronaldo antes de sua entrada em campo.
Um título inédito, que ajuda a esquecer a tristeza de 2004 (quando o título europeu escapou dentro de casa) e confirma a liderança absoluta de Cristiano Ronaldo no elenco português. Se já era ídolo, virou mito pela maneira como regeu o time nos instantes decisivos e encorajou seus companheiros, torcendo nervosamente. Um tremendo exemplo.
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Novo empate e oportunidade perdida
O Papão completou seu oitavo jogo sem sofrer gols na Série B. Foi também o quarto empate seguido. O que antes era um recorde a ser festejado começa a virar motivo de preocupação. É fundamental que a defesa não seja vazada, mas a competição exige que se faça gols.
Na partida de sábado à noite, diante do Londrina, na Curuzu, quando uma vitória faria o Papão pular da 15ª para a 10ª posição, o ataque teve chance preciosa para quebrar o jejum, aos 30 minutos do segundo tempo. O gol certamente garantiria a vitória, pois a partida era muito fechada e presa à marcação. Infelizmente, Betinho cobrou mal a penalidade máxima e o goleiro Marcelo conseguiu defender.
O Papão não atuou mal, mas esteve longe de ser o time envolvente que os 10 mil torcedores presentes esperavam ver em ação. A escalação deu motivos para otimismo. Na meia-cancha, apenas Capanema tinha perfil mais defensivo. Os demais homens de meio – Jonathan, Rafael Costa e Mailson – são habilidosos e agressivos.
Ocorre que o encaixe não se concretizou. Os laterais não apoiavam com a determinação exigida e o setor de criação foi incapaz de sair do nó imposto pelo Londrina à frente de sua zaga. Sem velocidade na saída e muitos erros de passe, restava ao time insistir em bolas alçadas, quase todas sem direção.
Bem vigiados pelos defensores adversários, Betinho e Ruan pareciam incompatíveis, não conseguiam completar uma jogada sequer. Acabaram saindo no segundo tempo, mas os substitutos (Leandro Cearense e Tiago Luís) nada acrescentaram.
O Londrina ainda teve dois bons momentos no final, aumentando a irritação do torcedor, que chiou bastante à saída do estádio. Ao técnico Gilmar Dal Pozzo, porém, o desempenho pareceu satisfatório. Segundo ele, só ficou faltando fazer o gol. Há controvérsias.
(Coluna publicada no Bola desta segunda-feira, 11)
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