POR LÚCIO FLÁVIO PINTO – lucioflaviopinto.wordpress.com
Onde está o governador do Estado, Simão Robison Jatene?
Eu podia pegar o telefone, ligar para uma meia dúzia de fontes e saber do paradeiro de sua excelência. Preferi neste momento proceder como um cidadão comum. Se tem que aparecer para mim, o governador tem que aparecer para qualquer um dos 2 milhões de habitantes da Grande Belém ou dos 8 milhões de paraenses espalhados por este território de continente.
Os belenenses estão muito assustados. O cidadão comum anda receoso pela rua. A família que pode evitar circular. Todos se comportam como se estivesse para cair uma tempestade. Pode ser uma nova chacina. Pode ser um novo ataque a policial, do qual logo derivará uma chacina. Pode ser um desses assaltos e assassinatos cotidianos sem conexão entre si. Pode não surgir nada. Mas a população está assustada, indefesa, com medo, revoltada e indignada.

A maior autoridade pública do Estado devia já ter feito, pelo menos, o seguinte:
1 – Reunido todo o sistema de segurança pública e determinado o início de uma operação reforçada de segurança, colocando, em turnos alternados, todo efetivo policial na rua, com um plano de ação ordenado e entrosado, para apresentar resultados, dentro da lei.
2 – Ido pessoalmente dar meus pêsames ou seu conforto pessoal às famílias do PM assassinado e do outro PM gravemente baleado.
3 – Feito o elogio dos oficiais que deram proteção ao hospital da Unimed, para impedir um novo atentado à vida de um cidadão e ao grau de civilização de um povo, seja lá de quem for.
4 – Convocado um pronunciamento público pelos meios de comunicação para prestar contas do que fez, do que vai fazer e do que espera de cada um para que a normalidade e a paz voltem a se estabelecer na comunidade.
5 – Demitir todos os servidores públicos, especialmente os detentores de cargos de confiança, que não se portaram com competência, dignidade e coerência no exercício das suas funções.
Mas o governador sumiu. E o seu desaparecimento causa uma grave lesão à sua autoridade. O pai do militar assassinado se investiu do direito, conferido por sua dor, de chamar à ordem o governador, criticá-lo e quase ofendê-lo. O excesso da mensagem pela internet de Ílson Pedroso tem que ser relevado pela circunstância de que nem ele, sua família e o cadáver do seu filho receberam o apoio do governador. E a presença do secretário de segurança pública, um homem de gabinete, foi tardia.
Quando o Estado renuncia à sua função na sociedade, que é o de arbitrar, dirimir conflitos, orientar e dar uma diretriz civilizatória, reina a barbária, o caos, a desordem. É a vez de Behemoth ou Leviatã. Da próxima vez, o fogo.
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