Bate-bola: Leston Junior, técnico do Remo

POR CLAUDIO COLÚMBIA – especial para o blog

O novo técnico do Clube do Remo, Leston Junior, depois de assinar contrato e ser oficialmente apresentado pela diretoria, atendeu a uma solicitação para entrevista e respondeu gentilmente a todas as questões a ele endereçadas por e-mail. Ele destacou as expectativas que tem para dirigir o primeiro clube de massa de sua carreira, falou sobre o trabalho junto às divisões de base e quanto aos critérios para contratação de reforços. 

CLAUDIO COLÚMBIA – Você tem 37 anos, mesma idade de Leo Condé, também mineiro, e que hoje faz sucesso no futebol brasileiro. Minas está revelando uma nova safra de bons técnicos, da nova geração, a cada ano. O que Minas tem que o resto do Brasil não tem, quando o assunto é formação de técnicos?

LESTON JUNIOR – Penso que isso é muito questão de época. Se a gente lembrar uma década atrás, a gente vai ver que o Sul do país acabou revelando muitos treinadores. Mano, Tite entre outros… E agora, nesses últimos anos, Minas tem revelado treinadores para o mercado. Atribuo, talvez, ao momento dos clubes. Futebol mineiro, nos últimos 5 anos, vive um momento muito bom de conquistas com os principais clubes, querendo ou não isso chama a atenção da mídia para o Estado e acaba que todo mundo que é do meio fica em evidência. Obviamente, é importante destacar, que os profissionais também estão sabendo tirar proveito disso, se preparando cada vez mais, demonstrando com sequências boas de trabalho capacidade, e aí acaba que tem ficado evidenciado isso no mercado.

CC – Remo é o primeiro clube profissional de massa que você vai treinar. Quando me perguntaram sobre você, eu disse: “Se não sentir a pressão, tem tudo pra dar certo”. Você tem ideia da pressão que é treinar o Remo e está preparado pra passar por cima disso?

LJ – É o primeiro clube de massa, realmente, que eu dirijo. Mas eu não tenho nenhum tipo de receio com pressão, porque a maior pressão que um profissional tem que ter é a interna, a pressão dele com ele mesmo, de buscar os resultados, de buscar a melhora, de buscar rendimentos. Vejo pelo lado positivo.Ter uma torcida tão numerosa e apaixonada como a do Remo tem que ser motivo de motivação, de realmente buscar cada vez mais fazer com que o trabalho frutifique e em função disso o apoio será muito grande. Particularmente, por ser produto do meio, meu pai (ex-atleta das décadas de 50 e 60 chamado Leston Izaias, jogou no Cruzeiro, entre outros clubes) viveu 49 anos dentro do futebol profissional e eu desde que nasci não fiz nada na minha vida que não fosse trabalhar e estudar futebol. Então, me sinto muito preparado, mas isso não é suficiente, preciso continuar me preparando cada vez mais, não só pra lidar com clubes de massa, mas pra lidar com tudo aquilo que é inerente ao futebol, que é um esporte tão competitivo, principalmente no nosso país pela paixão do seu povo.

CC – Aqui em Belém, as pessoas querem que o técnico que venha de fora também olhe pelas categorias de base e ensine fundamentos a esses garotos e ainda querem ele no time titular. Falo que isso requer tempo, logo você teria que estar aqui em novembro, pelo menos, pra ajudar. Como se apresentar no dia 4 de janeiro, e estando a apenas 27 dias da estreia no Parazão, ainda ter que olhar pra base? 

LJ – Veja bem. Trabalhei 9 anos com divisão de base, então tenho uma visão muito particular do que representa uma divisão de base pra um clube, principalmente pra um grande clube, como o Remo. Mas as pessoas precisam entender que o processo tem que ser pedagógico. Você precisa, num primeiro momento, estruturar a sua divisão de base, não só no aspecto físico, de estrutura física, mas principalmente de metodologia, de ideia de futebol do clube, para que num segundo momento você possa ter cada vez mais jogadores chegando preparados ao elenco profissional. Automaticamente, isso já passa a aumentar o número de jogadores aproveitados na equipe principal. Então, a gente vai tentar introduzir alguma coisa de filosofia de trabalho pra auxiliar as pessoas na base, pra que o preparo seja ainda maior e que o clube a médio prazo possa não só ter atletas em potencial para jogar na equipe principal, mas também para que possa, quem sabe aí, comercializar percentual, enfim ter uma receita oriunda do trabalho que é feito nas divisões de base. Não  é um processo rápido, requer um certo tempo, mas que eu tenho o compromisso de auxiliar para que o clube possa o quanto antes já começar a dar passos em busca desse objetivo, que é de todos, para que o clube possa, cada vez mais, oportunizar jovens atletas, preparados, para grandes exigências.

