
POR GERSON NOGUEIRA
Não há time grande no mundo que não sofra pressão. Naturalmente, ela vem, em dose cavalar, quando a maré é desfavorável. Mesmo depois de conquistar duas competições importantes no começo da temporada – Campeonato Paraense e Copa Verde -, o Papão não está imune às cobranças de sua exigente torcida. E reclamação de torcedor é a que mais repercute e inquieta elenco e comissão técnica.
Os maus resultados iniciais no Brasileiro da Série B levaram à situação atual, embora o ponto que mais causou preocupação foi o fraco rendimento técnico da equipe nas partidas contra Ceará, Oeste e Tupi.
Há em favor do técnico Dado Cavalcanti a extensa lista de jogadores lesionados ou em recuperação. Alguns são titulares ou candidatos a isso, situação que cria embaraços para a formatação do time e atrapalha também o processo de rodízio de atletas que a Série B impõe.
As duas conquistas da temporada ainda reverberam e tiveram importante papel atenuador do começo de crise provocado pela goleada em Juiz de Fora, na terça-feira.
Em outras circunstâncias, o torcedor estaria furibundo e pedindo à diretoria cabeça de treinador e dispensa de jogadores. Com as duas taças na galeria alviceleste, a prosa tem sido outra, mas essa trégua tem prazo de validade – e Dado e seus comandados sabem disso muito bem.
O confronto de hoje à noite com o Luverdense tem tudo para ser o momento da virada na competição. Com 5 pontos ganhos, o time mato-grossense ocupa a sétima posição no campeonato. Não fez grandes investimentos, mas situa-se naquele pelotão dos medianos que podem surpreender.
Em condições normais, o Papão mantém a condição de favorito, pois tem elenco para brigar muito além da incômoda 18ª colocação atual. Além disso, terá o calor de sua torcida, mesmo que esta demonstre estar ressabiada com a campanha. O jogo no estádio da Curuzu deve ter bom público e significa pressão maior sobre o visitante – caso o anfitrião se comporte adequadamente.
Sem Leandro Cearense e Betinho, vetados ontem pelo departamento médico, Dado deve utilizar Fabinho e Alexandro lá na frente, tendo Wanderson como opção para o decorrer da partida. No meio-de-campo, Celsinho segue como o principal articulador. Ele e Rafael Costa serão mantidos, mas é evidente que precisarão render mais do que mostraram até agora.
Uma boa notícia é a confirmação de Lucas como titular. Artilheiro do time na competição, tem se constituído no destaque solitário do Papão, mesmo ocupando uma função mais conservadora e tendo atuado em apenas duas partidas, contra Ceará e Tupi.
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Futebol feminino sob tiroteio
Quando parecia que o futebol feminino conseguiria finalmente pegar embalo, com a entrada em cena da dupla Re-Pa, eis que uma querela ameaça seriamente os rumos do campeonato da modalidade. O Remo, amparado no Regulamento Geral das Competições, impetrou ontem à tarde mandado de garantia contra ato da Federação Paraense de Futebol, que modificou o local do clássico entre Leão e Papão, previsto para domingo.
O Remo alega que a FPF, através de sua diretoria técnica, alterou o local sem cumprir o prazo estabelecido pelo artigo 13 do referido RGC, que estabelece prazo mínimo de 10 dias para qualquer modificação na tabela.
O imbróglio começou com a transferência da partida para Santa Izabel e, posteriormente, para Castanhal. Remistas questionam a mudança de última hora.
Ao mesmo tempo, o Pinheirense questiona a situação de atletas que estão defendendo o Papão. A alegação é de que as jogadoras continuariam vinculadas ao clube.
Diante desse tiroteio todo, fica a sensação de que o campeonato dificilmente chegará a bom termo. A não ser que as normas se ajustem e o bom senso prevaleça. Ainda há tempo.
(Coluna publicada no Bola deste sábado, 28)
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