Uma paixão chamada Jiu Jitsu

A criação de um “treinão feminino de Jiu Jitsu” surgiu a partir das ideias de duas praticantes da Arte Suave que não se conheciam; de um lado, a faixa preta Mel Melo, que almejava reunir, pelo menos uma vez a cada mês, as praticantes de Jiu Jitsu de Belém; do outro, a faixa azul Manoela Alves, que vinha pondo em prática o aprendizado da faculdade de publicidade para manter uma página nas redes sociais intitulada “Jiujiteira Paraense”.

Não demorou muito para que ambas, unidas pelo Jiu Jitsu, se encontrassem pelos tatames da vida e colocassem em prática o que até então parecia inviável devido à dificuldade de juntar as atletas espalhadas por várias academias. Após algumas tentativas frustradas, que jamais serviram de motivo para desistirem, elas, por meio de mobilizações acertadas, produção de material de divulgação, criação de uma logo e muito diálogo via redes sociais com professores e alunas das academias da cidade, conseguiram realizar o I Treinão de Jiu Jitsu Feminino (com o futuro nome ainda em construção), no dia 4 de junho de 2015, e, mesmo com o comparecimento de apenas 19 meninas, o evento foi considerado um sucesso por ter permitido uma interação que mais tarde contagiaria várias outras mulheres.

No dia 15 de agosto, aconteceu o II Treinão Jiujiteira Paraense, já com novo nome, agregando a ideia do “treinão” com a marca “Jiujiteira Paraense”, onde 33 meninas se fizeram presentes, o que demonstrou que o grupo ficava mais forte a cada dia.

E, no dia 19 de setembro aconteceu em Belém, na Academia Machida, o que as idealizadoras desse sonho mas esperavam, o III Treinão Jiujiteira Paraense (TJJP), a maior reunião, no mesmo espaço, de mulheres praticantes de Jiu Jitsu da história do Estado do Pará, onde foi possível contabilizar mais de 100 praticantes assíduas da Arte Suave.

Os ganhos do “Jiujiteira Paraense” podem ser mensurados de forma progressiva, pois com o fortalecimento do grupo, vieram os apoiadores e patrocinadores. Neste último “treinão” houveram doações de equipamentos para treino que foram sorteados, patrocínio para as camisas oficiais do grupo, distribuídas gratuitamente, inscrições em campeonatos, sorteio de brindes diversos, a cessão gratuita do espaço para a realização do “treinão”, além da cobertura da imprensa local. O grupo também conta com o apoio de outras atletas da modalidade, como as faixas preta Erika Vilhena, Katia Reale e Valdirene Santos que ajudam não só no planejamento das atividades, mas na organização e condução do treino em si. Há também o apoio de professores de várias academias, de familiares das atletas, simpatizantes e amigos da Arte Suave.

O “Jiujiteira Paraense” cresceu e ganhou um propósito maior, atualmente é um grupo que visa incentivar o Jiu Jitsu feminino do Estado do Pará, dirimir preconceitos contra as mulheres que praticam a Arte, valorizar e dar visibilidade às atletas de um modo geral e, sobretudo, incutir na mente de cada uma que somente por meio da união de todas será possível conquistar os outros objetivos. Uma das maiores dificuldades encontradas pelas atletas femininas, e esta é uma situação de nível mundial, é a equiparação da premiação masculina à feminina nos campeonatos, uma vez que os valores pagos às mulheres são muito inferiores à dos homens. A injustiça está no fato de que elas, mesmo sendo em menor número, treinam e investem na sua evolução nos tatames tanto quanto eles, e, por se tratar de minoria, as vezes são até mais exigidas do que os homens.

Texto: Erika Vilhena para o Diário do Pará.

Fanpage: jiujiteiraparaense
Instagram: @jiujiteiraparaense
E-mail: jiujiteiraparaense@gmail.com

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