CC – O técnico Mazola fez sucesso no PSC em 2014 e, pra renovar, exigiu que só ele indicasse as contratações de jogadores. Dado Cavalcante, seu substituto no clube, pediu pra ser mais ouvido nas contratações de jogadores. Temos muitos exemplos desses aqui. Ou seja, tem muita gente que contrata e na maioria das vezes erradamente, e o técnico é que leva a culpa. Como lidar com isso, para que não atrapalhe seu trabalho, sabendo que no Remo acontecia a mesma coisa (não sei hoje)?
LJ – Sobre essa questão de contratação, penso da seguinte forma: montagem de elenco é uma das tarefas mais difíceis dentro de um planejamento de futebol. Vejo que tem que ser compartilhada essa responsabilidade. Não pode a direção de um clube de forma aleatória contratar diversos jogadores sem o consentimento de um treinador, uma vez que o treinador é que vai trabalhar com os atletas no dia a dia. Mas, da mesma forma, não vejo o treinador com poderes de também de montar o elenco de um clube. Acho que isso deve ser compartilhado, discutido, esgotadas todas as possibilidades, de nome a nome, perfil, característica, enfim, tudo aquilo que envolve uma contratação para que você diminua a margem de erro, e é assim que a gente tem procurado iniciar esse trabalho. Discutindo, conversando com as pessoas do futebol do clube, para que a gente possa tentar, juntos,montar uma equipe qualificada em condições de brigar pelos nossos objetivos

CC- Você conseguiu o acesso à Série B pelo Tupi. Existe segredo para se chegar à Segunda Divisão?

LJ– Em 2014, eu disputei a Série C e bati na trave. Perdi o acesso pro CRB, quando eu estava no Madureira. Em 2015, nós conseguimos ficar as 18 rodadas no G4 e subir com 2 vitórias (mata-mata com o ASA). Acredito que os ensinamentos de 2014 ajudaram muito. A Série C é uma competição longa, como são as séries A e B do Brasileiro. Você não vai conseguir iniciar e terminar jogando do mesmo jeito. Você vai oscilar em algum momento, é natural, numa competição de 6 meses. O importante é você ter realmente um elenco equilibrado e, acima de tudo, você ter um bom planejamento que faça com que você consiga pontuar na média. Diria que se você conseguir (por baixo) a cada 6 jogos conquistar 9 pontos, é uma média que vai aproximar muito da possibilidade de classificação. Enfim, acho que a estratégia elaborada para a competição é fundamental. Saber em que momento você pode ter uma queda e não comprometer sua pontuação em função de uma queda de rendimento. Acho que isso foi fundamental (o aprendizado de 2014 no Madureira) para que em 2015 pudesse, no Tupi, ter êxito. E, aqui, eu espero que não seja diferente, que a gente possa trazer os ensinamentos dessas 2 séries C que eu disputei e que tive um aproveitamento muito bom – em 36 rodadas da fase de classificação, eu fiquei 33 rodadas no G4, 15 pelo Madureira e 18 pelo Tupi. Temos uma boa performance nessa competição e espero que a gente possa trazer esses ensinamentos para que a gente faça uma grande Série C, também, aqui no Remo.

CC- Em época de contratações de jogadores, sempre faço essa pergunta a meus entrevistados sobre determinado jogador que possivelmente esteja contratado e, com você, não seria diferente. Marco Goiano foi seu camisa 10 no Tupi. É um dos reforços indicados por você ao Remo?

LJ– Todo e qualquer bom jogador pode ser indicado não só por mim, mas por qualquer pessoa envolvida dentro do trabalho. O atleta citado, Marco Goiano, é um atleta que trabalhou comigo no Tupi e que a gente monitora há muito tempo. É um jogador de muita qualidade, de uma personalidade boa, de uma boa conduta. Enfim, tem o perfil que eu entendo ser interessante. Todo jogador com esse perfil vai sempre nos interessar, mas entre nos interessarmos e contratar existe uma distância, não só dele, mas de todo e qualquer bom jogador. Mas, se possível for, não tenha dúvida que é um bom nome, sim, não só pro Remo, mas pra qualquer equipe que almeja ter um time competitivo.

CC- O que o torcedor pode esperar de Leston Junior à frente do Clube do Remo?

LJ – O torcedor pode esperar primeiro uma retribuição, através de muito trabalho, de muita dedicação, de muito empenho, retribuindo a todo carinho que tenho recebido desde o meu acerto até o momento. Recebi inúmeras mensagens em rede social, via WhatsApp, manifestações em meu site oficial. Realmente, eu tenho recebido um carinho muito grande e isso me dá uma responsabilidade também grande de trabalhar muito e tentar retribuir da melhor maneira possível o carinho desse torcedor. Obviamente que o torcedor tem que ter a expectativa quanto a um time que vai ser muito competitivo pra brigar por todos os objetivos que o clube tem propostos para 2016. Entender que ele é a parte fundamental. O apoio, o incentivo, a confiança do torcedor é que nos abastece de energia e de força para que, dentro de campo, nós possamos fazer o nosso melhor em busca dos objetivos da instituição, que é o que mais importa.

