Por que só agora?

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POR PAULO NOGUEIRA, no DCM

Está havendo uma festa estridente com o afastamento enfim de Eduardo Cunha da presidência da Câmara. É como se o Brasil estivesse se livrando de um câncer.

O ministro Teori, depois de mais de quatro intermináveis meses, aceitou o pedido de remoção de Cunha feito pelo procurador geral Janot.

Mas o foguetório não pode esconder uma questão crucial: por que só agora Teori se mexeu?

É, neste momento, a pergunta de 1 milhão de dólares.

Não mudou nada desde que Janot entregou a solicitação de saída de Cunha em 15 de dezembro.

Quer dizer: não mudou nada em Cunha. Eram amplamente conhecidos seus crimes. Já fazia meses desde que as autoridades suíças tinham dado de bandeja às brasileiras provas de contas secretas de Cunha na Suíça.

Isso configurou perjúrio num depoimento de Cunha na Câmara em que ele afirmou não ter contas no exterior.

Muitas outras evidências se somaram a estas.

Não mudou, portanto, o quadro de Cunha nos últimos meses. Até os analfabetos políticos que o defendiam como “um corrupto nosso” passaram a sentir repugnância dele.

Na verdade, a única coisa que mudou foi que, de mãos livres o tempo todo até agora, Cunha pôde comandar o golpe que vai exterminando a frágil e jovem democracia brasileira.

Por que Teori não fez o que fez antes que Eduardo Cunha transformasse o Brasil num imenso, desolador, patético Paraguai?

Não se tratava de salvar Dilma. Mas de salvar a democracia,  a dignidade, a honra nacional. E também de mostrar à sociedade que o crime não compensa.

Pela lentidão de Teori, fomos obrigados a suportar espetáculos dantescos como a sessão da Câmara em que o impeachment foi aprovado por bufões corruptos de toda espécie.

Fomos obrigados a suportar, um domingo inteiro, o rosto cínico de Cunha sentado no plenário da Câmara como um imperador, como um Nero ateando fogo no país.

Fomos obrigados a suportar o Brasil se transformando em motivo de piada no mundo inteiro, graças a deputados ridículos que dedicaram seus votos a coisas como famílias quadrangulares, maçons, pais, filhos, netos e agregados.

Fomos obrigador a suportar monstruosidades como Bolsonaro dedicar seu sim a um torturador que colocava coisas nas vaginas de prisioneiras políticas grávidas na ditadura.

Teori permitiu todas essas atrocidades nacionais por deixar engavetado o pedido de afastamento de uma das maiores vocações de corrupção da história do Brasil – provavelmente a maior.

Teori permitiu que a situação econômica se deteriorasse ainda mais com o processo de impeachment paralisando o país. Com isso, milhares, talvez milhões de brasileiros perderam seu emprego.

Por quê?

A resposta só o próprio Teori sabe.

O que é todos sabemos é que no tribunal da história Teori será exemplarmente punido por esse crime de lesa pátria.

9 comentários em “Por que só agora?

  1. E quem garante que se o Cunha tivesse sido afastado o admissibilidade do pedido não teria sido admitida pela Câmara? Afinal, se a maioria queria admitir o processo que diferença faria quem presidisse a Câmara durante o processo.

    A presença do Cunha só prejudicou o prestígio da admissão do processo, pois a processada não seria mesmo capaz de reverter aquela decisão.

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  2. A resposta que os cidadãos brasileiros, com o mínimo de discernimento, estão dando em cada ponta de esquina, nos táxi, nas barbearias, enfim, onde tem brasileiros atentos ao golpismo da Globo/PMDB/STF/PSDB/PF/Lava Jato, beira à UNANIMIDADE: o STF e PGR, os dois orgãos seguem a mesma programação do golpe, ou seja, manifestam-se ao sabor dos fatos que culminarão nessa vergonha, que já não é mais nossa, é do mundo inteiro!

