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A direita tem pressa em empurrar Dilma para fora do governo, observa o jornal de esquerda. Nessa nova reportagem sobre a crise política, Libération questiona se “a imprensa conservadora do país, nas mãos de um punhado de famílias da elite, foi um fator de desestabilização do governo, conforme acusa o Partido dos Trabalhadores (PT)”.

O cientista político João Feres Jr., coordenador do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (Lemep), da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), ouvido pela reportagem do jornal francês, acredita que sim. Ele afirma que a cobertura da crise foi “militante e tendenciosa”. “Grandes grupos de mídia − Globo, Abril e grupo Folha, por exemplo − sempre defenderam seus interesses econômicos, supostamente ameaçados pela esquerda”, afirma o especialista à reportagem.

Imprensa conservadora, polemista e sensacionalista

Libération relata que a revista Veja − descrita como uma publicação “polemista de direita, adepta de capas sensacionalistas” − elegeu o ex-presidente Lula “como o homem a ser eliminado”. A concorrente Istoé combate ferozmente a presidente Dilma, acrescenta o diário, evocando a matéria na qual Dilma teria destruído móveis no Palácio do Planalto num ataque de raiva.

Citando a Folha de S.Paulo, Libération observa que os grandes jornais cotidianos desfrutam de maior prestígio e são menos exaltados, mas também publicam editoriais sulfurosos contra o governo e o PT. Incontestavelmente, é a Rede Globo que cristaliza o ódio dos defensores do PT, diz o Libération, lembrando que a emissora conseguiu, em 1989, impedir a vitória de Lula contra Collor, e recentemente soube, antes do restante da imprensa, da operação policial deflagrada para prender Lula em seu apartamento.

O editorialista Eugênio Bucci, ex-diretor da Radiobras no governo Lula, também entrevistado pelo Libération, reconhece que existe preconceito da mídia contra Lula e parcialidade da imprensa − “favorável ao rival Aécio Neves (PSDB)” −, mas relativiza a perseguição ao PT. Na opinião de Bucci, “o PT não compreende o papel da imprensa e erra ao se colocar em posição de vítima, quando deveria prestar contas dos seus atos em 13 anos de governo”.

Tendência é de aprovação do impeachment, diz Les Echos

O jornal Les Echos registra a debandada na base aliada do governo e a possível aprovação do impeachment pelo plenário da Câmara dos Deputados, no domingo. Diário de tendência liberal e especializado em economia, Les Echos observa que enquanto a crise política chega ao ápice, no Brasil, o Fundo Monetário Internacional (FMI) lança uma grave advertência ao país sobre a degradação das contas públicas, com uma perspectiva de dívida pública em torno de 90% do PIB em 2021. (Transcrito de RFI)

One response to “Jornal francês vê papel desestabilizador da grande mídia contra Dilma”

  1. Avatar de Antonio Oliveira
    Antonio Oliveira

    Muita gente acaba perdendo coisas interessantes quando rejeita a leitura de uma matéria em decorrência de ter opinião diferente daquilo que expressa o seu título. Deveras, no mínimo, perde oportunidade de comprovar aquela máxima, segundo a qual, no todo ou em parte, o título de uma matéria geralmente não retrata com exatidão o seu conteúdo.

    Esta postagem é uma prova da verdade encerrada na referida máxima.

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