12 comentários em “Bate-bola: Leston Junior, técnico do Remo

  1. Columbia, você deu uma força pro cara falando que ele é uma revelação e tal. Ele embarcou e logo citou Mano e Tite rss, para em seguida confirmar que o Remo é seu primeiro time de massa. Logo, vamos devagar, pois um acesso à B e ser forasteiro, sinceramente não quer dizer muita coisa. Boa entrevista.

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  2. Grande Claudio Columbia, fazendo uma análise técnica de mais esta sua entrevista, você sabe que em análise técnica a gente trabalha com a razão, tendo de analisar minuciosamente o conteúdo do que estamos analisando e emitir opiniao de valor. Posto isso, a minha opinião é que esta seja a sua pior entrevista desde que iniciou este grande trabalho coloborando com o blog até que aquela com o Pirão. E na contramão disso, esta era uma entrevista que tinha tudo para agradar porque não faltariam muitas perguntas atraentes ao entrevistado, que no caso faltaram. Ou seja amigo:

    Lembre que você entrevistou um treinador azulino novato e novo, de um time em precárias economias, onde em nem um momento você colocou em xeque ou perguntou a ele o que fazer para tentar a difícil missão de subir um time que está numa crise financeira mais braba da história, onde no reverso da medalha esse time vem de acesso e bi estadual, porém não esquecendo que foi feito uma força tarefa, entre o treinador que subiu o time e os atletas que se fecharam no sentido de subir o time custe o que custar, jogando inclusive surpreendentemente de graça em pro do clube, onde a dúvida fica se ele e os novos atletas tiverem com salários atrasados, vão ter a msma dedicação do treinador e atlestas anteriores???

    Outra é que você entrevistou o homem como se ele estivesse num time de boa estabilidade financeira, e ele se sentiu dessa forma na respostas deu e que também em nem um momento citou a crise do clube, de como ele e seus comandados pretendem superar. Outro dia eu até brinquei aqui que esse treinador parece que está no THEUSEA , clube inglês que tem a camisa em azul escuro parecida com o azulino. rsrsrrsrsr

    Outra pergunta que seria interassante, é que no adverso as maiores dificuldades em 2015, vieram as maiores conquistas do time nos últimos 7 anos. Mas para isso foi preciso um treinador daqui, salário baixo ter liderança e carisma para trazer todo o grupo para o seu lado, e ao mesmo tempo ter a paciência de JÓ para aturar a desconfiança da torcida e principalmente de dirigentes, conselheiros e abnegados remistas, os quais mesmo o cara sendo o tecnico mais vitorioso dos 7 anos, nunca deixaram de fazer beicinhos para ele e no final causaram sua saída do clube, Esse treinador novato vai ter essa postura do do anterior??

    Essas seriam algumas interesantes amigo Columbia, mas valeu sua intenção

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  3. Parabéns ao Claudio por mais um bom trabalho, dessa vez tirou leite de pedra, pois esse rapaz é um técnico semi amador e vem pra um time que acabou de sair da última divisão nacional

    Cadê os remistas que se preocupam com o Pika pra comentar aqui em um assunto de seus interesse?

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  4. Valeu, amigo Edson..Grato, amigo

    Rsrs… Amigo Nélio, veja..Hoje, a diretoria do Remo, é outra… Até o presidente, é outro…Quem contratou o Cacaio, foi o Minowa…Penso que nada tem a ver, amigo… Não posso fazer uma entrevista, prevendo que o Remo passará por tudo aquilo, de novo… Mas, é como falo, conselho é bom e todo mundo gosta…Vou tentar aproveitar algumas dicas que você me deu… Ok? Grato pelo prestígio

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  5. Cláudio e Gerson

    O treinador disse aquilo que penso sobre contratações. Na minha opinião a responsabilidade deve ser compartilhada. Nunca concordei com essa coisa de o treinador sozinho montar o elenco. Isso não acontece nos grandes clubes do sudeste. Penso que o treinador deve indicar atletas de confiança e atletas que ele conheça.

    Mas penso que a diretoria tem direito de indicar atletas locais ou que o treinador desconheça. É verdade que nossos dirigentes desconhecem o mercado e os clubes não contam com olheiros profissionais, mas a historia mostra vários atletas que deram certo em remo e paisandu e que foram indicações de dirigentes.

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  6. Já tem mucura se borrando de medo. Fiquem tranquilas que dessa vez o Remo só elimina o lobinho uma única vez.

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