A jogada premiada

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POR GERSON NOGUEIRA

O mercado futeboleiro foi sacudido sexta-feira com o anúncio de que a diretoria do Papão estabeleceu premiação de R$ 3 milhões aos jogadores e à Comissão Técnica pelo acesso à Série A do Campeonato Brasileiro. A iniciativa é a mais arrojada já adotada por um clube do Norte para ascender ao banquete da elite do futebol nacional.

Ao mesmo tempo em que demonstra a faceta ousada da atual gestão bicolor, o anúncio do prêmio evidencia a saúde financeira do clube. Nunca um clube regional teve robustez suficiente para bancar um prêmio desse porte.

Pequenas fortunas já foram gastas a rodo por dirigentes inconsequentes da dupla Re-Pa ao longo das últimas três décadas, deixando rastros de desgraça que se perpetuaram anos a fio – e teimam em criar dissabores até hoje no front azulino.

A estratégia alviceleste não surgiu de arroubos megalomaníacos. Pelo contrário, é um propósito legítimo, assentado em bases sólidas. O clube dispõe do dinheiro necessário para estimular seus atletas a conquistarem o acesso à Primeira Divisão, sem que isso venha a acarretar prejuízos futuros ou a atrapalhar projetos como a do hotel-concentração e do futuro CT.

Só se surpreende com o arrojo do grupo que dirige o Papão quem não acompanha o trabalho desenvolvido desde a administração Vandick Lima. As finanças, até então caóticas, foram colocadas em ordem ao longo da gestão do ex-artilheiro.

Dívidas foram sanadas e a credibilidade pública da instituição foi resgatada, ao mesmo tempo em que a política do ‘eu sozinho’ cedia lugar ao coletivismo. Foi então que o esforço conjunto de jovens executivos engajados na causa propiciou reformas e melhoramentos no estádio da Curuzu, além da estruturação do programa de Sócio Torcedor.

Como uma coisa puxa a outra, os balanços anuais, transparentes e públicos, passaram a acusar superávit e o dinheiro começou a gerar frutos visíveis aos olhos sempre desconfiados do torcedor. Bons times puderam ser montados, seguindo sempre critérios bem definidos, sem dar muita margem a loucuras consumistas – equívocos como o de Souza, no ano passado, tendem a ser cada vez mais raros.

Muito além das bravatas próprias do passado, os gestores têm se esmerado em manter os pés no chão. A premiação de R$ 3 milhões só é possível porque a vida financeira do clube foi estabilizada. Os salários são pagos em dia, às vezes até com antecedência. O passivo trabalhista está controlado.

Como efeito direto disso, o clube desfruta hoje de grande respeito no mercado boleiro. Jogar no Papão é garantia de receber em dia, o que facilita bastante as negociações com atletas e profissionais da área técnica. A notícia do bicho gordo pelo acesso funciona ainda como marketing altamente positivo para a imagem da agremiação.

Cabe observar ainda que a oferta pelo acesso se insere na política de metas. Ao contrário de outros clubes – Goiás, por exemplo –, que pagam bichos por jogo e correm o sério risco de jogar dinheiro fora, o Papão só vai pagar premiação se a campanha for bem sucedida.

Nos bastidores da bola, a questão das gratificações costuma ser bem espinhosa. Se mal conduzida, gera resmungos e insatisfações generalizadas. Já houve caso, no futebol paraense, de conquistas comprometidas por erros de condução no oferecimento de prêmios.

O próprio Papão já sofreu com isso, anos atrás, quando havia presidente que pagava agrado em dinheiro dentro do vestiário. O Remo pode ter sido vítima de uma falha de negociação às vésperas da final da Copa Verde 2015.

A trilha seguida agora comprova que os dirigentes bicolores abandonaram de vez as velhas práticas e apostam na aplicação responsável dos recursos. Caso o acesso não se confirme, o clube não terá motivos para lamentações no campo financeiro – pelo contrário, terá lucrado com o marketing que a iniciativa gerou.

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Bola na Torre

Guilherme Guerreiro apresenta o programa, com as participações de Zaire Filho e deste escriba de Baião. O meia Celsinho (PSC) será o entrevistado. Começa logo depois do Pânico, por volta de 00h20.

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À procura de um novo caminho

O Remo, que enfrenta um combinado de Bragança na manhã deste domingo, está em fase final de preparativos para a Série C. Vista como prioritária desde o começo da temporada, a competição passou a ter importância ainda maior depois das desastrosas participações do clube no Parazão e na Copa Verde.

Os erros de contratação e a opção equivocada por um técnico inexperiente respondem pelos prejuízos (inclusive no campo financeiro) do começo de temporada. Em função disso, a expectativa cresce em relação à campanha no Brasileiro.

As escolhas do técnico Marcelo Veiga têm se pautado pela coerência. Indicou atletas que conhece, seja por terem jogado sob seu comando, seja por terem atuado bem contra times que treinava.

Héricles, ex-Gama, é um desses exemplos. Impressionou Veiga em partida contra o Botafogo de Ribeirão Preto, onde o técnico trabalhava. Já o meia-atacante Allan Dias e os atacantes Patrick e Fernandinho foram jogadores treinados por ele.

É certo que o Remo iniciará a Série C com fisionomia bem diferente da que tinha até a Copa Verde. Mudanças serão feitas na defesa, nas laterais, no meio e na frente. Boa parte delas já será possível observar no amistoso de hoje.

(Coluna publicada no Bola deste domingo, 15)

15 comentários em “A jogada premiada

  1. O que o PSC vem fazendo é inédito na história do futebol do Norte e deve ser visto, sem os mantos cegos da rivalidade, como modelo a ser seguido e lapidado.