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  3. A resposta é bem simples. Porque já atendeu o script. A cronologia do golpe muito bem postada pelo Mario Magalhães no UOL http://blogdomariomagalhaes.blogosfera.uol.com.br/2016/05/04/acoes-da-lava-jato-coincidem-com-vesperas-de-eventos-politicos-decisivos/. Não sei nem quem é mais golpista por escala…Globo, STF, PMDB, PSDB, PF, PGR e por ai vai. Há uma outra suposição que ao pedir o afastamento de Eduardo Cunha agora, Teori faz o seguinte:
    abre caminho para Michel Temer;
    atiça mais ainda a caça obsessiva à Dilma e Lula e
    limpa o nome do STF (neste caso tenta limpar, mas não conseguirá diante da sujeira que está).

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  4. Que punição é prevista par um deus? Pelo que eu saiba, eles julgam ao seu bel prazer, condenam e se absorvem sem a menor vergonha.
    Nem toda a peroba produzida no mundo seria capaz de lustrar a cara de pau deste!
    Vergonha é muito pouco, na verdade o que sinto é algo além disso. Nunca pensei que depois de tanto tempo pisoteado, amarrado pela ditadura fosse viver este momento tão triste na vida do Brasil.

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  5. Antonio Oliveira, a resposta é simples. Não seria admitido o Impeachment. O Eduardo Cunha prometeu inúmeros ministérios para varios partidos que nao estavam base politica da Dilma para votar a favor do impeachment, tanto é verdade que o Temer anunciou que iria reduzir para 20 ministérios, mas o Cunha logo o desautorizou, pois teria que garantir os ministérios para esses partidos.

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  6. Pensei a mesma coisa. Simples a resposta: o processo de impeachment foi tramado nas sombras, numa articulação tão bem orquestrada que faz os canalhas que tramaram o golpe contra Jango em 64 parecerem amadores. E se iniciou logo na primeira semana após a vitória vermelha em outubro de 2014. É só ver a cronologia dos acontecimentos: pedidos de recontagem dos votos, a tese do voto “desqualificaeo” de nordestinos e nortistas, pedidos de cassação da chapa vencedora, a repentina importância dada ao TCU no caso das contas de campanha, as “comemorações veladas” da oposição por um Congresso “mais conservador desde 64”, Cunha escolhido presidente da Câmara, Pautas Bomba, a Lava Jato e a definição clara de alvos, tudo reverberado por uma grande impresa (que blindou figuras oposicionistas e atenuou as denúncias contra as mesmas) a fim de forjar consenso sobre a ilegalidade do governo eleito e o turbinamento da “luta contra a corrupção” por movimentos pseudo-politizados (o MBL, ROL, VPR…). Há algo de muito podre nessas articulações…

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  7. Aládio Oliveira, o exame da conjuntura não pode se restringir a tempos tão recentes. Esta é uma verdade que se constata do rol de deputados que votaram pelo impedimento e pelas alianças que o governo fez lá na origem. Por exemplo, o Imperador Maranhense foi um daqueles que foi adotado pelo governo ainda no mandato do ex.

    Aliás, o Maranhense que era oriundo do partido que apoiou a ditadura militar chegou a ter sua vida política salva pelo próprio cacique do petismo no episódio dos atos secretos do Senado, lembra?

    Pois, é…

    Pois, o filho do imperador maranhense foi um dos que votou pela admissibilidade do impeachment.

    O m a l u f também, de repente passou a integrar o rol dos amigos do governo, contando inclusive com apoio junto à interpol. Como ele votou?

    Houve até quem encenasse estar a favor, com dois ou três votos do curral familiar contra o impeachment, mas, agora, certamente vai votar pelo impeachment para não virar “comida se onça.”

    Valendo registrar que um amigo de sempre, que foi preterido na primeira hora, foi quem não negou apoio, o Deputado E d m i l s o n R o d r i g u e s. Este, com a hombridade que faltou aqueles que o relefaram em troca do pider pelo poder, votou contra a admissibilidade do impeachment.

    Quer dizer, o c u n h a é no máximo um álibe fraco para as desventuras do governo, o qual mais cedo ou mais tarde se romperia pela péssima qualidade das alianças que fez.

    Deveras, não fosse a serpente do c u n h a, certamente teria sido outro, pois o governo criou um verdadeiro serpentário, sem se preocupar que poderia ser vítima do veneno.

    Enfim, o impeachment foi urdido pelo próprio governo, logo que foi eleito e abandonou suas propostas e seus quadros verdadeiros, históricos e fiéis .

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