    Como torcedor espero que o trabalho se solidifique, que continue a fazer sucesso e que a sorte (sim, futebol também tem uma dose de sorte, já que não é exato) ajude o PSC na sua difícil caminhada nas competições nacionais.

    Não apenas isso, espero que o próximo presidente, provavelmente Serra, mantenha a cabeça no lugar, que o poder não suba a cabeça e que continue com esse trabalho coletivo que hoje traz grandes feitos para o time de Suíço.

    Parabéns a diretoria e parabéns aos Sócios Torcedores que compraram este projeto.

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  2. Perfeita a análise e é de se parabenizar as últimas administrações do Paysandu. Moro em outro Estado e desde 2013 acreditei nos novos rumos me tornando sócio torcedor e nunca me arrependi. Quando estou em Belém vou aos jogos e até me surpreendo com a organização em relação aos sócios. Parabéns e avante papão.

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  3. Que trabalho sensacional da diretoria bicolor. E a premiação por objetivo é muito mais justa que por jogo avulso e estimula sobremaneira o elenco.

    Paysandu e Remo têm potencial e pujança pra conseguir coisas grandes no futebol brasileiro. Nem preciso citar os motivos, mas tudo começa a partir de profissionalismo, organização, união e trabalho sérios. E é justamente o que diretoria bicolor faz há 3 anos e agora os frutos começam a aparecer. E a torcida, que há muito não é boba, apoia e investe no time, justamente por saber da seriedade do trabalho desenvolvido no clube e dos avanços estruturais e administrativos já conseguidos, e que não pararão por aí.

    Relexo direto disso, são boas campanhas e títulos, porém deve-se ter paciência, o que a maioria de nós, torcedores, não temos.

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  4. Passei alguns dias em Belém nesta semana e aproveitei para visitar o meu primo e compadre Édson Matoso. Na oportunidade entre tantos assuntos, conversamos sobre futebol, principalmente a dupla Remo e Paysandu. Profundo conhecedor do futebol paraense, o Matoso me relatou fatos internos no meio azulino que dificultam em demasia um avanço administrativo satisfatório. São vícios nos meandros do clube muito difícil de erradicar, visto que anos após anos a situação é a mesma: brigas internas, egoísmo, aproveitadores, falsidade e outros mais. O Paysandu conseguiu eliminar esses paradigmas fazendo até o momento uma administração elogiável, o Remo pode fazer o mesmo? Pode, basta os administradores terem coragem para eliminar de vez todos entraves que existem no clube, com isso possa seguir com responsabilidade administrativa os destinos do mais querido.

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  5. A direção bicolor tem lutado muito para conseguir também no campo colher os louros das conquistas na parte administrativa. Dá orgulho de ser Paysandú, estou em João Pessoa desde 2003 e nunca vi a nossa torcida tão entusiasmada a ponto de organizarmos caravanas para acompanhar o time bicolor em Fortaleza, só não fui porque estava de serviço, buá,rs, Recife, Maceió e Salvador.
    Também já apostos a me associar mesmo não vistando a capital paraense desde 2010.
    Assistimos a final da Copa Verde em um Shopping da cidade e a galera paraense, claro não podia faltar os secadores, e também uma grande quantidade de paraibanos simpatizantes do clube alvi-celeste estava em um número significativo principalmente porque os locais torcem para Flamengo e Vasco da Gama, deixando o Botafogo local para último lugar, vem confirmar que esta marca Lobo vai atravessar fronteiras muito facilmente.
    Torço muito para que os próximos presidentes do Paysandú mantenham a seriedade e o compromisso com o Maior Clube do Norte do Brasil.

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  6. A força do PSC sempre veio dos seus torcedores. No entanto, agora, com uma administração organizada e transparente, ficou mais de confiar nosso suado dinheiro ao clube.

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  7. Até o momento, somente comentários lúcidos / inteligentes ! Parabéns aos participantes ! Pena que logo mais, algum doente mental vai tecer algo maldoso..

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  8. Verdade, o blog fica muito melhor com esse tipo de comentário, lúcido, sensato e sem ofensas. Existe uns comédias que perdem a compostura e partem para baixaria, mas não podemos deixar de elogiar a maioria que prefere a troca de idéias e conhecimentos!!
    Grande abraço a todos!!

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  9. O futebol Paraense está vivendo um bom momento:
    1 time na série B
    1 time na série C
    3 times na série D

    Que a diretoria do Remo possa se espelhar no bom trabalho desenvolvido no rival e encaminhar o Remo no caminho certo, já esse ano. Acredito que o projeto do André foi o início de um trabalho que a muito tempo deveria ter começado.

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  10. Caro Carlos Lira, sou remista, mas tenho admiração pelo trabalho da diretoria do rival (admiração assumida não é inveja). Tomara que o André Cavalcante consiga fazer o mesmo no Remo! Mas, para isso, terá que levar o Leão ao acesso e consequentemente, garantir sua reeleição, para poder implementar uma gestão moderna e desta feita, afastar os opositores e seus métodos arcaicos do Baenão. Mas, tenho consciência de que esta será uma tarefa bastante árdua.

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  11. Que tristeza ver um time como o América Mineiro na Série A, apesar do ótimo trabalho do Givanildo. É muito triste ver a bela arena mineira quase vazia em jogo de Série A, enquanto temos times que lotam estádios em qualquer divisão que estejam. Quarta-feira, o Rei Pelé estava lotado, praticamente, só com torcedores do CRB no jogo contra o Vasco, e olha que o time alagoano nem tem as melhores médias de público. Agora, eu imagino um Vila Nova na elite nacional, só pra não falar na dupla RE-PA.

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  12. Mariano ser o Andre conseguir o Acesso pra Série B de 2017 porque não o Titulo da Série C ele ser for ser candidata pra reeleição ganha fácil

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